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abril 07, 2021

***************** O GALANTE WILLIAM HOLDEN

 




Eu sou uma prostituta. 
Todos os atores são prostitutas. 
Vendemos nossos corpos ao melhor lance. 
 WILLIAM HOLDEN
 
Apelidos: Bill, The Golden Boy, Golden Holden
Altura: 1,79 m
Cor dos Olhos: azuis
Cor do cabelo: castanho escuro
 
 
De família rica, elegante, charmoso, um dos campeões de bilheteria dos anos 1950. WILLIAM HOLDEN (1918 – 1981. O'Fallon, Illinois / EUA) estreou nos palcos, enveredando pelo cinema com o empurrão da estrela Barbara Stanwyck. Descoberto por um caçador de talentos no Pasadena Workshop Theatre, ele assinou um contrato de seis meses com a Paramount, em 1938, mas estava mofando no estúdio até a atriz simpatizar com ele e o escalar para “Conflito de Duas Almas / Golden Boy” (1939), no papel do violinista dividido entre a música e o pugilismo. Ficou tão grato que durante anos enviou flores para ela no aniversário do primeiro dia das filmagens. Republicano, conservador, amigo do futuro presidente dos EUA Ronald Reagan. Tinha amizades comunistas, como o roteirista Dalton Trumbo e o ator Larry Parks. Fredric March e Spencer Tracy eram seus atores favoritos. Escolhido em 25° lugar entre as 50 maiores lendas da tela pelo American Film Institute (AFI). Em 1995, a revista “Empire” o listou como uma das 100 estrelas mais sexy da história do cinema. Apareceu seis vezes na relação das dez maiores bilheterias, de acordo com a pesquisa anual da “Quigley Publications”. Liderou em 1956, dois anos depois da sétima posição em 1954. Em 1955, classificou-se em quarto lugar, e o sétimo em 1957, antes do sexto lugar em 1958. Após cinco anos no Top 10, saiu em 1959 e 1960, reaparecendo em 1961 no oitavo lugar.
 
barbara stanwyck e holden em 1939
O estilo viril e masculino de WILLIAM HOLDEN chamou a atenção do público feminino, mas em 1942 ele alistou-se na Escola de Oficiais, na Flórida, graduando-se como segundo-tenente da Força Aérea. Passou três anos trabalhando em relações públicas e fazendo filmes de treinamento. Um de seus irmãos, um piloto naval, foi abatido e morto no Pacífico em 1943. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, voltou a Hollywood. Praticamente esquecido, estrelou longas dos mais diversos estilos, que iam de dramas, comédias, romances, guerra, até faroestes, mas só seria consagrado com o êxito de “Crepúsculo dos Deuses”. Brilhou como Joe Gillis, um roteirista fracassado e gigolô de Norma Desmond (Gloria Swanson), uma diva do cinema mudo que vivia de glórias passadas. O personagem recusado por Montgomery Clift deu a WILLIAM HOLDEN indicação ao Oscar de Melhor Ator. 

Destacando-se pela bela voz e excelente presença de cena, seu nome tornou-se chamariz de público e nessa ótima fase não estrelou nenhum filme que não fosse um sucesso de bilheteria. Dirigido mais uma vez pelo mestre Billy Wilder, levou o Oscar como um prisioneiro cínico e pilantra na sátira de guerra “Inferno Nº 17”. Em 1955, em “Férias de Amor”, interpretou um vagabundo desempregado que perturba as mulheres de uma pequena cidade do Kansas. Nessa época, era um dos atores mais bem pagos, embolsando 750 mil dólares, mais 20% dos lucros, por “Marcha de Heróis / The Horse Soldiers” (1959), uma soma inédita até então. O faroeste, no entanto, fracassou.
 
