Publicado
em 5 de junho de 2011, “Crepúsculo dos Deuses: Na Miséria - Parte I” lista
alguns famosos do cinema que perderam tudo o que tinham e terminaram seus dias
na pobreza. Na época, expressei o desejo de escrever uma segunda parte.
Mais de cinco anos depois, o cinéfilo cearense ERALDO URANO faz a continuação, “honrando o
convite que este meu amigo me dá pra escrever um texto pro seu blog, listando
mais nomes que ficaram de fora no primeiro texto”.
ANITA EKBERG
(1931 - 2015. Malmo / Suécia)
Símbolo
sexual da década de 1960, assim conhecida após sua aparição no clássico “A Doce
Vida / La Dolce Vita” (1960). Eleita Miss Suécia em 1951, foi para os Estados
Unidos representar o país no Miss Universo. Não venceu o concurso, mas ganhou
um contrato em Hollywood. Depois do sucesso de “A Doce Vida”, ela permaneceu na
Itália. Durante os anos 1970, os papéis tornaram-se menos frequentes e a
imprensa noticiou que Anita estaria trabalhando como empregada doméstica. Nessa
época, ela engordou muito. Culpava seu segundo marido, Rick van Nutter, de ter
roubado grande parte de seus bens. Ela conseguiu emagrecer e voltou ao cinema
como protagonista de um filme medíocre, “A Freira Assassina / Suor Omicidi”
(1979). Em 2011, aos 80 anos, a ex-estrela de cinema
teria se visto obrigada a pedir ajuda financeira à Fundação Fellini. Ela passou
a viver então em uma residência para idosos, perto de Roma.
BELA LUGOSI
(1882 - 1956. Lugoj / Romênia)
Um
ícone dos filmes de horror, esse ator húngaro ficou famoso interpretando o
papel do vampiro em “Drácula / Dracula” (1931). Porém, estereotipado como
Drácula, seus papéis foram diminuindo em importância gradativamente até ficar
desempregado. Viciado em morfina e metadona e vivendo na semi-pobreza, terminou
sua carreira trabalhando para o lendário pior diretor de todos os tempos, Ed
Wood.
BOBBY DRISCOLL
(1937 - 1968. Cedar Rapids, Iowa / EUA)
Ator
mirim, ganhou Oscar especial por sua atuação em “Ninguém Crê em Mim / The
Window” (1949) e foi o primeiro ator criança a ter contrato exclusivo com os
estúdios Disney. Com a diminuição das ofertas de
trabalho, ele se envolveu com drogas, o que por fim arruinou sua saúde e o
reduziu à pobreza. Anos de abuso severo de drogas enfraqueceram seu coração e
ele morreu sozinho de um ataque cardíaco numa construção desocupada em Nova
York, tendo sido sepultado numa sepultura comunitária.
GAIL RUSSELL
(1924 - 1961. Chicago, Illinois / EUA)
De
rara beleza, essa morena de olhos azuis melancólicos foi preparada para ser uma das estrelas da Paramount
nos anos 1940. Entretanto, durante as filmagens de “O Solar das Almas Perdidas
/ The Uninvited” (1944), adquiriu o hábito de ingerir bebida alcoólica para
anular sua insegurança e medo de palco. O hábito tornou-se vício e seu contrato
não foi renovado. Ficou com a reputação manchada: envolveu-se em um pretenso
adultério com John Wayne e teve problemas com a lei por dirigir embriagada.
Casou-se em 1949 com o belo galã Guy Madison, mas o divórcio veio em 1954.
Quase sem encontrar mais trabalho como atriz, foi encontrada morta no pequeno
apartamento alugado em que vivia, cercada de garrafas de vodka vazias.
Desnutrida e envelhecida, não chegou a ver seu último filme, “The Silent Call”
(1961), uma produção modesta.
