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março 15, 2026

* SERVIÇO COMPLETO: os RAPAZES da GASOLINEIRA

scotty bowers
 


Não havia nada de culpado,
não havia nada de sujo.
Foi a coisa mais natural
e maravilhosa do mundo.
HENRY WILLSON
(1911 – 1978. Lansdowne, Pensilvânia / EUA)
agente de atores

Scotty era uma figura central
no underground gay de Hollywood
e serviu como um cafetão de confiança
de seus clientes quando eles não tinham
alternativa a não ser viver nas sombras.
MATT TYRNAUER
(Los Angeles, Califórnia / EUA)
cineasta


Acabei de ler
“Full Service: the Secret Sex Lives of Hollywood's Stars” (2012), as memórias de SCOTTY BOWERS (1923 – 2019. Ottawa, Illinois / EUA), no qual revela como ele e seus jovens e belos prostitutos tiveram como clientes, durante décadas, atores, atrizes, produtores, diretores e demais profissionais da chamada Era de Ouro de Hollywood. Interessei-me pela leitura depois de ver a minissérie “Hollywood”, de apenas sete capítulos, em que a Cidade dos Sonhos dos anos 40 e 50 é retratada. Garoto simplório, nascido numa fazenda, na infância o autor seduzido manteve um caso com o fazendeiro vizinho, amigo de seu pai, casado e pai de dois filhos. Começa aí a sua saga sexual, que passou mais tarde, em Chicago, quando adolescente, a fazer dinheiro satisfazendo senhores respeitáveis e até mesmo padres. Isso seria abuso aos olhos de todos, menos aos dele. E tudo sem que a mãe ou os irmãos desconfiassem. Ele foi para a guerra, se alistando na Marinha, lutando na Batalha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico, e perdendo no sangrento conflito um irmão e dois amigos muito próximos.

Nessa época, homens e mulheres gays forçados a ser marginais sexuais eram publicamente evitados e muitas vezes perseguidos, ou pelo menos forçados a viver vidas duplas. A indústria cinematográfica mantinha em segredo a verdadeira identidade sexual de muitas de suas maiores estrelas, como Ramon Novarro ou Greta Garbo. A comunidade LGBTQ+ não tinha muitos lugares seguros para se conectar na década de 40. A homossexualidade foi ilegal na Califórnia até os anos 1970. Quando a divisão de narcóticos do Departamento de Polícia de Los Angeles –
“a Gestapo sexual”, como era conhecida – invadia um bar gay, os frequentadores corriam o risco de serem presos, extorquidos, internados em um hospício e possivelmente lobotomizados. Esses policiais tinham como alvo a elite de Hollywood porque tinha carreiras a proteger e dinheiro de sobra para suborná-los. Foi nesse contexto que o fuzileiro naval SCOTTY BOWERS veio de anos de guerra para morar em Los Angeles, em 1946, cidade que conheceu nas folgas da Marinha e onde, obviamente, viveu aventuras eróticas de farda.

o posto de gasolina bordel
Aos 23 anos, em 1946, ele rapidamente começou a trabalhar em um posto de gasolina em Hollywood, como atendente,
indicado por um amigo da Marinha. O Richfield Oil ficava em 5777 Hollywood Blvd., na esquina da Van Ness Avenue. Sua beleza atraiu a atenção de Walter Pidgeon, astro canadense da Metro-Goldwyn-Mayer, que o convidou para dar uma volta em seu luxuoso carro Lincoln Continental. O loiro de covinhas topou sem vacilar, marcando sua entrada para a alta sociedade local. O assédio rendeu banho de piscina, sexo e 20 dólares de gorjeta, um valor considerável na época. O mais importante desse encontro erótico foi o início de uma carreira paralela do veterano de guerra, que passou a oferecer seu corpo e os de ex-combatentes em dificuldades financeiras para as estrelas de cinema. Pidgeon recomendou o nome do amante a um círculo de amigos — e logo ele estava intermediando encontros para ele ou uma rede de profissionais do sexo. A demanda era tão alta, que teve que encaminhá-los para uma sala de espera — que, na verdade, era só um trailer estacionado.