No contrato de “A Ponte do Rio Kwai” levou 250 mil dólares e 10% dos lucros, tornando-se um multimilionário. Ele investiu parte de seus ganhos em várias empresas, até mesmo uma estação de rádio em Hong Kong. Em 1959, mudou-se para a Suíça por motivos fiscais e não voltou a morar em Hollywood até 1967. Passava cada vez mais tempo viajando pelo mundo. Na década de 1960, WILLIAM HOLDEN fundou o exclusivo “Mount Kenya Safari Club” com o bilionário do petróleo Ray Ryan e o financista suíço Carl Hirschmann. Sua defesa fervorosa da conservação da vida selvagem consumia boa parte de seu tempo. Seus filmes, consequentemente, perdiam qualidade.

billy wilder e holden
O ator afirmou que, em algum momento, perdeu sua paixão por atuar e que acabou se tornando um trabalho para que pudesse se sustentar. Para manter o alto padrão de vida aceitou filmes medíocres apenas pelo cachê milionário. Isso acabou abalando seu prestígio. No começo dos anos 1960 sua carreira começou a declinar, ao mesmo tempo que seu grave problema com o alcoolismo se tornou notório. Em vários filmes nota-se o rosto inchado, os olhos nebulosos e o cansaço. Ainda assim, amado pela comunidade cinematográfica e pelo público, jamais deixou de filmar.
 
No final da carreira, destacou-se em “Inferno na Torre / The Towering Inferno” (1974), “Rede de Intrigas” e “Fedora / idem” (1978) – sua quarta parceria com Billy Wilder. Nomeado ao Oscar de Melhor Ator pelo Max Schumacher de “Rede de Intrigas”, um executivo de uma cadeia televisiva que se envolve numa relação adúltera com Faye Dunaway, era o favorito das apostas. Entretanto, a estatueta foi para o inglês Peter Finch, que concorria pelo mesmo drama e morreu meses antes da cerimônia. Após a premiação, WILLIAM HOLDEN exibiu sua revolta em uma coletiva de imprensa, alegando que a Academia se rendeu ao sentimentalismo, fazendo uma homenagem póstuma a um ator medíocre. Não era verdade. Finch realmente mereceu o prêmio.
 
Enquadrava-se no tipo de galã romântico. Era o sonho de muitas mulheres mundo afora. Considerado um bom profissional, amigo e correto com diretores, colegas atores e produtores. Com fobia de higiene, tomava quatro banhos diariamente. Casou-se com a atriz Brenda Marshall em 1941, que abandonou o cinema por ele e continuaram juntos até 1971, embora vivessem longe um do outro. Apaixonou-se por Capucine, que preferia mulheres. Namorou Audrey Hepburn, Grace Kelly e Stefanie Powers. Suas inúmeras desilusões amorosas agravaram ainda mais seu alcoolismo.
 
grace kelly, holden e o oscar
Não foi sempre um alcoólatra. Inicialmente bebia socialmente. Começou a perder o controle nos anos 1960. Passava dias embriagado, muitas vezes caído no chão em sua mansão em Beverly Hills. Amanhecia bebendo whisky duplo sem gelo e não parava mais o resto do dia. O alcoolismo o envelheceu. Abatido, sem energia, farto de Hollywood, passava meses na sua casa africana, caçando e se embriagando.
 
Hostilizado sempre que ficava bêbado, começou a beber às escondidas. Havia se cansado das lições de moral e dos conselhos para parar de beber. Queria encher a cara até não aguentar mais, em paz, sem ninguém por perto perturbando ou chamando a atenção pelo seu estado lamentável. Costumava dizer que era um bebum convicto. No final dos anos 1970, comprou um apartamento em Santa Mônica, onde solitário tomava seus porres. Nesse apartamento, WILLIAM HOLDEN bebia sem parar durante dias. Certa vez, em 1981, ao caminhar da sala para a cozinha, desequilibrou-se e bateu com a cabeça de forma violenta numa mesa de mármore. Sangrou até morrer. Quatro dias antes da estreia da comédia “S.O.B. / idem” (1981), em que atuou ao lado de Julie Andrews. Tinha apenas 63 anos. Foi um fim tão melancólico quanto o de seu personagem em “Crepúsculo dos Deuses”. Em 1982, Stefanie Powers, com quem mantinha um relacionamento desde 1972, fundou a William Holden Wildlife Foundation e o William Holden Wildlife Education Center no Quênia.
 
