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fevereiro 04, 2018

*********** O SORRISO de BURT LANCASTER



 
Altura: 1,88m
Olhos: azuis

Trabalhando com dedicação para evitar ser estereotipado como o típico herói de filmes de ação, terminou por ser reconhecido como intérprete dramático, firmando sólida e excelente reputação na indústria cinematográfica. De família humilde, descendente de protestantes irlandeses, na juventude BURT LANCASTER (1913 - 1994. Manhattan, Nova Iorque / EUA) foi um craque no basquete. Musculoso e com 1,88m de altura, fugiu com o amigo Nick Cravat para se apresentar durante dez anos como acrobata em feiras, circos e shows de variedades. Convocado para o Exército, animou espetáculos para as tropas, cantando e dançando. Findada a Segunda Guerra Mundial, conseguiu papel na peça “A Sound of Hunting” e também um agente, Harold Hecht, que o apresentou ao produtor Hal B. Wallis. A sua estreia no cult noir “Os Assassinos” (1946), ao lado de Ava Gardner, como um pugilista sueco acossado por pistoleiros de aluguel, foi um sucesso imediato. No mesmo ano, após um breve romance com Marlene Dietrich, casou-se com uma garota que havia conhecido durante a guerra, Norma Anderson. Ela estava grávida e se recusou a fazer aborto.  Nos anos seguintes, rodou filmes sombrios, muitas vezes contra o sistema, aproveitando também para estudar o processo de filmagem.

Recatado, evitava festas de Hollywood, mas isso não o impediu de se relacionar durante um ano com Shelley Winters. Em 1947, recusou o papel de Stanley Kowalski na produção original da Broadway de “Um Bonde Chamado Desejo”, que fez de Marlon Brando uma lenda. Ao longo da carreira, BURT LANCASTER recusou filmes como “Sansão e Dalila / Samson and Delilah” (1949), “O Manto Sagrado / The Robe” (1953) e “Ben-Hur / Idem” (1959); e “Patton - Rebelde ou Herói? / Patton” (1970), devido à visão anti-guerra do Vietnã.

Produtor e estrela de “O Pirata Sangrento / The Crimson Pirate” (1952), enorme êxito de público, reforçando a independência do ator dos estúdios, tratou diretor e elenco com tirania, fazendo com que Robert Siodmak – que o havia lançado no cinema – se recusasse a trabalhar com ele novamente. Foi um período complicado: o filho com poliomielite diagnosticado esquizofrênico, o fim do romance com Winters, seu sócio Harold Hecht acusado de comunista, o alcoolismo da esposa. Em compensação, com “A Um Passo da Eternidade” (1953) concorreu pela primeira vez ao Oscar de Melhor Ator, se tornando uma das estrelas de Hollywood. No entanto, as filmagens foram difíceis, pois se sentiu intimidado com o talento iluminado de Montgomery Clift.

Por esta altura, fundou sua própria companhia de produção, a Hecht-Lancaster, fazendo parceria com a United Artists em dois filmes, “O Último Bravo” (1954) e “Vera Cruz / Idem” (1954), ambos dirigidos por Robert Aldrich e sucessos financeiros. “Apache” custou US $ 1 milhão e fez US $ 6 milhões, enquanto “Vera Cruz custou US $ 1,5 milhões e arrecadou US $ 9 milhões. Um terceiro sócio, James Hill, entrou no negócio, mas a produtora falhou com o fracasso de bilheteria de vários filmes, do sensacional “A Embriaguez do Sucesso” (1957) a “O Discípulo do Diabo / The Devil’s Disciple” (1959).

burt e elizabeth taylor
no oscar 1961
O ator jogou todas as cartas em “O Passado não Perdoa / The Unforgiven” (1960), uma produção assolada por conflitos, principalmente porque não conseguiu controlar o diretor John Huston. O filme gorou e a empresa faliu. Para pagar as dívidas, BURT LANCASTER fez quatro filmes para a United Artists com um salário de 150.000 dólares, em vez de seu habitual $ 750.000. Por sorte, “Entre Deus e o Pecado” (1960) o colocou de volta ao topo, rendendo-lhe um Oscar. Arrogante, exigente e mau-humorado, era odiado pelos colegas, mas respeitado por sua reputação de talentoso e bem sucedido.

