MAX LINDER
(1883 - 1925. Cavernes, SDaint-Loubès / França)
O comediante que mais influenciou Chaplin era francês e teve fim trágico: ele e a mulher foram encontrados mortos num hotel de Paris, em 1925. Ele começou aos 17 anos, trocando a escola pelos palcos de Bordeaux. Quatro anos depois, mudou-se para Paris, onde ganhou pequenos papéis em peças melodramáticas. Em 1905, iniciou carreira na Pathé Filmes. Nos três anos seguintes, dividiu-se entre teatro e cinema, decolando para a fama. A ponto de, em 1910, já ser considerado o comediante mais conhecido das telas em todo o mundo. Passou, além de atuar e escrever, a dirigir filmes. Sua popularidade chega ao auge em 1914, mas, convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial, foi atingindo por gases venenosos e teve seu primeiro colapso nervoso, que lhe deixou seqüelas pelo resto da vida. Voltou a atuar no cinema francês, mas logo aceitou proposta de um estúdio norte-americano e se mudou para Hollywood, onde seus problemas de saúde reapareceram. Morando novamente em Paris, casou-se em 1923. Mas não encontrou paz, mergulhando numa crise profunda. A última de sua vida.
MACK SENNETT
(1880 - 1960. Danville / Canadá)
O primeiro rei da comédia no cinema. Tudo começou quando, aos 17 anos, se mudou do Canadá para os Estados Unidos. Artista de vaudeville, nas muitas viagens que fazia, conheceu o homem que iria dar o primeiro impulso na sua carreira: D. W. Griffith. Sob a direção do mestre, atuou em pequenos papéis. Quando um diretor de comédias adoeceu pouco antes do início de uma filmagem, ele foi chamado às pressas para substituí-lo. Era 1912 e Sennett começou a despontar para a glória – criando logo depois seu próprio estúdio, o Sennett’s Keystone, que se transformou na maior fábrica de gargalhadas de Hollywood. De humor fácil, de grande apelo popular, cheia de gags irresistíveis, o comediante trilhou uma trajetória ascendente. Alguns nomes que seriam, algum tempo depois, monstros sagrados da tela, começaram com ele: Chaplin, Gloria Swanson, Fatty Arbuckle, Mabel Normand, Harold Lloyd, Frank Capra etc.
HAROLD LLOYD
(1893 - 1971. Burchard, Nebraska / EUA)
Começou numa companhia de teatro mambembe, parando com ela em Los Angeles. Com o fim da excursão, encontrou Hal Roach, que também sonhava com a fama – e ficaram amigos. O amigo recebeu uma herança familiar de 3.000 dólares e decidiu produzir filmes. Fizeram várias comédias de 1913 a 1915, mas as coisas começaram a dar certo quando criou o personagem Lonesome Luke, que fez muito sucesso. Mas, logo depois, achou a figura ideal: um homem bem-sucedido na vida, quase elegante, vestindo boas roupas, que usava um redondo par de óculos. Resultado: transformou-se em um dos maiores atores cômicos do cinema mudo. Nem um acidente foi capaz de interromper essa trajetória: durante a filmagem de “Haunted Spooks” (1920), uma bomba explodiu em sua mão, que ficou semiparalisada. Morreu de câncer aos 77 anos, em 1971.
BUSTER KEATON
(1895 - 1966. Piqua, Kansas / EUA)
Filho de artistas mambembes, aos seis meses já participava de espetáculos. Aos 21 era um nome de ponta do vaudeville e não teve dificuldades para aparecer como coadjuvante em curtas ao lado de Fatty Arbuckle. Em 1919, o produtor Joseph M. Schenck (casado com a atriz Norma Talmadge, irmã da mulher de Keaton, Natalie) o convidou para estrelar alguns filmes. Desse investimento resultaram sucessos, e durante muitos anos se tornou um ídolo do cinema mudo, principalmente a partir de sua obra-prima “A General / The General” (1926). Ao mudar-se para a poderosa Metro-Goldwyn-Mayer perdeu a liberdade de improvisar, submetendo-se às imposições de um grande estúdio. O resultado foi melancólico: abandonado pela mulher e afogando-se no álcool, logo veio a decadência e passou o resto da vida fazendo pontas. A partir de 1962, o artista, morto em 1966, teve sua obra revista e mereceu uma retrospectiva da Cinemateca Francesa. “O Homem Que Não Ri”, como era conhecido, é reverenciado hoje como gênio.
CHARLES CHAPLIN
(1889 - 1977. Londres / Reino Unido)
Nascido em Londres e criado num orfanato, em 1906 entrou para a companhia de Fred Karno e quatro anos depois assinou contrato com a Keystone, nos Estados Unidos. Filmes curtos de dois rolos fizeram sua fama internacional como Carlitos. Dirigiu e atuou em diversas obras-primas, mas durante muito tempo temeu o cinema sonoro. Seus envolvimentos com mulheres geraram vários escândalos. Perseguido pelo macarthirmo, exilou-se na Suíça. Retornou aos EUA em 1972 para receber um Oscar honorário, mas apenas com um visto de um mês. Suas realizações como comediante, diretor, roteirista, produtor e compositor foram notáveis. É um dos maiores nomes da história do cinema.
