Mostrando postagens com marcador John Cromwell. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Cromwell. Mostrar todas as postagens

janeiro 27, 2026

********** MELODRAMA – o CINEMA de LÁGRIMAS

rock hudson e jane wyman em tudo o que o céu permite
 

Eu nunca vou te deixar ir.
Nunca, nunca, nunca.

ELLEN BERENT HARLAND (Gene Tierney)
em “Amar Foi a Minha Ruína”


Por muito tempo menosprezado como um gênero vulgar, destinado ao público feminino que frequentava os cinemas à tarde, enquanto os maridos trabalhavam, para fugir da realidade, sonhar (e chorar) um pouco, o MELODRAMA acabou se generalizando como símbolo de certo tipo de filme que procura efeitos de forte apelo emocional, envolvendo o público em uma teia de sentimentos excessivos e centrando-se numa vítima do destino. Histórias dramáticas, infelizes, marcadas por reviravoltas por vezes inverossímeis, sempre sob o compasso de trilhas sonoras feitas para tocar o coração, esses longas não eram levados a sério – salvo por suas fiéis espectadoras. Ambientados quase sempre em questões familiares e sociais no contexto de um lar privado, na luta de um personagem e suas escolhas. Por exemplo, um homem casado tentado a abandonar esposa dedicada e filhos por uma interesseira bela e sedutora. Figuras típicas incluem também a prostituta, a mãe solteira, o alcoólatra, a filha ingrata ou a solteirona, sempre com desafios externos.

Meu interesse pelo tema começou ao ver clássicos de Hollywood na tevê, aprofundando-me quando conheci, no Rio de Janeiro, o escritor argentino Manuel Puig, o autor de
“O Beijo da Mulher Aranha”. Ele era um aficionado do MELODRAMA e trabalhava elementos do gênero em sua literatura. Juntos, vimos e discutimos muitos filmes, entre eles “Carta de Uma Desconhecida / Letter from an Unknown Woman” (1948), de Max Ophuls. O termo foi usado pela primeira vez em 1782 e veio da palavra francesa mélodrame, que por sua vez foi derivada do grego μέλος (canção ou música) e do francês drame (drama). Nos estudos e na crítica cinematográfica, pode ser usado para se referir a diversos estilos de filmes, desde que se caracterizem pela sua ênfase em emoções e situações intensas. Muitos tratam do abandono, da figura materna, do amor impossível, da doença terminal, da chantagem ou da obsessão amorosa. Certos MELODRAMAS, conhecidos como “filmes para chorar”, são adaptações de romances românticos ou históricos.
Além das questões extremas, há moralismo, maniqueísmo e reviravoltas que comovem o público. Alguns cineastas se tornaram especialistas nesse tipo de drama, dando oportunidade a excelentes atuações de atrizes como Irene Dunne, Bette Davis, Barbara Stanwyck, Joan Crawford, Susan Hayward, Ida Lupino, Eleanor Parker, Lana Turner ou Jane Wyman, entre outras. Competentes, talentosos, injustamente esquecidos e ignorados pelos críticos, muitas de suas fitas são magistrais. Como esquecer, por exemplo, o fabuloso MELODRAMA “Amar Foi a Minha Ruína”, de John M. Stahl, que deu a estrela Gene Tierney o seu melhor papel? Além das vastas emoções esparramadas pelas tramas arrebatadas, feitas sob encomenda para emocionar, havia sutilmente contundentes comentários sobre a condição da mulher, o patriarcalismo, a distinção entre classes e o racismo, entre outras mazelas varridas para baixo dos tapetes das confortáveis residências da classe média privilegiada do pré e do pós-II Guerra Mundial.

