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agosto 29, 2025

******* FELLINI: MEMÓRIAS, SONHOS e FANTASIAS

 



“Sou apenas um contador de histórias,
e o cinema é o meu meio. Gosto dele
porque recria a vida em movimento,
amplifica-a. Está muito próximo
da criação milagrosa da vida.”
FEDERICO FELLINI 
 Oito e Meio
 
 
Um dos grandes diretores italianos, criou um estilo cinematográfico inimitável, combinando surrealismo com crítica social incisiva.  Explorou em 23 filmes suas obsessões com o circense, a decadência social, a redenção espiritual e as mulheres, gerando influências em diversos cineastas, como o siciliano Paolo Sorrentino ou o norte-americano Martin Scorsese, que diz rever “Oito e Meio” (1963) todo ano. FEDERICO FELLINI (1920 – 1993. Rimini / Itália) colocou a própria biografia em sua criação cinematográfica. Na realidade, aos dezenove anos deixou a provinciana cidade natal, transferindo-se para Roma. Seu primeiro emprego foi na revista humorística “Marc’Aurelio”. Na Itália semidestruída pela II Guerra Mundial, oscilou de um emprego a outro. Depois de trabalhar como repórter, locutor de rádio e escritor de fotonovelas, o famoso ator Aldo Fabrizi o contratou para escrever esquetes para espetáculos de uma companhia teatral ambulante. Com ela, o futuro cineasta correu a Itália, aprendendo a técnica de contar histórias a partir de pequenos incidentes dramáticos ou cômicos.
 
A guerra estava acabando. No meio dos destroços, entre bombas e fuzilamentos, o cinema italiano voltava a brilhar. Era o começo do neorrealismo, uma arte verdadeira, sem glamour e sem estrelas, que mudaria o panorama do cinema mundial. E ele fazia parte desse movimento. Seu primeiro trabalho em filmes foi em um roteiro para o lendário Roberto Rossellini, contando o episódio verídico do fuzilamento de um padre pelos nazistas. “Roma, Cidade Aberta / Roma Città Aperta” (1945) transformou-se em um clássico. Começava aí uma das carreiras mais exuberantes da sétima arte. A colaboração com o cinema se intensificou e alguns dos seus roteiros foram pontos altos do neorrealismo: “O Moinho do Pó / Il Mulino del Po” (1949), de Alberto Lattuada; “O Caminho da Esperança / Il Cammino della Speranza” (1950), de Pietro Germi; “Milagre em Milão / Miracolo a Milano” (1951), de Vittorio de Sica, entre outros. Em 1950, co-dirigiu com Alberto Lattuada “Mulheres e Luzes / Luci del Varietà”. O segundo filme, “Abismo de um Sonho / Lo Sceicco Bianco”, veio em 1952 e teve péssima recepção.
 
Um ícone da fantasia com uma visão pessoal acerca da sociedade, ele ressignificou suas lembranças da infância-juventude e seus sonhos, traduzindo-os em obras magistrais. O cinema se tornou, para o diretor, um espaço de interpretação de fantasias e desejos, de reconciliação com situações de tempos passados. Brincou sem limites entre o real e o imaginário, o ficcional e o biográfico, alta e baixa cultura, cinema de autor e de entretenimento, num universo onírico copiado mundialmente. A grande virada foi “A Doce Vida”, de 1960. Sucesso de bilheteria e condenado pela Igreja Católica, este filme insólito abandona o que poderíamos chamar de uma representação mais crua, buscando se aproximar de um mundo simbólico, estilizado. A partir deste momento decisivo, sua obra, que ele descrevia como “sonhos em celuloide”, funda um estilo próprio, no qual mescla memória e sonho, quase sempre não deixando claro onde termina um e começa o outro. Seu cinema barroco, delirante e pessoal torna sua filmografia uma das mais premiadas e envolventes de todos os tempos. 
 
Ele descrevia seu método criativo afirmando que a invenção para suas tramas se dava a partir de suas experiências, memórias, esperanças,
“uma mistura de emoções pessoais, alterações, as cores da escuridão que vivem em mim”. Condecorado com quatro estatuetas no Oscar, um recorde na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, seu legado é visto como um divisor de águas, rendendo um novo adjetivo no vocabulário cinematográfico: o termo felliniano. O cineasta teve como principais colaboradores, a atriz e esposa Giulietta Masina, o ator Marcello Mastroianni, o compositor Nino Rota, o produtor Angelo Rizzoli, o roteirista Ennio Flaiano e o editor Ruggero Mastroianni. Ele, pessoalmente, nos deixou em 1993. Seu cinema singular, de melancolia mágica, jamais nos deixará. É eterno. Cento e cinco anos após seu nascimento, FEDERICO FELLINI ainda se destaca como um gigante do cinema. Este post é um tributo a um artista criativo e livre, que inventou um universo cinematográfico próprio: uma visão mágica do mundo.
 
