| sissy spacek em “carrie, a estranha” |
Ao
constatar, estupefato, que baseou o protagonista de “O
Iluminado” em sua própria pessoa, deixou os vícios de muitos
anos, cortando o álcool e droga. Mantém-se sóbrio desde então.
Escreve ao som do AC/DC, Metalica, Anthrax, Judas Priest etc. Em 1999, sofreu
um acidente grave. Atropelado em uma de suas caminhadas, perdeu a
memória, fraturou o quadril, quebrou a perna e teve danos pulmonares. Se
recuperou. Pouco depois, publicou uma série de folhetins no seu
website, sendo um dos primeiros escritores famosos a recorrer
ao virtual. Numa das histórias, uma videira cresce numa editora de livros de bolso, trazendo sucesso e riqueza em troca
de sangue e carne fresca. Aos 65 anos, multimilionário, vive numa mansão
vitoriana de 24 cômodos em Bangor, no Maine (EUA), com portão em forma de
aranha emoldurado por gigantescos morcegos.
| jack nicholson em “o iluminado” |
GALERIA MALDITA de STEPHEN KING
CARRIE, a ESTRANHA
(Carrie, 1976)
direção de Brian de Palma
elenco: Sissy Spacek, Piper Laurie, Amy Irving,
William Katt e John Travolta
Do romance “Carrie”, de 1974. Teve uma sequência em 1999 e uma refilmagem de 180
minutos para a TV em 2002. Concorreu aos Oscars de Melhor Atriz e Melhor Atriz
Coadjuvante. Rendeu elogios – e uma bela bilheteria – a Brian de Palma. Carrie
White (a ótima Sissy Spacek) é uma garota que não tem amigos por conta de sua
mãe, Margareth (a veterana Piper Laurie, bela mocinha da Universal ao lado de
Tony Curtis e Rock Hudson), uma pregadora religiosa que se torna mais louca a
cada dia que passa e mantém a filha em isolamento quase total. Motivo de piada
na escola, ela é ridicularizada diante de todos os colegas num baile. O que ninguém imaginava é que a estranha
menina possui poderes paranormais que ficam mais fortes quando ela fica com
raiva. King acha que o filme tem estilo. Eu concordo com ele.
O ILUMINADO
(The Shining, 1980)
direção de Stanley Kubrick
elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall e
Danny Lloyd
De “O Iluminado” (1977), tornou-se uma minissérie homônima para a TV em
1997. Não é apenas uma das melhores adaptações de Stephen King, mas também um
dos grandes filmes de terror do cinema. Um cult. Inexplicavelmente, o escritor
não ficou satisfeito com essa versão, considerando-a fria e intelectualizada. O
escritor Jack Torrance (Jack Nicholson, excepcional, embora mais careteiro do
que nunca) é contratado para vigiar um hotel no Colorado durante o inverno. Ele
leva sua esposa (Shelley Duvall, uma das musas de Altman) e seu filho (Danny
Lloyd). Por ser inverno e a região estar cheia de neve, o hotel deixa de
funcionar e Jack e sua família acabam ficando isolados. A situação começa a se
complicar quando ele passa a ter problemas mentais devido ao isolamento,
ficando cada vez mais agressivo e perigoso. Pra piorar a situação, seu filho
Danny começa a ter visões de acontecimentos terríveis ocorridos no passado.
A HORA da ZONA MORTA
(The Dead Zone, 1983)
direção de David Cronenberg
elenco: Christopher Walker, Brooke
Adams, Tom Skerritt
e Martin Sheen
Do
livro “Zona Morta”, de 1979, transformado em série de TV homônima em 2002. Sóbrio
e um dos filmes mais controlados de Cronenberg. Johnny Smith (Christopher
Walken), um professor de literatura prestes a se casar, sofre um acidente de
carro e fica cinco anos em coma. Ao recobrar a consciência, descobre que perdeu
sua carreira e sua noiva (Brooke Adams), mas em compensação ganhou poderes paranormais
que o permitem antever o futuro. Assim, ele tem o poder de alterar o curso dos
acontecimentos e este é o seu dilema: interferir ou sofrer sozinho, sabendo das
tragédias que estão por acontecer.
CONTA COMIGO
(Stand by Me, 1986)
direção de Rob Reiner
elenco: Will Wheaton, River Phoenix,
Kiefer Sutherland
e Richard Dreyfuss
Do
conto “O Corpo”, de 1982. A história é autobiográfica, baseada num fato
realmente ocorrido na infância de King. Inclusive, o próprio autor é retratado,
no personagem que se torna um escritor quando adulto. Uma obra sensível, terna
e intimista, embalada por uma bonita trilha sonora. Talvez a mais atípica do
universo literário do autor. Conta a história de quatro amigos que partem em
uma jornada em busca de um cadáver, e que acabam aprendendo valiosas lições durante
o caminho. Quando encontram marginais, que também
procuram o corpo, descobrem uma força que não sabiam ter. Filme que trata com delicadeza o tema da amizade e da experiência do amadurecimento.