DEZ FILMES de WILLIAM HOLDEN
(por ordem de preferência)
 
01
CREPÚSCULO dos DEUSES
(Sunset Boulevard, 1950)

direção de Billy Wilder
elenco: Gloria Swanson, Erich von Stroheim e Nancy Olson
 
02
FÉRIAS de AMOR
(Picnic, 1955)

direção de Joshua Logan
elenco: Kim Novak, Rosalind Russell, Betty Field, Susan Strasberg e Cliff Robertson
 
03
A PONTE do RIO KWAI
(The Bridge on the River Kwai, 1957)

direção de David Lean
elenco: Alec Guinness, Jack Hawkins e Sessue Hayakawa
 
04
SABRINA
(Idem, 1954)

direção de Billy Wilder
elenco: Humphrey Bogart, Audrey Hepburn, Martha Hyer e Marcel Dalio
 
05
NASCIDA ONTEM
(Born Yesterday, 1950)

direção de George Cukor
elenco: Judy Holliday, Broderick Crawford e Howard St. John
 
06
REDE de INTRIGAS
(Network, 1976)

direção de Sidney Lumet
elenco: Faye Dunaway, Peter Finch, Robert Duvall e Beatrice Straight
 
07
INFERNO Nº 17
(Stalag 17, 1953)

direção de Billy Wilder
elenco:  Don Taylor, Otto Preminger e Robert Strauss
 
Oscar de Melhor Ator
 
08
Um HOMEM e DEZ DESTINOS
(Executive Suite, 1954)

direção de Robert Wise
elenco: Barbara Stanwyck, June Allyson, Fredric March, Walter Pidgeon, Shelley Winters, Paul Douglas, Louis Calhern e Nina Foch
 
Melhor Ator no Festival de Veneza
 
09
SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love is a Many-Splendored Thing, 1955)

direção de Henry King
elenco: Jennifer Jones
 
10
                                           MEU ÓDIO SERÁ sua HERANÇA
                                                     (The Wild Bunch, 1969)

direção de Sam Peckinpah
elenco: Ernest Borgnine, Robert Ryan e Edmond O’Brien

GALERIA de FOTOS


janeiro 24, 2019

***************** VIV e LARRY: Um AMOR INFIEL

vivien leigh

 
Em 1999, em uma chuvosa tarde de primavera, andando sem destino pelas ruas de Londres, encontrei uma formosa praça tomada por roseiras e árvores frondosas, a Eaton Square. Parecia outra dimensão, concentrada em um silêncio absoluto. Em volta dela, casarões brancos e imponentes, dois ou três degraus em cada um deles, levando a portais sofisticados. Sentei em uma escada, abri um livro, acendi o cigarro e fiquei entre o que lia e a visão majestosa da praça.  Ao levantar-me, notei uma placa azul entre duas grandes janelas. Curioso, li o que dizia: “Aqui viveu Vivien Leigh, de 1960 a 1967”. Tomei um baita susto, não esperava a surpresa. Depois do êxtase, garimpei os filmes de VIVIEN LEIGH (1913 – 1967. Darjeeling / Índia, onde o pai trabalhava numa firma de corretagem inglesa) – só a conhecia do popular “... E o Vento Levou” -, descobrindo uma atriz da maior distinção. Conhecida na intimidade como Viv, com LAURENCE OLIVIER (1907 – 1989. Dorking, Reino Unido), o Larry, formaram um dos casais mais populares da Inglaterra por duas décadas - uma espécie de realeza do teatro. Aclamada por ser belíssima e talentosa, a atriz esteve afetada por um distúrbio bipolar durante a maior parte de sua vida adulta, e seu humor era quase sempre não entendido pelos diretores.
 
