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dezembro 20, 2025

********* ROBERT TAYLOR: BELO e CONSERVADOR

lana turner e robert taylor em 1941

 

Eu era louco por Bob Taylor....
Foi provavelmente uma das melhores
pessoas que eu conheci em toda a minha vida.
Era um bom ator. E foi o mais bonito de todos.
Ele era maravilhoso.
WILLIAM A. WELLMAN, diretor.

Eu me manifesto contra o comunismo
pela mesma razão que me manifestei
contra o nazismo: porque sou a favor
da liberdade e da decência.
ROBERT TAYLOR em 1951.

altura: 1,82 cm
olhos: azuis
cabelos: negros
apelidos: Arly, Bob, O Novo Rei
e O Homem com o Perfil Perfeito
Estrela da Metro-Goldwyn-Mayer por mais de vinte anos, foi um dos atores mais amados de Hollywood, popular entre o público e os colegas. Reconhecido como um dos galãs mais bonitos do cinema, seu pai era médico e sua mãe, uma dona de casa. Na adolescência, andava de pônei, teve aulas de violoncelo, participou de peças amadoras de teatro e venceu um concurso estadual de oratória. Em 1934, estudando música na Califórnia, foi descoberto por um agente da M-G-M, assinando um contrato de sete anos com o poderoso estúdio. Durante sua carreira, ROBERT TAYLOR (1911 – 1969. Filley, Nebraska / EUA) atuou em 72 filmes, sendo aclamado por longas românticos, de aventura e faroestes. Como ídolo das matinês, figurou como atração de bilheteria por três décadas. Recebeu um Globo de Ouro em 1954. Fora das telas, era politicamente de direita e detestava comunistas. Ávido amante da natureza, pescava no Rio Rogue, no Oregon, e caçava em Nebraska e Manitoba. Entre seus companheiros de caça, o escritor Ernest Hemingway e os atores Wallace Beery, Clark Gable e John Wayne.

Em seu primeiro filme, emprestado à 20th Century-Fox, atuou ao lado do lendário Will Rogers,
“O Prático Andy / Handy Andy” (1934). Após algumas participações menores, recebeu seu primeiro papel principal, novamente emprestado, desta vez para a Universal. O melodrama “Sublime Obsessão”, de 1935, estrelado por uma grande atriz, Irene Dunne, narra a história de um rapaz festeiro e despreocupado que, inadvertidamente, causa cegueira na jovem que deseja impressionar e, então, se torna médico para curá-la. Foi um estrondoso sucesso e o transformou em um astro da noite para o dia. Nos anos 1950, houve um remake ainda mais popular, “Sublime Obsessão / Magnificent Obsession” (1954), de Douglas Sirk, com Jane Wyman e Rock Hudson. No ano seguinte, ele protagonizou “A Dama das Camélias”, ao lado da diva Greta Garbo. Tornou-se um dos atores mais populares, recebendo cartas de fãs que superavam as do rei do cinema Clark Gable. Nos anos 1930, atuou em filmes de diferentes gêneros. A partir de 1940, mudou sua imagem de bom moço, aparecendo em personagens sombrios.

De beleza estonteante, e como acontecia com atores considerados “bonitos demais”, os críticos o viam de forma preconceituosa, como apenas um rosto bonito e não um ator genuíno (acusação feita também a seu contemporâneo, Tyrone Power, da Fox). Ele teve que suportar críticas injustas durante seus primeiros anos em Hollywood, mas era profissional – elogiado como um ator dedicado e de presença confiante e imponente – e não dava atenção a tais críticas, que ao longo dos anos desapareceriam. Após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, fez dois filmes de guerra bem recebidos: “Às Portas do Inferno / Stand by for Action”, em 1942, e, no ano seguinte, interpretou um sargento durão em “A Patrulha de Bataan”. Patriota nato, se dedicou com fervor ao esforço de guerra, ingressando no Corpo Aéreo da Marinha dos EUA como tenente e tornando-se instrutor de voo, de 1943 a 1946. Durante esse período, estrelou e dirigiu 17 filmes de treinamento e narrou o documentário de 1944 “The Fighting Lady”, sobre a vida a bordo de um porta-aviões em tempos de guerra.