Oito e Meio
DEZ FILMES para CONHECER FELLINI
(por ordem de preferência)
 
01
A DOCE VIDA
(La Dolce Vita, 1960)

elenco: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg, Anouk Aimée,

Yvonne Furneaux, Magali Noel, Alain Cuny,
Annibale Ninchi, Valeria Ciangottini e Laura Betti

Um dos maiores filmes do cinema. Impulsionou a carreira do cineasta italiano ao sucesso internacional - ironicamente, ao oferecer uma crítica contundente à cultura do estrelato. Um olhar sobre o vazio existencial por trás do estilo de vida sedutor dos ricos e glamorosos de Roma, acompanha um notório jornalista de celebridades (um Marcello Mastroianni sublimemente icônico) nas periferias dos holofotes. Mordaz, foi incisivo sobre a decadência da Europa contemporânea e forneceu um vislumbre premonitório de quão obcecada por fofocas e fama nossa sociedade se tornaria. Cunhou o termo paparazzo, mas seu verdadeiro mérito reside no cinismo com que disseca uma cidade.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Direção
Palma de Ouro (Melhor Filme) no Festival de Cannes
David di Donatello de Melhor Diretor
Melhor Filme Estrangeiro do Círculo
dos Críticos de Cinema de Nova Iorque

 
02
AMARCORD
(Idem, 1974)
 
elenco: Magali Noel, Bruno Zanin, Puppella Maggio,
Armando Grancia, Ciccio Ingrassia e Maria Antonietta Beluzz

O realizador retorna à paisagem provinciana de sua infância com esta reminiscência, recriando sua cidade natal, Rimini, nos estúdios da Cinecittà e retratando seu cotidiano como um circo de rituais sociais, desejos adolescentes, fantasias masculinas e subterfúgios políticos. Esboçando uma galeria de caricaturas cômicas, evoca com carinho um mundo desaparecido, aureolado pelo brilho da memória, ao mesmo tempo em que satiriza um país embrutecido pelo fascismo. Entrelaça com maestria a cinematografia vibrante de Giuseppe Rottuno, os figurinos e cenários extravagantes de Danilo Donati e a trilha sonora nostálgica de Nino Rota. Talvez seja o filme mais pessoal do diretor.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Diretor
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
David di Donatello de Melhor Filme e Melhor Diretor
Nastro d´Argento de Melhor Diretor
Melhor Filme Estrangeiro do National Board of Review
Melhor Filme e Melhor Diretor do Círculo dos Critícos
de Cinema de Nova Iorque

 
03
NOITES de CABÍRIA
(Le Notti di Cabiria, 1957)

elenco: Giulietta Masina, François Périer, Dorian Gray

e Amedeo Nazzari

 
Ascensão, queda e recuperação de uma prostituta, num ambiente de rua, exploração, milagres e trapaceiros. Grande consagração popular do cineasta, apresentando uma das personagens mais inesquecíveis de todo o cinema: Cabiria (magnífica Masina), uma trabalhadora sexual irreprimível e ferozmente independente que, enquanto se move por Roma, em meio à adversidade e à tristeza, precisa confiar em seu próprio espírito indomável para se manter de pé. O filme encerrou a fase inicial do diretor, de influência neorrealista, com um final sublimemente comovente, porém esperançoso, que incorpora a mistura do amargo e do doce que define sua recorrente visão de mundo. Obra-prima.
 
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
David di Donatello de Melhor Diretor
Nastro d´Argento de Melhor Diretor

 
 
04
Os BOAS VIDAS
(I Vitelloni, 1953)

elenco: Alberto Sordi, Franco Fabrizi, Franco Interlenghi,

 Leopoldo Trieste, Leonora Ruffo, Paola Borboni,
Lída Baarová e Vira Silenti

 
A segunda criação solo do diretor rendeu seu primeiro sucesso comercial: um retrato lúcido de cinco jovens mergulhados em um limbo provinciano, sonhando com aventuras e uma fuga de sua pequena cidade costeira. Baseando-se em memórias entre a nostalgia cômica de
“Amarcord” e a ressaca da cidade grande de “A Doce Vida”, cria um filmaço semiautobiográfico com personagens afiados: Fausto, o galã, forçado a se casar com uma moça que engravidou; Alberto, o filho perpétuo; Leopoldo, um escritor sedento de fama; e Moraldo, a consciência do grupo. A crônica cinematográfica captura a lassidão e o anseio de seus protagonistas com nostalgia, perspicácia humorada e compaixão.
 