viv e larry
Ainda uma intérprete iniciante, em 1935, aos 22 anos, casada, ela conheceu seu futuro marido em um restaurante, onde ele jantava acompanhado da primeira esposa, Jill Esmond. Apaixonou-se imediatamente, e achou que a atração tinha sido mútua. Dois anos mais tarde, ao assisti-lo em uma peça, teve o impulso de procurá-lo para lhe dizer que admirara sua atuação. Durante a conversa, ele sugeriu que fizesse um teste para “Ricardo II”, sob a direção de John Gielgud. Ela ganhou o papel e, no mesmo ano, estrelou o filme de época  “Fogo Sobre a Inglaterra”, na pele de Lady Cynthia, amante do espião interpretado por Olivier. Enquanto filmavam, o amor surgiu.

Concluído o drama histórico, atuaram no espetáculo “Hamlet”, na Dinamarca, no Castelo de Elseneur, local da tragédia de William Shakespeare, e o sucesso foi retumbante. Na ocasião, os amantes resolveram abrir o jogo com seus consortes. Ela escreveu uma carta ao marido pedindo perdão, comunicando que estava com LAURENCE OLIVIER e não mais voltaria para casa, deixando a educação de sua filha, Suzanne, por conta de sua mãe. Transcorridos seis meses de vida em comum, solicitaram os respectivos divórcios, mas seus cônjuges recusaram. Em 1938, quatro fitas inglesas de VIVIEN LEIGH estrearam nos EUA, resultando em convite hollywoodiano para atuar com LAURENCE OLIVIER na adaptação do romance de Emily Bronte, “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1939). Seria o papel secundário de Isabella (terminaria nas mãos de Geraldine Fitzgerald), cabendo a Merle Oberon o de Cathy, heroína da história romântica. Ela não aceitou, mas a viagem foi proveitosa: seria escolhida entre milhares para viver Scarlett O’Hara em “... E o Vento Levou”, assinando contrato de sete anos com o produtor independente David O. Selznick e levando o Oscar de Melhor Atriz. 
 
no teatro
Aos 26 anos, consagrada, decepcionou-se ao ser recusada para os filmes “Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca” (1940) e “Orgulho e Preconceito / Pride and Prejudice” (1940), ambos protagonizados por LAURENCE OLIVIER. Tentou substituir Robert Taylor pelo amado em “A Ponte de Waterloo / Waterloo Bridge” (1940), mas não deu certo. Em 1940, eles finalmente obtiveram o divórcio e se casaram numa cerimônia íntima em Santa Bárbara, Califórnia, com duas testemunhas, Katharine Hepburn e o dramaturgo Garson Kanin. Manifestando sintomas de transtorno bipolar, voltou aos palcos em “Romeu e Julieta” e às telas em “Lady Hamilton, a Divina Dama” (1941).

De volta a Inglaterra, em plena Segunda Guerra Mundial, eles divertiram os pilotos da R.A.F. em shows e retornaram aos palcos. Grávida, a atriz ficou doente e perdeu a criança. Histérica, agrediu física e verbalmente o marido. Com sucesso nos palcos e mergulhada em crises nervosas, seu temperamento afetado pela doença não era entendido pelos diretores, e ela ganhou a reputação de ser uma estrela difícil. Diagnosticada com tuberculose crônica, enfraqueceu-se a partir de então.