Ele tinha convicções políticas rígidas de direita. Conservador ferrenho, finalizada a guerra, se juntou à Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals (Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos), fundada em 1944 por Sam Wood e Walt Disney, uma organização que exaltava o estilo tradicional de vida norte-americano e combatia a crescente onda de comunismo, nazismo, fascismo e crenças afins que buscavam, por meios subversivos, minar e mudar esse modo de sociedade familiar. Seus companheiros de ideologia incluíam Barbara Stanwyck, Ronald Reagan, John Wayne e Gary Cooper, entre dezenas de outros famosos. Durante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes (HUAC), criado em 1938 para investigar suspeitos de comunismo, ele foi convocado a depor como testemunha, já que tinha atuado em
“Canção da Rússia / Song of Russia” (1944). Ele citou três membros do Partido Comunista: os atores Howard Da Silva e Karen Morley, e o roteirista Lester Cole. Suas carreiras terminaram por ser afetadas e Cole foi preso.

Eterno cavalheiro, não se envolveu em escândalos, apesar dos breves e discretos casos com algumas estrelas durante seu primeiro casamento com a atriz Barbara Stanwyck.  Casou-se com ela em 1939. O casal namorava desde que atuaram em
“A Mulher de Meu Irmão / His Brother's Wife”, em 1936. Quando começaram a morar juntos, foram persuadidos a se casar legalmente por Louis B. Mayer, evitando fofocas e publicidade negativa. A primeira crise aconteceu em 1941, quando Bob teve um caso com Lana Turner, pedindo o divórcio. Descontrolada, Barbara cortou os pulsos, mas logo ele se arrependeu da infidelidade. Em 1944 o casamento novamente se abalou com o tórrido romance do galã com Ava Gardner. Superaram, mas seis anos depois ele a abandonou, deixando-a numa infelicidade que nunca cessou. Ela prometeu que não voltaria a se casar, e cumpriu a promessa. Citou ROBERT TAYLOR como o amor de sua vida. Após o divórcio, amargurada, leiloou a mansão do casal em Bel-Air, Los Angeles, com todo o conteúdo, e ficou com 15% dos rendimentos do ex-marido até a morte dele.

bob taylor e barbara stanwyck
Ao conhecê-lo, Barbara Stanwyck acabara de sair de um casamento traumático com o ator alcoólatra Frank Fay. Com ROBERT TAYLOR, foi amenizada pelo amor mútuo pela vida ao ar livre (eles frequentemente iam para o rancho dela no Vale de San Fernando), pela indiferença ao estrelato e pelas simpatias políticas conservadoras. Quatro anos mais velha que o marido, famosa desde 1929, ela o orientou para papéis mais vigorosos, incluindo o fora da lei em “Gentil Tirano / Billy the Kid”, de 1941, e o mafioso em “Estrada Proibida”, do mesmo ano. Durante a década de 1950, o ator protagonizou épicos de grande sucesso de bilheteria. Solteiro, se relacionou com Eleanor Parker, que fez três filmes com ele. Em 1954, casou-se com a bela alemã Ursula Thiess (seu melhor filme, Bandido / Idem, de 1956), que abandonou a carreira artística para cuidar da família, e tiveram dois filhos, um menino e uma menina. Nessa época, adquiriram um rancho na região de Brentwood, em Los Angeles, mais tarde conhecido como Rancho Robert Taylor, desfrutando de uma vida tranquila em contato com a natureza, longe dos holofotes de Hollywood.

