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outubro 25, 2025

*************** AVA GARDNER - FILMES e AMORES

 

 

O animal mais belo do mundo.
JEAN COCTEAU
(1889 – 1963. Maisons-Laffitte / França)
 
Sou uma mulher extremamente bonita
em qualquer idade.
AVA GARDNER
 
apelido: Snowdrop e Angel
altura: 1,68 m
cabelos: negros
olhos: verdes
Algumas estrelas ficaram na história privada de Hollywood como devoradoras de homens. Entre elas, Clara Bow e Louise Brooks, ainda no cinema mudo; Joan Crawford, Vivien Leigh, Lana Turner, Marilyn Monroe, Grace Kelly, Natalie Wood, Jayne Mansfield e Ava Gardner. Suas vidas amorosas estamparam manchetes de jornais e colunas de fofocas, colecionando escândalos mundo afora. A deslumbrante AVA GARDNER (1922- 1990. Grabton, Carolina do Norte / EUA) foi uma espécie de Warren Beatty (grande conquistador até se casar com Annette Bening) de saias. Na sua lista amorosa, sem contar os maridos oficiais – Mickey Rooney, Artie Shaw e Frank Sinatra -, constam o bilionário Howard Hughes, o presidente John F. Kennedy, o ditador Fidel Castro, o cineasta John Huston, o toureiro Luiz Miguel Dominguin e os atores Robert Mitchum, Robert Taylor, George Raft, David Niven e Steve McQueen, numa intimidade tema de inúmeros livros e documentários. Em sua passagem pelo Brasil, em 1954, assediou o cantor Carlos Augusto, da Rádio Nacional, famoso na época. Só que ele era gay.

Disposta a tudo pelos homens que desejava, ela eventualmente enfrentou rivais. Em 1958, uma notória saída noturna em Roma, em amores com Anthony Franciosa, casado então com Shelley Winters, terminou em uma batalha feminina. A esposa do ator não gostou nem um pouco da infidelidade e as duas se esbofetearam publicamente em um hotel. O ator George C. Scott também frequentou seus lençóis durante as filmagens de
“A Bíblia / The Bible in the Beginning...” (1966). Protagonizavam uma relação não exatamente pacífica, costumando resultar em tapas violentos. Antes de ser severamente espancada por ele, ela declarou: “A gente se ama. Ele me bate porque me ama”. Ela bebia vorazmente uísque, conhaque, tequila e o que mais aparecesse. Independente e impetuosa, seus tórridos romances alimentaram o mito de mulher fatal. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se musa de festas intermináveis e de toureiros. O interesse surgiu antes, em 1950, ao filmar “Pandora / Pandora and the Flying Dutchman” (1951), de Albert Lewin, em Tossa de Mar, na Catalunha.

A atriz se encantou com a vida noturna espanhola, a cultura romântica e os sensuais toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura identificação com o país. No bonito filme de Albert Lewin, Pandora destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de aura mística. Na tumultuada visita ao Brasil, no lançamento do icônico “A Condessa Descalça” (1954), foi manchete mundial. Bêbada, em um acesso de fúria, quebrou a mobília e jogou objetos de decoração pela janela do então luxuoso Hotel Glória. Por onde passou, o alcoolismo e as aventuras sexuais deixaram um rastro de excessos. A bebida e o cigarro foram sempre companheiros fiéis. Dizia que morreria com um cigarro na mão e um uísque na outra. Envolveu-se com o toureiro Mario Cabré, que arriscou a vida por ela nas arenas. Em 1953, rodando na África “Mogambo” – sua única indicação ao Oscar – descobriu estar grávida de Frank Sinatra. Ao abortar em Londres, uma escala em Madri a levou aos braços de Dominguín, outro famoso toureiro.

Filmando na Itália
“A Condessa Descalça”, aprofundou sua relação com Dominguín através de maratonas de sexo. Ao comprar um casarão em La Moraleja, em Madri, estabeleceu um quartel general para festas que duravam um final de semana e incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco. Representado o que os ainda provincianos espanhóis censuravam – uma mulher sozinha, sem religião e, além disso, atriz -, passou a ser tratada como uma ameaça para as famílias respeitáveis, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz. Parceira de Ernest Hemingway na farra espanhola (ela protagonizou três adaptações de sua literatura, “Os Assassinos”, “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”), em 1959 visitou Cuba, hospedando-se na casa do escritor, onde se banhava na piscina totalmente nua. Ao conhecer o ditador Fidel Castro no Havana Hilton, se deu muito bem. Castro a tratou com extravagante galanteria e a levou para um passeio em sua moradia. Sentaram-se na varanda com vista para a cidade, beberam Cuba Libre, conversaram sobre a revolução e foram para a cama.

