| sophia loren chegando ao festival, nos anos 1950 |
A imagem de uma jovem Faye Dunaway (“Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas”, “Rede de Intrigas” etc.), fotografada pelo cineasta Jerry Schatzberg, ilustra o cartaz oficial da 64a edição do FESTIVAL de CANNES, de 11 a 22 de maio, no sul da França, na luxuosa Riviera Francesa. Palma de Ouro em 1973 por “Espantalho / Scarecrow”, Schatzberg iniciou sua carreira como fotógrafo antes de começar a dirigir filmes e este ano terá seu filme de estréia - “Entre a Fama e a Loucura / Puzzle of a Downfall Child” (1970) - exibido durante o festival, em versão remasterizada e com sua presença. É apenas uma das muitas atrações deste evento iniciado em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, com a intenção de rivalizar com a Mostra de Cinema de Veneza e encorajar o desenvolvimento de todas as formas de arte cinematográfica, bem como criar e manter um espírito de colaboração entre todos os países produtores de filmes. Embora as primeiras edições tenham passado discretamente, rapidamente captou fama internacional graças à presença de centenas de celebridades, de Kirk Douglas a Gina Lollobrigida. Hoje é um dos mais prestigiados e famosos festivais de cinema do mundo. Estive lá algumas vezes e fiquei fascinado com todo o burburinho cinéfilo.
O prêmio mais cobiçado é a Palma de Ouro (Palme d’Or), que recompensa o melhor longa. Entregue pela primeira vez em 1955 a “Marty / idem”, de Delbert Mann, sucedeu ao Grand Prix, até aí dado ao melhor filme em competição. Nos anos 60, à margem da Seleção Oficial, nasceram outras seleções paralelas importantes: a “Semaine Internationale de La Critique”, em 1962, e a “Quinzaine des Réalisateurs”, em 1969. Projetadas no âmbito de retrospectivas temáticas até 2004, as obras do patrimônio são, a partir desta data, apresentadas em “Cannes Classics”, uma seleção que reúne as cópias restauradas, as homenagens às cinematografias e os documentários sobre cinema. Além dessas virtudes, o FESTIVAL de CANNES movimenta um negócio de compra e venda de filmes, com cerca de 10 mil profissionais se dirigindo ao evento todos os anos, se tornando o número 1 no mercado profissional cinematográfico mundial.
Embora cada edição possua o seu charme, está claro que a deste ano será muito mais excitante que a dos últimos anos: o ator francês Jean-Paul Belmondo e o cineasta italiano Bernardo Bertolucci receberão a Palma de Ouro de Honra; a competição conta com nomes excelentes, de Terrence Malick a Pedro Almodóvar (David Cronenberg e Wong Kar-Wai ficaram de fora no último instante); “Meia-Noite em Paris / Midnight in Paris”, de Woody Allen, abrirá o Festival, e “Les Bien-Aimés”, do excelente Christophe Honoré, o encerrará; fora de competição serão exibidas as novas realizações de Gus Van Sant, Bruno Dumont e Jodie Foster; Robert De Niro é o presidente do júri, que também conta com o diretor Oliver Assayas e os atores Jude Law e Uma Thurman, entre outros; pelo tapete vermelho passarão estrelas como Sean Penn, Catherine Deneuve, Johnny Depp e Brad Pitt. Serão centenas de projeções para milhares de amantes do cinema. O brasileiro “Trabalhar Cansa”, de Marco Dutra e Juliana Rojas, será exibido na mostra paralela “Um Certo Olhar” (Un Certain Regard), concorrendo ao troféu Câmera de Ouro (Caméra d’Or), que premia diretores estreantes. Além de “Trabalhar Cansa”, o longa “Abismo Prateado”, de Karim Aïnouz integra a “Quinzaine des Réalisateurs”, seleção criada por Truffaut e Godard para reforçar um cinema inovador e audacioso, que esse ano presta homenagem à Jafar Panahi, diretor irariano que venceu a Camera D’Or em 1995 com “O Balão Branco”. Como disse Jean Cocteau, “O Festival é um microcosmos do que seria o mundo se os homens falassem a mesma língua”.
FILMES em COMPETIÇÃO
BIRZAMANLAR ANADOLU’DA (Turquia)
direção de Nuri Bilge Ceylan
DRIVE (EUA)
direção de Nicolas Winding Refn
HABEMUS PAPAM (Itália)
direção de Nanni Moretti
HANEZU NO TSUKI (Japão)
direção de Naomi Kawase
HEARAT SHULAYIM (Israel)
direção de Joseph Cedar
ICHIMEI (Japão)
direção de Takashi Miike
L’APOLLONIDE – SOUVENIRS DE LA MAISON CLOSE (França)
direção de Bertrand Bonello
LA PIEL QUE HABITO (Espanha)
direção de Pedro Almodóvar
LA SOURCE DES FEMMES (Romênia)
direção de Radu Mihaileanu
LA HAVRE (Finlândia)
direção de Aki Kaurismaki
LE GAMIN AU VÉLO (Bélgica)
direção de Jean-Pierre e Luc Dardenne
MELANCHOLIA (Dinamarca)
direção de Lars Von Trier
MICHAEL (Áustria)
direção de Markus Schleinzer
PATER (França)
direção de Alain Cavalier
POLISSE (França)
direção de Maiwenn
SPLEEPING BEAUTY (Austrália)
direção de Julia Leigh
THE ARTIST (França)
de Michel Hazanavicius
A ÁRVORE da VIDA / The Tree of Life (EUA)
direção de Terrence Malick
THIS MUST BE THE PLACE (Itália)
direção de Paolo Sorrentino
WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN (Inglaterra)
direção de Lynne Ramsay.
| romy schneider e alain delon em 1962 |
CANNES CLÁSSICO
(Filmes restaurados digitalmente)
LARANJA MECÂNICA / A Clockwork Orange (1971)
direção de Stanley Kubrick
direção de Stanley Kubrick
CHRONIQUE D’UN ETE (1960)
direção de Jean Rouch e Edgar Morin
DESPAIR – Uma VIAGEM para a LUZ / Despair (1978)
direção de Rainer Werner Fassbinder
HUDUTLARIN KANUNU (1966)
direção de Lufti Akad
O CONFORMISTA / Il Conformista (1970)
direção de Bernardo Bertolucci
LA MACCHINA AMMAZZACATTIVI (1952)
direção de Roberto Rossellini
O ASSASSINO / L’Assassino (1961)
direção de Elio Petri
O SELVAGEM / Le Sauvage (1975)
direção de Jean-Paul Rappeneau;
VIAGEM à LUA / Le Voyage dans La Lune (1902)
direção de Georges Mélies
O BOULEVARD do CRIME / Les Enfants Du Paradis (1945)
direção de Marcel Carné
NIEMANDSLAND (1931)
direção de Victor Trivas
RUE CASES-NEGRES (1983)
direção de Euzhan Palcy.
| cartaz oficial 2011 |