Em 1954, ele foi eleito o astro mais popular pela Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira de Hollywood. No entanto, após o êxito de
“Os Cavaleiros da Távola Redonda / Knights of the Round Table” (1953), a carreira de ROBERT TAYLOR entrou em declínio. Seu contrato com a M-G-M finalizou em 1958, e então ele migrou para a televisão, estrelando a série “The Detectives”, que foi um sucesso de audiência durante três anos. Quando seu amigo Ronald Reagan abandonou a carreira de ator para investir na política, ele assumiu seu lugar na série de televisão “Death Valley Days”, em 1966, permanecendo até sua morte em 1969. Fumante inveterado, morreu de câncer de pulmão com a idade de 57 anos. Reagan fez o elogio fúnebre. Barbara Stanwyck estava entre aqueles que compareceram ao funeral. Ele era extremamente querido em Hollywood. Joel McCrea e Clark Gable eram seus melhores amigos. Se sentindo abençoado por trabalhar na M-G-M, na época o principal estúdio do mundo, tinha “A Ponte de Waterloo” como seu filme favorito e Greta Garbo como a atriz mais admirável.
DEZ FILMES de ROBERT TAYLOR
(por ordem de preferência) 

01
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Vivien Leigh, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya
e C. Aubrey Smith

02
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935) 

direção de John M. Stahl
elenco: Irene Dunne

03
A DAMA das CAMÉLIAS
(Camille, 1936) 

direção de George Cukor
elenco: Greta Garbo, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan,
Jessie Ralph e Laura Hope Crews

04
QUO VADIS
(Idem, 1951) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Deborah Kerr, Leo Genn, Peter Ustinov,
Patricia Laffan e Marina Berti

05
MURO de TREVAS
(High Wall, 1947) 

direção de Curtis Bernhardt
elenco: Audrey Totter e Herbert Marshall

06
ESTRADA PROIBIDA
(Johnny Eager, 1941) 

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Lana Turner, Edward Arnold, Van Heflin
e Glenda Farrell

07
TRÊS CAMARADAS
(Three Comrades, 1938) 

direção de Frank Borzage
elenco: Margaret Sullavan, Franchot Tone, Robert Young,
Charley Grapewin e Monty Woolley

08
O CAMINHO do DIABO
(Devil's Doorway, 1950)

direção de Anthony Mann
elenco: Louis Calhern, Paula Raymond, Edgar Buchanan
e Spring Byington

09
A PATRULHA de BATAAN
(Bataan, 1943) 

direção de Tay Garnett
elenco: George Murphy, Lloyd Nolan, Thomas Mitchell,
Lee Bowman, Robert Walker e Desi Arnaz

10
FLOR dos TRÓPICOS
(Lady of the Tropics, 1939) 

direção de Jack Conway
elenco: Hedy Lamarr e Joseph Schildkraut
DEZ CO-ESTRELAS de ROBERT TAYLOR

AVA GARDNER
“Lábios que Escravizam / The Bribe” (1949)

BARBARA STANWYCK
“A Força do Coração / This Is My Affair” (1937)

DEBORAH KERR
“Quo Vadis” (1951)

ELIZABETH TAYLOR
“Traidor / Conspirator” (1949)

GRETA GARBO
“A Dama das Camélias” (1936)

HEDY LAMARR
“Flor dos Trópicos” (1939)

JEAN HARLOW
Seu Criado, Obrigado / Personal Property (1937) 

JOAN CRAWFORD
“De Mulher para Mulher / When Ladies Meet” (1941)

NORMA SHEARER
“Fuga / Escape” (1940)

VIVIEN LEIGH
“A Ponte de Waterloo” (1940)

DEPOIMENTOS

“Um ser humano quente, generoso e inteligente.”
AVA GARDNER, atriz.

“Quando se pensa em sua boa aparência extraordinária, ele tinha todo o direito de ser um pouco mimado, mas não Bob. Era despretensioso, de boa índole e tinha um maravilhoso senso de humor... Era um ator muito melhor do que recebeu crédito.”
DEBORAH KERR, atriz.

“Meu ator favorito. Ele era um cavalheiro. Isso é raro em Hollywood.”
GEORGE CUKOR, diretor.

“O cara mais legal do ramo do cinema... ele ficava longe de problemas, fazia seu trabalho e fazia isso bem. A equipe o amava.”
JOE PASTERNAK, produtor.

“Um verdadeiro cavalheiro e um artista mais fino do que ele admitiria para si mesmo ou para os outros. Era bem-educado, socialmente gentil e altamente inteligente. Norte-americano até o âmago, amava sua terra, mantinha a fé e procurou o melhor.”
LAWRENCE J. QUIRK, biógrafo.
“Bob é uma raridade. Realmente incrível. Além disso, ele é gentil, robusto e bonito, e isso é raro nos dias de hoje.”
RICHARD THORPE, diretor.