Conhecido pelo caráter franco e personalidade um tanto espinhosa, guardava a vida privada a sete chaves, embora não tenha conseguido evitar rumores sobre sua bissexualidade. Atuou com Kirk Douglas em sete filmes, mas eles não eram amigos como fizeram crer publicamente. Competiam entre si e, por vezes, em particular, expressavam um desprezo mútuo. O ator brilhou em filmes de aventuras nos quais podia exibir sua excelente forma física, dirigiu dois filmes e produziu “Marty / Idem”, Oscar de Melhor Filme em 1955. Ele afirmou que aprendeu muito do seu ofício vendo Gary Cooper atuar ao seu lado no faroeste clássico “Vera Cruz” e considerava Shirley Booth a melhor atriz com quem trabalhou.

Em 1962, venceu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Veneza por “O Homem de Alcatraz”. No auge da carreira, trabalhou com Luchino Visconti, fazendo um dos seus papéis mais importantes, o príncipe Fabrizio Salina em “O Leopardo” (1963), a partir do romance de Lampedusa. Sem medo de se arriscar em papéis controversos, fez um general que planeja um golpe contra o presidente dos EUA em “Sete Dias em Maio / Seven Days in May” (1964). Ao passar um ano filmando “O Trem / The Train” (1964), brigou com o diretor Arthur Penn, substituindo-o por John Frankenheimer. O filme não rendeu grandes lucros e a partir daí deixou de ser uma estrela intocável.


Um caso extraconjugal levou-o ao divórcio em 1969, com a esposa ganhando a guarda das três filhas adolescentes. Por volta de 1970, sua carreira começou a declinar. BURT LANCASTER se esforçou para conseguir o papel de Don Corleone em “O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972), e não deu certo. Ficou rico mais uma vez com “Aeroporto / Airport” (1970), um enorme sucesso onde ele tinha uma participação de 10% nos lucros. O filme-catástrofe faturou US$ 50 milhões. Mas o ator não deixou de declarar ser o pior pedaço de lixo de todos os tempos”. Intelectual, fã de música clássica, participou de marcha pela paz organizada por Martin Luther King e organizou um projeto para ajudar crianças negras. Em 1985, ele leu a carta de Rock Hudson que anunciava que estava com AIDS, e foi uma das poucas estrelas a lutar pela fundação criada por Elizabeth Taylor para arrecadar fundos para as pesquisas sobre a doença.

norma anderson, esposa de burt
Apesar do temperamento difícil, nunca deixou de ser generoso, ajudando amigos em dificuldades, como o ator Nick Cravat. Nos anos 80, sofreu um ataque cardíaco, deixando de rodar “O Beijo da Mulher Aranha” (1985), sendo substituído por William Hurt, que levou o Oscar como um gay espalhafatoso que divide uma cela com um prisioneiro político. A doença levou-o a recusar papéis em “Mistério do Parque Gorky / Gorky Parky” (1983) e “Os Amantes de Maria / Maria’s Lovers” (1984). Em 1990 sofreu um acidente vascular cerebral enquanto visitava o ator Dana Andrews - que sofria de Alzheimer -, permanecendo numa cadeira de rodas e incapaz de falar até sua morte em 1994. Com olhos azuis, voz expressiva e visual imponente, talvez a principal marca de BURT LANCASTER seja o sorriso, simpático e sedutor, que definitivamente o consagrou. Sem dúvida, ele é um dos monstros sagrados do cinema.

