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junho 19, 2016

******************************* BONECAS à ITALIANA

claudia cardinale

 
Em “A Longa Noite de Loucuras / La Notte Brava” (1959), do subestimado Mauro Bolognini, o roteiro de linguagem popular do poeta Pier Paolo Pasolini retrata um universo suburbano de vagabundos, ladrões e prostitutas que fazem tudo por dinheiro. Elas rodam bolsinha nos becos, eles as exploram. Encantado com a beleza do elenco feminino (Rosanna Schiaffino, Antonella Lualdi, Elsa Martinelli, Mylène Demongeot e Anna Maria Ferrero), viajei nostalgicamente em ATRIZES ITALIANAS dos anos 1940-50-60. Deu-me uma saudade danada das despretensiosas e picantes comédias em episódios estreladas por elas. “O Ouro de Nápoles / L'oro di Napoli” (1954), “Boccaccio 70 / Boccaccio’70” (1962), “Ontem, Hoje e Amanhã / Ieri, Oggi, Domani (1963), “As Bonecas / Le Bambole” (1965), As Rainhas / Le Fate” (1966), entre outras.

Inicialmente, a Itália apresentou o talento e a formosura de Isa Miranda e Alida Valli. Ainda assim, até o finalzinho da década de 1940, o cinema italiano não era conhecido especialmente pela beleza de suas estrelas. Francesca Bertini, Anna Magnani, Lea Padovani, Valentina Cortese, Clara Calamai ou Carla Del Poggio eram reconhecidas como divas dramáticas. O panorama se modificou radicalmente com a consagração internacional de Silvana Mangano em “Arroz Amargo / Riso Amaro” (1949), o terceiro filme do neo-realista Giuseppe De Santis. Numa história de paixões e cobiças, mostrando coxas maravilhosas, a protagonista é símbolo de feminilidade. Exalando sensualidade, Silvana foi considerada a Rita Hayworth italiana.

silvana mangano em arroz amargo
Uma das maiores estrelas do cinema de todos os tempos, uma mulher de magnífica beleza, e que teria interpretações admiráveis em filmes clássicos, alçada a símbolo sexual em todo o mundo, Silvana Mangano aceitou convites para filmar em Hollywood, mas firmou sua excelência em seu país. Como ela, outras ITALIANAS deixaram sua marca no cinema dos EUA, de Alida Valli a Valentina Cortese, de Anna Magnani a Sophia Loren.

Na década de 1950, as curvas provocantes, coxas generosas e seios fartos das estonteantes Silvana Mangano, Sophia Loren e Gina Lollobrigida correram mundo e páginas de revistas. Surgiu uma geração de beldades femininas que deixaria boas lembranças. Algumas começaram em concursos de beleza. Embora com currículo de excelentes filmes, musas de magistrais diretores, nem todas eram boas atrizes. São garotas inesquecíveis. Para matar a saudade, listo vinte e quatro ATRIZES ITALIANAS. Para conhecê-las melhor (ou pela primeira vez), sugiro três bons filmes de cada atriz. Algumas não nasceram na Itália, mas construíram a carreira principalmente na terra de Vittorio De Sica, sendo reconhecidas como estrelas locais (Cardinale, Podestá, Koscina etc.). Muitas estão vivas. Claudia Cardinale, Giovanna Ralli, Sandra Milo, Sophia Loren e Stefania Sandrelli ainda hoje fazem cinema e tevê.

ALIDA VALLI
(1921 – 2006. Pula / Croácia)

O TERCEIRO HOMEM  
(The Third Man, 1949)
 direção de Carol Reed
 
 SEDUÇÃO da CARNE 
(Senso, 1954)
  direção de Luchino Visconti
 
 O GRITO  
(Il Grido, 1957)
 direção de Michelangelo Antonioni

ANNA MARIA FERRERO
(1934. Roma / Itália)

Os AMANTES de FLORENÇA 
 (Cronache di Poveri Amanti, 1954)
  direção de Carlo Lizzani 
 
GUERRA e PAZ 
(War and Peace, 1956)
 direção de King Vidor
 
 A LONGA NOITE de LOUCURAS 
(La Notte Brava, 1959)
 direção de Mauro Bolognini

ANTONELLA LUALDI
(1931. Beirute / Líbano)

O VERMELHO e o NEGRO 
(Le Rouge et Le Noir, 1954)
  direção de Claude Autant-Lara
 
