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maio 01, 2016

************************* O MESTRE do SUSPENSE



 
O britânico Sir ALFRED HITCHCOCK (1899 - 1980. Londres / Reino Unido) dirigiu seu primeiro filme em 1925, um drama criminal intitulado “O Jardim dos Prazeres / The Pleasure Garden, nos estúdios UFA, na Alemanha. Consagrado como narrador de histórias de suspense, era fascinado por temas como troca de identidade, transferência de culpa, repressão sexual, obsessão e voyeurismo. Sua carreira se prolongou por cerca de 50 anos e fruto dela são clássicos como “Os 39 Degraus / Thirty Nine Steps” (1935) e “A Dama Oculta / The Lady Vanishes” (1938), rodados na Inglaterra, e “Janela Indiscreta” (1954) e “Psicose / Psycho” (1960), realizados em Hollywood. Ele é, possivelmente, o mais conhecido dos cineastas, cujo nome, por si só, resume um gênero cinematográfico. Possuidor de um estilo próprio, combinando criatividade e apurado domínio da narrativa, conduzia suas histórias com zelo, sem dar sinais de falta de imaginação. Casou-se com Alma Reville em 1926, permanecendo juntos o resto de sua vida. Alcançou fama internacional ainda na Inglaterra, com thrillers do porte de “O Homem Que Sabia Demais / The Man Who Knew Too Much” (1934). Em 1939 aceitou a proposta do produtor David O. Selznick (“...E o Vento Levou / Gone with the Wind”) para rodar cinco filmes em Hollywood por 800 mil dólares. O primeiro seria “Titanic, descartado e trocado por “Rebecca, a Mulher Inesquecível” (1940), resultando num estrondoso sucesso.

hitchcock e a esposa alma reville
Trabalhou com Selznick até 1947, entre empréstimos para alguns estúdios e muitos conflitos. Nestes primeiros anos hollywoodianos realizou o seu filme predileto, “A Sombra de Uma Dúvida / Shadow of a Doubt” (1943). Narra a história de um assassino sedutor que visita seus parentes numa pacata cidade, despertando a suspeita de uma sobrinha esperta. Como produtor independente nos anos 1950, ALFRED HITCHCOCK lançou obras-primas, sintetizando suas mais bem-sucedidas experiências cinematográficas.

Na época, sua popularidade atingiu o máximo, favorecida pelos elogios da crítica francesa (especialmente os redatores da revista “Cahiers du Cinema”) e as constantes aparições nas tevês de todo o mundo. Em 1955, iniciou com êxito a série televisiva de episódios de meia-hora “Alfred Hitchcock Apresenta”, enriquecendo com ela. No seu maior sucesso no cinema, “Psicose”, a cena do assassinato no chuveiro ainda hoje é imitada. Os últimos anos de sua carreira assinalam raros filmes e vários projetos não concluídos. HITCHCOCK nunca ganhou o Oscar, mesmo concorrendo cinco vezes: “Rebecca, A Mulher Inesquecível” (1940), “Um Barco e Nove Destinos / Lifeboat” (1944), “Quando Fala o Coração / Spellbound” (1945), “Janela Indiscreta” (1954) e “Psicose” (1960). Em 1968 levou o Oscar especial pela trajetória nas telas.

Ao morrer, em 1980, estava prestes a iniciar “The Short Night”, inicialmente previsto para Catherine Deneuve e Walter Matthau, e por fim acordado com Liv Ullmann e Sean Connery. Celebrado como um dos maiores artesãos do cinema, incensado pela crítica e reconhecido como influência por vários diretores, ele marcou profundamente a cultura cinematográfica. Seus filmes não apenas sobrevivem intactos ao tempo, mas mantêm o interesse de espectadores das mais diversas idades e formações. A oportunidade de conhecer ou rever suas obras não deve ser perdida. 

  DEZ FILMES de HITCH
(por ordem de preferência)

01
PACTO SINISTRO
(Strangers on a Train, 1951)

Elenco: Farley Granger, Robert Walker e Ruth Roman. Num trem, um psicopata aborda um campeão de tênis, propondo uma troca de assassinatos.

