Mostrando postagens com marcador Walter Wanger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Walter Wanger. Mostrar todas as postagens

maio 25, 2024

********** O CINEMA ELEGANTE de MAX OPHÜLS

 

 


 
Qual cineasta foi mais ignorado que Max Ophüls? 
Um ostracismo mesquinho e teimoso 
foi praticado em relação ao seu trabalho.
CLAUDE BEYLIE
(1932 - 2001. Sarlat-la-Canéda / França)
crítico e historiador de cinema
 
Ele não era o virtuoso, o esteta ou o cineasta 
decorativo que tem sido chamado. 
Assim como seu amigo Jean Renoir
Ophüls sempre sacrificou a técnica pelo ator. 
Ele fez com que os atores fossem mais naturais 
do que a maioria dos diretores.
FRANÇOIS TRUFFAUT
(1932 - 1984. Paris / França)
cineasta


O cinema sedutor, refinado e barroco do mestre MAX OPHÜLS (1902 – 1957. Saarbrücken / Alemanha) é pouco conhecido no Brasil. Ele foi um exímio narrador de histórias de amor, confirmando sua sensibilidade romântica, sua identificação com a consciência e os apuros das mulheres. Uma das suas características mais notáveis é a importância dada à identidade feminina. Destaco também os extraordinários e vivos jogos de câmera, os travellings absurdos acompanhando a narrativa e a peculiar elegância do diretor. Embora seu cinema também prospere com tramas envolventes, atuações fortes e um manejo hábil de múltiplos temas e concentrações históricas, hipnotiza principalmente pelo profundo fascínio visual. Há algo de mágico em sua obra, algo especial em seu estímulo emocional-sensorial.  Sua filmografia está repleta de uma arte de tirar o fôlego. A câmera gira e faz curvas captando cada faceta da decoração e do figurino. Tal como essas elaboradas manobras que enriquecem a sua trajetória cinematográfica, sua carreira foi de flutuações dinâmicas. Desde seu primeiro longa-metragem em 1932, até o último em 1955, teve momentos de tremenda produtividade, seguidos por adversidades desanimadoras. Ele definhou em períodos de estagnação, se levantando novamente e florescendo com uma série de sucessos sensíveis e aplaudidos.

max ophuls
Nascido Maximillian Oppenheimer, começou sua carreira no show business como ator teatral aos 17 anos, mudando seu sobrenome para não manchar o nome da família rica e tradicional. Em 1924, trabalhou como diretor no prestigioso Bürgtheater de Viena. Em 1926, casou-se com a atriz Hilde Wall, com quem teve Marcel, o futuro documentarista de “A Tristeza e a Piedade / Le Chagrin et la Pitié” (1969).  Em 1930, com cerca de duzentas peças no currículo, iniciou sua arte cinematográfica como assistente de Anatole Litvak na UFA, em Berlim. Dirigiu seu primeiro filme em 1930, o curta-metragem “Prefiro ter Óleo de Fígado de Bacalhau / Dann Schon Lieber Lebertran”, considerado perdido, seguindo-se o longa-metragem, “A Companhia Apaixonada / Die Verliebte Firma” (1932). O sucesso veio com “Uma História de Amor / Liebelei”, em 1933. Nele, seu estilo sofisticado já se define na adaptação de Arthur Schnitzler, em quem mais tarde se inspiraria para criar um dos seus mais importantes filmes, “Conflitos de   Amor”, em 1950. A ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha obrigou o diretor judeu a instalar-se na França, onde, de 1934 a 1940, fez sete filmes, intercalados entre uma realização na Itália e outra na Holanda. Em 1938, adquiriu a cidadania francesa.
 