“Taylor era tão bonito que, como Tyrone Power, parecia quase feminino. Ele era o que poderia chamar de um homem bonito. Ele era uma pessoa maravilhosa. E um bom ator, também.”
ROBERT YOUNG, ator.

“Talvez cada um de nós tenha sua própria memória diferente de Bob, mas de alguma forma todos se somam ao ‘homem legal’.”
RONALD REAGAN, ator e presidente dos Estados Unidos.

“Ele foi o ator mais doce com quem trabalhei. Era cooperativo e compreensivo, ao contrário da maioria dos galãs de hoje, que tentam te empurrar para fora do alcance da câmera.”
SHELLEY WINTERS, atriz.

“Foi um dos grandes cavalheiros do mundo. Era sério, trabalhador e interessado. Apesar de sua boa aparência surpreendente, estava determinado a ser um bom ator, e não apenas uma estrela.”
TAY GARNETT, diretor.
FONTES
“The Films of Robert Taylor” (1975)
de Lawren”
de Lawrence J. Quirk

“The Life of Robert Taylor” (1987)
de Jane Ellen Wayne

“Relutant Witness: Robert Taylor, Hollywood, 
and Communism” (2008)
de Linda Alexander

“Robert Taylor: A Biography”
(2010)
 de Charles Tranberg

“Robert Taylor: Male Beauty, Masculinity, and 
Stardom in Hollywood” (2019)
de Gillian Kelly


GALERIA de FOTOS

JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA

agosto 15, 2025

************** JOHN WAYNE, um HERÓI de CINEMA

 

 

Tenho orgulho do meu trabalho,
a ponto de ser o primeiro a chegar
ao set de filmagem. Não sofro
com críticas ruins, o público gosta
dos meus filmes e isso é tudo
o que importa.
 
Sou um patriota honesto,
um conservador de direita.
JOHN WAYNE
 
Altura: 1,93 m
Cabelos: castanho-escuros
Olhos: azuis 
Apelido: Duke e JW
 
para Doutor Antônio, meu pai
 
LEGIÃO INVENCÍVEL


Figura imponente do passado de Hollywood, por mais de trinta anos foi referência na indústria cinematográfica, simbolizando um tipo de masculinidade e estrelando filmes icônicos da Era de Ouro. Na adolescência, na solidão do quarto, eu imitava o seu andar característico de felino. Pegando emprestado armas da coleção de meu pai, fazia de conta que era o glorioso astro dos faroestes, matando sem piedade bandidos e selvagens. Repeti essas cenas durante anos. Nunca ninguém soube, era um segredo. Admirador dos faroestes que via em preto e branco na TV e na matinê de domingo nos cinemas de Itabuna, preferia os mocinhos Glenn Ford, Gary Cooper e Clint Eastwood. Como pai Antônio era fã de JOHN WAYNE (1907 – 1979. Winterset, Iowa / EUA), procurava substituí-lo no imaginário como pistoleiro imbatível. Queria ser como ele. Com a maturidade, terminei por esquecê-lo ao não o considerar um ator sério. Ao resgatar sua trajetória, percebi o engano. Suas performances em “Rio Vermelho” e “Rastro de Ódio”, entre outras, são impactantes. Não há dúvida de que era cativante e talentoso.
 
Ao descobrir que era republicano e sua batalha política conservadora durante décadas, a afeição juvenil pelo astro renasceu com força total. Portanto, este post é um tributo a sua longa e majestosa passagem por Hollywood. Vencedor de Oscar e Globo de Ouro, JOHN WAYNE se tornou o símbolo máximo do faroeste. Seus filmes frequentemente refletem valores tradicionais, são considerados clássicos do gênero, reverenciados e assistidos até os dias atuais. Steve McQueen, Sylvester Stallone, Bruce Willis e Chuck Norris o citaram como uma grande influência para eles, tanto profissional quanto pessoalmente. Assim como o lendário astro, cada um deles alcançou a fama interpretando personagens de ação heroica e apoiando causas de direita e o partido Republicano. Dedicado em seu trabalho, seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Fala lenta, voz grave e marcante, sotaque arrastado e olhar semicerrado, é lembrado como a imagem típica do caubói, quase sempre como um admirável herói solitário. Cresceu num rancho na Califórnia e fez 145 filmes, em mais de 40 anos de uma extraordinária carreira.
 