A notícia de um jovem fuzileiro naval bonito, discreto e desinibido espalhou-se como fogo nos bastidores de Hollywood. SCOTTY BOWERS percebeu que a
“Cidade dos Sonhos” era, na verdade, uma cidade de desejos reprimidos. Para atender à demanda, ele recrutou cerca de 20 veteranos de guerra, bonitos, atléticos e discretos que, assim como ele, precisavam de dinheiro para sobreviver. Estabeleceu uma tabela fixa: 20 dólares por serviço. Diferente de um cafetão tradicional, ele não ficava com uma comissão sobre os rapazes, seu lucro vinha das gorjetas e da gratidão das estrelas, que o via como um cafetão de confiança. Esses rapazes eram enviados as mansões mais exclusivas de Beverly Hills. O posto de gasolina tornou-se a fachada perfeita: enquanto os estúdios vigiavam os passos das suas estrelas, elas abasteciam seus carros e davam um bilhete com um endereço ou colocavam um acompanhante no banco de trás. Com os anos, o gigolô passou a trabalhar como barman em festas privadas de elite, onde levava seus garotos para servir as bebidas e, mais tarde, atender aos desejos dos convidados.

tyrone power
A sua lista de clientes não fazia distinção de gênero: homens e mulheres, astros e estrelas, de galãs másculos a divas intocáveis, figuras lendárias que confiavam a um ex-fuzileiro naval os segredos que poderiam destruir suas carreiras. Entre os nomes citados em seus relatos, que foram para cama com ele ou seus pupilos, destaca-se uma lista extensa, muito extensa: Tyrone Power, Cary Grant, Bette Davis, James Dean, Charles Laughton, George Cukor, Vivien Leigh, Spencer Tracy, Lana Turner, Laurence Olivier, Rex Harrison, Gore Vidal, Montgomery Clift, Cole Porter, Tennessee Williams, Ava Gardner, Randolph Scott, Vincent Price, Raymond Burr, Gloria Swanson, Alan Ladd, Farley Granger, Bob Hope, Merle Oberon, Tom Ewell, Judith Anderson etc. A confiança realmente impulsionou seu trabalho. Nessa epopeia sexual, SCOTTY BOWERS não passava um dia sem transar. Operou seu esquema do posto de gasolina de 1946 até 1950, mas o serviço completo se estendeu muito além disso, seguindo até o final da década de 1970, atendendo muitos dos grandes nomes da indústria cinematográfica que iam fazer sexo com ele ou com outros indicados por ele.


Administrar um bordel clandestino, frequentado principalmente por gays, em um posto de gasolina, não foi nada fácil. O seu livro conta detalhes dessas peripécias. É uma publicação cativante para quem gosta de cinema e, principalmente, para quem gosta da velha e charmosa Hollywood com seus galãs e estrelas que nos faziam sonhar. O autor justificou a publicação pelo fato dessas pessoas não estarem mais neste mundo, é assim se sentiu à vontade para botar a boca no trombone. Ele desnuda mitos. Um deles, o tal romance que se supunha romântico entre Spencer Tracy e Katherine Hepburn, por exemplo. Segundo ele, mentira inventada para promover os filmes da dupla. E mais: Tracy, embora casado, transou diversas vezes com SCOTTY BOWERS, ao mesmo tempo em que Hepburn preferia
“moças jovens e morenas para a sua cama”. Todas arranjadas por ele. Outra história interessante é a transa a três com Cary Grant e um Rock Hudson ainda desconhecido, além de ter feito um ménage à trois com Lana Turner e Ava Gardner na casa de Frank Sinatra, então marido da deusa Ava. Nossa!

O livro é recheado com nomes, locais, datas e acontecimentos. Embora tenha parado de trabalhar no posto onde o povo do cinema abastecia o carro (e a cama), continuou suas atividades nas festas dos magnatas de Hollywood – e seus contatos e sua fama se intensificaram. Ele afirma que sentia prazer em realizar as preferências sexuais das pessoas numa época tão conservadora. Alguns tacharão o livro de pura fofoca e um compêndio de futilidades. Outros, como eu, vão encarar com um sorriso, pois, como SCOTTY BOWERS mesmo afirmava,
“nada mais natural neste mundo do que o sexo”. Interrogado se seu comportamento sexual seria um “distúrbio” por ter sido assediado tão cedo pelo fazendeiro amigo de seu pai, respondeu que não. Tudo para ele tinha sido muito bom e guardava lembranças agradáveis daquele senhor que o iniciara. Apesar do negócio sexual, ele era discreto, e sabia que, dessa maneira, blindava seus clientes e tornava o trabalho mais lucrativo. Alguns deles desenvolveram uma relação de confiança. E toda essa discrição e confiabilidade tornaram suas confissões mais bombásticas.

scotty powers e seus garotos de programa
Seus outrora segredos são picantes, como quando ele fez sexo com um dos diretores mais marcantes da história do FBI, J. Edgar Hoover — que estava vestido de drag queen. Todavia, o seu maior cliente era o compositor Cole Porter. Diversas orgias foram organizadas por ele a convite do músico. Além disso, a vida sexual do cafetão foi objeto de estudo do sexólogo Dr. Alfred Kinsey, que estava determinado a saber profundamente sobre a sua pansexualidade.
Ele o surpreendeu ao revelar que experimentou todos os atos sexuais de sua lista. Tinha feito de tudo diversas vezes. Com seus olhos azuis penetrantes, cabelos espessos e uma juventude irradiante, é fácil imaginar por que era popular. Revelou não ter arrependimento por passar a maioria das noites na cama de outra pessoa. Mas admite francamente que sua única verdadeira paixão era o dinheiro. Fazer sexo com celebridades por US$ 20 era um trabalho fácil e lucrativo. Era um cafetão – mas também um cara sexualmente liberado que cuidava paternalmente de seus prostitutos e facilitava sexo satisfatório para clientes célebres em uma época enrustida. 


