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junho 16, 2011

********** SANDRA MILO, a AMANTE de FELLINI

sandra milo

 
 
Considerado irreverente, mal-humorado e tirano, mas, acima de tudo, um monstro sagrado do cinema, o cineasta Federico Fellini  (1920 - 1993. Rimini / Itália) conviveu conjugalmente 50 anos com Giulietta Masina, carismática atriz que participou em vários de seus filmes. Entretanto, durante 17 anos, relacionou-se amorosamente com SANDRA MILO (1933. Tunes / Tunísia), a fútil e fogosa Carla de “Oito e Meio / 8 1/2” (1963). Coadjuvante de luxo de outra obra imortal do genial italiano, “Julieta dos Espíritos / Giulietta Degli Spiriti” (1965), ela publicou em 1982 o romance “Caro Federico”, onde a personagem principal, Selana, tem  um envolvimento erótico com o cineasta. Apesar de negar a história no lançamento, o livro foi motivo de escândalo e Fellini recusou-se a tocar no assunto. Vinte e sete anos depois, em 2009, após as mortes de Fellini e Masina, ela surpreendeu a todos ao revelar seu duradouro romance com o diretor, que logo depois seria confirmado por várias pessoas, porque de novidade tinha muito pouco entre os mais íntimos do casal infiel. De qualquer maneira, o encontro com Fellini consolidou SANDRA MILO como atriz - Sandrocchia (como era chamada por ele) interpretou desinibidas e sedutoras mulheres fatais, que incorporavam o imaginário erótico do diretor.

Ao casar com Giullieta em 1943, Federico Fellini firmou uma das mais vibrantes e bem sucedidas parcerias do cinema europeu – culminando em inesquecíveis sucessos. Porém, a vida pessoal de ambos, marcada por um único filho falecido aos 2 meses de idade, é apontada por biógrafos como triste e fulgurante – a síntese da existência de um mestre que equilibrou sua obra entre a magia e a tragédia. Ele e SANDRA MILO foram apresentados pelo roteirista Ennio Flaiano. “Fiquei impressionada com sua voz sutil, suave, quase feminina, uma voz muito pequena para um homem tão grande, de mais de 100 quilos; para um cérebro tão grande. Fiquei deslumbrada e encantada ao mesmo tempo”, recordou a atriz numa entrevista recente. Meses depois, a produtora Rizzoli convidou-a para um teste. A produção seria “Oito 1/2” e a personagem, Carla, o affair secreto de Guido (Marcello Mastroianni), o alter-ego do realizador.

Desiludida com o fracasso de “Vanina Vanini / Idem” (1961), de Roberto Rossellini, ela estava decidida a deixar o cinema, rejeitando o convite sem pensar duas vezes, mas Fellini apareceu de surpresa em sua casa com o fotógrafo Gianni di Venanzo e o figurinista Piero Gherardi. “O que está acontecendo?”, ela perguntou. “Nada. Viemos fazer o seu teste”, respondeu. Aprovada, durante as filmagens se tornaram amantes. Ela passou a amá-lo loucamente, de uma maneira alucinada. A paixão intensa transformou o que seria apenas um caso descartável em um amor duradouro. Mas passaram por situações vexatórias. Muito amiga de Giulietta Masina, SANDRA MILO foi proibida de frequentar a casa dos Fellini depois que o caso tornou-se notório. A relação cheia de altos e baixos tinha hotéis, motéis e casas fechadas do diretor como alcovas, numa afinidade clandestina. A atriz atuou em muitos filmes, casou-se, gerou três filhos e deixou o cinema, sempre encontrando Federico Fellini sigilosamente.

sandra com fellini
Nos anos 70, o diretor a convidou para interpretar a sensual Gradisca de “Amarcord / idem” (1973), contudo o ciumento marido dela impediu a nova parceria, sendo substituída por Magali Noel (orientada a imitar o seu andar e trejeitos). “Eu queria tanto dormir ao menos uma noite com ele, para despertar pela manhã e encontrá-lo ao lado, sentir o seu cheiro, o cheiro do sono, do despertar, o cheiro do amor”, lamentou a atriz. Um dia tudo se acabou. Depois de enviar-lhe cem rosas e uma carta romântica e melancólica, Fellini a procurou, pedindo-a em casamento. Durante muitos anos ela havia esperado por aquele momento, certa de que ele terminaria por deixar Giulietta, mas já era tarde demais, estava casada, tinha filhos pequenos e uma vida organizada. Recusou o pedido, mesmo ainda o amando, e nunca mais voltaram a se encontrar como amantes. Ela estreou no cinema ao lado de Alberto Sordi em “O Solteirão / Lo Scapolo” (1955), de Antonio Pietrangeli. Reconhecida por sua voz exuberante, corpo vistoso e ar ingênuo, tornou-se uma sensação participando de comédias. O sucesso definitivo veio em 1959, graças ao produtor Moris Ergas, que mais tarde se casaria com ela: trata-se de De Crápula a Herói / General Della Rovere (1959), no qual interpreta uma prostituta, dirigida por Roberto Rossellini. Fez outro papel semelhante em “Adua e suas Companheiras / Adua e Le Compagne” (1960), abrindo caminho para uma bem sucedida carreira.

sandra milo
O amor tempestuoso com Fellini, o caA trajetória de SANDRA MILO sofreu uma crise abrupta após as duras críticas que recebeu por “Vanina Vanini, adaptado de um conto de Stendhal e novamente assinado por Rossellini. Sua atuação foi considerada excessiva. O encontro crucial com o universo onírico de Federico Fellini mudou o destino de sua vida. Entre outros, também foi dirigida por Luigi Zampa, Dino Risi, Steno, Jacques Becker, Claude Autant-Lara, Claude Sautet, Mauro Bolognini, Pupi Avat e Gabriele Salvatores. Em “A Visita / La Visita” (1963), de Antonio Pietrangeli, criou um personagem, Pina, de impacto considerável.  O casamento com Ergas e uma união posterior com Ottavio De Lollis, fez com que abandonasse o cinema, só voltando a filmar no final dos anos 70. De personalidade vulgar, loura e peituda, Sandrocchia se reinventou como apresentadora de programas de telê. Sua vida privada nunca deixou de ser escancarada e a divulgação do romance tórrido com Federico Fellini foi apenas mais um escarcéu consentido.

sandra em julieta dos espíritos