O avanço das tropas nazistas levou-o à Suíça, mas a falta de autorização de trabalho (que só lhe seria concedida caso se declarasse desertor do exército francês, o que ele recusou) resultou no fim do seu projeto de filmar a comédia “Escola de Mulheres”, de Molière, com Louis Jouvet, e na sua expulsão do país. Antes, em Zurique, dirigiu com sucesso duas peças. Em seguida, em 1941, mudou para os Estados Unidos. Os primeiros anos em Hollywood foram difíceis. Ele vivia graças à ajuda dos amigos refugiados. Desempregado até 1946, aproveitou para escrever sua autobiografia. Preston Sturges, impressionado com “Uma História de Amor”, conseguiu que dirigisse “Vendetta / Idem” para a RKO Radio Pictures. Porém a filmagem foi conturbada pelas interferências do produtor Howard Hughes. Uma discordância causou a demissão do diretor e de Sturges. Mel Ferrer terminou assinando o filme inexpressivo.  A oportunidade de MAX OPHÜLS sentar atrás das câmeras em Hollywood chegou com o auxílio do cineasta alemão Robert Siodmak, que sugeriu seu nome a Douglas Fairbanks. Jr. para “O Exilado” (1947), aventura histórica que o próprio astro produziu. Seguiram-se três outros filmes, todos com receitas medianas. Após “Na Teia do Destino”, seu último trabalho nos EUA, o produtor Walter Wanger decidiu confiar ao diretor a possibilidade de concretização de um dos seus sonhos mais desejados: a adaptação do famoso romance de Honoré de Balzac, “A Duquesa de Langeais”. Balzac era um dos escritores preferidos do cineasta e ele encarou o projeto com muito entusiasmo. A obra seria rodada em Paris, onde regressou em 1949, após nove anos de ausência. Greta Garbo e James Mason seriam os protagonistas. Infelizmente, a adaptação não se concretizou por falta de dinheiro.

max ophuls e joan fontaine
Em 1950, reiniciou sua filmografia na França com o prestígio de ter sido descoberto pela nova crítica da revista “Cahiers du Cinéma”. Com uma carreira marcada por fracassos críticos e comerciais, por projetos iniciados e abandonados, mas também por conquistas renomadas, MAX OPHÜLS certamente conhecia a natureza precária do negócio do entretenimento. Seu último filme, o magnífico “Lola Montès”, uma coprodução internacional, foi recebido com hostilidade desenfreada. Sua linha do tempo inovadora levou a cortes e reorganizações narrativas, resultando em uma versão provisória de 91 minutos em ordem cronológica, retirando exatamente o que melhor caracterizava a originalidade da técnica empregada pelo diretor. 
 
A obra-prima “Lola Montès” só foi visto integralmente, como hoje conhecemos, muito mais tarde. Na época do lançamento, indignados, famosos diretores e críticos da França – entre eles, François Truffaut, Jean Cocteau, Roberto Rossellini e Jacques Tati – publicaram uma carta aberta em defesa das inovações e audácia do filme e elogiando seu diretor como um artista de vanguarda.  A mutilação da obra abalou MAX OPHÜLS que – afetado por problemas cardíacos – morreu em 1957, aos 54 anos. Suas cinzas estão no Père-Lachaise, em Paris. Ele trabalhava em “Os Amantes de Montparnasse/ Les Amants de Montparnasse” (1958), cinebiografia sobre o pintor italiano Amedeo Modigliani, que foi concluído por Jacques Becker. Seu último trabalho completo, a encenação em Hamburgo de “As Bodas de Fígaro”, no Schauspiel Theater, resultou num sucesso extraordinário. Na estreia, os intérpretes tiveram 46 chamadas ao palco.
 
FONTES
“Max Ophüls: Visão Magistral e a Figura da Mulher” (1995) 
de Susan M. White

“Max Ophüls nos Estúdios de Hollywood” (1996)
de Lutz Bacher

“O Prazer de Ver Max Ophüls” (1991)
de Klaus Vetter e Carlos Augusto Calil

“desejos proibidos”

DEZ FILMES de MAX OPHÜLS
(por ordem de preferência)
 
01
DESEJOS PROIBIDOS
(Madame De..., 1953)

elenco: Charles Boyer, Danielle Darrieux, Vittorio De Sica e Jean Debucourt
 
Baseado no romance de Louise de Vilmorin. Da frivolidade à tragédia amorosa, a trajetória de mulher superficial e, por fim, apaixonada, e suas relações com o marido e o amante. Clássico, oferece uma representação de amplo espectro de uma estrutura social. Começa como uma inteligente comédia, eleva-se às alturas de um romance, e resolve-se em tragédia. Um dos filmes que constituem a expressão mais alta do estilo do diretor. Combina os ingredientes típicos e interesses temáticos que ocuparam sua carreira, relacionando os sofisticados elementos cinematográficos numa complexa tensão dramática. Interpretação impecável do trio central, despontando Danielle Darrieux, que cria com inteligência uma personagem atraente e fútil.
 