Conhecendo os bastidores de Hollywood como ninguém, ele foi um gigolô bem-sucedido, vivenciando em primeira mão a dualidade sexual de lendas do cinema cuja imagem pública não correspondia à sua realidade íntima. Para uma figura famosa, SCOTTY BOWERS não estava interessado no negócio do entretenimento. Ele nunca quis ser um ator ou envolvido no cinema em qualquer atividade profissional. Estava contente com sua vida como ela era. Esse desinteresse era parte do que o fez tão bem-sucedido em seu trabalho. Ele não tinha desejos de estrelato ou fama. Tampouco nunca se importou com a imprensa. Em várias ocasiões recusou pagamentos em troca de informações da intimidade de celebridades. A sua carreira teve um fim no auge da AIDS, nos anos 80. Nesse período se casou. Ele havia permanecido em silêncio por décadas, até 2012, quando lançou suas memórias, intituladas
“Full Service: My Adventures in Hollywood e Secret Sex Lives of the Stars”. Este best-seller foi seguido por um documentário de 2017, “Scotty and the Secret History of Hollywood”, dirigido por Matt Tyrnauer.

scotty e suas profissionais do sexo
O autor esperou que todos os seus clientes falecessem antes de abrir a boca. Muitos deles foram gratos pela lealdade, dando presentes generosos. O ator Beach Dickerson deixou três casas para SCOTTY BOWERS, e o premiado diretor de fotografia Nestor Almendros lhe deu a estatueta do Oscar que ganhou por
“Cinzas do Paraíso / Days of Heaven” (1978). Mas o lançamento do seu livro, aos 89 anos de idade, foi um escândalo. De imediato, críticos e biógrafos oficiais o acusaram de ser um velho mentiroso em busca de atenção. Janet Maslin, no “The New York Times”, considerou o conteúdo da obra como “supostas verdades”, enquanto Lewis Jones, do “The Telegraph”, desafiou os leitores a digeri-lo “como ficção”. No entanto, a descrença durou pouco. Historiadores, jornalistas e pesquisadores começaram a investigar cada detalhe minucioso de seus relatos e o resultado foi chocante: tudo batia com a realidade. As datas em que ele dizia ter organizado festas coincidiam exatamente com as folgas de filmagem das estrelas. Amigos próximos e seus antigos garotos confirmaram os esquemas do posto de gasolina.

Em 2019, SCOTTY BOWERS morreu aos 96 anos, deixando uma história na mitologia hollywoodiana que, por muito tempo, passou despercebida. Ele partiu deixando a Cidade dos Sonhos um pouco menos misteriosa e muito mais humana, evidenciando que, por trás do glamour e moralidade fabricado pelos estúdios, existiam pessoas reais com desejos que nenhuma censura foi capaz de silenciar.
 
“As necessidades de todos eram atendidas.
Tudo o que os astros e estrelas queriam, eu tinha.
Eu podia realizar todas as suas fantasias sexuais.”

SCOTTY BOWERS
 
spencer tracy e katharine hepburn
DEZ CLIENTES de SCOTTY BOWERS
 
CARY GRANT
(1904 – 1986. Bristol / Reino Unido)
“Ele era íntimo de um ator especializado em faroestes, Randolph Scott. Eu passei um fim de semana com eles. Nós três aprontamos todo tipo de travessuras sexuais juntos. Eu gostava muito deles, e era óbvio que eles também gostavam muito um do outro. Não sei se as respectivas esposas deles chegaram a descobrir o que estava acontecendo entre eles. O cowboy Scott era o amor da vida de Grant. Viveram juntos por 12 anos.”
 
CECIL BEATON
(1904 – 1980. Hampstead, Londres / Reino Unido)
“Preparava seu chá, deitava ao seu lado, fazia uma massagem, alisava sua testa e o guiava para uma longa sessão de sexo até que ele adormecesse como um bebê.”
 
DUQUE e DUQUESA de WINDSOR
(1894 – 1972. White Lodge, Richmond / Reino Unido)
(1896 – 1986. Blue Ridge Summit, Pensilvânia / EUA)

“Eles eram homossexuais e viviam uma farsa como um casal. Eddy também gostava, de vez em quando, de sexo a três com uma garota, e outras vezes queria uma mulher a sós. Mas sua clara preferência era por garotos. Certa noite, eu trouxe para Wally uma gracinha magra e esbelta, e quando voltei mais tarde para buscá-la e levá-la para casa, ela me disse, animada, que nunca em toda a sua vida havia gostado tanto de sexo. Ela nem conseguia se lembrar de quantos orgasmos teve naquela noite.”
 