Nos anos 1960 e 1970, cinéfilos e pesquisadores de cinema, na esteira do movimento crítico iniciado pela revista francesa
“Cahiers du Cinéma”, começaram a olhar para esses filmes como retratos críticos da sociedade de seu tempo. A partir daí, alguns dos antigos diretores passaram a influenciar diversos cineastas modernos. Na década de 1970, o alemão Rainer Werner Fassbinder, encantado com Douglas Sirk, contribuiu para o gênero. Pedro Almodóvar e Todd Haynes também se inspiraram no melodramático. Pois é, assunto tratado, vamos aos meus diretores de MELODRAMA favoritos.
DEZ MESTRES do MELODRAMA

01
CLARENCE BROWN
(1890 – 1987. Clinton, Massachusetts / EUA)

Conhecido por MELODRAMAS refinados na Metro-Goldwyn-Mayer, onde se tornou um dos principais cineastas, dirigindo mais de 50 filmes, frequentemente dirigiu Greta Garbo (sete vezes) e Joan Crawford (seis vezes), acumulando 6 indicações ao Oscar de Melhor Diretor. Ganhou o prêmio BAFTA por “O Mundo não Perdoa / Intruder in the Dust” (1949), uma denúncia contra o racismo. Conhecido por seu estilo visual elegante e habilidade em extrair grandes atuações de suas estrelas, consolidou-se como um dos diretores mais prestigiados nas décadas de 1930 e 1940. Seu último filme, de 1952, “O Veleiro da Aventura / Plymouth Adventure”, tem no elenco Spencer Tracy e Gene Tierney.

Cinco Melodramas:
ANNA CHRISTIE
(Idem, 1930)
Elenco: Greta Garbo, Charles Bickford e Marie Dressler

Uma ALMA LIVRE
(A Free Soul, 1931)
Elenco: Norma Shearer, Leslie Howard, Lionel Barrymore,
Clark Gable e James Gleason

REDIMIDA
(Letty Lynton, 1932)

Elenco: Joan Crawford, Robert Montgomery, Nils Asther
e Lewis Stone

ACORRENTADA
(Chained, 1934)
Elenco: Joan Crawford, Clark Gable, Otto Kruger,
Una O'Connor, Akim Tamiroff e Ward Bond

ANNA KARENINA
(Idem, 1935)
Elenco: Greta Garbo, Fredric March, Freddie Bartholomew,
Maureen O'Sullivan, May Robson e Basil Rathbone


02
CURTIS BERNHARDT
(1899 – 1981. Worms, Grand Duchy of Hesse / Alemanha)

Sua carreira atravessou décadas e continentes, fugindo da perseguição nazista para se tornar um diretor de destaque na Warner Bros. e Metro-Goldwyn-Mayer. Iniciou a trajetória artística como ator de teatro, antes de se tornar diretor de cinema em 1926. Rodou doze filmes na Alemanha, mas foi forçado a escapar para a França em 1933, onde produziu e dirigiu filmes, após ser preso pela Gestapo devido à sua herança judaica. Chegou a Hollywood em 1940 e rapidamente assinou contratos com poderosos estúdios. Destacou-se conduzindo magníficas atrizes em filmes dramáticos e trazendo um toque do expressionismo alemão e do realismo europeu para as produções dos EUA.

Cinco Melodramas:
Uma VIDA ROUBADA
(A Stolen Life, 1946)
Elenco: Bette Davis, Glenn Ford, Dane Clark,
Walter Brennan, Charles Ruggles e Bruce Bennett

FOGUEIRA de PAIXÃO
(Possessed, 1947)
Elenco:  Joan Crawford, Van Heflin, Raymond Massey
e Geraldine Brooks

AINDA HÁ SOL em MINHA VIDA
(The Blue Veil, 1951)

Elenco: Jane Wyman, Charles Laughton, Joan Blondell,
Richard Carlson, Agnes Moorehead, Audrey Totter,
Everett Sloane e Natalie Wood

DEPOIS da TORMENTA
(Payment on Demand, 1951)
Elenco: Bette Davis, Barry Sullivan, Frances Dee
e Otto Kruger