Duke (como os amigos o chamavam) teria sua trajetória ligada ao cineasta John Ford depois que interpretou Ringo Kid no clássico “No Tempo das Diligências”, em 1939. Ao todo, foram 14 filmes com o mestre. Ainda faria boas parcerias com outros importantes diretores, como John Huston, Howard Hawks, William A. Wellman, Raoul Walsh e Henry Hathaway. Crescendo em Iowa, um de seus passatempos favoritos era jogar futebol americano com o pai. Enquanto estudava na USC, juntamente com colegas, trabalhava meio período na Fox Film, carregando adereços de cenário e como figurante ocasional. Em 1930, teve sua oportunidade em “A Grande Jornada. O diretor Raoul Walsh o viu passar no set carregando uma mesa, gostou do seu jeito de se mover e contratou o rapaz inexperiente para o papel protagonista. A empresa depositava esperanças neste faroeste épico, mas ele fracassou nas bilheterias. A seguir, JOHN WAYNE sobreviveu na década de 30 estrelando dezenas de faroestes de baixo orçamento. Alguns levavam apenas oito dias para serem filmados.
 
Era um trabalho árduo. Não havia dublês, ele próprio lutava e cavalgava. Em 1933, casou-se com Josephine Alicia Saénz, filha de um poderoso funcionário do governo mexicano. Ela era da alta sociedade e uma mulher bonita. Tiveram quatro filhos, com os quais ele sempre foi muito próximo e afetuoso. Ainda desconhecido, chegava ao set às 6h e, depois de um dia difícil, voltava para casa sujo e cansado às 19h30, com a esposa aristocrática pronta para um jantar fora ou uma festa. A virada profissional veio em 1939 com o sucesso de “No Tempo das Diligências”, que o transformou em uma das estrelas em ascensão mais valiosas. Depois vieram outros filmes importantes. Na época, houve um distanciamento gradual da esposa, pois ele não se adaptava ao estilo elegante dela. Quando os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, houve movimento de apoio, inclusive em Hollywood. JOHN WAYNE, com lesões no joelho, sofridas na faculdade, foi isento do alistamento. Mesmo assim, ele desejava servir e escreveu várias vezes a John Ford pedindo para se juntar à sua Unidade Fotográfica de Campo do OSS.
 
Em 1943, conheceu a atriz mexicana Esperanza Baur. Alta, esbelta e morena, ela havia trabalhado com Arturo de Córdoba em “O Conde de Monte Cristo / El Conde de Montecristo” (1942). Como JOHN WAYNE, ela gostava de uma vida simples e reuniões com poucos amigos ao redor de uma churrasqueira. Ele se divorciou e se casou com ela em 1946. Ward Bond foi o padrinho e a esposa do falecido Harry Carey, a madrinha. Mas o ator mudou. A partir do final da década de 1940, com os filmes “Sangue de Heróis”, “Rio Vermelho” e “O Céu Mandou Alguém”, ele foi nomeado estrela número um de bilheteria, junto com Doris Day, por três anos consecutivos, pelos donos de cinema do país. Tornou-se uma estrela de altíssima estatura e passou a apreciar a vida social de Hollywood. A esposa tinha temperamento explosivo, bebia muito, e depois de várias brigas, se separaram. No processo de divórcio, ela alegou o caso do marido com a atriz Gail Russell, e ele respondeu que Conrad Hilton Jr., casado com Elizabeth Taylor, havia se tornado hóspede constante da casa deles, enquanto viajava à trabalho.
 