Os IRMÃOS MARX
Chico (1887 - 1961. Nova Iorque / EUA),
Harpo (1888 - 1964. Nova Iorque / EUA),
Groucho (1890 - 1977. Nova Iorque / EUA)
e Zeppo (1901 - 1979. Nova Iorque / EUA)
O grupo de comediantes mais escandalosamente excêntricos de Hollywood, fizeram da anarquia uma arte. Groucho era um mestre no jogo de palavras, Harpo era um mímico que tocava harpa, Chico um pianista que falava com sotaque italiano e Zeppo era o certinho. Nova-iorquinos e irmãos, começaram no teatro de variedades e depois na Broadway. Contratados pela Paramount, fizeram seus melhores e mais loucos filmes nesse estúdio. Depois foram para a Metro, onde atuaram no seu maior sucesso de bilheteria, “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935). Mas na MGM não tinham liberdade criativa e aos poucos foram decaindo. A última colaboração deles foi “Loucos de Amor / Love Happy” (1949), com Marilyn Monroe. Apenas Groucho continuou no cinema, terminando sua carreira em 1968 com “Skidoo / Idem”, de Otto Preminger.
W. C. FIELDS
(1880 - 1946. Darby, Pensilvânia / EUA)
Seu estilo de comédia não perdoava nada. Malabarista e artista de vaudeville, com um nariz grande e vermelho, alcançou a fama em musicais na Broadway. Seu modo de falar era imitado e seu alcoolismo legendário. Seu auge aconteceu com Mr. Micawber em “David Copperfield / Idem” (1935), de George Cukor.
MAE WEST
(1893 - 1980. Nova Iorque / EUA)
Uma arquetípica deusa do sexo com estilo lânguido, corpo sensual e sagacidade ao falar. Começou como artista de vaudeville, tornando-se uma escandalosamente bem-sucedida dramaturga e comediante, estreando no cinema em 1932. Ela escrevia seus roteiros, salvando a Paramount da falência e se tornando a mulher mais bem paga de Hollywood. Os problemas com a censura, que incluíram um curto período na prisão por obscenidade, terminaram por afastá-la das telas, atuando no teatro sempre com casa lotada.
O GORDO e o MAGRO
Stan Laurel (1890 - 1965. Ulverston / Reino Unido)
e Oliver Hardy (1892 - 1957. Harlem, Geórgia / EUA)
Famosa dupla de comediantes em atividade desde o cinema mudo até meados da Era de Ouro de Hollywood, era composta por um magro, o inglês Stan Laurel, e um gordo, o norte-americano Oliver Hardy, que brilhavam no estilo pastelão. Atuaram também no teatro nos EUA e na Europa. Nos anos 40, decepcionados com os filmes em que não tinham controle criativo, concentraram-se em apresentações teatrais. Fizeram seu último longa em 1951, depois se aposentaram. No total, apareceram juntos em 106 filmes.
BOB HOPE
(1903 - 2003. Londres / Reino Unido)
Venceu um concurso de imitadores de Chaplin com apenas dez anos. No vaudeville, aprendeu a cantar, dançar e interpretar. Brilhou na Broadway e se transferiu para Hollywood em 1938. Uma das dez maiores bilheterias dos anos 40 e 50, conseguiu seu primeiro sucesso com o covarde de “O Gato e o Canário / The Cat and the Canary” (1939). Sua carreira declinou nos anos 50. Considerado instituição nacional, divertiu tropas norte-americanas em várias guerras. Por mais de 30 anos apresentou o Oscar.
ABBOTT e COSTELLO
Bud Abbott (1897 - 1974. Nova Jersey / EUA)
e Lou Costello (1906 - 1059, Nova Jersey / EUA)
e Lou Costello (1906 - 1059, Nova Jersey / EUA)
Dupla que fez sucesso com um humor simples, do tipo conhecido por pastelão, durante os anos 40. Eram verdadeiros ídolos das matinês. Começaram no teatro de revista na Broadway e no final da década de 40 a carreira de ambos entrou em declínio. Tentaram resgatar o prestígio perdido, mas não deu certo. Enfrentando graves problemas financeiros, Costello morreu vítima de um fulminante ataque cardíaco e Abbott passou os últimos dez anos de vida em uma casa de repouso.
Os TRÊS PATETAS
Shemp (1895 - 1975. Nova Iorque / EUA),
Moe (1897 - 1955. Nova Iorque / EUA),
Larry (1902 - 1975. Filadélfia, Pensilvânia / EUA)
e Curly (1903 - 1952. Nova Iorque / EUA)
Grupo cômico em atividade de 1922 a 1970, mais conhecido por seus numerosos curta-metragens. Sua comicidade era marcada pela extrema comédia pastelão e farsa física. Moe, Larry e Curly (depois substituído por Shemp) protagonizaram 190 curta-metragens para a Columbia entre 1934 e 1958, sempre com sucesso. Nos anos 60, passaram a se apresentar ao vivo na tevê, em participações especiais disputadas.