MELODIA INTERROMPIDA
(Interrupted Melody, 1955)
Elenco: Glenn Ford, Eleanor Parker, Roger Moore
e Cecil Kellaway

03
DOUGLAS SIRK
(1897 – 1987. Hamburgo / Alemanha)

Era um historiador da arte antes de iniciar como diretor no teatro alemão dos anos 1920 e, mais tarde, essa formação teve impacto em seus trabalhos como cineasta. Devido à perseguição nazista a sua esposa judia, emigrou em 1937 para os Estados Unidos, trabalhando inicialmente em comédias e faroestes de baixo orçamento. Obteve sucesso na Universal nos anos 50. Depois do êxito de
“Imitação da Vida”, aposentou-se e voltou a morar na Europa. Um dos mestres do MELODRAMAS, deu dignidade ao gênero e influenciou outros diretores. Seus dramas são marcados por um visual luxuoso, mise-en-scène complexa e crítica à hipocrisia da classe média alta norte-americana.

Cinco Melodramas:
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Otto Kruger e Barbara Rush

TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Conrad Nagel e Virginia Grey

CHAMAS que NÃO se APAGAM
(There's Always Tomorrow, 1956)
Elenco: Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Joan Bennett
e Jane Darwell

PALAVRAS ao VENTO
(Written on the Wind, 1956)

Elenco: Rock Hudson, Lauren Bacall, Dorothy Malone,
Robert Stack e Robert Keith

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1959)
Elenco: Lana Turner, John Gavin, Sandra Dee,
Susan Kohner, Dan O'Herlihy, Juanita Moore
e Troy Donahue


04
EDMUND GOULDING
(1891 – 1959. Feltham, Middlesex, Inglaterra / Reino Unido)

Tornou-se diretor em 1925, trabalhando na M-G-M, Warner e Fox, onde deu a Tyrone Power seus melhores papéis. Sabia aproveitar ao máximo os astros e estrelas. Não somente dirigiu alguns dos melhores dramas dos anos 30-40, mas assumiu múltiplas funções na realização de cada um deles, escrevendo roteiros e produzindo. Porém não deixou a marca de um estilo pessoal, adaptando-se sempre a cada estúdio no qual trabalhava. Na vida particular, suas orgias notórias, bissexualidade, alcoolismo e dependência de drogas foram muito faladas nos bastidores de Hollywood. Entretanto, ele fazia uma distinção entre seu comportamento privado e o que deveria mostrar ao público.

Cinco Melodramas:
VITÓRIA AMARGA
(Dark Victory, 1939)

Elenco: Bette Davis, George Brent, Humphrey Bogart,
Geraldine Fitzgerald, Ronald Reagan e Henry Travers

O ÚLTIMO ENCONTRO
('Til We Meet Again, 1940)
Elenco: Merle Oberon, George Brent, Pat O'Brien,
Geraldine Fitzgerald e Binnie Barnes

A GRANDE MENTIRA
(The Great Lie, 1941)
Elenco: Bette Davis, George Brent, Mary Astor,
Lucile Watson e Hattie McDaniel

De AMOR TAMBÉM se MORRE
(The Constant Nymph, 1943)
Elenco:  Charles Boyer, Joan Fontaine, Brenda Marshall,
Alexis Smith, Charles Corburn, Dame May Whitty,
Peter Lorre, Eduardo Ciannelli e Marcel Dalio

ESCRAVO de uma PAIXÃO
(Of Human Bondage, 1946)
Elenco: Paul Henreid, Eleanor Parker, Alexis Smith,
Edmund Gwenn, Patrick Knowles e Una O'Connor


05
FRANK BORZAGE
(1894 – 1962. Salt Lake City, Utah / EUA)

Pioneiro do cinema mudo, venceu o primeiro Oscar de Melhor Diretor por “Sétimo Céu” (1927), destacando-se por dramas românticos. Iniciou atuando em trupes teatrais itinerantes na adolescência, passando para o cinema em 1912 como ator (atuou em mais de 100 curtas-metragens) e a dirigir em 1915. Na Fox Film Corporation, a partir de 1925, estabeleceu um estilo lírico que consolidou sua carreira. Adaptou-se bem ao cinema sonoro, mantendo o foco em romances profundos e MELODRAMAS. Seus filmes retratam muitas vezes a força do amor contra a adversidade, a pobreza e a guerra, vez ou outra com um toque espiritual. Continuou a dirigir até o final dos anos 50.