Nastro d´Argento de Melhor Diretor
Leão de Prata no Festival de Veneza
 
05
FELLINI OITO e MEIO
(8½, 1963)

elenco: Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Claudia Cardinale,

Sandra Milo, Rossella Falk, Barbara Steele,
Madeleine Lebeau e Caterina Boratto

 
Considerado por muitos o seu melhor trabalho. Marcello Mastroianni interpreta Guido Anselmi, um cineasta cujo novo projeto está desmoronando ao seu redor, junto com sua vida. Um dos filmes mais aplaudidos pela crítica, teve um primeiro título provisório,
“A Bela Confusão”, e é exatamente isso: um sonho cintilante e um número de mágica. Códice para decifrar a obra felliniana, essa alucinação transgressora tem sido imitada desde sempre. Mastroianni substitui o próprio diretor em suas fantasias surreais sobre o bloqueio artístico, a infância que volta feroz, a cavalgada de mulheres que ele decepcionou, inseguranças, música e a certeza absoluta de que a vida é um circo.
 
Indicado ao Oscar de Melhor Diretor
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Nastro d´Argento de Melhor Diretor
Grande Prêmio no Festival de Moscou
Melhor Filme Estrangeiro no National Board of Review
Melhor Filme Estrangeiro no Círculo

dos Críticos de Cinema de Nova Iorque
 
06
A ESTRADA da VIDA
 (La Strada, 1954)

elenco: Giulietta Masina, Anthony Quinn e Richard Basehart

 
Uma decadente companhia de diversões ambulante percorre as estradas da Itália. O primeiro sucesso internacional do diretor. Ponte entre seu passado neorrealista e a fantasia lírica que está por vir, repleto de símbolos amargos e referências à commedia dell'arte. Com este drama inovador, o diretor retrata uma visão pessoal e poética da vida como um carnaval agridoce. A expressiva Masina registra tanto a maravilha infantil quanto o desespero de partir o coração como Gelsomina. A obra possui a pureza e a ressonância atemporal de uma fábula e continua sendo uma das visões mais comoventes do cinema sobre a humanidade lutando para sobreviver diante das crueldades da vida.
 
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Nastro d´Argento de Melhor Diretor
Melhor Filme Estrangeiro no Círculo dos Críticos
de Cinema de Nova Iorque
Leão de Prata no Festival de Veneza

 
07
SATYRICON de FELLINI
(Fellini – Satyricon, 1968)

elenco: Martin Potter, Hiram Keller, Salvo Randone,

Magali Noel, Capucine, Alain Cuny,
Lucia Bosè e Gordon Mitchell

 
A carreira do realizador atingiu novos patamares de excentricidade e brilhantismo com esta notável, controversa e extremamente livre adaptação da sátira romana clássica de Petrônio, escrita durante o império de Nero. Uma enxurrada episódica de licenciosidade sexual, violência profana e grotesco cativante, acompanha as façanhas de dois jovens pansexuais - o belo estudioso Encólpio e seu amigo vulgar e insaciavelmente lascivo Ascilto - enquanto se movem por uma paisagem de excessos pagãos de forma livre que remete ao sexo libertário moderno. Criando um caos aparente com controle primoroso, o diretor constrói um mundo antigo impactante e estranho que parece ficção científica.
 
Melhor Filme Italiano no Festival de Veneza
 
08
A TRAPAÇA
(II Bidone, 1955)

elenco: Broderick Crawford, Richard Basehart, Giu
lietta Masina,
Franco Fabrizi e Lorella De Luca

 
Abandonando em parte os floreios poéticos das obras mais famosas do realizador, é um drama policial neorrealista sombrio, pouco conhecido, estrelado por um magistral Broderick Crawford como um dos personagens mais complexos do cânone do diretor: um vigarista profissional decadente que, tendo feito carreira explorando a ingenuidade de camponeses pobres, de repente descobre que seus caminhos tortuosos começaram a alcançá-lo. Entrelaçando magistralmente o realismo humano da história com elementos de humor, cria um retrato contundente de um homem lidando com as consequências de suas escolhas de vida, que o atinge com a força de uma profunda e fatal tragédia moral.
 
09
JULIETA dos ESPÍRITOS
(Giulietta degli spiriti, 1965)

elenco: Giulietta Masina, Sandra Milo, Mario Pisu,

Valentina Cortese, Valeska Gert, José Luis de Vilallonga,
Caterina Boratto e Sylva Koscina

 
Primeiro longa-metragem em cores do diretor. Caleidoscópio projetado na psique de uma mulher de meia-idade que atravessa uma crise mística. Baseando-se em cenas de sua vida pessoal, Giulietta Masina interpreta uma senhora refinada que se aventura no espiritualismo e cujo domínio da realidade começa a se esvair quando descobre que o marido está tendo um caso, o que a leva a uma jornada alucinatória de autodescoberta na qual memórias, sonhos e forças sobrenaturais se fundem. Com a cinematografia virtuosa de Gianni di Venanzo, o filme examina as preocupações centrais do diretor - sexo e amor, vida e morte, fantasia e realidade - da perspectiva do intimismo feminino.
 
Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Filme Estrangeiro do National Board of Review
Melhor Filme Estrangeiro do Círculo dos Críticos
de Cinema de Nova Iorque

 
10
ROMA de FELLINI
(Roma, 1972)

elenco: Britta Barnes, Peter Gonzales Falcon e Anna Magnani

 
Relato de viagem, memórias e espetáculo cinematográfico ultrajante da Cidade Eterna. Esta fantasia urbana entrelaça lembranças da juventude do diretor na era de Mussolini com um retrato impressionista da Roma contemporânea. Os prazeres materiais do sexo, da comida, da vida noturna e de um alucinante desfile de moda eclesiástica são permeados por vislumbres de um passado monumental: o Coliseu cercado pelo trânsito, afrescos antigos desenterrados em um túnel de metrô, uma estátua de César manchada por pombos. Com uma mistura estonteante de imediatismo documental e artifício extravagante, penetra no mito e na mística da histórica e maravilhosa capital da Itália.
 
FONTES
“Eu, Fellini” (1995)
de Charlotte Chandler
 
“Fellini. Vou Falar-te de Mim”
(1999)
de Costanzo Costantini

 
CADERNO de SONHOS
Nos anos 60, incentivado pelo analista junguiano Ernst Bernhard, FEDERICO FELLINI passou a registrar os próprios sonhos através de textos e ilustrações - atividade que manteve por cerca de 30 anos. Para isso, mantinha um caderno em sua mesa de cabeceira. Pela manhã, assim que abria os olhos, tentava reproduzir, usando canetas hidrográficas coloridas, o que chamava de “trabalho noturno”. Em 2008, as 500 páginas foram publicadas com o título de “The Book of Dreams”.
 

GALERIA de FOTOS


O CINEMA ITALIANO NESTE BLOG

 
01
ATIRE PRIMEIRO, MORRA DEPOIS: POLIZIOTTESCHI
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02
ALIDA VALLI: a BARONESA ESTRELA de CINEMA
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03
O CINEMA POLÍTICO ITALIANO (1960 - 1979)
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04
LUCHINO VISCONTI: o CONDE CINEASTA
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05
LUISA FERIDA e OSVALDO VALENTI: PAIXÃO e CRIME
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06
MARCELLO MASTROIANNI: a ARTE da SEDUÇÃO
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07
O MELHOR do CINEMA ITALIANO: 30 FILMES
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08
15 ATORES à ITALIANA do SÉCULO 21
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09
SANDRA MILO, a AMANTE de FELLINI
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10
TELEFONE BIANCHI – o CINEMA FASCISTA ITALIANO
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Satyricon de Fellini


março 15, 2025

**** INGRID BERGMAN: FASCINANTE ... e de DIREITA



 

O que quer que ela fizesse,
eu sempre ficava fascinado pelo seu rosto.
Em seu rosto, a pele, os olhos, a boca,
especialmente a boca. Havia esse brilho
muito estranho e uma enorme atração erótica.
INGMAR BERGMAN
(1918 – 2007. Uppsala / Suécia)
 
Aos poucos, vai se revelando no seu rosto,
no seu sorriso, no seu modo de olhar,
na sua naturalidade de gestos, uma emoção,
um impulso sincero para as coisas,
uma iluminação íntima que a transformam.
Tudo passa a existir fundamente
nessa mulher de Cinema.
VINÍCIUS de MORAES
(1913 – 1980. Rio de Janeiro / RJ)
 


Altura: 1,75 m
Cabelos: castanhos claros
Olhos: azuis
 

 
No cinema, foi a inspiração para a célebre frase “Nós sempre teremos Paris”, com a qual o durão Humphrey Bogart deixava incompleta a história de amor mais comovente da telona. Para mim, a maior atriz de cinema que já existiu. Com uma carreira de cinco décadas, frequentemente considerada uma das estrelas mais influentes da história cinematográfica, tem cinéfilo que prefere Katharine Hepburn ou Bette Davis, outros Anna Magnani, Greta Garbo, Joan Crawford ou até mesmo Meryl Streep, eu considero INGRID BERGMAN (1915 – 1982. Estocolmo / Suécia) a número 1. Dona de uma beleza natural, irradiante e delicada, era adorada pelo público. Tinha extraordinário talento e sensibilidade, projetando essas qualidades nas telas. Politizada, militante, filiada ao partido Republicano, se manifestou em campanhas políticas conservadoras, apoiando Dwight D. Eisenhower, Richard Nixon e Ronald Reagan, entre outros. Que maravilha!
 