02
Os PÁSSAROS
(The Birds, 1963)

Elenco: Rod Taylor, Tippi Hedren, Suzanne Pleshette e Jessica Tandy. Numa pequena cidade costeira, sem motivo aparente mulher é atacada por pássaros agressivos.

03
INTERLÚDIO
(Notorious, 1945)

Elenco: Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains e Louis Calhern. A filha de um espião tem como missão contatar com um antigo amigo de seu pai, cuja casa no Brasil serve de esconderijo a nazistas. Termina casando com ele, correndo perigo.

04
INTRIGA INTERNACIONAL
(North by Northwest, 1959)

Elenco: Cary Grant, Eva Marie Saint e James Mason. Um publicitário confundido com agente secreto passa a ser perseguido.

05
LADRÃO de CASACA
(To Catch a Thief, 1955)

Elenco: Cary Grant, Grace Kelly e Jessie Royce Landis. Na Riviera Francesa, ladrão de joias aposentado é acusado injustamente de uma nova onde de roubos.

06
SABOTADOR
(Saboteur, 1942)

Elenco: Priscilla Lane, Robert Cummings e Otto Kruger. Um mecânico de avião injustamente acusado de sabotagem se envolve numa rede de espionagem.

07
Um CORPO que CAI
(Vertigo, 1958)

Elenco: James Stewart, Kim Novak e Barbara Bel Geddes. Inspetor é encarregado por amigo de vigiar sua bela mulher cujo comportamento faz temer que se suicide.

08
DISQUE M para MATAR
(Dial M For Muder, 1954)

Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings. Um jogador de tênis sem dinheiro, temendo que sua esposa rica o abandone, planeja matá-la pela herança.

09
REBECCA, a MULHER INESQUECÍVEL
(Rebecca, 1940)

Elenco: Laurence Olivier, Joan Fontaine, George Sanders e Judith Anderson. Viúvo casa-se, mas a recordação da falecida inferniza a vida da nova esposa.

10
JANELA INDISCRETA
(Rear Window, 1954)

Elenco: James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey e Thelma Ritter. Fotorepórter, ao quebrar a perna, bisbilhota a vida dos vizinhos, testemunhando um assassinato.

GALERIA de FOTOS


março 25, 2012

** INGRID BERGMAN e HITCHCOCK: MUSA e MESTRE




Dona de uma beleza casta e saudável, INGRID BERGMAN era adorada por público e críticos. Convidada pelo produtor David O. Selznick, deixou a Suécia no final dos anos 30 diretamente para o superestrelato internacional. Recebeu duas vezes o Oscar de Melhor Atriz (“À Meia-Luz / Gaslight”, de 1945, e “Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia”, de 1956) e um terceiro como Melhor Atriz Coadjuvante (“Assassinato no Expresso Oriente / Murder on the Orient Express”, de 1974), sendo ainda indicada outras quatro vezes (“Por Quem os Sinos Dobram / For Whom the Bell Tolls” (1943), “Os Sinos de Santa Maria / The Bells of St. Mary’s” (1945), “Joana D’Arc / Joan of Arc” (1948) e “Sonata de Outono / Hostsonaten”, de 1979). Seu nome está imortalizado em inúmeros clássicos, inclusive como musa favorita do mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Dra. Constance Petersen em
QUANDO FALA o CORAÇÃO 
(Spellbound, 1945)
elenco: Gregory Peck e Rhonda Fleming

Concorreu ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção. Utilizando uma sedutora fotografia expressionista em contrastes de claro e escuro, é um dos primeiros filmes feitos em Hollywood cuja trama usa a psicanálise freudiana. Um amnésico, ao descobrir que não é quem pensa ser, convoca uma psiquiatra fria e mal-amada para ajudá-lo a descobrir sua verdadeira identidade, assim como o destino do indivíduo que ele aparentemente está personificando. Enorme sucesso de bilheteria (inclusive no Brasil, onde foi várias vezes reprisado), notável por suas atuações, cenografia e trilha sonora. 