Em 1947, LAURENCE OLIVIER foi sagrado cavaleiro e o casal passou a ser tratado como Sir e Lady Olivier. Nos anos seguintes, VIVIEN LEIGH marcou época interpretando Blanche DuBois na ribalta e nas telas. A montagem londrina de “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams, dirigida pelo marido, coberta de elogios, sustentava-se no seu desempenho. Substituindo Olivia de Havilland, que recusou o papel no cinema, e contratada pela enorme quantia de cem mil dólares, tornou-se a atriz mais bem-paga da época. Teve um desempenho magnífico em “Uma Rua Chamada Pecado”, recompensada com um Oscar e a Taça Volpi de Melhor Atriz em Veneza. Seu triunfo teve um preço alto: “Blanche DuBois é uma mulher da qual tudo foi arrancado, uma figura trágica e eu a entendo, mas interpretá-la me fez mergulhar na loucura”, confessou.
 
o primeiro oscar de viv
Em 1951, o casal estreou no teatro “Antonio e Cleópatra”, de Shakespeare, e “César e Cleópatra”, de Bernard Shaw, alternando as apresentações e com imenso êxito. Dominada por colapsos nervosos, a atriz imaginava que desconhecidos estavam tentando seduzi-la, e receava que não pudesse resistir às suas investidas. Nesse período, sofreu dois abortos, e foi diagnosticada como maníaco-depressiva. Gradualmente, os seus problemas de saúde, agravados pela dependência do álcool e das drogas, interferiram na carreira e no matrimônio. Por mais que se amassem, as terríveis crises nervosas dela desestruturavam o relacionamento. Contudo, o público não a esquecia.

Sob tratamento psiquiátrico, VIVIEN LEIGH foi convidada pelo produtor Irving Asher para atuar com LAURENCE OLIVIER no drama “No Caminho dos Elefantes / Elephant Walk” (1954), um triângulo amoroso em uma plantação de chá no Ceilão. Ele não pode aceitar a oferta e foi substituído por Peter Finch. Dirigido por William Dieterle, o filme começou a ser rodado com a estrela visivelmente cansada, à flor da pele, esquecendo-se frequentemente do texto, à beira de recorrentes ataques. Ela passou a seguir Finch pelos sets com fúria, chamando-o de Larry e, à noite, alucinada, repetia os diálogos de Blanche DuBois, chorando incontrolavelmente, sem pegar no sono.

Concluídas as cenas exteriores, as restantes seriam filmadas em Hollywood. Na viagem, a atriz tentou rasgar as roupas e pular do avião. No estúdio da Paramount repetiram-se terríveis rompantes de histeria. Ela gritava, tal como Blanche: “Saia logo daqui, antes que eu comece a gritar fogo! Fogo! Fogo! Fogo!”. Alguém teve a ideia de chamar o ator David Niven, amigo íntimo do casal Olivier, e ele conseguiu acalmá-la. O produtor Asher não teve outra alternativa senão colocar a jovem Elizabeth Taylor no seu lugar, vivendo Ruth Wiley (nas tomadas de plano geral ainda se pode ver a silhueta de Vivien). Felizmente VIVIEN LEIGH não concluiu o trabalho, o longa é um dos piores da carreira de Liz. Aos 41 anos de idade, a famosa Scarlet O`Hara não aceitava o fato de ser maníaco-depressiva e, consentida pelos médicos, fez teatro (com casa lotada e ótimas críticas). Voltou a filmar em 1955 ao estrelar o delicado drama “O Profundo Mar Azul”
 
larry e viv nos anos 50
Com o ritmo excessivo de trabalho, VIVIEN LEIGH caiu em longos períodos de depressão e passou a maior parte dos anos de 1954 e 1955 sob cuidados médicos. No auge da anormalidade, arrancou as roupas e saiu nua pelas ruas. Em seguida, começaram os boatos sobre a péssima situação do seu casamento. De volta aos palcos, ela teve um caso com Peter Finch. Nos anos seguintes, continuou a ter acessos frenéticos, muitas vezes quebrando tudo à sua volta. Em 1960, os boatos sobre o casamento deles se confirmaram quando LAURENCE OLIVIER a abandonou para se unir a atriz Joan Plowright, 22 anos mais nova. Ela pediu o divórcio e nunca mais se casou, continuando a trabalhar no cinema e no teatro até sua morte súbita por tuberculose.