marlene dietrich e john wayne
Ainda nos anos 40, JOHN WAYNE teve um namoro de três anos com Marlene Dietrich, mas seu romance com Maureen O'Hara durou ainda mais, restando uma boa amizade. Estrelaram cinco filmes juntos. Divorciado mais uma vez, casou-se com a peruana Pilar Palette, que conheceu enquanto procurava locações de filmagem no Peru para “O Álamo / The Alamo” (1960). Embora fosse casada, Pilar se divorciou e se mudou imediatamente para Hollywood. Deprimida e estressada pela radical mudança cultural, ela se viciou em pílulas para dormir. Certa noite, enquanto ele filmava na Louisiana, cortou os pulsos durante uma alucinação. O casal teve três filhos. Depois que a terceira esposa o deixou em 1973, ele se envolveu com sua secretária Pat Stacy pelos anos restantes de vida. Na política, ele era um feroz defensor dos republicanos, nacionalista ferrenho e anticomunista ativo. Participou ativamente da criação da Aliança Cinematográfica para a Preservação dos Ideais Americanos (MPA) em 1944 e foi eleito presidente cinco anos depois. Ronald Reagan, Walt Disney, Clark Gable, Robert Taylor, Gary Cooper e outros famosos estavam entre os membros da organização.

 
Defensor do Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC), expressou seu apoio contra o maldito comunismo no filme de ação “Uma Aventura Perigosa / Big Jim McLain” (1952) e incluindo traidores da pátria na Lista Negra de Hollywood. Promoveu a guerra do Vietnã, produzindo e estrelando “Os Boinas Verdes / The Green Berets” (1968). Por ser a estrela republicana mais proeminente de Hollywood, foi cotado por texanos republicanos a concorrer a um cargo nacional em 1968. Ele recusou dizendo que era “um homem de Richard Nixon”. Apoiou Ronald Reagan nas campanhas para governador da Califórnia em 1966 e 1970. Também rejeitou um convite para ser vice na candidatura presidencial de George Wallace, preferindo fazer campanha por Nixon, inclusive discursando na Convenção Nacional Republicana de 1968. O ditador soviético Joseph Stalin, indignado com o seu anticomunismo, encomendou seu assassinato. Na primeira tentativa, dois matadores russos se fizeram passar por agentes do FBI e tentaram assassiná-lo em seu escritório, na Warner Brothers, em Hollywood, mas foram capturados.
 
As conspirações soviéticas foram canceladas após a morte de Stalin, em 1953, por seu sucessor, Nikita Krushchev, que era fã do astro. “Essa foi uma decisão de Stalin nos últimos cinco anos loucos de sua vida. Quando ele morreu, eu revoguei a ordem”, teria dito Kruschev a JOHN WAYNE em um encontro entre os dois em 1958. No entanto, grupos comunistas norte-americanos assumiram a conspiração e tentaram assassiná-lo no México, nas filmagens de “Caminhos Ásperos / Hondo” (1953). Ele sobreviveu a essa tentativa de assassinato e a outra cometida por um franco-atirador durante visita que fez às tropas dos EUA no Vietnã, em 1966. Carismático e convincente, atuou em faroestes, aventuras, melodramas e filmes de guerra. Em 1956, ao protagonizar “Sangue de Bárbaros / The Conqueror”, resultou em uma tragédia futura. Rodado por treze semanas no Parque Estadual de Snow Canyon, em Utah, o set estava situado a apenas 220 km da área de testes de Nevada, um local para a realização de bombardeamos nucleares ao ar livre com perigos decorrentes da radiação.
 
O pó radioativo – levado pelo vento – se precipitou justamente sobre o local da filmagem. As consequências, porém, viriam anos depois, quando a maior parte do elenco e da equipe começaram a desenvolver câncer numa escala assustadora. O próprio astro, Susan Hayward e Agnes Moorehead padeceram de câncer nas décadas de 60 e 70. Na seguinte, 90 membros da equipe de 220 pessoas desenvolveram tumores malignos e 46 morreram. Já em 1991, seria a vez de John Hoyt, que veio a óbito após adquirir câncer no pulmão. Segundo especialistas, a exposição no set de filmagens possivelmente foi a causa do câncer desenvolvidos em 94 profissionais que trabalharam no filme. Em Hollywood, JOHN WAYNE foi um dos atores que mais recusaram oportunidades notáveis e, em alguns casos, prêmios importantes. Recusou a série “Gunsmoke”, que durou 20 temporadas; “Fugindo do Inferno / The Great Escape” (1963), um clássico do cinema de guerra, e o papel foi para Steve McQueen; “Os Doze Condenados / The Dirty Dozen” (1967), com Lee Marvin brilhando como o Major John Reisman, um papel que seria dele.
 