 A LONGA NOITE de LOUCURAS 
(La Notte Brava, 1959)
 direção de Mauro Bolognini
 
FALA-SE de MULHERES 
(Se Permettete Parliamo di Donne, 1964)
 direção de Ettore Scola

   CLAUDIA CARDINALE
(1938. Tunes / Tunísia)

O BELO ANTÔNIO 
(Il Bell’Antonio, 1960)
 direção de Mauro Bolognini
 
 O LEOPARDO 
(Il Gattopardo, 1963)
 direção de Luchino Visconti
 
 FELLINI 8½ 
 (, 1963)
 direção de Federico Fellini

ELEONORA ROSSI DRAGO
(1922 – 2007. Genoa / Liguria)

As AMIGAS 
(Le Amiche, 1955)
  direção de Michelangelo Antonioni
 
 VERÃO VIOLENTO 
(Estate Violenta, 1959)
  direção de Valerio Zurlini
 
 AQUELE CASO MALDITO 
(Un Maledetto Imbroglio, 1959)
 direção de Pietro Germi

ELSA MARTINELLI
(1935. Grossetto, Toscana / Itália)

DONATELLA 
(Idem, 1957)
 direção de Mario Monicelli
 
 A LONGA NOITE de LOUCURAS 
(La Notte Brava, 1959)
 direção de Mauro Bolognini
 
 O PROCESSO 
(Le Procès, 1962)
 direção de Orson Welles

GIANNA MARIA CANALE
(1927 - 2009. Reggio di Calabria / Itália)

SPARTACUS 
(Spartaco, 1953)
 direção de Riccardo Freda
 
MADAME DU BARRY 
(idem, 1954)
 direção de Christian-Jaque
 
 OS VAMPIROS 
(I Vampiri, 1956)
 direção de Riccardo Freda

GINA LOLLOBRIGIDA
(1927. Subiaco / Itália)

FANFAN LA TULIPE 
 (Idem, 1952)
 direção de Christian-Jaque
 
PÃO, AMOR e FANTASIA 
(Pane, Amore e Fantasia, 1953)
 direção de Luigi Comencini
 
 A ROMANA 
(La Romana, 1954)
 direção de Luigi Zampa

GIOVANNA RALLI
(1935. Roma / Itália)

QUANDO o AMOR é MENTIRA
(Le Ragazze di San Frediano, 1955)
 direção de Valerio Zurlini
 
 ERA NOITE em ROMA 
(Era Notte a Roma, 1960)
 direção de Roberto Rossellini
 
 LA VITA AGRA 
(1964)
 direção de Carlo Lizzani

ISA MIRANDA
(1909 – 1982. Milão / Itália)

A MULHER de TODOS 
(La Signora di Tutti, 1934)
  direção de Max Ophuls
 
 ZAZÁ 
 (Idem, 1944)
  direção de Renato Castellani
 
TRÊS DIAS de AMOR 
(Le Mura di Malapaga, 1949)
  direção de René Clement
 
LEA MASSARI
(1933. Roma / Itália)

A AVENTURA  
(L'Avventura, 1960)
  direção de Michelangelo Antonioni
 
Um DIA de ENLOUQUECER  
(La Giornata Balorda, 1960)
 direção de Mauro Bolognini
 
 SOPRO no CORAÇÃO  
(Le Souffle au Coeur, 1971)
  direção de Louis Malle

LUCIA BOSÉ
(1931. Milão / Itália)

CRIMES da ALMA  
(Cronaca di un Amore, 1950)
 direção de Michelangelo Antonioni
 
 ROMA às ONZE HORAS  
(Roma Ore 11, 1952)
  direção de Giuseppe De Santis
 
 ABANDONADA  
(Gli Sbandati, 1955)
 direção de Francesco Maselli

MARISA ALASSIO
(1936. Turim / Itália)

POBRES, MAS BELAS 
(Poveri ma Belli, 1957)
  direção de Dino Risi
 
 Os NAMOROS de MARISA 
(Marisa La Civetta, 1957)
  direção de Mauro Bolognini
 
 VENEZA, a LUA e VOCÊ 
(Veneza, La Luna e Tu, 1958)
 direção de Dino Risi

MONICA VITTI
(1931. Roma / Itália)