EDITH PIAFF
(1915 – 1963. Paris, /França)
“Fizemos amor quase todas as noites durante as quatro semanas que ela passou em Hollywood. Ela também era bissexual.”
 
ERROL FLYNN
(1909 – 1959. Battery Point / Austrália)
“Errol Flynn me disse que estava procurando por novos talentos. Mas ele se referia às mulheres. Eu disse que faria o possível para agradá-lo. 'Que tipo de mulher você está procurando?', perguntei. 'Bem, digamos assim', disse ele, 'eu gosto de bebida velha e mulheres jovens. Muito jovens. Os dois formam uma combinação agradável, não acha?'.”
 
KATHARINE HEPBURN
(1907 – 2003. Hartford, Connecticut / EUA)
“Durante 39 anos apresentei à atriz mais de 150 mulheres para que pudessem explorar plenamente seu lesbianismo. Ela era lésbica, e eu não conseguia imaginar aquela mulher inegavelmente masculina tendo um caso com um homem, qualquer homem. Ela gostava de moças bonitas de cabelos escuros que não usavam maquiagem. O seu caso amoroso com o bissexual Spencer Tracy, amplamente divulgado pelos tabloides, era uma cortina de fumaça para suas ardentes aventuras homossexuais.”
 
LAURENCE OLIVIER
(1907 – 1989. Dorking / Reino Unido)
“Toda vez que eu mandava um casal para o quarto de hotel dele, ele pedia uma garota diferente, mas quase sempre o mesmo cara.”
 
SPENCER TRACY
(1900 - 1967. Milwaukee, Wisconsin / EUA)
“O grande Spencer Tracy era bissexual e um amante excelente. Após uma bebedeira daquelas, eu o despi, me despi também, deitamo-nos na cama e o abracei forte como uma criança. Ele babava, xingava e reclamava. Tinha bebido tanto que eu mal conseguia entender uma palavra do que dizia. Tentei acalmá-lo, mas ele não quis saber de nada. Pelo contrário, enfiou a boca no meu pau. Ele era o último homem no mundo de quem eu esperava tal iniciativa, mas eu deixei de bom grado Esse foi o primeiro de muitos encontros sexuais que tive com Spencer.”
 
TYRONE POWER
(1914 – 1958. Cincinnati, Ohio / EUA)
“Com seus gostos escatológicos, era escandalosamente bonito. As mulheres suspiravam por ele, e ele dormia com várias delas, mas preferia mais os homens. Ele me ligava com frequência e pedia que eu lhe enviasse um rapaz. Alguns de seus gostos sexuais eram bastante estranhos e excêntricos, mas nenhum dos rapazes parecia se importar.”
 
VIVIEN LEIGH
(1913 – 1967. Darjeeling / Índia)
“A estrela de “...E o Vento Levou” era uma mulher sensual. Muito sexual e muito excitável. Quando estava no clima, exigia satisfação completa e total. Transava como se a sobrevivência do planeta dependesse disso. Ela era estrondosa. Gritava, berrava e ria. Tinha orgasmo após orgasmo, cada um mais estrondoso que o anterior.”
 

CONVERSANDO com SCOTTY BOWERS em 2012
 
Em seu livro de memórias, “Full Service: My Adventures in Hollywood and the Secret Sex Lives of the Stars”, Scotty Bowers, de 89 anos, relata de forma gloriosa e honesta suas muitas lembranças de devassidão a Lionel Friedberg, que as organizou em um texto fascinante. Abrangendo sua juventude em uma fazenda em Illinois durante a Grande Depressão, os violentos combates na Segunda Guerra Mundial e casos amorosos com algumas das figuras mais famosas de Hollywood, a sua história é uma epopeia sensual.
 
O que acha como a família, o amor e o sexo eram retratados no cinema, em comparação como as estrelas viviam suas vidas pessoais?
 
Eu sentia que muitos levavam vidas duplas. O que fingiam fazer e o que realmente faziam eram coisas diferentes. Por outro lado, havia algumas pessoas muito certinhas e conservadoras. Mas em Hollywood, era possível realizar os desejos sexuais secretos, por causa do anonimato. Ninguém conhecia ninguém no mesmo quarteirão onde moravam.
 
Ainda sente isso em Hollywood? Como se pode explorá-la sexualmente?
 
Sim, de uma forma diferente. É mais aberto agora, as pessoas não são tão tímidas. Naquela época, havia gays assumidos, mas geralmente eram reservados e se sentiam sortudos quando conseguiam encontrar alguém em quem pudiam confiar.
 