Sempre com a amante e tradutora do ditador de Cuba, Marita Lorenz, em alerta máximo, a atriz começou a cortejar Castro, e as duas mulheres tiveram um confronto violento no saguão do Hilton. Ébria, acusou Lorenz, a quem chamava de
“vadiazinha”, de esconder seu chefe. Então a seguiu até um elevador e lhe deu um tapa no rosto. Um guarda-costas sacou uma arma e a partir daí Castro decidiu se livrar da sedutora turbulenta arranjando um amante bonitão para AVA GARDNER, que a satisfazia em uma suíte no Hotel Nacional, como cortesia de Cuba. Em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio do amigo “Papa”, Nobel de literatura, do fracasso da produção “La Maja Desnuda / The Naked Maja” (1958) e de um acidente que deixou incômodas sequelas, a formosa estrela findou a escandalosa e apaixonada relação com a Espanha, mudando-se para o Reino Unido. Por lá ficou até morrer em 1990. Sempre irreverente e atrevida, era, nas palavras de seu segundo marido, Artie Shaw, “a criatura mais linda que já vi”. Ela também era, de acordo com sua colega britânica Deborah Kerr, “engraçada, afetuosa e humana”.

De espírito aventureiro, teve uma existência repleta de luxúria, amores e travessuras noturnas. Nasceu na Carolina do Norte, em uma fazenda de tabaco, filha de agricultores humildes. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico do seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção de um caça talentos da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Em 1946, emprestada à Universal Pictures, estrelou o clássico policial noir “Os Assassinos” e sua carreira começou a brilhar. Em “Mogambo”, contracenou com Clark Gable e Grace Kelly, tornando-se uma das poderosas estrelas de sua geração. Participou de mais de 40 filmes, passando seus últimos anos reclusa em um apartamento em Londres com a governanta de longa data, Carmen Vargas, e o amado cão Welsh Corgi, Morgan. Dois derrames em 1986 a deixaram parcialmente paralisada. “Estou tão cansada”, disse pouco antes de morrer de pneumonia aos 67 anos. Vargas levou seu corpo para a Carolina do Norte, em um enterro privado. Nenhum de seus ex-maridos compareceram, mas o seu grande amor Frank Sinatra chorou por horas por não estar naquele momento com ela.

PRIMEIRO CASAMENTO: MICKEY ROONEY
(1942 - 1943)

Contratada pela Metro-Goldwyn-Mayer, onde ficaria até 1958, em seu segundo dia em Hollywood ela foi levada para conhecer os estúdios onde trabalharia. Num deles, o astro Mickey Rooney filmava a comédia “Calouros na Broadway / Babes on Broadway” (1941), vestido como Carmen Miranda. Ao vê-la, correu em sua direção com saltos altos. “Tudo em mim parou”, ele escreveria em suas memórias, “Meu coração. Minha respiração. Meu pensamento.” Ao se apresentar, ela se sentiu lisonjeada. Era o astro de maior bilheteria da meca do cinema desde 1939.  Depois de se fazer de difícil por um tempo, AVA GARDNER aceitou um encontro com o ator carismático e persistente. Cinco meses depois eles se casaram com o apoio do produtor Louis B. Mayer em uma cerimônia discreta e sem publicidade, na pequena igreja branca em Ballard, Califórnia, em 10 de janeiro de 1942. Ela usou um tailleur azul, com um buquê de orquídeas Cattaleya em vez de um típico vestido de noiva. Os únicos convidados presentes no casamento foram a irmã de Ava, Bappie, os pais de Mickey e Les Petersen, o assessor pessoal do astro.

Passaram a lua de mel no Del Monte Hotel, perto de Carmel, na Península de Monterey. Logo após, ela o acompanhou em uma turnê de guerra que incluiu paradas em Boston, Nova York, Fort Bragg e Washington DC. A nova Sra. Mickey Rooney ainda estava nos estágios iniciais de sua carreira, então era ele a estrela em todos os lugares que iam.  AVA GARD
NER tinha apenas 19 anos quando se casou com Mickey Rooney, de 21, e o casamento rapidamente fracassou e começou a ruir. Mesmo apaixonado pela esposa, ele parecia se esquecer que era casado, e tinha diversos casos com outras mulheres. Ela não suportou por muito tempo as constantes infidelidades do marido e, depois de pouco mais de um ano, pediu o divórcio, que foi oficializado em 21 de maio de 1943.