02
CONFLITOS de AMOR
(La Ronde, 1950)

elenco: Anton Walbrook, Simone Signoret, Serge Reggiani, Simone Simon, Daniel Gélin, Danielle Darrieux, Jean-Louis Barrault, Isa Miranda e Gérard Philipe
 
Adaptação livre da peça de Arthur Schnitzler, composta de dez episódios entrelaçados por um narrador, que oferece uma visão satírica e, às vezes, amarga, da libertinagem. Construído sobre uma série de situações em torno de amantes cuja única ou principal relação é a sexual, foi o maior sucesso do diretor, largamente reprimido e até mesmo censurado em certos países, por sua apresentação do erotismo. Representou, à sua época, o compêndio do espirituoso, do sofisticado e do elegante. Com ele, MAX OPHÜLS voltou à sua pátria adotiva, a França. Depois de nove anos de exílio nos EUA, marcou a abertura da última e mais bela fase da errante carreira do diretor.
 
03
O PRAZER
(Le Plaisir, 1952)

elenco: Claude Dauphin, Gaby Morlay, Madeleine Renaud, Danielle Darrieux, Pierre Brasseur, Jean Gabin, Jean Servais, Daniel Gélin, Simone Simon e Paulette Dubost
 
Baseado em contos de Guy de Maupassant, trata do prazer sensual através de refinadas relações e sutis reflexões em torno de episódios envolvendo um estranho mascarado, o comportamento inusitado de profissionais de um bordel e a modelo de um pintor. Segundo Jean-Luc Godard, “o mais ophulsiano dos filmes do diretor”.
 
04
LOLA MONTÈS
(Idem, 1955)

elenco: Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook, Lise Delamare, Paulette Dubost, Oskar Werner e Ivan Desny
 
A vida e amores de notória aventureira, cortesã e dançarina de cabaré, que acabou contratada por um circo para um espetáculo baseado em sua biografia. O filme trabalha o tema da aniquilação pessoal face aos cruéis e imorais artifícios da indústria do escândalo, sob a forma de uma condenação vigorosa do mundo decadente retratado de maneira luxuosa. Desde sua estreia, criou grande controvérsia. Depois de lançado em versão mutilada, criou-se uma aura ao seu redor. Com novas abordagens, tem o substrato fundamental para o desenvolvimento do cinema moderno. Em 1968 foi relançado numa versão integral de 140 minutos.
 
05
CARTA de uma DESCONHECIDA
(Letter from an Unknown Woman, 1948)

elenco: Joan Fontaine, Louis Jourdan e Mady Christians
 
Comovente e melancólica história poeticamente fotografada por Franz Planer. Na Viena do começo do século XX, a narração em flashback a partir do drama de um pianista de concerto, transformado em playboy, que recebe carta de uma mulher morta relatando a breve relação entre eles. O filme arma o contraste entre a leitura (do homem), que desconhece os motivos e as intenções, e a consciência (da câmera e da mulher) que domina e manipula a ação. Um melodrama exemplar. Irrepreensível nos aspectos técnicos e perfeito do começo até o seu inesquecível final.
 
06
WERTHER
(Le Roman de Werther, 1938)

elenco: Pierre Richard-Willm, Annie Vernay e Jean Galland
 
Inspirado no clássico romance de Goethe, apresenta os sofrimentos de jovem, que, apaixonado por uma mulher comprometida, não consegue conter a idealização de seu amor, tornando-se obcecado pela ideia do suicídio. Um drama sensível e bem interpretado. Os aspectos mais marcantes são a cinematografia e a direção. Há um uso de iluminação muito interessante, com focos de luz chamando a atenção para partes específicas do cenário e as emoções dos personagens.
 