Então, era só uma questão de encontrar quem o aceitasse e o que queria?
 
Percebi com os anos que, ao conhecer alguém, uma das coisas que ela mais gosta é ser ela mesma, sem truques. As pessoas gostam disso.
 
Como seus amigos atores e famosos conciliavam os personagens que interpretavam na tela com as pessoas que realmente queriam ser?
 
Um ator é um ator, então ele pode se retratar de uma forma completamente diferente de quem é. Raramente dá para perceber quem ele realmente é. Mas é a vida. Também arranjei encontros sexuais profissionais discretos para centenas de pessoas comuns. Empresários, donas de casa, homens casados, enfim, todo tipo de gente.
 
Havia um certo nível de segredo emocionante na sua época de ouro?
 
Havia segredo, com certeza! Era por isso que as pessoas gostavam e confiavam em mim. Mas você pode dizer: “Se eles confiavam e gostavam, por que está fazendo isso agora?”. Bem, é triste, porque todos se foram. Me emociona pensar nas pessoas boas que eu conheci. Penso em Vincent Price, Randolph Scott, Cary Grant, todos gentis, cavalheiros. Gentileza, bondade, são a resposta. Pensando neles, em como eram doces, independentemente do que faziam na cama, eu publiquei esse livro.
 
Sua vida mudou. Como é se sentir mais estável agora?
 
Eu gostaria de ser mais jovem... e fazendo a mesma coisa.
 

FONTES
Ditadura e Homossexualidade: Repressão,
Resistência e a Busca da Verdade
(2014)
de James N. Green
 
Full Service: My Adventures in Hollywood
and the Secret Sex Live of the Stars
(2012)
de Scotty Bowers e Lionel Friedberg
 
randolph scott e cary grant
“Espero ter proporcionado tanto prazer
quanto o que eu mesmo recebi.
Em nenhum momento senti vergonha,
culpa ou remorso pelo que fiz.
Muito pelo contrário.”

SCOTTY BOWERS
 
 GALERIA de FOTOS
 



janeiro 24, 2019

***************** VIV e LARRY: Um AMOR INFIEL

vivien leigh

 
Em 1999, em uma chuvosa tarde de primavera, andando sem destino pelas ruas de Londres, encontrei uma formosa praça tomada por roseiras e árvores frondosas, a Eaton Square. Parecia outra dimensão, concentrada em um silêncio absoluto. Em volta dela, casarões brancos e imponentes, dois ou três degraus em cada um deles, levando a portais sofisticados. Sentei em uma escada, abri um livro, acendi o cigarro e fiquei entre o que lia e a visão majestosa da praça.  Ao levantar-me, notei uma placa azul entre duas grandes janelas. Curioso, li o que dizia: “Aqui viveu Vivien Leigh, de 1960 a 1967”. Tomei um baita susto, não esperava a surpresa. Depois do êxtase, garimpei os filmes de VIVIEN LEIGH (1913 – 1967. Darjeeling / Índia, onde o pai trabalhava numa firma de corretagem inglesa) – só a conhecia do popular “... E o Vento Levou” -, descobrindo uma atriz da maior distinção. Conhecida na intimidade como Viv, com LAURENCE OLIVIER (1907 – 1989. Dorking, Reino Unido), o Larry, formaram um dos casais mais populares da Inglaterra por duas décadas - uma espécie de realeza do teatro. Aclamada por ser belíssima e talentosa, a atriz esteve afetada por um distúrbio bipolar durante a maior parte de sua vida adulta, e seu humor era quase sempre não entendido pelos diretores.
 
viv e larry
Ainda uma intérprete iniciante, em 1935, aos 22 anos, casada, ela conheceu seu futuro marido em um restaurante, onde ele jantava acompanhado da primeira esposa, Jill Esmond. Apaixonou-se imediatamente, e achou que a atração tinha sido mútua. Dois anos mais tarde, ao assisti-lo em uma peça, teve o impulso de procurá-lo para lhe dizer que admirara sua atuação. Durante a conversa, ele sugeriu que fizesse um teste para “Ricardo II”, sob a direção de John Gielgud. Ela ganhou o papel e, no mesmo ano, estrelou o filme de época  “Fogo Sobre a Inglaterra”, na pele de Lady Cynthia, amante do espião interpretado por Olivier. Enquanto filmavam, o amor surgiu.