DANNY KAYE
(1913 - 1987. Nova Iorque / EUA)
Tornou-se comediante antes dos 14 anos, trabalhando em hotéis. Durante os anos 30, apresentava-se em cabarés e apareceu em curtas. Tornou-se astro da Broadway em 1941 no musical “Lady in the Dark”, de Kurt Weill, e contratado por Samuel Goldwyn estreou no cinema como um recruta hipocondríaco em 1944. Sua carreira no cinema decaiu nos anos 50, embora “Hans Christian Andersen / Idem” (1952), com canções de sucesso, arrecadasse enorme bilheteria. Kaye passou para a tevê nos anos 60 e suas aparições no cinema se tornaram raras. Faleceu em uma cirurgia cardíaca.
LUCILLE BALL
(1911 - 1989. Jamestown, Nova Iorque / EUA)
Artista desde os 15 anos, entrou para o cinema como uma das coristas da Metro. Seu talento apareceu graças a pequenas aparições em comédias e musicais. Nos anos 40 conseguiu um espaço como comediante. Em parceria com o músico cubano Desi Arnaz, seu marido a partir de 1941, criou e produziu “I Love Lucy”, inspirada em “My Favorite Husband”, um programa de rádio protagonizado pela dupla. A série fez enorme sucesso e marcou época na história da tevê. Ela estrelou outras duas séries e filmes ocasionais.
JERRY LEWIS
(1926. Nova Jersey / EUA)
Começou nos palcos com seus pais aos cinco anos. Aos dezoito já era comediante profissional. Sua carreira decolou quando conheceu Dean Martin. O número deles era baseado na contradição: Martin era o cantor mulherengo seguro de si e Lewis o idiota descoordenado e desatento. Entraram para o cinema em 1949, contratados pela Paramount. Ao romper com Martin em 1956, ele passou a escrever, produzir e dirigir seus filmes. Continuou fazendo sucesso durante muito tempo, inclusive na Broadway.
OSCARITO
(1906 - 1970. Málaga / Espanha)
Nascido na Espanha, consagrou-se como o maior comediante brasileiro de todos os tempos. Iniciou sua carreira no circo, passou pelo teatro e em 30 anos fez 45 filmes. A primeira aparição nas telas aconteceu em 1933, em “A Voz do Carnaval”, antepassado das chanchadas que teriam nele seu grande astro. Grande Otelo era o seu parceiro habitual nas trapalhadas hilárias nas telas.
PETER SELLERS
(1925 - 1980. Portsmouth / Reino Unido)
Cômico anárquico, ficou famoso com o programa de rádio “Good Show”, mostrando talento como imitador. Depois de uma infinidade de comédias na Inglaterra, tornou-se uma celebridade internacional com “A Pantera Cor-de-Rosa / The Pink Panther” (1963) e “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” (1964). Neurótico e infeliz, morreu depois de um dos seus maiores sucessos, “Muito Além do Jardim / Being There” (1979), pelo qual concorreu ao Oscar.
AMÁCIO MAZZAROPI
(1912 - 1981. São Paulo / SP)
(1912 - 1981. São Paulo / SP)
Oriundo do circo, esse paulistano comandava um programa radiofônico no final dos anos 40. Contratado pela Vera Cruz fez um tremendo sucesso, lapidando seu personagem típico, um caipira ingênuo às voltas com os problemas da grande cidade, mas sempre conseguindo superá-los. Não se limitando a ser apenas ator nos 32 filmes de sua carreira, fundou sua própria produtora, escreveu roteiros e dirigiu filmes.
JACQUES TATI
(1907 - 1982. Le Pecq / França)
Ele dirigiu apenas seis longas-metragens durante uma carreira de 60 anos, mas criou um herói cômico tão famoso como o vagabundo de Chaplin. Se os problemas relativos ao levantamento de recursos reduziram sua produção, o mesmo pode ser dito de seus preparativos obsessivos, que prolongaram seus projetos por anos. Começou nos cabarés, atuou em diversos curtas e terminou lançado como uma figura importante na tradição dos comediantes do cinema mudo. Embora tenham poucos diálogos, a insensatez cômica de seus filmes é destacada pelas trilhas sonoras absurdas.
CANTINFLAS
(1911 - 1993. Santa Maria la Redonda / México)
Engraxate, pugilista, motorista de táxi, toureiro e palhaço de circo, o mexicano Mário Moreno ao tornar-se comediante foi considerado o melhor do mundo por Chaplin. Seu bigode era único: dois chumaços ralos de pêlos caindo nos cantos da boca. As calças com os fundilhos lá embaixo, o lenço atado ao pescoço e uma fala esquisita fizeram dele um tipo super divertido. Estreou no cinema em 1936 e fez mais de cinquenta filmes, dois deles em Hollywood: “A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in Eighty Days” (1956) – Oscar de Melhor Filme – e “Pepe / Idem” (1960).
FONTE
“1.000 Que Fizeram 100 Anos de Cinema”
da The Times/IstoÉ
revista “Cinemin”