Com uma habilidade especial para personagens elegantes, contidos e sombrios, o carismático JEAN-LOUIS TRINTGNANT (nasceu em 1930. Piolenc / França) é reconhecido como um dos mais importantes atores europeus. Sutil, cheio de nuances, sensível e inteligente, inicialmente foi considerado sem talento. Depois de estudar teatro com o lendário Gérard Philliphe, fez sua estréia nos palcos parisienses em 1951. No cinema, conseguiu sua grande chance em “E Deus Criou a Mulher / Et Dieu... Créa la Femme” (1956), o erótico e famoso filme de Roger Vadim, estrelando Brigitte Bardot, com quem o ator teve um affair bastante explorado pela mídia. Incomodado com o escândalo - Bardot era casada com Vadim - ele se alistou no exército, servindo na Argélia.
Nascido numa família rica, filho de um industrial, nos anos 60/70 atuou em uma série de longas politizados, mas conheceu a glória internacional em um clássico romântico, “Um Homem e Uma Mulher” (1966), ao lado da sofisticada Anouk Aimée (indicada por ele para o filme). Pouco depois, recusou o papel dado a Marlon Brando em “Último Tango em Paris / Ultimo Tango a Parigi” (1972) por causa das cenas de nudez que o roteiro determinava. Também não aceitou produções de Francis Ford Coppola, William Friedkin e Steven Spielberg, preferindo o cinema de autor. Segundo o diretor Eric Rohmer, JEAN-LOUIS TRINTIGNANT “é um ator no espírito dostoievskiano. Suas atuações se equilibram entre a luz e a sombra. Ele não suporta personagens superficiais”.
Casou-se duas vezes, a primeira com a atriz Stéphane Audran, e a segunda com a diretora e roteirista Nadine Trintignant, mãe de sua filha Marie. Nascida em 1962, a talentosa Marie Trintignant terminou brutalmente assassinada pelo namorado, o cantor Bertrand Cantat – da banda “Noir Désir” -, em 2003. Enciumado, ele agrediu-a até a morte num quarto de hotel, na Lituânia, onde ela filmava. Com fraturas no crânio e na face, a atriz teve o rosto desfigurado pela violência do criminoso. Conhecido como intelectual, o enigmático, tímido e melancólico JEAN-LOUIS TRINTIGNANT trabalhou em mais de 130 filmes, atuando entre a França e a Itália com diretores de prestígio como François Truffaut, Costa-Gavras, Ettore Scola, René Clement, Abel Gance, Valério Zurlini, Alain Cavelier, Dino Risi, Claude Chabrol, Bernardo Bertolucci e Michel Deville.
“Tive o meu melhor trabalho como ator em ‘O Conformista’. É também o meu melhor filme”, confessou o ator. Como cineasta, dirigiu duas pérolas do humor negro, feitos com talento e perfeito domínio da técnica: “Um Dia dos Diabos / Une Journée Bien Remplie ou Neuf Meurtres Insolites dans une Même Journée par un Seul Homme dont ce N'est pas le Métier” (1973) e “Le Maître-Nageur” (1979). Urso de Prata de Melhor Ator no Festival de Berlim (“L’Homme Qui Ment”, 1968) e Melhor Ator no Festival de Cannes (“Z”, 1969), nos últimos anos JEAN-LOUIS TRINTIGNANT direcionou o seu trabalho exclusivamente para os palcos, mas está de volta – e em grande estilo - em “Amour” (2012), de Michael Hanake, ao lado de Isabelle Huppert.
10 VEZES TRINTIGNANT
Carlo Caremoli em
VERÃO VIOLENTO
(Estate Violenta, 1959)
direção de Valerio Zurlini
elenco: Eleonora Rossi-Drago e Jacqueline Sassard
Jean-Louis Duroc em
Um HOMEM, uma MULHER
(Un Homme et Une Femme, 1966)
direção de Claude Lelouch
elenco: Anouk Aimée
Paul Thomas em
As CORÇAS
(Les Biches, 1968)
direção de Claude Chabrol
elenco: Jacqueline Sassard e Stéphane Audran
O Juiz em
Z
(Z, 1969)
direção de Costa-Gavras
elenco: Yves Montand e Irene Papas
Jean Louis em
MINHA NOITE com ELA
(Ma Nuit Chez Maud, 1969)
direção de Eric Rohmer
elenco: Françoise Fabian e Marie-Christine Barrault
Marcello Clereci em
O CONFORMISTA
(Il Conformista, 1970)
direção de Bernardo Bertolucci
elenco: Stefania Sandrelli e Dominique Sanda
Julien Vercel em
De REPENTE, num DOMINGO
(Vivement Dimanche!, 1983)
direção de François Truffaut
elenco: Fanny Ardant
Scrutzler em
RENDEZ-VOUS
(Idem, 1985)
direção de André Téchiné
elenco: Juliette Binoche e Lambert Wilson
O Juiz em
A FRATERNIDADE é VERMELHA
(Trois Couleurs: Rouge, 1994)
direção de Krzysztof Kieslowski
elenco: Irène Jacob
Lucien Emmerich e Jean-Baptiste Emmerich em
TODOS QUE me AMAM TOMARÃO o TREM
(Ceux Qui M’Aiment Prendront Le Train, 1998)
direção de Patrice Chéreau
elenco: Pascal Greggory e Dominique Blanc