Não era uma beleza icônica, tinha uma pele impecável e aquela aparência encantadora. A mulher por trás do mito era complexa. Tímida, simples, divertida, teimosa e de bom coração, às vezes se comparava com um trem em movimento, nada nem ninguém poderia detê-la quando decidia fazer algo. Quer fosse um novo visual, um papel no cinema, casamento ou mudança de país. Tinha uma determinação de aço. Impulsiva, sentimental, gentil, generosa e leal aos amigos. Nunca foi uma típica celebridade, ela não conseguia ser indiferente, não projetava poses glamurosas. Aos 12 anos de idade, escreveu no diário: “Preciso manter um registro dessa grande vida que está à minha frente, porque serei uma das estrelas mais importantes”. Aos 17 anos, fez figuração em “Landskamp”. Em 1933, ingressou no Royal Dramatic Theatre School de Estocolmo, onde havia estudado Greta Garbo e Lars Hanson, impressionando seus professores.
 
gosta ekman e ingrid em intermezzo
Seu primeiro papel no cinema foi na comédia
“O Conde da Cidade Velha / Munkbrogreven” (1935). Nos anos seguintes, fez uma série de filmes na Suécia. Tornou-se uma atriz elogiada e celebridade local com “Intermezzo: uma História de Amor / Intermezzo” (1936), no qual faz uma pianista que tem um caso com um violinista famoso e casado, interpretado por Gösta Ekman. Seu carisma e performance hipnotizante rapidamente fizeram dela uma sensação. Atendo aos novos talentos europeus, o produtor independente de Hollywood David O. Selznick obteve os direitos da história e assinou um contrato com a atriz. INGRID BERGMAN foi para a Califórnia e estrelou o remake “Intermezzo: uma História de Amor / Intermezzo: A Love Story” (1939). O longa foi um êxito estrondoso e ela também. Sua beleza era diferente de tudo que a indústria cinematográfica já havia visto, mas com um contrato de exclusividade por sete anos, Selznick não sabia como utilizá-la.

 
Considerada alta demais e diferente dos padrões da meca do cinema, ele tentou transformar o seu rosto e mudar o seu nome, como era típico em Hollywood, mas ela recusou, ameaçando voltar para sua terra natal. Ficando algum tempo sem filmar, fez uma peça na Broadway, “Liliom”, ao lado de Burgess Meredith, alcançado sucesso de crítica e público. Por fim, emprestada a estúdios, foi utilizada em personagens medíocres. Indignada, lutou para substituir Lana Turner como a barata prostituta Ivy Peterson de “O Médico e o Monstro” (1941), produção da Metro-Goldwyn-Mayer. Apoiada pelo astro Spencer Tracy, que desempenhava o papel-título, conseguiu o que pretendia, reafirmando seu talento. Ela foi um sucesso instantâneo de bilheteria. As pessoas amavam sua beleza natural, sua aparente inocência, sua inteligência. INGRID BERGMAN sabia o que queria. Ela assumia papéis difíceis. Amava o desafio.
 
casamento de ingrid com lindstrom
Sua presença brilhante e genuína foi como um sopro de ar fresco para o público mundial. Ela era real da cabeça aos pés, tanto na vida quanto na tela. Idolatrada não por seu estilo de vida extravagante, ou pela existência mitológica que a maioria das celebridades tem, mas pelo talento. Uma atriz versátil que cativou com sua suavidade. Na indústria do entretenimento, fez poucos amigos, entre eles Alfred Hitchcock, Cary Grant e Katharine Brown. À semelhança de outra diva sueca, Greta Garbo, era reservada. No entanto, ao contrário de Garbo, sua personalidade pública não era de gelo e mistério, mas acolhedora. Em 1942, atuou em “Casablanca”, que faria dela uma estrela. Concorreu ao primeiro Oscar por “Por quem os Sinos Dobram”. Brilhou em “Os Sinos de Santa Maria / The Bell’s of St. Mary’s” (1945) e “Interlúdio” (1946),
que conta com o talento de Hitchcock e a química do casal protagonista.

 
Teria o Oscar nas mãos por sua esplêndida atuação em “À Meia-Luz”, de George Cukor. Nesse drama, faz a ingênua Paula Alquist, que se casa com um sujeito sombrio e dominador (o francês Charles Boyer). Ao filmar três longas com o mestre do suspense Hitchcock, foi imortalizada como sua musa. Voltou aos palcos da Broadway, brilhando em “Joana de Lorraine”, de Maxwell Anderson. Na vida amorosa, INGRID BERGMAN teve o seu primeiro amante aos dezoito anos: Edvin Adolphson, com quem trabalhou em peças e filmes. Ela se casou aos 22 anos com Petter Lindstrom, um dentista bonitão e inteligente, que acabaria se tornando neurocirurgião. Durante seu casamento, teve casos passageiros. Namorou Spencer Tracy durante as filmagens de “O Médico e o Monstro” e caiu de amores por Gary Cooper ao trabalharem em “Por quem os Sinos Dobram”. Segundo o notável Cooper: “Ninguém me amou mais do que Ingrid Bergman.”
 