Fonte
“Burt Lancaster: An American Life” (2001)
de Kate Buford


  DEZ FILMES de BURT
(por ordem de preferência)

01
Os ASSASSINOS
(The Killers, 1946)

direção de Robert Siodmak
  elenco: Ava Gardner, Edmond O`Brien e Albert Dekker

02
BRUTALIDADE
(Brute Force, 1947)

direção de Jules Dassin
elenco: Yvonne De Carlo, Hume Cronyn, Charles Bickford,
Ann Blyth e Ella Raines

03
O LEOPARDO
(Il Gattopardo, 1963)

direção de Luchino Visconti
elenco: Alain Delon e Claudia Cardinale

04
A um PASSO da ETERNIDADE
(From Here to Eternity, 1953)

direção de Fred Zinnemann
elenco: Deborah Kerr, Montgomery Clift, Frank Sinatra,
Donna Reed e Ernest Borgnine

Melhor Ator do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

05
A EMBRIAGUÊS do SUCESSO
(Sweet Smell of Success, 1957)

direção de Alexander Mackendrick
elenco: Tony Curtis e Barbara Nichols

06
VIOLÊNCIA e PAIXÃO
(Gruppo di Famiglia in Un interno, 1974)

direção de Luchino Visconti
elenco: Helmut Berger e Silvana Mangano

David di Donatello de Melhor Ator Estrangeiro

07
O HOMEM de ALCATRAZ
(Birdman of Alcatraz, 1962)

direção de John Frankenheimer
elenco: Karl Malden e Thelma Ritter

BAFTA de Melhor Ator Estrangeiro
Taça Volpi de Melhor Ator no Festival de Veneza

08
ENTRE DEUS e o PECADO
(Elmer Gantry, 1960)

direção de Richard Brooks
elenco: Jean Simmons, Arthur Kennedy e Shirley Jones

Oscar de Melhor Ator
Globo de Ouro de Melhor Ator/Drama
Melhor Ator do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York

09
O ÚLTIMO BRAVO
(Apache, 1954)

direção de Robert Aldrich
elenco: Jean Peters e Charles Bronson

10
JULGAMENTO em NUREMBERG
(Judgment at Nuremberg, 1961)

direção de Stanley Kramer
elenco: Spencer Tracy, Marlene Dietrich, Maximilian Schell,
Richard Widmark, Judy Garland e Montgomery Clift

GALERIA de FOTOS

 
 
 
 

abril 25, 2015

******** CARMEN MIRANDA: VIVENDO de ALEGRIA




 
Quando CARMEN MIRANDA (1909 - 1955. Marco de Canaveses / Portugal) embarcou no Rio de Janeiro e chegou a Nova Iorque, era uma ilustre desconhecida do público norte-americano, nem falava inglês. Bastou-lhe, porém, pouco tempo para conquistar a Broadway e uma extraordinária popularidade. Logo veio o convite de Hollywood. Era o seu triunfo na América do Norte e em todo o mundo, que permanece até hoje, pois seus trajes, graça, personalidade e voz são marcas registradas. Dona de estilo singular no canto e na performance, teve uma vida de mito, cheia de glórias e dramas. Nascida em Portugal, veio para o Brasil ainda bebê, fixando-se com a família no Rio de Janeiro.  
 
Aos 20 anos, depois de apresentar-se em bares cariocas interpretando tangos de Carlos Gardel, foi levada pelo violonista e compositor baiano Josué de Barros, seu descobridor e protetor, para gravar o disco de estreia, com músicas como “Não vá Sim'bora” e “Se o Samba é Moda”, apresentado-se também no rádio. Gravou alguns outros discos antes de estourar com seu primeiro grande sucesso, a marchinha “Pra você Gostar de mim (Taí)”, que bateu recordes de venda, cerca de 36 mil cópias. Daí em diante, seus êxitos nunca cessaram. Ela lançou muitos compositores, sempre acompanhada pelos maiores músicos brasileiros - como Pixinguinha, Canhoto, Luiz Americano, etc. Gravou na R.C.A. Victor, entre 1929 e 1935, 77 discos com 150 músicas. Em 1935, atraída por um vantajoso contrato na Odeon, gravou 281 músicas.
 
