Mostrando postagens com marcador Farley Granger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Farley Granger. Mostrar todas as postagens

agosto 04, 2011

************ QUIZ show Nº 1: NICHOLAS RAY

gloria grahame em “a vida íntima de uma mulher”


 
 
QUEM foi NICHOLAS RAY?

Inspirado na idéia remota do longa “Quiz Show / idem”, de 1994, dirigido por Robert Redford, “O Falcão Maltês” lança um despretensioso teste de conhecimentos cinematográficos, no qual o concorrente responderá perguntas sobre determinado filme, diretor ou ator/atriz da era clássica. O cinéfilo que acertar o maior número de respostas será contemplado com dois DVDs (cópias) do artista sabatinado. Caso haja empate, vence quem respondeu em primeiro lugar. As respostas serão reveladas na edição/postagem seguintePara iniciar, a irreverência de um diretor cult: NICHOLAS RAY (1911 - 1979. Galesville, Wisconsin / EUA). Realizador com marcas fortes – por exemplo, heróis frágeis, marginalizados, que tentam sobreviver em um mundo duro -, ele era um rebelde. E não apenas porque o seu filme mais famoso tenha sido “Juventude Tranviada / Rebel Without a Cause” (1955). Rebelde de fato, com uma vida marcada por uma espécie de vertigem de autodestruição. Dependente de drogas e álcool, bissexual, rejeitado por Hollywood depois de abandonar inúmeras filmagens, dedicou-se ao ensino universitário, lecionando Cinema e Direção até meados dos anos 70

Admirado por subverter os gêneros estabelecidos, os seus heróis masculinos são fracos, neuróticos, procurando muitas vezes fugir deles próprios. As mulheres, quase sempre, são o seu apoio. Segundo François Truffaut, em texto de 1955, “Todos os seus filmes contam a mesma história, a de um violento que gostaria de deixar de sê-lo e seu relacionamento com uma mulher mais forte, pois o espancador, eterno herói de Ray, é um fraco, um homem-criança, quando não simplesmente uma criança. (…) Os filmes de Ray geralmente entediam o público, que se irrita com sua lentidão, sua seriedade, na verdade seu realismo”. Cineasta autoral, NICHOLAS RAY dirigiu histórias autênticas, de um humanismo ardente, de uma simpatia pelos mais vulneráveis, os de coração feridos, os solitários e os párias, que tropeçam nobremente em seus filmes. Tributo concluído, vamos ao teste ardiloso. O desafio está lançado!
01
O emblemático “Juventude Transviada”, um imenso sucesso que disseminou pelo mundo inteiro o comportamento de jovens rebeldes, marcou a estréia no cinema de um celebrado intérprete. De quem falo?

a. Sal Mineo, como Plato.
b. Natalie Wood, como Judy.
c. Dennis Hopper, como Goon.
d. James Dean, como Jim Stark.

02
O talento do diretor não fascinou a crítica norte-americana da época, mas encantou os críticos da revista francesa “Cahiers Du Cinéma”. Um deles o definiu como o mais importante cineasta do pós-guerra...

a. François Truffaut.
b. Eric Rohmer.
c. Jean-Luc Godard.
d. Jacques Rivette.

john derek em “o crime não compensa”
03
Ele estudou arquitetura com Frank Lloyd Wright e trabalhou no teatro, como ator, antes de estrear nas telas. Nos palcos foi dirigido por um diretor de cinema. Lembra?

a. Joseph Losey.
b. Elia Kazan.
c. Daniel Mann.
d. Jules Dassin.

04
Bissexual assumido, casou-se quatro vezes. Uma delas com a atriz Gloria Grahame, entre 1948 e 1952. O motivo do divórcio deles:

a. Ela não agüentava a bebedeira dele.
b. Ele a encontrou na cama com o seu filho de outro casamento, de 13 anos.
c. Ele preferiu assumir o caso com o ator Farley Granger.
d. Drogado, ele a espancou.