Concluído o drama histórico, atuaram no espetáculo “Hamlet”, na Dinamarca, no Castelo de Elseneur, local da tragédia de William Shakespeare, e o sucesso foi retumbante. Na ocasião, os amantes resolveram abrir o jogo com seus consortes. Ela escreveu uma carta ao marido pedindo perdão, comunicando que estava com LAURENCE OLIVIER e não mais voltaria para casa, deixando a educação de sua filha, Suzanne, por conta de sua mãe. Transcorridos seis meses de vida em comum, solicitaram os respectivos divórcios, mas seus cônjuges recusaram. Em 1938, quatro fitas inglesas de VIVIEN LEIGH estrearam nos EUA, resultando em convite hollywoodiano para atuar com LAURENCE OLIVIER na adaptação do romance de Emily Bronte, “O Morro dos Ventos Uivantes / Wuthering Heights” (1939). Seria o papel secundário de Isabella (terminaria nas mãos de Geraldine Fitzgerald), cabendo a Merle Oberon o de Cathy, heroína da história romântica. Ela não aceitou, mas a viagem foi proveitosa: seria escolhida entre milhares para viver Scarlett O’Hara em “... E o Vento Levou”, assinando contrato de sete anos com o produtor independente David O. Selznick e levando o Oscar de Melhor Atriz. 
 
no teatro
Aos 26 anos, consagrada, decepcionou-se ao ser recusada para os filmes “Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca” (1940) e “Orgulho e Preconceito / Pride and Prejudice” (1940), ambos protagonizados por LAURENCE OLIVIER. Tentou substituir Robert Taylor pelo amado em “A Ponte de Waterloo / Waterloo Bridge” (1940), mas não deu certo. Em 1940, eles finalmente obtiveram o divórcio e se casaram numa cerimônia íntima em Santa Bárbara, Califórnia, com duas testemunhas, Katharine Hepburn e o dramaturgo Garson Kanin. Manifestando sintomas de transtorno bipolar, voltou aos palcos em “Romeu e Julieta” e às telas em “Lady Hamilton, a Divina Dama” (1941).

De volta a Inglaterra, em plena Segunda Guerra Mundial, eles divertiram os pilotos da R.A.F. em shows e retornaram aos palcos. Grávida, a atriz ficou doente e perdeu a criança. Histérica, agrediu física e verbalmente o marido. Com sucesso nos palcos e mergulhada em crises nervosas, seu temperamento afetado pela doença não era entendido pelos diretores, e ela ganhou a reputação de ser uma estrela difícil. Diagnosticada com tuberculose crônica, enfraqueceu-se a partir de então.

Em 1947, LAURENCE OLIVIER foi sagrado cavaleiro e o casal passou a ser tratado como Sir e Lady Olivier. Nos anos seguintes, VIVIEN LEIGH marcou época interpretando Blanche DuBois na ribalta e nas telas. A montagem londrina de “Um Bonde Chamado Desejo”, de Tennessee Williams, dirigida pelo marido, coberta de elogios, sustentava-se no seu desempenho. Substituindo Olivia de Havilland, que recusou o papel no cinema, e contratada pela enorme quantia de cem mil dólares, tornou-se a atriz mais bem-paga da época. Teve um desempenho magnífico em “Uma Rua Chamada Pecado”, recompensada com um Oscar e a Taça Volpi de Melhor Atriz em Veneza. Seu triunfo teve um preço alto: “Blanche DuBois é uma mulher da qual tudo foi arrancado, uma figura trágica e eu a entendo, mas interpretá-la me fez mergulhar na loucura”, confessou.
 
o primeiro oscar de viv
Em 1951, o casal estreou no teatro “Antonio e Cleópatra”, de Shakespeare, e “César e Cleópatra”, de Bernard Shaw, alternando as apresentações e com imenso êxito. Dominada por colapsos nervosos, a atriz imaginava que desconhecidos estavam tentando seduzi-la, e receava que não pudesse resistir às suas investidas. Nesse período, sofreu dois abortos, e foi diagnosticada como maníaco-depressiva. Gradualmente, os seus problemas de saúde, agravados pela dependência do álcool e das drogas, interferiram na carreira e no matrimônio. Por mais que se amassem, as terríveis crises nervosas dela desestruturavam o relacionamento. Contudo, o público não a esquecia.

Sob tratamento psiquiátrico, VIVIEN LEIGH foi convidada pelo produtor Irving Asher para atuar com LAURENCE OLIVIER no drama “No Caminho dos Elefantes / Elephant Walk” (1954), um triângulo amoroso em uma plantação de chá no Ceilão. Ele não pode aceitar a oferta e foi substituído por Peter Finch. Dirigido por William Dieterle, o filme começou a ser rodado com a estrela visivelmente cansada, à flor da pele, esquecendo-se frequentemente do texto, à beira de recorrentes ataques. Ela passou a seguir Finch pelos sets com fúria, chamando-o de Larry e, à noite, alucinada, repetia os diálogos de Blanche DuBois, chorando incontrolavelmente, sem pegar no sono.