SEGUNDO CASAMENTO: ARTIE SHAW
(1945 - 1946)
Pouco tempos depois, conheceu o músico de jazz Artie Shaw, acreditando ser o amor de sua vida. O artista era culto e podia falar de qualquer coisa com profundo conhecimento, encantando a amada por essa característica. No entanto, ele resolveu transformá-la numa erudita. Se ela não acompanhasse seus assuntos, a humilhava em frente a seus amigos. Assim, a relação não tardou a ter problemas. Ao conhecê-lo, ele havia acabado de retornar da Segunda Guerra Mundial e era um músico popular. Ela depois escreveria em sua autobiografia, “Ava: Minha História”: “Meu Deus, que homem lindo! Artie era bonito, bronzeado, muito seguro de si e não parava de falar. Era tão caloroso e charmoso que me apaixonei por ele. Foi o primeiro intelectual que conheci, e ele me conquistou.” Os dois namoraram por vários meses, antes dela se mudar para a casa dele em Beverly Hills, no verão de 1944. Na época, AVA GARDNER ainda fazia pequenos papéis e tinha tempo para viajar com ele e sua banda pelo país. Aos 22 anos, e ele, aos 35, casaram-se em 17 de outubro de 1945 na mansão em Beverly Hills, na Bedford Drive.

O quinto casamento dele. Em outro casamento modesto, ela usou um terninho azul com um buquê de orquídeas. Passaram a lua de mel no Lago Tahoe por uma semana. Embora brigassem muito, também tinham muito romance. Ele a incentivou a ler e aprender sobre temas que iam da literatura ao xadrez. Para agradá-lo, ela matriculou-se em cursos na UCLA e estudava durante o tempo livre. No fim das contas, o desejo dele de transformá-la em uma intelectual azedou o romance. Ele tentou despertar nela um interesse duradouro por literatura, arte, música clássica, filosofia e política. Ela ficou magoada e se mudou de casa. Então se divorciaram no México e ele logo se casou com sua sexta esposa, a escritora Kathleen Winsor. Eles ficaram casados por um ano. Segundo ela,
“Artie foi uma das dores mais profundas da minha vida. Eu estava apaixonada, eu o venerava, e acho que ele nunca entendeu o dano que causou ao me menosprezar... Mesmo assim, permanecemos próximos. Ele me ensinou a estudar, a pensar, a ler... É impossível conviver com ele, mas é um homem extraordinário.”

TERCEIRO CASAMENTO: FRANK SINATRA
(1951 - 1957)

A lendária história de amor de AVA GARDNER e Frank Sinatra começou no outono de 1949. Casado e bêbado, ele a convenceu, igualmente embriagada, a deixar uma festa em Palm Springs oferecida pelo chefe do estúdio, Darryl F. Zanuck. Eles encheram a cara noite adentro, até chegarem à pacata cidade de Indio. Depois de alguns amassos, ele sacou uma arma e atirou em postes de luz. Excitada, ela juntou-se a ele e atirou na vitrine de uma loja de ferragens. Terminaram em uma delegacia, que depois seria subornada pelo estúdio. Ambos se apaixonaram perdidamente um pelo outro, em um relacionamento intenso, com brigas públicas e privadas. O que começou com uma aventura extraconjugal, tornou-se um escândalo que as revistas de mexericos estampavam nas manchetes. Quando Frank e Nancy Sinatra iniciaram um longo processo de divórcio, AVA GARDNER foi acusada de “destruidora de lares”, recebendo ameaças do público enfurecido. Finalmente livres em outubro de 1951, não perderam tempo e se casaram em 7 de novembro de 1951 na Filadélfia, Pensilvânia. 

Ela tinha 28 anos e ele, 35. No seu terceiro e último casamento, ela usou um vestido lilás, um colar duplo de pérolas, brincos de pérola e diamantes, e um buquê natural de camélias e cravos em miniatura. Após a cerimônia, partiram para a lua de mel em Miami, procurando escapar dos fotógrafos. Sinatra sempre dizia que a única coisa que importava era sua música, mas quando encontrou AVA GARDNER, ela passou a ser o que ele precisava. Parecia o começo de um conto de fadas, mas logo, a relação começou a deteriorar. Na mira da imprensa internacional, foi um casamento marcado por brigas lendárias, bebedeiras, separações, tapas, drogas, infidelidades, três tentativas de suicídio dele e dois abortos – ela afirmava não querer trazer uma criança para um lar tão selvagem. Tiveram um romance turbulento e apaixonado, com muitos altos e baixos. Eram tensos, possessivos, ciumentos e propensos a explosões temperamentais. A pressão aumentou ainda por Frank Sinatra estar no ponto mais baixo de sua carreira. Ela emprestava dinheiro para ele, que estava falido, pagava até suas passagens aéreas.