05
Cineasta alemão, fascinado pelo diretor, co-dirigiu documentário com ele nos anos 80:

a. Werner Schroeter.
b. Volker Schloendorff.
c. Wim Wenders.
d. Werner Herzog.

farley granger em “amarga esperança”
06
No primeiro longa de Nicholas Ray, o lírico “Amarga Esperança / They Live by Night”, de 1949, o personagem de Farley Granger passa a maior parte do filme fugindo com a namorada, num autêntico road-movie. O motivo da fuga:

a. Assaltou um banco.
b. Matou acidentalmente um mafioso.
c. Dívida com agiota perigoso.
d. Apenas rebeldia.

07
Certa estrela declarou que o pior filme de sua carreira foi dirigido por Nicholas Ray...

a. Maureen O’Hara (“A Vida Íntima de uma Mulher / A Woman’s Secret”, 1949).
b. Susan Hayward (“Paixão de Bravo / The Lusty Men”, 1952).
c. Joan Crawford (“Johnny Guitar /i dem”, 1954).
d. Ava Gardner (“55 Dias em Pequim / 55 Days at Peking”, 1963).

08
Por que o policial urbano de Robert Ryan em “Cinzas que Queimam / On Dangerous Ground” (1952) foi punido com uma “desprezível” investigação no campo?

a. Amargurado, bebia na hora do trabalho.
b. Desencantado, espancava marginais.
c. Perseguia um gangster influente.
d. Desentendeu-se com seu superior.

“cinzas que queimam”

09
Qual desses atores nunca filmou com Nick Ray?

a. Richard Burton.
b. Cornel Wilde.
c. Glenn Ford.
d. James Cagney.

10
Seus últimos filmes comerciais foram super-produções  - “O Rei dos Reis / King of Kings” (1961) e “55 Dias em Pequim” -, dos quais ele não teve total controle na direção, devido às imposições do produtor. Em que país eles foram rodados e quem foi o produtor?

a. Itália, Dino de Laurentiis.
b. Marrocos, Sam Spiegel.
c. Espanha, Samuel Bronston.
d. China, John Houseman.

11
Na senda de obras polêmicas, filmou o mundo da toxicodependência em...

a. “Fora das Grades  /Run for Cover” (1955).
b. “Sangue Ardente / Hot Blood” (1956).
c. “Delírio de Loucura / Bigger Than Life” (1956).
d. “Amargo Triunfo / Bitter Victory” (1957).

natalie wood, james dean e nick ray
12
O diretor utilizou como espaço cênico a sua própria moradia na vida real em:

a. O duplex de Marian (Maureen O’Hara) em “A Vida Íntima de uma Mulher”.
b. O apartamento de Dixon Steele (Humphrey Bogart) em “No Silêncio da Noite”.
c. A residência do professor Ed Avery (James Mason) em “Delírio de Loucura”.
d. A casa de Jim Stark (James Dean) em “Juventude Transviada”.

13
Qual o ator que mais atuou em filmes de Nicholas Ray?

a. John Derek.
b. Humphrey Bogart.
c. Robert Ryan.
d. John Ireland.

nicholas ray

janeiro 19, 2011

******************* SALA VIP: “PACTO SINISTRO”


farley granger e robert walker



 
PACTO SINISTRO
(Strangers on a Train, 1951)

País: EUA
Gênero: GLS/Suspense
Duração: 101 mins.
P & B
Produção e Direção: Alfred Hitchcock (Warner Bros.)
Roteiro: Raymond Chandler e Czenzi Ormonde
Adaptação de uma novela de Patricia Higsmith
Fotografia: Robert Burks
Edição: William H. Ziegler
Música: Dimitri Tiomkin
Cenografia: Ted Haworth (d.a.) e George James Hopkins (dec.)
Vestuário: Leah Rhodes
Elenco:
Farley Granger (“Guy Haines”), Ruth Roman (“Anne Morton”),
Robert Walker (“Bruno Antony”), Leo G. Carroll,
Patricia Hitchcock,  Laura Elliott e Howard St. John

Nota: ***** (ótimo)