Disse também não para “Rebeldia Indomável / Cool Hand Luke” (1967), resultando em uma das atuações mais aclamadas de Paul Newman; “Perseguidor Implacável / Dirty Harry” (1971), cujo papel foi para Clint Eastwood, que criou um dos personagens mais famosos do cinema; “Um Estranho no Ninho / One Flew Over the Cuckoo's Nest” (1975), que deu o Oscar para Jack Nicholson; “Patton, Rebelde ou Herói? / Patton” (1970), Oscar para George C. Scott; “Apocalypse Now / Idem” (1979), que terminou nas mãos de Martin Sheen. Entre muitos outros. Dos seus muitos personagens no cinema, o favorito era Ethan Edwards em “Rastros de Ódio” (1956). Chegou a dar ao seu filho o nome de Ethan em homenagem a ele. Praticamente calvo, o astro usou peruca em sua ilustre carreira desde “O Rasto da Bruxa Vermelha / Wake of the Red Witch” (1948). Sua vitória de Melhor Ator no Oscar e no Globo de Ouro por “Bravura Indômita / True Grit” (1969) foi vista como prêmios pelo conjunto da obra. Continuou a estrelar filmes de sucesso até 1976, permanecendo entre as dez maiores estrelas de bilheteria dos EUA até 1974.
 
wayne com o oscar e barbra streisand
Seu álbum falado “America: Why I Love Her” foi indicado ao Grammy quando lançado em 1973. Relançado em CD em 2001, teve êxito novamente. Junto com Humphrey Bogart, JOHN WAYNE era considerado o fumante mais inveterado da meca do cinema, fumando cinco maços de Camel sem filtro até sua primeira batalha contra o câncer em 1964. Ele passou por uma cirurgia bem-sucedida para remover o pulmão esquerdo. Apesar de seus sócios quererem manter a doença em segredo, tornou pública a situação e incentivou o público a fazer exames preventivos. A doença o fez amargar 15 anos de sofrimento, que o levaram até a pensar em suicídio.  Dirigiu os filmes “O Álamo” e “Os Boinas Verdes”. Este último causou-lhe problemas. O roteiro, pró-guerra do Vietnã, alimentou a fúria da esquerda, que realizou vários protestos contra a exibição. Católico, leal aos amigos, fez o elogio fúnebre nos funerais de Ward Bond, John Ford e Howard Hawks. Tinha fama de beber bastante, e os diretores filmavam suas cenas pela manhã, com ele ainda sóbrio.
 
Junto com seu amigo de longa data, Louis Johnson, era dono de uma fazenda de gado Hereford puro-sangue com 63 quilômetros de extensão no Arizona, a 26 Bar Ranch. A fazenda criava mais de 400 touros, frequentemente vencendo nas grandes feiras de gado. O astro comparecia com frequência aos leilões e fazia o discurso de boas-vindas na abertura dos eventos. Em 1976, estrelou “O Último Pistoleiro / The Shootist”, dirigido por Don Siegel e ao lado de Lauren Bacall e James Stewart. Nesse seu último papel, morre de câncer, condição à qual o próprio sucumbiu três anos depois. O faroeste foi um sucesso de bilheteria e crítica, nomeado como um dos Dez Melhores Filmes de 1976 pelo National Board of Review. Faleceu em 11 de junho de 1979, aos 72 anos. Enterrado em segredo, o túmulo permaneceu sem identificação até 1999, para o caso de manifestantes da guerra do Vietnã não o profanarem. Vinte anos após sua morte, finalmente recebeu uma lápide de bronze. Vários locais públicos nos EUA foram nomeados em homenagem a JOHN WAYNE, refletindo seu status como ícone cultural.
 