Os sete filmes estrelados no Brasil por CARMEN MIRANDA são uma marca na sua carreira, embora a maioria tenha se perdido. O primeiro, “O Carnaval Cantado”, de 1932, dirigido por Adhemar Gonzaga, que também dirigiu “A Voz do Carnaval”, no ano seguinte, onde canta as marchas “Good-Bye Boy” e “Moleque Indigesto”. Em 1934, canta em “Alô, Alô, Brasil”. Com o sucesso, é convidada em 1935 para “Estudantes”, como protagonista. Em 1936, fez “Alô, Alô Carnaval” com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam “Cantoras do Rádio”

Quase todos os musicais tiveram como tema o Brasil e o carnaval, mas foi “Banana da Terra”, de 1939, que revelou o estilo que a consagrou. Ela aparece interpretando “O que é que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi, usando as famosas roupas de baiana estilizada, turbantes, altíssimas sandálias de plataforma e inúmeros colares e pulseiras. Ao todo ela fez sete filmes no Brasil, . A partir de 1935, seu slogan definitivo era “A Pequena Notável”. Em 1936, em dupla com a irmã Aurora, passou a integrar o elenco do lendário Cassino da Urca. Na época, era a artista mais famosa e amada do Brasil, recordista absoluta de vendagem de discos e também a “Embaixatriz do Samba”, já que fez oito excursões à Argentina para cantar em Buenos Aires e, de passagem, em Montevidéu. Um verdadeiro símbolo da alma brasileira. Sua capacidade de expressão fazia os ouvintes sentirem sua presença ao vivo. No palco, a mulher de pouca estatura e delicada de corpo eletrizava com voz, gestos sugestivos, ingénua malícia e olhos verdes que chispavam.
 
carmen e o bando da lua
Depois de uma apresentação especial para o astro Tyrone Power, em 1938, surgiu a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos, mas ela recebia um fabuloso salário no Cassino da Urca e não se interessou pela ideia. No ano seguinte, aceitou o contrato de um magnata do show business, Lee Shubert, para “The Streets of Paris”, com os comediantes Abbott & Costello. Este episódio transformou sua vida. A maior estrela do Brasil deixou uma legião de fãs chorando na sua despedida. Na Broadway, cativou de imediato crítica e público. 

Em 1940, estreou no cinema hollywoodiano na comédia musical “Serenata Tropical”, com Don Ameche e Betty Grable, da 20th Century-Fox, em que apenas canta. O filme bateu recordes de bilheteria. No mesmo ano, eleita a terceira personalidade mais popular nos Estados Unidos, CARMEN MIRANDA foi convidada para se apresentar junto com seu grupo, o Bando da Lua, para o presidente Franklin Roosevelt, na Casa Branca. Tornou-se um fenômeno, chegando a ser a estrela mais bem paga de Hollywood. Representou vivamente a terra desconhecida e exótica, cheia de coqueiros, bananas e abacaxis, atendendo às necessidades fantasiosas do público norte-americano e alcançando a glória e a fortuna. De 1940 a 1953, participou de quatorze filmes na meca do cinema, além de apresentar-se em programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros, ficando conhecida como a “Brazilian Bombshell” (Explosão Brasileira).
 
david sebastian e carmen
De volta ao Brasil, depois de um ano ausente, foi recebida sob vaias em um show no Cassino da Urca, que abriu cantando “South American Way”. Em resposta bem-humorada ao público, lançou logo em seguida novo show, “Disseram que Voltei Americanizada”. Nos EUA, radicou-se em Beverly Hills, continuando sua carreira de cantora e atriz de cinema. Fabricada pelos filmes leves e coloridos da 20th Century Fox, sua imagem acabou criando um inconveniente: ela percebeu que estava aprisionada ao caricato para sempre. 

O talento como cantora se ofuscava no caráter carnavalesco de suas apresentações. Como contratada de um poderoso estúdio, ela era obrigada a forçar um sotaque latino burlesco, mesmo falando inglês perfeitamente. Destemida, CARMEN MIRANDA comprou seu contrato com a Fox por 75 mil dólares, em 1946. Estava disposta a romper com o estereótipo e assumir papéis diferentes no cinema. Mas não deu certo. Entre os atores com quem contracenou, estão Wallace Beery, Alice Faye, Betty Grable, Jane Powell, Elizabeth Taylor, Don Ameche, Maria Montez, Dean Martin, John Payne, Kay Francis, Groucho Marx, Lizabeth Scott e Cesar Romero.