Tudo mudou economicamente depois que ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no premiado drama de guerra 
“A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1953), de Fred Zinnemann.  Com o casamento em ruínas, eles decidiram se separar em 1953, embora o divórcio só fosse oficializado em 1957. Mesmo após a separação, os dois permaneceram amigos próximos pelo resto da vida. Ela o considerava o maior amor de sua vida. Ele lhe enviava um enorme buquê de flores todos os anos em seu aniversário e ficava de olho para que nada faltasse a sua amada.
10 FILMES de AVA
(por ordem de preferência)

01
A CONDESSA DESCALÇA
(The Barefoot Contessa, 1954)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Humphrey Bogart, Edmond O'Brien,
Valentina Cortese e Rossano Brazzi

02
Os ASSASSINOS
(The Killers, 1946)

direção de Robert Siodmak
elenco: Burt Lancaster, Edmond O'Brien e Albert Dekker

03
A NOITE de IGUANA
(The Night of the Iguana, 1964)

direção de John Huston
elenco: Richard Burton, Deborah Kerr e Sue Lyon

04
MOGAMBO
(Idem, 1953)

direção de John Ford
elenco: Clark Gable e Grace Kelly

05
SETE DIAS de MAIO
(Seven Days in May, 1964)

direção de John Frankenheimer
elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Fredric March,
Edmond O'Brien, Martin Balsam e George Macready

06
E AGORA BRILHA o SOL
(The Sun Also Rises, 1957)

direção de Henry King
elenco: Tyrone Power, Mel Ferrer, Errol Flynn,
Eddie Albert, Gregory Ratoff, Juliette Gréco
e Marcel Dalio

07
AS NEVES de KILIMANJARO
(The Snows of Kilimanjaro, 1952)

direção de Henry King
elenco: Gregory Peck, Susan Hayward, Hildegard Knef
e Marcel Dalio

08
A ENCRUZILHADA dos DESTINOS
(Bhowani Junction, 1956)

direção de George Cukor
elenco: Stewart Granger e Bill Travers

09
55 DIAS em PEQUIM
(55 Days at Peking, 1963)

direção de Nicholas Ray
elenco: Charlton Heston, David Niven, Flora Robson,
John Ireland, Leo Genn, Robert Helpmann,
Paul Lukas, Massimo Serato e Jacques Sernas

10
O GRANDE PECADOR
(The Great Sinner, 1949)

direção de Robert Siodmak
elenco: Gregory Peck, Melvyn Douglas, Walter Huston,
Ethel Barrymore, Frank Morgan e Agnes Moorehead    
FONTES
“Ava Gardner: The Secret Conversations” (2016)
de Peter Evans
 
“Ava Gardner: Love is Nothing”
(1990)
de Lee Server
 
“Ava – Minha História”
(1991)
de Ava Gardner
 
“Ava's Men: The Private Life of Ava Gardner”
(1990)
de Jane Ellen Wayne
 
“Conversations with Ava Gardner”
(2014)
de Lawrence Grobel

 
GALERIA de FOTOS



setembro 14, 2011

******************** O PIRATA como HERÓI



 
PIRATAS são indivíduos que navegam pelo mar assaltando outras embarcações. Essa “profissão” ilegal e sanguinária se imortalizou nas telas desde o início da arte cinematográfica,  iniciando-se com “A Ilha do Tesouro / The Treasure Island” (1912), de J. Searle Dawley. Os símbolos básicos estão, quase sempre, presentes: duelos de espadachins, raptos, saques, naufrágios, tesouros enterrados, perna de pau, tapa-olho etc. Sempre com inovações visuais e cenas de ação invejáveis retratando as aventuras dos “terrores” dos oceanos. Fanático por esse gênero desde a idade da inocência, ficava de olho pregado na tevê, acompanhando as peripécias acrobáticas dos sarracenos imaginados por escritores como Rafael Sabatini, Emilio Salgari ou Robert Louis Stevenson. Sonhava em ser belo e corajoso como Errol Flynn, navegando os sete mares, raptando princesas e saqueando ricos vilões. A minha tensão era imensa quando um deles era amarrado em estaca fincada nos recifes, à espera da maré para afogá-lo ou dos caranguejos para devorá-lo até os ossos. Na maturidade, descobri que raros filmes de PIRATAS tem qualidade artística. Talvez apenas três possam ser considerados excelentes: “Capitão Blood” (1935), “O Gavião do Mar” (1940) e “O Cisne Negro” (1942). Todos os outros são descartáveis, manobrados por diretores impessoais ou em fim de carreira, astros em decadência ou atores que nunca alcançaram o estrelato. Ainda assim, considero-os especiais, um mimo que desperta a criança que mora no meu íntimo. O curioso é que o PIRATA é um bandido, um fora da lei, um ladrão, um saqueador e muitas vezes também estuprador, mas torcemos alucinadamente por ele.