07
O EXILADO
(The Exile, 1947)

elenco: Douglas Fairbanks Jr., Maria Montez, Henry Daniell e Nigel Bruce
 
Alegre fantasia sobre as aventuras do Rei Charles Stuart na Holanda. O diretor aproveita a oportunidade para mostrar a Hollywood o que ele sabia fazer com a câmera. A força do filme vem de suas composições, da intricada mise-en-scène, do movimento permanente e do carisma de Fairbanks Jr., que homenageia seu pai.
 
08                                                                
Na TEIA do DESTINO
(The Reckless Moment, 1949)

elenco: James Mason, Joan Bennett, Geraldine Brooks e Shepperd Strudwick
 
Um drama como paródia crítica dos valores tradicionais da classe média. Último filme de MAX OPHÜLS nos EUA e, tal como “Coração Prisioneiro” (que o antecedeu) na sua gênese interveio o ator britânico James Mason, um dos maiores amigos do diretor. Produzido por Walter Wanger, marido de Joan Bennett e um dos mais cultos produtores de Hollywood, se situa num meio social abastado, com Bennett (magnificamente dirigida) chantageada por cafajeste que apaixona-se por ela.
 
09
CORAÇÃO PRISIONEIRO
(Caught, 1949)

elenco: James Mason, Barbara Bel Geddes, Robert Ryan e Curt Bois
 
Insatisfeita com seu marido sádico e milionário, garota vai trabalhar com um médico. Eles se apaixonam. Grávida, ela pede o divórcio, mas o marido exige em troca a custódia da criança. O filme fornece uma clara demonstração das possibilidades críticas inerentes ao melodrama. O diretor mostra-se inteiramente à vontade nas convenções do filme noir, dominante em Hollywood na época.
 
10
SEM PERDÃO
(Sans Lendemain, 1939)

elenco: Edwige Feuillère, Jorge Rigaud e Daniel Lecourtois
 
Artista de cabaré, com um pequeno filho, reencontra um antigo amor, mas está envolvida amorosamente com um rico mafioso. Ela se vê forçada a situações comprometedoras, até que surge uma saída desesperada. Pode ser visto como um ensaio para “Carta de Uma Desconhecida”. No elenco, brilha Edwige Feuillère.
 
GALERIA de FOTOS
 

lola montèz

março 27, 2024

**************** As TRÊS FACES de JOAN BENNETT



Não gosto da maioria dos filmes que fiz, 
mas gostei muito de ser estrela de cinema.
JOAN BENNETT 
1986
 
Olhos: azuis
Cabelos: louros
Apelido: Joanie
Altura: 1,61 m

 
 
Ela é uma das minhas atrizes favoritas. Assisti a maioria dos seus setenta filmes. Brilhou em três fases distintas em sua longa e bem-sucedida carreira. Primeiro como uma loira ingênua e cativante, depois como uma morena glamorosa e fatal (frequentemente comparada a austríaca Hedy Lamarr) e, por fim, como esposa elegante e mãe carinhosa em comédias espirituosas inesquecíveis. O charme tranquilo e a voz rouca de JOAN BENNETT (1910 - 1990. Fort Lee, Nova Jersey / EUA) conferiam na atriz uma atração irresistível. O seu período de femme fatale, na década de 1940, é o mais marcante, inclusive porque nele atuou em seus mais icônicos filmes noir. Embora não seja muito lembrada atualmente, foi estrela durante duas décadas e uma boa atriz. A mais nova das três filhas dos famosos atores de teatro Richard Bennett e Adrienne Morrison, ela muitas vezes excursionou com os pais pelos Estados Unidos. Na verdade, veio de uma longa linhagem de atores, que remonta ao século 18. Linda, sexy e envolvente, com olhos dramáticos, fez uma ampla variedade de papéis - um verdadeiro deleite para o público. Aos quatro anos, aconteceu sua primeira aparição no palco, e estreou em filmes aos seis anos, ao lado da família, em “O Vale da Decisão / The Valley of Decision” (1916). 
 
