WOODY ALLEN e o ETERNO RETORNO
Desde o seu surpreendente, e, por isso mesmo, maravilhoso “Ponto Final – Match Point / Match Point” (2005), WOODY ALLEN tem nos mostrado possuir uma capacidade pouco comum em cineastas veteranos, por melhor que eles sejam, a de “renovação”, e isso aconteceu justamente quando Woody era acusado por muitos de não se cansar de New York, de Jazz, de comédias e de outros temas tão comuns à sua obra cinematográfica... aí aparece “Ponto Final”, onde New York é trocada por uma Londres sem estereótipos, onde o jazz dá lugar à ópera e a comédia é envolvida por uma tragédia sem precedentes. Seguindo esta mesma receita, vieram “Scoop – O Grande Furo / Scoop”, de 2006 (a partir daí, ninguém mais teve dúvidas de seu casamento profissional com a e-xu-be-ran-te Scarlett Johansson), e o não compreendido “O Sonho de Cassandra / Cassandras Dream” (2007). Mas é com seu sucesso “Vicky Cristina Barcelona / idem” (Espanha / Estados Unidos, 2008), com Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Christopher Evan Welch, Chris Messina, Patricia Clarkson, Kevin Dunn, Julio Perillán e Josep Maria Domènech... que WOODY ALLEN nos mostra que, aos 72 anos, sua mente e seu talento estão mais maduros e criativos do que nunca.
| rebecca hall e scarlett johansson |
Num filme onde tudo, aparentemente, parece se dirigir para o óbvio e para o lugar-comum, a aparente ordem dos fatos se subverte e o que antes parecia racional, se entrega quase que inteiramente ao romantismo intenso, a um Carpe Dien impulsionado pelo desejo de felicidade incondicional, que é o caso da personagem Vicky, vivido pela talentosíssima Rebecca Hall (mais que merecedora de um Oscar), e o que antes era apenas impulso e desejo de descoberta, se deixa arrebatar por situações incontroláveis e impossíveis de se fugir, que se aplica à Cristina, personagem de Scarlett Johansson. Vicky aproveitará o impulso para se construir uma nova rota para sua vida; Cristina declinará e se envolverá em um círculo e voltará ao mesmo ponto de partida, porém triste, insatisfeita e angustiada, principalmente por descobrir que a vida pode conter inúmeras coisas em que lhe falta a coragem e a sabedoria para abraçá-las.
No centro desde dilema, estão as figuras do sedutor Juan Antonio, muito bem interpretado por Javier Bardem, e da caótica e sensual Maria Elena, a quem Penélope Cruz empresta toda a sua força e beleza. Segundo Isabela Boscov, “trata-se, enfim, quase de um jogo de salão, em que cada espectador deve decidir, ao final, se é mais Vicky ou mais Cristina”. “Vicky Cristina...” mergulha profundamente no universo de Barcelona, e o seu diretor parece se absorver (e também querer que experimentemos tamanha sensação), da arte, da música, da cultura e do calor catalão. Mostrando-se um profundo conhecedor do ambiente cinematográfico europeu, WOODY ALLEN tem nesse filme vários momentos de Pedro Almodóvar, capitando, deste, suas cores fortes e sua visão feminilizada da vida; aliás, desde “Hannah e suas Irmãs / Hannah and Her Sisters”, de 1986, que WOODY ALLEN não se entregava tanto às suas personagens femininas, nem fazia um filme tão marcado pelo sabor e pela imagem do desejo...
texto de
SILVÉRIO DUQUE
SILVÉRIO DUQUE
poeta
| javier bardem |
VICKY CRISTINA BARCELONA
(Idem, 2008)
País: EUA e Espanha
Duração: 96 mins.
Duração: 96 mins.
Cor
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum e
Gareth Wiley (Mediapro & Gravier Productions/Antena 3/Dumaine)
Gareth Wiley (Mediapro & Gravier Productions/Antena 3/Dumaine)
Direção e Roteiro: Woody Allen
Fotografia: Javier Aguirresarobe
Edição: Alisa Lepselter
Cenografia: Alain Bainée (des. prod.) Iñigo Navarro (d.a.)
Sol Caramilloni e Silvia Steinbrecht (déc.)
Vestuário: Sonia Grande
Elenco: Rebecca Hall (“Vicky”), Scarlett Johansson (“Cristina”),
Javier Bardem (“Juan Antonio”), Penélope Cruz (“Maria Elena”),
Patricia Clarkson, Kevin Dunn e Carrie Preston
Javier Bardem (“Juan Antonio”), Penélope Cruz (“Maria Elena”),
Patricia Clarkson, Kevin Dunn e Carrie Preston
Nota: *** (bom)
Prêmios: Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz)
BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz)
Globo de Ouro de Melhor Comédia/Musical
Goya de Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz)
Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz) da Associação dos Críticos
de Cinema de Los Angeles
de Cinema de Los Angeles
Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz) do National Board of Review
Melhor Atriz Coadjuvante (Cruz) do Círculo dos Críticos
de Cinema de Nova Iorque
de Cinema de Nova Iorque