Concluídas as cenas exteriores, as restantes seriam filmadas em Hollywood. Na viagem, a atriz tentou rasgar as roupas e pular do avião. No estúdio da Paramount repetiram-se terríveis rompantes de histeria. Ela gritava, tal como Blanche: “Saia logo daqui, antes que eu comece a gritar fogo! Fogo! Fogo! Fogo!”. Alguém teve a ideia de chamar o ator David Niven, amigo íntimo do casal Olivier, e ele conseguiu acalmá-la. O produtor Asher não teve outra alternativa senão colocar a jovem Elizabeth Taylor no seu lugar, vivendo Ruth Wiley (nas tomadas de plano geral ainda se pode ver a silhueta de Vivien). Felizmente VIVIEN LEIGH não concluiu o trabalho, o longa é um dos piores da carreira de Liz. Aos 41 anos de idade, a famosa Scarlet O`Hara não aceitava o fato de ser maníaco-depressiva e, consentida pelos médicos, fez teatro (com casa lotada e ótimas críticas). Voltou a filmar em 1955 ao estrelar o delicado drama “O Profundo Mar Azul”
 
larry e viv nos anos 50
Com o ritmo excessivo de trabalho, VIVIEN LEIGH caiu em longos períodos de depressão e passou a maior parte dos anos de 1954 e 1955 sob cuidados médicos. No auge da anormalidade, arrancou as roupas e saiu nua pelas ruas. Em seguida, começaram os boatos sobre a péssima situação do seu casamento. De volta aos palcos, ela teve um caso com Peter Finch. Nos anos seguintes, continuou a ter acessos frenéticos, muitas vezes quebrando tudo à sua volta. Em 1960, os boatos sobre o casamento deles se confirmaram quando LAURENCE OLIVIER a abandonou para se unir a atriz Joan Plowright, 22 anos mais nova. Ela pediu o divórcio e nunca mais se casou, continuando a trabalhar no cinema e no teatro até sua morte súbita por tuberculose.

O romance de VIVIEN LEIGH e LAURENCE OLIVIER era considerado uma espécie de conto de fadas para o público: famosos, ricos, talentosos e apaixonados. Como nada é o que parece ser, uma biografia recente garante que ambos eram infiéis desde o início do relacionamento e torturavam um ao outro com amantes de ambos os sexos. Segundo o best-seller, a cada crise de instabilidade emocional, a atriz procurava conforto em relações extraconjugais, de Rex Harrison a Marlon Brando, passando por atrizes como Isabel Jeans. Tinha predileção por jovens prostitutos e frequentava um bordel de Los Angeles especializado em garotos de programa. Costumava contratar desconhecidos no “Scotty’s Garage”, um posto de gasolina conhecido por seus 22 funcionários jovens e atraentes. Ela pagava a “cortesia de estranhos” com presentes, de cigarreiras a joias. LAURENCE OLIVIER não deixava por menos, e teve um caso com o comediante norte-americano Danny Kaye, entre outros. Detalhes na biografia “Damn You, Scarlett O’Hara – The Private Lives of Vivien Leigh and Laurence Olivier” (2011), escrita por Darwin Porter, antigo confidente da estrela, e Roy Moseley, assistente de Olivier.
 
vivien, olivier e olivia de havilland
Ela fez apenas 18 filmes. Em mais de trinta anos de teatro, VIVIEN LEIGH interpretou desde comédias de Noel Coward a dramas clássicos de Shakespeare. Aprendeu a atuar com LAURENCE OLIVIER, desabrochou com ele, mas o seu talento era nato. De beleza delicada, essa atriz de extraordinário vigor dramático é uma das maiores heroínas românticas do cinema. No seu funeral, John Gielgud disse: “Não será esquecida, porque sua qualidade mágica era incomparável. Uma grande beleza, uma estrela, uma atriz cinematográfica consumada e uma personalidade versátil e poderosa no teatro...”.

O extraordinário LAURENCE OLIVIER foi um dos mais carismáticos atores do século XX. Sua presença em palco fascinava o público e sua credibilidade como intérprete, no drama como na comédia, proporcionou-lhe os maiores êxitos. Destacou-se interpretando personagens de Shakespeare, quer no teatro, quer no cinema. Em 1978 recebeu um Oscar especial pelo conjunto de sua obra e por sua contribuição à arte cinematográfica. Em 1970, a rainha Elizabeth II lhe outorgou o título de Lorde, com direito a frequentar o Parlamento britânico. Ele morreu, aos 82 anos, de câncer no estômago, dormindo em sua casa ao lado de sua terceira mulher, a atriz Joan Plowright, com quem teve três filhos.

viv e larry
em “fogo sobre a inglaterra”

VIV e LARRY no CINEMA

FOGO SOBRE a INGLATERRA
(Fire Over England, 1937)

direção de William K. Howard
Em plena guerra entre a Inglaterra e a Espanha, Vivien e Olivier são os amantes Lady Cynthia e Michael Ingolby. Ele, um espião enviado a Madri para descobri os nomes dos conspiradores ingleses aliados dos espanhóis.