O romance de VIVIEN LEIGH e LAURENCE OLIVIER era considerado uma espécie de conto de fadas para o público: famosos, ricos, talentosos e apaixonados. Como nada é o que parece ser, uma biografia recente garante que ambos eram infiéis desde o início do relacionamento e torturavam um ao outro com amantes de ambos os sexos. Segundo o best-seller, a cada crise de instabilidade emocional, a atriz procurava conforto em relações extraconjugais, de Rex Harrison a Marlon Brando, passando por atrizes como Isabel Jeans. Tinha predileção por jovens prostitutos e frequentava um bordel de Los Angeles especializado em garotos de programa. Costumava contratar desconhecidos no “Scotty’s Garage”, um posto de gasolina conhecido por seus 22 funcionários jovens e atraentes. Ela pagava a “cortesia de estranhos” com presentes, de cigarreiras a joias. LAURENCE OLIVIER não deixava por menos, e teve um caso com o comediante norte-americano Danny Kaye, entre outros. Detalhes na biografia “Damn You, Scarlett O’Hara – The Private Lives of Vivien Leigh and Laurence Olivier” (2011), escrita por Darwin Porter, antigo confidente da estrela, e Roy Moseley, assistente de Olivier.
 
vivien, olivier e olivia de havilland
Ela fez apenas 18 filmes. Em mais de trinta anos de teatro, VIVIEN LEIGH interpretou desde comédias de Noel Coward a dramas clássicos de Shakespeare. Aprendeu a atuar com LAURENCE OLIVIER, desabrochou com ele, mas o seu talento era nato. De beleza delicada, essa atriz de extraordinário vigor dramático é uma das maiores heroínas românticas do cinema. No seu funeral, John Gielgud disse: “Não será esquecida, porque sua qualidade mágica era incomparável. Uma grande beleza, uma estrela, uma atriz cinematográfica consumada e uma personalidade versátil e poderosa no teatro...”.

O extraordinário LAURENCE OLIVIER foi um dos mais carismáticos atores do século XX. Sua presença em palco fascinava o público e sua credibilidade como intérprete, no drama como na comédia, proporcionou-lhe os maiores êxitos. Destacou-se interpretando personagens de Shakespeare, quer no teatro, quer no cinema. Em 1978 recebeu um Oscar especial pelo conjunto de sua obra e por sua contribuição à arte cinematográfica. Em 1970, a rainha Elizabeth II lhe outorgou o título de Lorde, com direito a frequentar o Parlamento britânico. Ele morreu, aos 82 anos, de câncer no estômago, dormindo em sua casa ao lado de sua terceira mulher, a atriz Joan Plowright, com quem teve três filhos.

viv e larry
em “fogo sobre a inglaterra”

VIV e LARRY no CINEMA

FOGO SOBRE a INGLATERRA
(Fire Over England, 1937)

direção de William K. Howard
Em plena guerra entre a Inglaterra e a Espanha, Vivien e Olivier são os amantes Lady Cynthia e Michael Ingolby. Ele, um espião enviado a Madri para descobri os nomes dos conspiradores ingleses aliados dos espanhóis.

TRÊS SEMANAS de LOUCURA
(Twenty One Days, 1937)

direção de Basil Dean
Ex-pároco (Olivier) é julgado por um crime que não cometeu. Vivien interpreta Wanda, a namorada do acusado.