Casou-se com David Sebastian em 1947. O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos como o começo da decadência. Seu marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se seu empresário, conduzindo mal seus negócios e contratos. Alcoólatra, estimulou a esposa a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente. O casamento entrou em crise nos primeiros meses, por conta de ciúmes excessivos, brigas violentas e traições de Sebastian, mas a estrela não aceitava a separação pois era católica convicta. Engravidou em 1948, mas sofreu um aborto espontâneo depois de uma apresentação e não conseguiu mais engravidar, o que agravou as crises depressivas e o abuso com bebidas e drogas. Antes de partir para os Estados Unidos, namorou o músico Aloysio de Oliveira, do Bando da Lua. Nos EUA, teve caso com Arturo de Córdova, Dana Andrews e John Wayne.


No fim dos anos 1940, excursionou pela Europa, fazendo longa temporada no teatro London Palladium, em Londres, batendo recordes de público, e recebeu as chaves da cidade de Estocolmo, na Suécia. Na época, o alcoolismo começou a representar um grave problema, além da dependência de estimulantes e calmantes. Alguns biógrafos garantem que usava cocaína. Por conta do uso cada vez mais frequente de drogas, ela desenvolveu uma série de sintomas característicos de usuários, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa. Em 1954, as pressões da indústria do entretenimento lhe causaram uma crise de nervos, e ela retornou ao Brasil, após uma ausência de 14 anos, para se tratar e descansar. Seu médico constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses numa suíte do Copacabana Palace. Melhorou, embora não tenha se livrado das drogas. Imediatamente começou com as apresentações. Fez turnê por Cuba e Las Vegas, voltando aos barbitúricos, além de fumar e beber mais do que antes.

ÚLTIMA PERFORMANCE
No início de agosto de 1955, CARMEN MIRANDA gravou uma participação especial no famoso programa televisivo do comediante Jimmy Durante. Durante um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e caiu. Recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência em Beverly Hills, na Bedford Drive, 616. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções, subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, vestiu um robe, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama com um pequeno espelho à mão. Um colapso cardíaco fulminante a derrubou morta sobre o chão, sendo encontrado pela mãe no dia seguinte. Tinha 46 anos. Seu corpo foi embalsamado e veio de avião para o Brasil, onde uma multidão de meio milhão de pessoas seguiu o cortejo do enterro, chorando e cantando esporadicamente, em surdina, “Taí”, um de seus maiores sucessos. Foi uma das maiores manifestações populares feitas no Rio de Janeiro.
 
CARMEN MIRANDA é um hit nos EUA. Ela apareceu em desenhos animados de Tom & Jerry e Popeye, entre outros. Foi imitada por Lucille Ball, Bob Hope, Jerry Lewis, Mickey Rooney e Dean Martin. A sua imagem é muito forte, cômica, luminosa. Ela foi sem dúvida a artista latina mais bem sucedida em Hollywood. Lembrada em livros, jornais, shows, discos e documentários (como o aclamado “Carmen Miranda: Banana is My Business”, 1995, de Helena Solberg). Marcou com seu jeito de cantar, revirando os olhos e mexendo as mãos, com seu sorriso contagiante e a exuberância de trajes cheios de balangandãs. Até hoje é o símbolo brasileiro mais conhecido no mundo. 

Mais do que uma voz ou uma atriz, um fenômeno do show business. Foi a primeira estrela latino-americana a imprimir suas mãos e pés no pátio do Chinese Theatre, em 1941. Também se tornou a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama. Uma praça no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive, em frente ao Teatro Chinês, em Hollywood, foi oficialmente nomeada Carmen Miranda Square, em 1998. Seu acervo está preservado no Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro. Em 2005, Ruy Castro lançou pela Companhia das Letras uma biografia de 600 páginas sobre a cantora, considerada a mais completa obra sobre sua vida. Até hoje, nenhum artista brasileiro teve tanta projeção internacional como ela.