TRÊS SEMANAS de LOUCURA
(Twenty One Days, 1937)

direção de Basil Dean
Ex-pároco (Olivier) é julgado por um crime que não cometeu. Vivien interpreta Wanda, a namorada do acusado.

LADY HAMILTON, a DIVINA DAMA
(That Hamilton Woman, 1941)

direção de Alexander Korda
O romance proibido entre o herói de guerra Lord Nelson e a casada Emma Hamilton.

vivien e marlon brando em “uma rua chamada pecado”

  DEZ FILMES de VIV
(por ordem de preferência)

01
Uma RUA CHAMADA PECADO
(A Streetcar Named Desire, 1951)

direção de Elia Kazan
elenco: Marlon Brando, Kim Hunter e Karl Malden

Oscar de Melhor Atriz
Melhor Atriz no Festival de Veneza

02
E o VENTO LEVOU
(Gone with the Wind, 1939)

direção de Victor Fleming
elenco: Clark Gable, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, Hattie McDaniel, Laura Hope Crews e Jane Darwell

Oscar de Melhor Atriz

03
A PONTE de WATERLOO
(Waterloo Bridge, 1940)

direção de Mervyn LeRoy
elenco: Robert Taylor, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya e C. Aubrey Smith

04
A NAU dos INSENSATOS
(Ship of Fools, 1965)

direção de Stanley Kramer
elenco: Simone Signoret, José Ferrer, Lee Marvin, Oskar Werner e Elizabeth Ashley

05
ANNA KARENINA
(Idem, 1948)

direção de Julien Duvivier
elenco: Ralph Richardson, Kieron Moore e Martita Hunt

06
LADY HAMILTON, a DIVINA DAMA
(That Hamilton Woman, 1941)

direção de Alexander Korda
elenco: Laurence Olivier, Alan Mowbray, Sara Allgood e Gladys Cooper

07
Em ROMA, na PRIMAVERA
(The Roman Spring of Mrs. Stone, 1961)

direção de José Quintero
elenco: Warren Beatty, Coral Browne, Jill St. John e Lotte Lenya

08
O PROFUNDO MAR AZUL
(The Deep Blue Sea, 1955)

direção de Anatole Litvak
elenco: Kenneth More e Eric Portman

09
CÉSAR e CLEÓPATRA
(Caesar and Cleopatra, 1945)

direção de Gabriel Pascal
elenco: Claude Rains, Stewart Granger, Flora Robson, Cecil Parker e Jean Simmons

10
Nos BASTIDORES de LONDRES
(St. Martin's Lane, 1938)

direção de Tim Whelan
elenco: Charles Laughton e Rex Harrison

larry em “rebecca, a mulher inesquecível”

  DEZ FILMES de LARRY
(por ordem de preferência)

01
HAMLET
 (Idem, 1948)

direção de Laurence Olivier
elenco: Jean Simmons e Anthony Quayle

02
O MORRO dos VENTOS UIVANTES
(Wuthering Heights, 1939)

direção de William Wyler
elenco: Merle Oberon, David Niven, Flora Robson e Geraldine Fitzgerald

03
PERDIÇÃO por AMOR
(Carrie, 1952)

direção de William Wyler
elenco: Jennifer Jones, Miriam Hopkins e Eddie Albert

04
REBECCA, a MULHER INESQUECÍVEL
(Rebecca, 1940)

direção de Alfred Hitchcock
elenco: Joan Fontaine, George Sanders, Judith Anderson e C. Aubrey Smith

05
MARATONA da MORTE
(Marathon Man, 1976)

direção de John Schlesinger
elenco: Dustin Hoffman, Roy Scheider, William Devane e Marthe Keller

06
HENRIQUE V
(The Chronicle History of King Henry the Fifth with His Battell Fought at Agincourt in France, 1944)

direção de Laurence Olivier
elenco: Renée Asherson, Robert Newton, Leslie Banks e Robert Helpmann

07
SPARTACUS
 (Idem, 1960)

direção de Stanley Kubrick
elenco: Kirk Douglas, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov e John Gavin

08
VIDA de ARTISTA
 (The Entertainer, 1960)

direção de Tony Richardson
elenco: Brenda de Banzie, Roger Livesey, Joan Plowright e Alan Bates

09
TRAMA DIABÓLICA
(Sleuth, 1972)

direção de Joseph L. Mankiewicz
elenco: Michael Caine

10
MENTIRA INFAMANTE
(Term of Trial, 1962)

direção de Peter Glenville
elenco: Simone Signoret, Sarah Miles, Terence Stamp e Hugh Griffith


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