LOUCA OBSESSÃO
(Misery, 1990)
direção de Rob Reiner
elenco: James Caan, Kathy Bates e Lauren Bacall
Do romance “Angústia”, de 1987. Kathy Bates ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua
atuação ensandecida da psicopata que prende um escritor - de quem se diz “fã
número 1” - depois que ele sofre um acidente de carro. Chocante o momento em
que seu personagem quebra os pés do ídolo com uma pá. Sem poder se locomover,
ele se vê à mercê das loucuras da “fã”. Duelo de atores com extrema tensão
física. Reiner revisita o universo de King em mais uma narrativa pé-no-chão,
sem delírios sobrenaturais.
A METADE NEGRA
(The Dark Half, 1993)
direção de George A. Romero
elenco: Timothy Hutton, Amy Madigan,
Michael Rooker
e Julie Harris
Do
romance “A Metade Negra”, de 1989. Um escritor, Thad Beaumont (Hutton), cria um
pseudônimo para obter sucesso. Ao decidir eliminá-lo, dá origem a um duplo
sanguinário. A partir daí estranhos e violentos assassinatos são cometidos,
sempre precedidos de uma revoada de pardais. O roteiro tem paralelos com a
carreira de King.
Um SONHO de LIBERDADE
(The Shawshank Redemption, 1994)
direção de Frank Darabont
elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman e
James Whitmore
Do
conto “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”. Fala de Andy Dufresne (Tim
Robbins), um jovem e bem sucedido banqueiro que é condenado a prisão pelo
assassinato de sua esposa e do amante dela. Cumprindo pena perpétua, faz
amizade com Ellis Boyd Redding (o talentoso Morgan Freeman), um
prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro da
instituição. Primeiro filme dirigido por Darabont. Concorreu aos Oscar de Melhor
Filme, Melhor Ator (Freeman), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor
Edição e Melhor Trilha Sonora Original.
ECLIPSE TOTAL
(Dolores Claiborne, 1995)
direção de Taylor Hackford
elenco: Kathy Bates, Jennifer Jason
Leigh, Christopher Plummer
e John C. Reilly
Do
livro “Eclipse Total”, de 1992. Selena St. George (Jennifer Jason Leigh), escritora
de sucesso que vive em Manhattan, fica surpresa com a notícia de que a sua mãe,
de quem se encontra afastada, foi acusada de homicídio. Com ressentimento, regressa à sua pequena cidade natal para oferecer
ajuda. Não que ela acredite que Dolores (Kathy Bates) seja inocente. Yem
suspeitas acumuladas desde há vinte anos. O passado e fatos atuais revelam a verdade aterradora por detrás de
misteriosas mortes.
O APRENDIZ
(Apt Pupil, 1998)
direção de Bryan Singer
elenco: Ian McKellen, Brad Renfro e Elias Koteas
Do
conto “Aluno Inteligente”, narra a história de um adolescente que descobre que
um de seus vizinhos é um criminoso nazista, passando a chantageá-lo para que
ele lhe conte as mais terríveis histórias sobre a Segunda Guerra Mundial. A
partir de então um tenso jogo psicológico surge entre os dois, ameaçando a sanidade
do garoto. Firme direção de Bryan Singer e impecável atuação da dupla central, McKellen
e Renfro.
À ESPERA de um MILAGRE
(The Green Mile, 1999)
direção de Frank Darabont
elenco: Tom Hanks, Michael Clarke
Duncan, David Morse,
Graham Greene e Patricia Clarkson
Adaptada
da minissérie literária “O Corredor da Morte” (1996), a primeira e única escrita
por Stephen King. Somente depois da produção do filme é que os capítulos foram
reunidos em um único livro. Retrata o cotidiano - e o relacionamento muito
especial do policial Paul Edgecomb (Tom Hanks) com o condenado John Coffey
(Michael Clark Duncan) - no corredor da morte de uma prisão norte-americana.
Aos poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta
de um dom misterioso. Arrecadou nos EUA 130 milhões de dólares, concorrendo ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Duncan), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Som.
SOBRE o AUTOR
“Dissecando Stephen King / Bare Bones:
Conversations on Terror with Stephen King” (1988)
de Tim Underwood e Chuck Miller