LADY HAMILTON, a DIVINA DAMA
(That Hamilton Woman, 1941)

direção de Alexander Korda
O romance proibido entre o herói de guerra Lord Nelson e a casada Emma Hamilton.

vivien e marlon brando em “uma rua chamada pecado”

  DEZ FILMES de VIV
(por ordem de preferência)

01
Uma RUA CHAMADA PECADO
(A Streetcar Named Desire, 1951)

direção de Elia Kazan
elenco: Marlon Brando, Kim Hunter e Karl Malden

Oscar de Melhor Atriz
Melhor Atriz no Festival de Veneza

02
E o VENTO LEVOU
(Gone with the Wind, 1939)

direção de Victor Fleming
elenco: Clark Gable, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, Hattie McDaniel, Laura Hope Crews e Jane Darwell

Oscar de Melhor Atriz

03
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940)

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Robert Taylor, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya e C. Aubrey Smith

04
A NAU dos INSENSATOS
(Ship of Fools, 1965)

direção de Stanley Kramer
elenco: Simone Signoret, José Ferrer, Lee Marvin, Oskar Werner e Elizabeth Ashley

05
ANNA KARENINA
(Idem, 1948)

direção de Julien Duvivier
elenco: Ralph Richardson, Kieron Moore e Martita Hunt

06
LADY HAMILTON, a DIVINA DAMA
(That Hamilton Woman, 1941)

direção de Alexander Korda
elenco: Laurence Olivier, Alan Mowbray, Sara Allgood e Gladys Cooper

07
Em ROMA, na PRIMAVERA
(The Roman Spring of Mrs. Stone, 1961)

direção de José Quintero
elenco: Warren Beatty, Coral Browne, Jill St. John e Lotte Lenya

08
O PROFUNDO MAR AZUL
(The Deep Blue Sea, 1955)

direção de Anatole Litvak
elenco: Kenneth More e Eric Portman

09
CÉSAR e CLEÓPATRA
(Caesar and Cleopatra, 1945)

direção de Gabriel Pascal
elenco: Claude Rains, Stewart Granger, Flora Robson, Cecil Parker e Jean Simmons

10
Nos BASTIDORES de LONDRES
(St. Martin's Lane, 1938)

direção de Tim Whelan
elenco: Charles Laughton e Rex Harrison

larry em “rebecca, a mulher inesquecível”

  DEZ FILMES de LARRY
(por ordem de preferência)

01
HAMLET
 (Idem, 1948)

direção de Laurence Olivier
elenco: Jean Simmons e Anthony Quayle

02
O MORRO dos VENTOS UIVANTES
(Wuthering Heights, 1939)

direção de William Wyler
elenco: Merle Oberon, David Niven, Flora Robson e Geraldine Fitzgerald

03
PERDIÇÃO por AMOR
(Carrie, 1952)

direção de William Wyler
elenco: Jennifer Jones, Miriam Hopkins e Eddie Albert

04
REBECCA, a MULHER INESQUECÍVEL
(Rebecca, 1940)

direção de Alfred Hitchcock
elenco: Joan Fontaine, George Sanders, Judith Anderson e C. Aubrey Smith

05
MARATONA da MORTE
(Marathon Man, 1976)

direção de John Schlesinger
elenco: Dustin Hoffman, Roy Scheider, William Devane e Marthe Keller

06
HENRIQUE V
(The Chronicle History of King Henry the Fifth with His Battell Fought at Agincourt in France, 1944)

direção de Laurence Olivier
elenco: Renée Asherson, Robert Newton, Leslie Banks e Robert Helpmann

07
SPARTACUS
 (Idem, 1960)

direção de Stanley Kubrick
elenco: Kirk Douglas, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov e John Gavin

08
VIDA de ARTISTA
 (The Entertainer, 1960)

direção de Tony Richardson
elenco: Brenda de Banzie, Roger Livesey, Joan Plowright e Alan Bates

09
TRAMA DIABÓLICA
(Sleuth, 1972)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Michael Caine

10
MENTIRA INFAMANTE
(Term of Trial, 1962)

direção de Peter Glenville
elenco: Simone Signoret, Sarah Miles, Terence Stamp e Hugh Griffith


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