Na época, ela visitou campos militares para divertir soldados e participou de campanhas de bônus de guerra. Logo após o fim do conflito bélico, foi a Europa com o mesmo propósito, vendo a devastação generalizada e iniciando um relacionamento com o famoso fotógrafo Robert Capa. O diretor Victor Fleming se apaixonou pela irresistível sueca e nunca superou a desilusão ao ser abandonado. Antes dele, em 1945, ela teve um breve caso com o músico Larry Adler. O milionário Howard Hughes ficou impressionado com ela, telefonando para informá-la que tinha comprado a RKO Radio Pictures como um presente para a atriz. Gregory Peck admitiu ter tido um romance com ela nos bastidores de “Quando Fala o Coração”. Na autobiografia de Anthony Quinn, ele menciona suas aventuras sexuais com a atriz. Na realidade, ela tinha um espírito livre para criar raízes com alguém. Seu principal amante sempre foi seu trabalho.
 
ingrid e os filhos peter e isabella
Descontente com o sistema hollywoodiano, INGRID BERGMAN se comoveu com o neo-realismo do italiano Roberto Rossellini em “Roma, Cidade Aberta / Roma Città Aperta” (1945), escrevendo uma carta ao diretor, oferecendo-se para trabalhar com ele e concluindo:
Só sei dizer uma coisa em italiano: Ti amo. Resultou na protagonista do impactante “Stromboli”, filmado numa ilha vulcânica na Itália. Apesar de Roberto ser casado, ter um caso com diva Anna Magnani e, ao mesmo tempo, dormir com uma infinidade de outras mulheres, ele se apaixonou por ela. Encantada com a vitalidade e a originalidade do cineasta, ela também se apaixonou, engravidando. Os fãs ficaram escandalizados quando se mudou para Roma e começou a viver abertamente com ele. Passou a recebeu cartas ofensivas e as ofertas de trabalho nos Estados Unidos desapareceram da noite para o dia. “Nunca mais quero ver um filme com essa vagabunda”, dizia o público manipulado e revoltado.
 
O escândalo épico levou INGRID BERGMAN a ser denunciada no Senado dos EUA por Edwin C. Johnson, um senador esquerdista, que se referiu a ela como “um exemplo horrível de republicana e uma poderosa influência para o mal”. Seu comportamento sofreu severas críticas, resultando na sua classificação como “persona non grata”. De 1950 a 1955, o casal fez seis filmes excelentes, à frente do seu tempo e geralmente não foram bem recebidos, especialmente nos EUA. Ela precisava recorrer a reservas de coragem para suportar o escândalo e a separação de sua filha com Peter, Pia. Mas estava apaixonada, conseguindo suportar as desilusões se dedicando ao trabalho. Ela teve três filhos com Rosselini, um menino, Robin, e as meninas gêmeas, Isabella e Ingrid. Possessivo, ele não permitia que a esposa trabalhasse com outros diretores. Federico Fellini, Luchino Visconti e Vittorio De Sica queriam trabalhar com ela e ele vetou.
 
O casamento terminou quando Rossellini se apaixonou por outra e em 1957 eles se divorciaram. Em 1958, ela casou-se mais uma vez, com Lars Schmidt, um empresário teatral de uma rica família sueca. Ela estava reconstruindo sua carreira e negligenciou o casamento. Havia um elemento de autodestruição na atriz. Quando tinha o amor que desejava, se tornava insegura e entediada e precisava escapar para outra história. Não conseguia se agarrar ao matrimônio. Como mãe, sempre esteve emocionalmente presente e protetora dos filhos, mas sua devoção maior era seu trabalho. Depois dos anos longe de Hollywood, ela ainda preservava o status de estrela, como mostrou o sucesso de “Anastácia, a Princesa Esquecida / Anastasia” (1956). Recuperando o carinho do público, ganhou o segundo Oscar. Na cerimônia, foi o leal amigo Cary Grant quem recebeu a estatueta da atriz. Foi a maneira perfeita de recebê-la de volta. 
 
ingrid e o oscar 1975
Faria sua primeira aparição pública pós-escândalo em Hollywood no Oscar de 1958, quando foi a apresentadora do prêmio de Melhor Filme. Além disso, depois de ser chamada por Cary Grant e subir ao palco, foi aplaudida de pé. Sua reabilitação se confirmou em diversos outros filmes, entre eles o êxito da comédia “Indiscreta” (1958), novamente ao lado de Cary Grant. Conhecida por ser a primeira a chegar ao estúdio e a última a sair, INGRID BERGMAN também era uma profissional dos palcos. Em 1957, protagonizou “Chá e Simpatia” em Paris. Na década de 1960, concentrou-se principalmente em trabalhos teatrais e aparições em telefilmes de prestígio como “A Volta do Parafuso / The Turn of The Screw” (1959), baseado em Henry James, pela qual ganhou o Emmy de Melhor Atriz; e 24 Horas na Vida de Uma Mulher / Twenty-Four Hours in a Woman's Life (1961), do romance de Stefan Zweig, entre outros.
 