FILMOGRAFIA

O CARNAVAL CANTADO
(1932)
direção de Adhemar Gonzaga

A VOZ do CARNAVAL
(1933)
direção de Adhemar Gonzaga

ALÔ, ALÔ, BRASIL
(1935)
direção de João de Barro, Wallace Downey e Alberto Ribeiro

ESTUDANTES
(1935)
direção de Wallace Downey

ALÔ, ALÔ, CARNAVAL
(1936)
direção de Adhemar Gonzaga

BANANA-da-TERRA
(1939)
direção de Ruy Costa

LARANJA da CHINA
(1940)
direção de Ruy Costa

SERENATA TROPICAL
(Down Argentine Way, 1940)
direção de Irving Cummings

UMA NOITE no RIO
(That Night in Rio, 1941)
direção de Irving Cummings

ACONTECEU em HAVANA
(Week-End in Havana, 1941)
direção de Walter Lang


MINHA SECRETÁRIA BRASILEIRA
(Springtime in the Rockies, 1942)
direção de Irving Cummings

ENTRE a LOURA e a MORENA
(The Gang's All Here, 1943)
direção de Busby Berkeley

QUATRO MOÇAS NUM JIPE
(Four Jills in a Jeep, 1944)
direção de William A. Seiter

SERENATA BOÊMIA
(Greenwich Village, 1944)
direção de Walter Lang

ALEGRIA, RAPAZES
(Something for the Boys, 1944)
direção de Lewis Seiler

SONHOS de ESTRELA
(Doll Face, 1945)
direção de Lewis Seiler

SE EU FOSSE FELIZ
(If I'm Lucky, 1946)
direção de Lewis Seiler

COPACABANA
(Idem, 1947)
direção de Alfred E. Green

O PRÍNCIPE ENCANTADO
(A Date with Judy, 1948)
direção de Richard Thorpe

ROMANCE CARIOCA
(Nancy Goes to Rio, 1950)
direção de Robert Z. Leonard

MORRENDO de MEDO
(Scared Stiff, 1953)
direção de George Marshall


FRASES de CARMEN

ALEGRIA

“Gosto muito dos aplausos de uma plateia, seja esta qual for. Gosto de toda a gente e adoro as reuniões festivas. Vivo de alegria”

AMOR

“Ser humano é amar. Qualquer tipo de amor”

BOSSA

“Uma palavra que diz tudo. Eu sei que não tenho grande voz, que não sou afinada como a Judy Garland, mas tenho bossa, tenho ritmo - uma coisa inexplicável”

BUNDA

“Uma bunda pode ser atraente, tanto no homem, quanto na mulher. É linda, como um rosto de criança. Detesto homens sem bunda, desses com a calça solta no corpo”

CONSAGRAÇÃO

“Vou empregar todos os meus esforços para que a música popular do Brasil conquiste a América do Norte, o que seria um caminho para a sua consagração em todo o mundo”

ESCOLA DE SAMBA

“Não existe som mais espetacular do que o de uma bateria de escola de samba na época do carnaval. Sempre mexeu comigo e faz o sangue correr mais rápido e mais quente nas minhas veias. A bateria de grupos de jazz não me toca a mínima”

ESTILO

“Nunca segui o que dizem que está na moda. Acho que a mulher deve usar o que lhe cai bem. Por isso criei um estilo apropriado ao meu tipo e ao meu gênero artístico”

FALANDO DEMAIS

“Falo demais. Mas procuro não dizer bobagens de que possa me arrepender amanhã”

PARAÍSO

“Toda vez que me apaixono, acho que o paraíso é estar ao lado do homem amado. Depois que passa, acho que foi um inferno”

PREDESTINADA

“Acho que nascemos com uma alma predestinada a ajudar o nosso corpo na luta pela vida. Sinto isso com relação à minha carreira”

PREVISÕES

“Sou vidrada em horóscopos, cartomantes e tudo que possa prever o futuro”

RIR

“Saber rir é uma arte e uma delícia. Faz bem à alma e ao corpo”

SENSO DE HUMOR

“Uma coisa importantíssima na vida é o senso de humor”

SILÊNCIO

“Eu nunca soube manter silêncio, a não ser nos momentos tristes. Estou sempre falando”

SOM DIVINO

“Momento de felicidade é quando entro num palco e sou aplaudida de pé por pessoas que nem conheço... O som divino das palmas”

VAIDOSA

“Já nasci vaidosa. Do que muito me orgulho”

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