Aos 16 anos se casou em Londres com John Marion Fox, que tinha 26 anos. O casamento fracassou em pouco tempo, principalmente por causa da bebedeira excessiva do marido. Em 1928, tiveram uma menina e se divorciaram no mesmo ano. Com um bebê para sustentar, ela resolveu trabalhar como atriz. Estreou no palco no mesmo ano com seu pai, em “Jarnegan”, peça que teve 136 representações na Broadway. Aos dezenove anos, tornou-se estrela através de filmes populares como “Amante de Emoções / Bulldog Drummond” (1929), com Ronald Colman, e “Moby Dick / Idem” (1930), com John Barrymore.
Contratada da Fox Film Corporation, apareceu em 14 filmes como protagonista. O público e os críticos gostavam dela. Em 1932, casou-se com o roteirista Gene Markey e se divorciaram em 1937. Tiveram uma filha, Melinda. A atriz deixou a Fox para atuar na RKO Radio Pictures, ao lado de Katharine Hepburn, em “As Quatro Irmãs” (1933), dirigido por George Cukor. Este drama famoso chamou a atenção do produtor Walter Wanger (1894 – 1968. São Francisco, Califórnia / EUA) que a contratou e passou a orientar sua carreira.
 
Durante esse período, estava radiante em sua beleza juvenil. Na filmagem de “Segredos de um Don Juan / Trade Winds” (1938), Wanger e o diretor Tay Garnett a persuadiram a mudar a cor de seus cabelos, de loura para morena. Combinando com seus olhos sensuais, o novo visual resultou em uma personalidade mais cativante. Com esta aparência, passou a interpretar femmes fatales, extremamente belas e perigosas. Parecia sedutora e vulnerável na superfície, enquanto no interior escondia uma fria maldade. Fritz Lang e outros diretores expressaram admiração pela sua contribuição, e alguns críticos a descreveram como “síntese da heroína do film noir”. Disputando o cobiçado papel de Scarlett O'Hara em “... E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939), JOAN BENNETT impressionou o produtor David O. Selznick, ficando entre as quatro finalistas, juntamente com Jean Arthur, Vivien Leigh e Paulette Goddard. Em 12 de janeiro de 1940, ela e Walter Wanger se casaram em Phoenix. Tiveram duas filhas, Stephanie (nascida em 1943) e Shelley (nascida em 1948). Ele começou a produzir filmes em 1929. Entre os seus trabalhos mais importantes estão “Rainha Cristina / Queen Christina” (1933), com Greta Garbo; “Correspondente Estrangeiro / Foreign Correspondent” (1940), de Alfred Hitchcock; “Vampiros de Alma / Invasion of the Body Snatchers” (1956), clássico de ficção-científica; “Quero Viver! / I Want to Live!” (1958), que deu o Oscar de atriz à Susan Hayworth, e a superprodução “Cleópatra / Idem” (1963), estrelada por Elizabeth Taylor. 
 
walter wanger e joan bennett
Por muito tempo, JOAN BENNETT foi representada por Jennings Lang. Na tarde de 13 de dezembro de 1951, combinaram um encontro para discutir a participação da estrela em um programa televisivo. A reunião aconteceu em Santa Monica Boulevard. Walter Wanger dirigia pelas redondezas, notou o carro da esposa estacionado e decidiu esperá-la. Com o fim do almoço de negócios, a atriz e seu agente voltaram para seus veículos, mas ficaram um tempo conversando na porta do Cadillac dela. Bastou esta cena, para um surto de ciúmes do produtor, que saiu de seu automóvel e atirou duas vezes em Jennings Lang. Uma bala atingiu sua coxa direita e outra penetrou sua virilha. Levaram o criminoso sob custódia. A atriz negou a acusação de traição: “Se Walter acha que as relações entre Lang e eu são românticas ou qualquer coisa, exceto estritamente comerciais, ele está errado”. Condenado por tentativa de homicídio, Wanger cumpriu pena de quatro meses, mas o casal permaneceu casado até o divórcio em 1965. O agente se recuperou após passar alguns dias no pronto socorro. Esse foi um dos maiores escândalos de Hollywood, afetando a carreira de JOAN BENNETT. A atriz entrou na lista negra dos estúdios, sendo raramente convidada para filmar. Parecia ser o fim da diva. Difamada na coluna de Hedda Hopper, enviou a jornalista um gambá, com uma nota que dizia: “Você fede!”.
 