Não apareceu em muitos filmes como antes, mas continuou filmando entre a Europa e os Estados Unidos. No teatro, fez “Um Mês no Campo”, de Turgenev, e “A Mais Sólida Mansão”, de Eugene O’Neill. Surpreendeu como uma idosa sem graça no policial “Assassinato no Oriente Express” (1974), ganhando o terceiro Oscar, dessa vez como Melhor Atriz Coadjuvante. Generosa, declarou que a estatueta estaria melhor nas mãos de Valentina Cortese por “A Noite Americana / La Nuit Amèricaine” (1973). Concordo com ela. Por fim, trabalhou com Ingmar Bergman em “Sonata de Outono”, concorrendo ao Oscar. INGRID BERGMAN morreu em 1982, em Londres, um dia depois de uma festinha com amigos em seu aniversário de 67 anos. Desapareceu desta vida com a mesma coragem e suavidade com que a viveu. No seu enterro, um violino tocou “As Time Goes By”, tema de “Casablanca”, relembrando sua performance mais famosa.
 
Lutando contra um câncer, encarou a doença com coragem e sem fatalismo, sendo vencida após oito anos. No mesmo ano em que morreu, sua filha Pia Lindström recebeu o prêmio Emmy de Melhor Atriz que a mãe ganhou postumamente por “Uma Mulher Chamada Golda / Golda” (1982), um aclamado telefilme que coroou sua trajetória também com um Globo de Ouro. Sua comovente performance da primeira-ministra israelense Golda Meir foi seu magistral canto do cisne. Dezessete anos depois, em 1999, ficou em 4º lugar na lista das maiores lendas femininas do cinema do American Film Institute (AFI). Ela continua a ser um ícone cultural - pelos seus filmes, sua beleza e seu talento. Vive na nossa lembrança e é eterna em celuloide. Viva Ingrid, a número 1!
 
ingrid e bogart em casablanca


12 FILMES de INGRID BERGMAN
(por ordem de preferência)
 
01
INTERLÚDIO
(Notorious, 1946)

direção de Alfred Hitchcock
elenco:  Cary Grant, Claude Rains e Louis Calhern
 

Tem algumas das cenas mais famosas e icônicas de Hitchcock. Ingrid interpreta a filha de um alemão recrutada por um agente norte-americano (Cary Grant) para se infiltrar como espiã em um grupo de nazistas no Rio de Janeiro. Ela acaba se casando com o líder deles, mas se apaixona pelo seu contato no governo dos Estados Unidos.
 
02
SONATA de OUTONO
(Hostsonaten, 1978)

direção de Ingmar Bergman
elenco:  Liv Ullmann, Lena Nyman, Gunnar Björnstrand e Erland Josephson

 
Pianista famosa (Ingrid) visita a filha, Eva (Liv Ulmann), com quem sempre teve uma relação distante, na Suécia. Ela se surpreende ao encontrar sua outra filha, Helena (Lena Nyman), que tem problemas mentais e estava internada numa instituição. A tensão entre mãe e filha cresce até elas colocarem tudo em panos limpos.
 
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York
David di Donatello de Melhor Atriz Estrangeira
Melhor Atriz do National Board of Review
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz

 
03
CASABLANCA
(Idem, 1942)

direção de Michael Curtiz
elenco: Humphrey Bogart, Paul Henreid, Claude Rains, Conrad Veidt Sydney Greenstreet, e Peter Lorre

 
Ilsa Lund é o personagem mais lembrado de Ingrid. Durante a Segunda Guerra Mundial, Ilsa reencontra em Casablanca, no Marrocos, o norte-americano durão Rick (Humphrey Bogart), que dirige uma casa noturna e com quem viveu um romance inesquecível em Paris. Ela está casada e precisa da ajuda do antigo amante para fugir dos nazistas.
 
04
POR QUEM os SINOS DOBRAM
(For Whom the Bell Tolls, 1943)

direção de Sam Wood
elenco:  Gary Cooper, Akim Tamiroff, Katina Paxinou, Arturo de Córdova, Vladimir Sokoloff e Joseph Calleia
 
 
Baseado em best-seller de Ernest Hemingway. Um norte-americano vai a Espanha lutar na Guerra Civil. Sua missão é explodir uma ponte. Quando se apaixona por uma espanhola, questiona sua perigosa tarefa e seu lugar em uma guerra estrangeira.
 
Indicada ao Oscar de Melhor Atriz
 
05
À MEIA-LUZ
(Gaslight, 1944)

direção de George Cukor
elenco:  Charles Boyer, Joseph Cotten, Dame May Whitty e Angela Lansbury

 
Paula (Ingrid), jovem recém-casada, se muda para a casa de uma tia rica que morreu misteriosamente. Seu sinistro marido, Gregory (Charles Boyer), dono de um segredo que fará de tudo para proteger, mantém a insegura e frágil esposa isolada de todos.
 