Os PIRATAS imaginados pelo cinema, longe de qualquer realismo, saltam de um lado para outro como gafanhotos, são espadachins invencíveis, excelentes navegadores e nadadores, roubam o coração de ladys e escapam dos lugares mais improváveis. Só faltam voar. Nos últimos anos, surgiu uma nova leva de expressivos bandoleiros marítimos: Walter Matthau em “Piratas / Pirates” (1986), Dustin Hoffman em “Hook – A Volta do Capitão Gancho / Hook” (1991), Matthew Modine em “A Ilha da Garganta Cortada / Cutthroat Island” (1995), Johnny Depp e Geoffrey Rush na série “Piratas do Caribe / Pirates of the Caribbean” (2003 - 2011), mas são personagens cômicos, caricatos, e eu prefiro o PIRATA como herói, eternizado por sua energia e audácia. 

Selecionei sete PIRATAS do coração, por ordem de preferência, e deixando de lado aqueles perversos como Wallace Beery em “A Ilha do Tesouro / The Treasure Island” (1934), Basil Rathbone em “Capitão Blood”, Raymond Massey em “Vendaval de Paixões / Reap the Wild Wind” (1940), Laird Cregar em O Cisne Negro ou Charles Laughton em “Capitão Kidd / Captain Kidd” (1945). Confira:

01
ERROL FLYNN
Peter Blood
em CAPITÃO BLOOD
(Captain Blood, 1935)
e Geoffrey Thorpe 
em O GAVIÃO do MAR
(The Sea Hawk, 1940)
ambos direção de Michael Curtiz

Um médico sentenciado à escravidão por ter ajudado um rebelde, consegue escapar, tornando-se um temido pirata e procurando vingança. No segundo filme, um pirata arrojado luta contra os espanhóis, apoiando a Inglaterra. Em suas aventuras, que envolvem roubar jóias e tesouros, apaixona-se por uma nobre espanhola.

02
TYRONE POWER
Jamie Waring
em O CISNE NEGRO
(The Black Swan, 1942)
direção de Henry King

Famoso pirata se torna governador da Jamaica e, para exercer esta função, acaba recebendo a ajuda de seus antigos colegas de embarcação. Porém, um deles acaba se enamorando da bela filha do ex-governador.

03
DOUGLAS FAIRBANKS
O Pirata Negro
em O PIRATA NEGRO
(The Black Pirate, 1926)
direção de Albert Parker

Nobre, cujo pai é assassinado por piratas, jura vingança, tornando-se um bucaneiro. Termina por resgatar uma donzela em perigo e se envolve em duelos sangrentos.

04
BURT LANCASTER
Capitão Vallo 
em O PIRATA SANGRENTO
(The Crimson Pirate, 1952)
direção de Robert Siodmak

Capitão pirata faz acordo para entregar líder rebelde para um cruel barão. Estimulado pela filha do prisioneiro, acaba aderindo à causa.

05
judy garland e gene kelly
GENE KELLY
Serafin 
em O PIRATA
(The Pirate, 1948)
direção de Vincente Minnelli

Numa ilha das Caraíbas, artista saltimbanco se faz passar por um famoso pirata para conquista uma jovem prestes a se casar com rico fidalgo.

06
akim tamiroff, franciska gaal 
e fredric march
FREDRIC MARCH
Jean Lafitte
em LAFITTE, o CORSÁRIO
 (The Buccaneer1938)
direção de Cecil B. DeMille

Durante a Guerra de 1812, os britânicos derrotam os norte-americanos no norte e planejam invadir Nova Orleans. Eles buscam a ajuda de pirata que conhece a região e domina o contrabando no lugar. Mas o pirata quer se casar com a aristocrata e decide apoiar as tropas norte-americanas sob a condição de ser perdoado pelos seus crimes.

07
maureen o'hara e paul henreid
PAUL HENREID
Cap. Laurent Von Horn 
em PIRATA dos SETE MARES
(The Spanish Main, 1945)
direção de Frank Borzage
 
Vilanesco governador espanhol ordena destruir um navio e escravizar os marinheiros holandeses e seu capitão. Os holandeses escapam e formam uma gangue de piratas. Em busca de vingança, o líder deles captura a prometida do governador.