Participou de vários programas de rádio entre 1930 e 1950, atuando em “The Edgar Bergen”, “Charlie McCarthy Show”, “Duffy's Tavern” e a série “Lux Radio Theatre”, entre outros. Também atuou em teatro, aparecendo no palco em Chicago no papel da bruxa Gillian Holroyd em “Bell, Book and Candle”, e depois fez uma turnê com a produção. À medida que as ofertas de filmes diminuíram, ela continuou com inúmeros sucessos nos palcos, como “Susan e God”, “Once More, with Feeling”, “The Pleasure of His Company” e “Never Too Late”. Atuou com sucesso na TV, incluindo os cinco anos da série gótica “Sombras Tenebrosas / Dark Shadows”, de 1966 a 1971, pelo qual recebeu uma indicação ao Emmy de Melhor Atriz.  Em 1970 publicou suas memórias, “The Bennett Playbill”, escrita com Lois Kibbee, e em 1978 se casou com o crítico de cinema David Wilde. O casamento durou até sua morte. Seu último filme foi o thriller de terror “Suspiria / Idem” (1977), e na TV, em “Guerras do Divórcio / Divorce Wars: A Love Story” (1982). Morreu de um ataque cardíaco em 7 de dezembro de 1990, aos 80 anos. Em seu obituário no “New York Times”, foi retratada como “uma das atrizes mais subestimadas de seu tempo”. Tem uma estrela na Calçada da Fama, em 6310 Hollywood Boulevard.
 
robert ryan e joan bennett em a mulher desejada

DEZ FILMES de JOAN BENNETT
(por ordem de preferência)
 
01
ALMAS PERVERSAS
(Scarlet Street, 1945) 

direção: Fritz Lang
elenco: Edward G. Robinson, Dan Duryea, Margaret Lindsay e Vladimir Sokoloff
 
02
Na TEIA do DESTINO
(The Reckless Moment, 1949) 

direção:Max Ophüls
elenco: James Mason e Geraldine Brooks
 
03
Um RETRATO de MULHER
(The Woman in the Window, 1944)

direção: Fritz Lang
elenco: Edward G. Robinson, Raymond Massey e Dan Duryea
 
04
As QUATRO IRMÃS
(Little Women, 1933) 

direção: George Cukor
elenco: Katharine Hepburn, Paul Lukas, Edna May Olivier, Frances Dee, Douglass Montgomery e Spring Byington
 
05
O HOMEM que QUIS MATAR HITLER
(Man Hunt, 1941)

direção: Fritz Lang
elenco: Walter Pidgeon, George Sanders, John Carradine e Roddy McDowall
 
06

O SEGREDO da PORTA FECHADA
(Secret Beyond the Door, 1947) 

direção: Fritz Lang
elenco: Michael Redgrave, Anne Revere e Barbara O'Neil
 
07
A MULHER DESEJADA
(The Woman on the Beach, 1947) 

direção: Jean Renoir
elenco: Robert Ryan e Charles Bickford
 
08
CHAMAS QUE NÃO se APAGAM
(There's Always Tomorrow, 1956)

direção: Douglas Sirk
elenco:Barbara Stanwyck, Fred MacMurray e Jane Darwell
 
09
MUNDOS ÍNTIMOS
(Private Worlds, 1935)

direção: Gregory La Cava
elenco:Claudette Colbert, Charles Boyer e Joel McCrea
 
10
O PAPAI da NOIVA
(Father of the Bride, 1950) 

direção: Vincente Minnelli
elenco: Spencer Tracy, Elizabeth Taylor e Billie Burke
 
GALERIA de FOTOS