LOUISE BROOKS
(1906 - 1985. Cherryvale, Kansas / EUA)
Lendária
atriz do cinema mudo, teve uma carreira breve em Hollywood, participando de 24
filmes entre os anos 1925 e 1938. Sua imagem e atitudes permanecem, no entanto,
como símbolo de uma época, e uma de suas características mais lembradas será
sempre o corte de cabelo liso e curto, que lançou moda e tornou-se um ícone dos
anos 1920. Uma atriz à frente de seu
tempo, era dona de uma beleza incomum e de uma personalidade fortíssima. Deixou
Hollywood e entrou numa lista negra, viajando para a Europa, onde fez seus
filmes mais memoráveis, dentre eles “A Caixa de Pandora / Die Büchse der
Pandora” (1929). Com as portas fechadas em Hollywood decretou falência em 1932
e terminou sua carreira no cinema em 1938. Nos anos seguintes, esquecida, ganha seu sustento de várias formas, inclusive como
vendedora da loja Sak's Fifth Avenue, por volta de 1946, recebendo 40 dólares
por semana, e como “escort”. Na década de 1950, seus filmes foram redescobertos. Seu status como uma das grandes atrizes e beleza do cinema
permanece até hoje.
MARIE PREVOST
(1898 - 1937. Sarnia / Canadá)
Popular
estrela do cinema mudo, com o advento do som sua carreira entrou em declínio.
Problemas pessoais levaram-na à depressão, com um aumento de peso crescente e
alcoolismo. Morreu aos 38 anos, de uma combinação de alcoolismo
agudo e desnutrição extrema, sem dinheiro e vivendo em um
apartamento em ruínas. Sua morte foi descoberta dois dias depois, quando os
vizinhos reclamaram de latidos de seu cachorro.
MARISA MELL
(1939 - 1992. Graz / Áustria)
Figura “cult” de filmes italianos B dos anos 1960, a bela austríaca Marisa Mell
é conhecida por “Perigo: Diabolik / Diabolik” (1968), de Mario
Bava. No final dos anos 1980, os papéis no cinema foram desaparecendo e ela
voltou para a Áustria. Morreu de câncer de garganta, em situação de pobreza,
com poucos amigos presentes no seu funeral.
OLIVE BORDEN
(1906 - 1947. Richmond, Virgínia / EUA)
Considerada
uma das mais belas atrizes do cinema mudo, era uma das beldades (“bathing
beauties”) de Mack Sennett aos 15 anos e atingiu o auge de sua carreira em
1926, quando ela fez 11 filmes da Fox Studios e ganhou US $ 1.500,00 por
semana. Apelidada “A Garota da Alegria”, viveu um estilo de vida luxuoso, com
mansões, criados e uma dúzia de casacos de peles. Em 1927, ela deixou a Fox
depois de uma disputa salarial. Como muitas estrelas do cinema mudo, ela teve
dificuldade em fazer a transição para os “talkies”. Seu último filme foi feito
em 1934. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou como enfermeira. Com a
idade de 41 ela era uma alcoólatra sem um tostão. Morreu de uma doença do
estômago num lar para mulheres carentes em Los Angeles.
TROY DONAHUE
(1936 - 2001. Nova Iorque / EUA)
Ídolo
adolescente no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, atingiu o estrelato
em “Amores Clandestinos / A Summer Place” (1959), com Sandra Dee. Outros filmes
destacados em sua carreira foram “No Vale das Grandes Batalhas / Parrish”
(1961), com Claudette Colbert e “Candelabro Italiano / Rome Adventure” (1962),
com Suzanne Pleshette. Troy e Suzanne se casaram, mas a união só durou nove
meses. Seu belo rosto, de cabelos loiros e olhos azuis, aparecia frequentemente
nas capas de revistas de cinema. Em poucos anos, sua carreira entrou em
declínio e Donahue começou a abusar de drogas e álcool. Ele declarou falência
em 1968 e perdeu sua casa. Arruinado financeiramente, passou a viver em
apartamentos miseráveis e chegou a passar uma temporada como sem-teto no
Central Park. Ele disse que vivia num arbusto e mantinha tudo o que tinha numa
mochila. Com quatro casamentos fracassados, procurou ajuda para seu uso de
bebida e drogas, juntando-se aos Alcoólicos Anônimos. Continuou a atuar em
filmes, em pequenos papéis ou filmes de baixo orçamento. Morreu de um ataque
cardíaco. Vivia com a noiva num modesto prédio de apartamentos.
CONFIRA
Parte I
CREPÚSCULO dos DEUSES: na MISÉRIA