HITCHCOCK e o PACTO SINISTRO


Umas poucas atrapalhações com papéis de viagem deixaram-me preso por mais de dois dias, o que me dá esta boa oportunidade de comentar um excelente filme em cartaz, que ninguém deve perder: PACTO SINISTRO (Strangers on a Train), direção de Alfred Hitchcock. Posso dizer sem medo de errar que, com sua nova realização, Hitchcock não só volta às boas fontes de sua inspiração cinematográfica, abandonando experiências do gênero “Under Capricorn” e umas poucas outras, como positivamente se ultrapassa, entrando no limitado e rarefeito espaço dos grandes diretores de cinema de todos os tempos. O filme é uma pura maravilha de direção e conhecimento. Pena é que só me seja possível vê-lo uma vez, de partida que estou para Punta del Este. Porque trata-se de uma película que daria uma série de crônicas nas quais pudessem ser analisados para o fã vários setores de produção. Já que não vou poder me estender muito, limitar-me-ei a estudar o estilo do filme, do ponto de vista do diretor. Pois mestre Hitchcock positivamente se acabou de dirigir bem - bem como nos tempos de “39 Degraus”, “O Homem que Sabia Demais”, “Sabotagem” e mesmo - em menor escala – “Correspondente Estrangeiro”. Bem, isto é melhor ainda.

Em PACTO SINISTRO, Hitchcock põe a língua de fora para o Carol Reed de “O Terceiro Homem”. A comparação entre os dois filmes é, sob todos os pontos de vista, desvantajosa para “O Terceiro Homem”, descontada a soberba interpretação de Orson Welles neste último. O celulóide de Reed é muito construído demais, muito virtuosístico demais. O de Hitchcock fica um passo além do virtuosismo - que possui - mas que não ressalta da construção. Consegue ele, de certo modo, o que Mallarmé consegue em poesia - ficando o Carol Reed de O Terceiro Homem”, com relação a ele, mais ou menos na posição subsidiária de um Valéry, por exemplo. A beleza do processo artístico de Hitchcock resulta disso que, aparentemente, as tramas que ele engendra pouco mais querem que resolver problemas contrapontuais de ação. De posse de um fio geral de ação cria ele o que se poderia chamar de labirinto simultâneo, paralelismo descontínuo - uma espécie de gongorismo de um barroco simples apesar de aparente complicação que revela. O crime de motivação estranha é em geral o elemento do qual parte para criar esse complexo sistema de movimentos entrecruzados dentro dos quais os seres só não se tocam por milagres de circunstância. De um simples entrechoque de pés de dois homens que se sentam um em frente ao outro num trem, e que dá a um deles a idéia de um crime, que muito tem do mundo de Kafka, resulta esse movimento fugado ao qual, como notas de música, os seres envolvidos ocasionalmente se incorporam, e do qual partem e para o qual revertem sob a fatalidade do inesperado que os impulsiona. Mas isso não significaria muito, e cairia no virtuosismo carolreediano, se Hitchcock não se aproveitasse do processo para dar grandes mergulhos na personalidade humana, para, em duas ou três imagens, pô-la a nu, fazê-la defrontar-se com uma situação determinada, da qual não é causa senão circunstancial. Isso o torna o maior mestre do moderno suspense em qualquer arte narrativa.

Só Kafka conseguiu ser tão sutil, e tão dramático, com tanta complexa simplicidade. E possuidor, como é, de uma grande ciência cinematográfica - que se revela na limpeza, instantaneidade de comunicação, bom gosto absoluto, qualidade dos diálogos, da fotografia, do corte, da edição geral do filme - nada falta ao cineasta angloamericano para, que dele se diga que é ímpar em seu estilo e em sua arte. Dirigindo com mão de pluma - a mão de ferro da inteligência - os seus atores, Hitchcock obtém de seus atores desempenhos perfeitos. Estão todos igualmente bons dentro da maior ou menor dificuldade de seus papéis. Para mim os melhores são, sem dúvida, Ruth Roman e Robert Walker, mas mesmo Farley Granger, para mim um ator de menos porte, dá um excelente trabalho. Hitchcock pôs sua filha Patricia numa boa ponta, como a irmã de Ruth Roman, e como em geral faz assinou o filme com a sua presença pessoal. Num dado momento, logo no princípio do filme, quando Farley Granger desce do trem, há um homem gordo que sobe, sobraçando um violoncelo ou um contrabaixo - não estou bem lembrado. Trata-se, meus caros, de Alfred Hitchcock em toda a sua glória.

texto do poeta e compositor
VINICIUS de MORAES