O pintor surrealista espanhol Salvador Dali concebeu as famosas sequências de sonho vislumbradas por Peck em estado de hipnose. Mas há outras sequências famosas: o primeiro beijo do casal, quando várias portas vão se abrindo, simbolizando a libertação da heroína, e a cena com o revólver que atira diretamente para a câmera. Ingrid foi a Melhor Atriz dos Críticos de Nova York. Repare em Rhonda Fleming em um dos seus primeiros papéis. Ela foi uma das mulheres mais bonitas do cinema e ainda hoje está viva, aos 89 anos de idade. Hitchcock mais tarde se referia ao longa como “apenas outro filme de perseguição disfarçada em pseudo-psicanálise”.


Alicia Huberman em
INTERLÚDIO 
(Notorious, 1946)
elenco: Cary Grant, Claude Rains e Louis Calhern

Último filme de Ingrid como contratada de Selznick, mas originalmente o produtor pretendia que Vivien Leigh interpretasse a sua personagem. Perto do fim da Segunda Guerra Mundial, espião recruta garota sem perspectivas para se infiltrar em um grupo de nazistas exilados no Brasil. Num Rio de Janeiro de estúdio, somos agraciados com vários personagens (como os de Cary e Claude Rains) falando em português e fazendo menção a locais brasileiros, como a cidade de Petrópolis. Além disso, temos um ator brasileiro em cena, Ricardo Costa, que interpreta o Dr. Barbosa. História cheia de classe e romance, fotografado de forma magnífica por Ted Tetzlaff em um preto-e-branco resplandecente e com seus astros mais belos (e inspirados) do que nunca. 

É impossível não ficar deslumbrado com a beleza e o talento de Ingrid e Cary. Os dois tem uma química impressionante, e fisgam a atenção da plateia de cara. Formando um dos melhores casais hitchockianos, fazem frente a James Stewart e Grace Kelly em “Janela Indiscreta / Rear Window” (1954) ou Cary e Grace em “Ladrão de Casaca / To Catch a Thief” (1955). Ambos convencem tanto como espiões quanto como amantes. Hitchcock demonstra controle total da narrativa num nível mais sofisticado do que em seus filmes anteriores, dando uma aula de cinema. É um dos melhores exemplos para provar que Hitch era de verdade o mestre do suspense, fazendo uso de suas capacidades de hipnotizador com aptidão e habilidade. Nas cenas em que contracenava com Ingrid, o excelente Claude Rains (que concorreu ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) estava sobre um caixote, para dar a impressão que era mais alto que a atriz. Foi refilmado para a tevê norte-americana em 1992.


Lady Henrietta Flusky em
SOB o SIGNO de CAPRICÓRNIO 
(Under Capricorn, 1949)
elenco: Joseph Cotten, Michael Wilding 
e Margaret Leighton

Sem um pingo de suspense, talvez seja o pior filme da atriz e do diretor, mas tem suas qualidades – como a cuidadosa construção da narrativa -, que são o suficiente para torná-lo agradável de assistir. Fracasso de bilheteria (o público sempre esperava de Hitch uma narrativa tensa e instigante), esse melodrama de época conta a história de aristocrata frágil que vai definhando quando se muda da Irlanda para a Austrália do século XIX, a fim de ficar perto do seu marido, um ex-presidiário acusado de ter assassinado o irmão dela. A chegada de um primo provoca desconfianças e revelações inesperadas. O forte da produção é a evolução do argumento e a interação entre os três personagens principais, que fogem do senso comum e deixam a trama imprevisível. Hitch revelou que fez esse filme apenas para contar com a presença de sua adorada amiga Ingrid Bergman, que era, naquela época, a maior estrela de Hollywood. 

Ele não gostava do história, mas achava que seria um bom veículo para a atriz, que está menos deslumbrante aqui do que nos outros filmes que fez com o mestre. Mas o seu talento continua impecável, destacando-se em muitos momentos, principalmente num monólogo de oito minutos no último terço do filme. As filmagens foram um pesadelo para a estrela, que sofreu vários colapsos nervosos. Desconsolado com o fracasso comercial e crítico, o diretor caiu numa tremenda depressão, engordou ainda mais e se viu obrigado a fechar a sua produtora Transatlantic Pictures. O título nacional é péssimo, afinal o Capricorn” original se refere ao trópico e nunca ao signo astrológico.