Graças à sua coragem, dignidade, integridade, talento, honestidade política e à sua cordialidade como ser humano ao longo de sua poderosa carreira, ele tem um lugar único em nossos corações e mentes. Receberia postumamente a Medalha Presidencial da Liberdade em 1980, concedida pelo presidente Jimmy Carter. Em 1998, foi homenageado com o prêmio de Herança Naval pela Fundação Memorial da Marinha dos EUA, reconhecendo seu apoio às forças armadas. Em 1999, o Instituto Americano de Cinema (AFI) o classificou como a 13ª maior lenda masculina do cinema clássico de Hollywood. Continua sendo um dos atores mais intimamente associados não apenas à grandeza do cinema, mas também à grandeza do povo norte-americano. É uma verdadeira lenda, comove as massas, o público o adora. Poucos capturaram melhor o homem durão e corajoso, patriota e dedicado à família, conservador e leal, transbordando integridade e valores de direita: a imagem do herói cinematográfico inesquecível.
 
 
RIO VERMELHO
“O Oeste é o triunfo da coragem pessoal
sobre qualquer obstáculo, seja a natureza ou o homem.”

JOHN WAYNE
 

DEZ FAROESTES de JOHN WAYNE
(por ordem de preferência)
 
01
RIO VERMELHO
(Red River, 1948) 

direção de Howard Hawks
elenco: Montgomery Clift, Joanne Dru, Walter Brennan,
Coleen Gray, Harry Carey e John Ireland
 
02
RASTROS de ÓDIO
(The Searchers, 1956)
 

direção de John Ford
elenco: Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond,
Natalie Wood e Antonio Moreno
 
03
No TEMPO das DILIGÊNCIAS
(Stagecoach, 1939)
 

direção de John Ford
elenco: Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine,
Thomas Mitchell, George Bancroft e Tim Holt

04
LEGIÃO INVENCÍVEL
(She Wore a Yellow Ribbon, 1949) 

direção de John Ford
elenco: Joanne Dru, John Agar, Ben Johnson,
Victor McLaglen, Mildred Natwick e George O´Brien
 
05
A GRANDE JORNADA
(The Big Trail, 1930)
 

direção de Raoul Walsh
elenco: Marguerite Churchill, Tully Marshall e Ward Bond
 
06
SANGUE de HERÓIS
(Fort Apache, 1948)

direção de John Ford
elenco: Henry Fonda, Shirley Temple, Pedro Armendáriz,
Ward Bond, George O´Brien, Victor McLaglen,
Anna Lee e Movita
 
07
O CÉU MANDOU ALGUÉM
(3 Godfathers, 1948)

direção de John Ford
elenco: Pedro Armendáriz, Harry Carey Jr., Ward Bond,
Mae Marsh, Mildred Natwick, Jane Darwell
e Ben Johnson
 
08
RIO BRAVO
(Rio Grande, 1950)

direção de John Ford
elenco: Maureen O'Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr.,
Harry Carey Jr., Chill Willis, J. Carrol Naish,
e Victor McLaglen
 
09
ONDE COMEÇA o INFERNO
(Rio Bravo, 1959)

direção de Howard Hawks
elenco: Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson,
Walter Brennan e Ward Bond
 
10
O HOMEM QUE MATOU o FACÍNORA
(The Man Who Shot Liberty Valance, 1962)

direção de John Ford
elenco: James Stewart, Vera Miles, Lee Marvin,
Edmond O´Brien, Andy Devine, John Carradine,
Jeanette Nolan, Woody Strode e Lee Van Cleef
 

FONTES
JOHN WAYNE: a VIDA e a LENDA (2014)
John Wayne: The Life and Legend
de Scott Eyman
 
JOHN WAYNE – o HOMEM por TRÁS do MITO (2001)
John Wayne - The man behind the myth
de Michael Munn
 
O TITÃ AMERICANO:
PROCURANDO por JOHN WAYNE (2014)
American Titan: Searching for John Wayne
de Marc Eliot
 
“Não apareço em filmes que envergonhem o público. Podem levar a família para ver um dos meus filmes e nunca se sentirão envergonhados ou constrangidos”
JOHN WAYNE
 
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