Oscar de Melhor Atriz
Globo de Ouro de Melhor Atriz/Drama
Melhor Atriz do National Board of Review
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

 
06
VIAGEM à ITÁLIA
(Viaggio in Italia,, 1954)

direção de Roberto Rossellini
elenco:  George Sanders

 
Um dos mais bem sucedidos filmes da dupla Ingrid-Rossellini. Um rico casal que vive na Inglaterra viaja para Nápoles, na Itália, para vender uma propriedade. Porém, o casamento entra em crise e a tensão entre os dois cresce. Diversas experiências fazem com que acabem redescobrindo o verdadeiro sentido do amor entre eles.
 
07
QUANDO FALA o CORAÇÃO
(Spellbound, 1945)

direção de Alfred Hitchcock
elenco:  Gregory Peck, Michael Chekhov e Rhonda Fleming
 

Ingrid é uma fria psiquiatra que trabalha em uma clínica para doentes mentais. Ela se apaixona pelo sinistro novo diretor (Peck). Com amnésia, ele não tem muitas informações sobre um crime que talvez tenha cometido. Destaque para a icônica e sensacional sequência do sonho que foi desenhada pelo pintor surrealista Salvador Dalí.
 
Melhor Atriz do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York
Melhor Atriz no Festival de Veneza

 
08
MAIS uma VEZ ADEUS
(Goodbye Again, 1961)

direção de Anatole Litvak
elenco:  Yves Montand, Anthony Perkins, Jessie Royce Landis e Michèle Mercier

 
Baseado em romance de Françoise Sagan. Romântica e sofisticada, Ingrid é uma bem-sucedida decoradora de interiores de Paris, numa relação aberta com empresário (Montand) mulherengo e perseguida por um jovem apaixonado e irresponsável (Perkins).
 
09
INDISCRETA
(Indiscreet, 1958)

direção de Stanley Donen
elenco: Cary Grant e Cecil Parker

 
Comédia elegante, romântica e divertida. Apesar da carreira vitoriosa, uma famosa diva do teatro (Ingrid) não tem muita sorte no amor. Quando ela conhece um rico banqueiro (Grant), a atração é imediata e iniciam um apaixonado romance. Concorreu ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia/Musical, perdendo para Rosalind Russell.
 
10
O MÉDICO e o MONSTRO
(Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1941)

direção de Victor Fleming
elenco: Spencer Tracy, Lana Turner, Donald Crisp e C. Aubrey Smith

 
Na clássica história de terror baseada no romance de Robert Louis Stevenson, um renomado médico (Tracy) elabora uma fórmula que desperta o pior das pessoas. Como cobaia do experimento, ele bebe a poção e seu lado demoníaco é revelado. Entre maldades, termina assassinando a ingênua prostituta interpretada por Ingrid.
 
11
As ESTRANHAS COISAS de PARIS
(Elena et les Hommes, 1957)

direção de Jean Renoir
elenco: Jean Marais, Mel Ferrer e Juliette Gréco

 
O primeiro filme de Ingrid depois de deixar Rossellini. Embora não tenha sido um sucesso, desde então passou a ser considerado uma das suas melhores atuações. Nesta comédia romântica sofisticada, uma jovem condessa empobrecida fica viúva de um príncipe polaco e decide viver em Paris, onde acredita que será bem-sucedida no amor.
 
12
ASSASSINATO no EXPRESSO do ORIENTE
(Murder on the Orient Express, 1974)

direção de Sidney Lumet
elenco: Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Jacqueline Bisset, Sean Connery, John Gielgud, Wendy Hiller, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave, Rachel Roberts, Richard Widmark e Michael York

 
Suspense policial baseado no best-seller de Agatha Christie. O longa acompanha o sagaz detetive Hercule Poirot (Albert Finney) enquanto ele investiga o assassinato de um passageiro, golpeado por múltiplas facadas, em um luxuoso trem preso na neve.
 
Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante
BAFTA de Melhor Atriz Coajuvante

 

TRÊS VEZES INGRID BERGMAN
“Fiz tantos filmes que foram mais importantes, mas o único sobre o qual 
as pessoas querem falar é aquele com Humphrey Bogart.”
 
“Charles Boyer foi o ator mais inteligente com quem já trabalhei,
e o mais legal. Muito culto, bem-educado.”
 
“Eu nunca fui considerada uma grande beldade.
Essa era Hedy Lamarr.”
 

FONTES 
Ingrid Bergman, a Personal Biography
(2006)
de Charlotte Chandler
 
Ingrid Bergman - História de Uma Vida
(1981)
de Alan Burgess
 
Minha História
(1980)
de Ingrid Bergman
 
Notorious: The Life of Ingrid Bergman
(1997)
de Donald Spoto
 
The Complete Films of Ingrid Bergman
(1989)
de Lawrence J. Quirk  

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