A AVENTURA 
(L'Avventura, 1960)
 direção de Michelangelo Antonioni
 
  A NOITE 
(La Notte, 1961)
 direção de Michelangelo Antonioni
 
 CIÚME à ITALIANA 
(Dramma della Gelosia (Tutti i Particolari in Cronaca, 1970)
  direção de Ettore Scola

PIER ANGELI
(1932 – 1971. Cagliari, Sardenha / Itália)

TERESA 
(Idem (1951)
 direção de Fred Zinnemann
 
PAIXÃO e CARNE 
(Flame and the Flesh (1954)
 direção de Richard Brooks
 
  MARCADO pela SARJETA 
(Somebody Up There Likes (1956)
 direção de Robert Wise

ROSSANA PODESTÁ
(1934 - 2013. Trípoli / Líbia)

ULISSES 
(Ulisse, 1954)
 direção de Mario Camerini
 
 HELENA de TRÓIA 
(Helen of Troy, 1956)
 direção de Robert Wise
 
 SETE HOMENS de OURO 
(Sette Uomini D’Oro, 1965)
 direção de Marco Vicario

ROSSANA SCHIAFFINO
(1939 - 2009. Genoa, Liguria / Itália)

A PROVOCAÇÃO 
 (La Sfida, 1958)
 direção de Francesco Rosi
 
 A LONGA NOITE de LOUCURAS 
(La Notte Brava, 1959)
 direção de Mauro Bolognini
 
 A CIDADE dos DESILUDIDOS 
(Two Weeks in Another Town, 1962)
 direção de Vincente Minnelli

SANDRA MILO
(1933. Tunes / Tunísia)

COMO FERA ENCURRALADA  
(Classe tous Risques, 1960)
 direção de Claude Sautet
 
 FELLINI 8½  
(, 1963)
 direção de Federico Fellini
 
JULIETA dos ESPÍRITOS  
(Giulietta degli Spiriti, 1965)
 direção de Federico Fellini

SILVANA MANGANO
(1930 – 1989. Roma / Itália)

ÉDIPO REI  
 (Edipo Re, 1967)
 direção de Pier Paolo Pasolini
 
 TEOREMA  
(Idem, 1968)
 direção de Pier Paolo Pasolini
 
 VIOLÊNCIA e PAIXÃO  
(Gruppo di Famiglia in un Interno, 1974)
 direção de Luchino Visconti

SILVANA PAMPANINI
(1925 - 2016. Roma / Itália)

CORAÇÃO de MULHER  
(Um Marito per Anna Zacheo, 1953)
 direção de Giuseppe De Santis
 
A TORRE dos PRAZERES  
(La Tour de Nesle, 1955)
 direção de Abel Gance
 
 A BELA de ROMA  
(La Bella di Roma, 1955)
 direção de Luigi Comencini

SOPHIA LOREN
(1934. Roma / Itália)

DUAS MULHERES  
(La Ciociara, 1960)
 direção de Vittorio De Sica
 
 MATRIMÔNIO a ITALIANA  
(Matrimonio all'Italiana, 1964)
 direção de Vittorio De Sica
 
 Um DIA MUITO ESPECIAL  
(Una Giornata Particolare, 1977)
 direção de Ettore Scola

STEFANIA SANDRELLI
(1946. Viareggio, Toscana / Itália)

SEDUZIDA e ABANDONADA 
 (Sedotta e Abbandonata, 1964)
  direção de Pietro Germi
 
 O CONFORMISTA  
(Il Conformista, 1970)
 direção de Bernardo Bertolucci
 
 NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO  
(C'eravamo Tanto Amati, 1974)
 direção de Ettore Scola

SYLVA KOSCINA
(1933 – 1994. Zagrebe / Croácia)

O FERROVIÁRIO
(Il Ferroviere, 1956)
 direção de Pietro Germi
 
 A GREVE do SEXO
(Jessica, 1962)
 direção de Jean Negulesco
 
 JULIETA dos ESPÍRITOS 
(Giulietta degli Spiriti, 1965)
 direção de Federico Fellini

VIRNA LISI
(1936 - 2014. Ancona / Itália)

CASANOVA 70 
(Casanova’70, 1965)
 direção de Mario Monicelli
 
 CONFUSÕES à ITALIANA 
(Signore & Signori, 1966)
 direção de Pietro Germi
 
 O SEGREDO de SANTA VITÓRIA 
(The Secret of Santa Vittoria, 1969)
 direção  de Stanley Kramer