Cinco Melodramas:
O SÉTIMO CÉU
(7th Heaven, 1927)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

O ANJO das RUAS
(Street Angel, 1928)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

ADEUS às ARMAS
(A Farewell to Arms, 1932)
Elenco: Gary Cooper, Helen Hayes e Adolphe Menjou

O PARAÍSO de um HOMEM
(Man´s Castle, 1933)

Elenco: Spencer Tracy, Loretta Young, Marjorie Rambeau,
Walter Connolly e Glenda Farrell

LABIRINTOS do DESTINO
(Big City, 1937)
Elenco: Spencer Tracy, Luise Rainer e Charley Grapewin


06
HENRY KING
(1886 – 1982. Christiansburg, Virgínia / EUA)

Um dos fundadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, dirigiu mais de 100 filmes. Começou no teatro e no vaudeville antes de entrar para o cinema em 1912 como ator e, logo depois, diretor de curtas. Tornou-se um dos principais diretores da 20th Century-Fox nas décadas de 1920, 30 e 40. Venceu o primeiro Globo de Ouro de Melhor Diretor por “A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette” (1943) e recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Direção. Continuou ativo até o início dos anos 60. É lembrado como um dos pilares da indústria cinematográfica hollywoodiana, com uma filmografia exemplar que atravessa cinco décadas com filmes procurados ainda hoje.

Cinco Melodramas:
IRMÃ BRANCA
(The White Sister, 1923)

Elenco: Lillian Gish e Ronald Colman

O SÉTIMO CÉU
(Seventh Heaven, 1937)
Elenco: Simone Simon, James Stewart, Jean Hersholt,
Gregory Ratoff e Gale Sondergaard

SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)
Elenco: William Holden e Jennifer Jones

O ÍDOLO de CRISTAL
(Beloved Infidel, 1959)
Elenco: Gregory Peck, Deborah Kerr e Eddie Albert

SUAVE é a NOITE
(Tender Is the Night, 1962)
Elenco: Jennifer Jones, Jason Robards, Joan Fontaine,
Tom Ewedll, Jill St. John e Paul Lukas


07
JEAN NEGULESCO
(1900 – 1993. Craiova / Romênia)

Conhecido por sua versatilidade, ganhou destaque inicial com filmes noir sombrios e, posteriormente, consolidou a carreira como um dos mestres do CinemaScope na 20th Century Fox, dirigindo sucessos românticos e MELODRAMAS. Emigrou para os EUA em 1927, trabalhando inicialmente como desenhista de esboços, roteirista e diretor de segunda unidade. Consagrou-se com “Belinda” (1948), ganhando uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor e Jane Wyman levou o Oscar de Melhor Atriz. Na década de 50, tornou-se mestre na nova técnica de tela larga e dirigiu vários sucessos. Reconhecido pelo apelo visual, elegante uso de cores e habilidade em destacar atrizes protagonistas.

Cinco Melodramas:
ACORDES do CORAÇÃO
(Humoresque, 1946)

Elenco: Joan Crawford, John Garfield, Oscar Levant
e J. Carrol Naish

O VALE do DESTINO
(Deep Valley, 1947)
Elenco: Ida Lupino, Dane Clark, Wayne Morris
e Fay Bainter

BELINDA
(Johnny Belinda, 1948)
Elenco: Jane Wyman, Lew Ayres, Charles Bickford,
Agnes Moorehead, Stephen McNally e Jan Sterling

RUA PROIBIDA
(Britannia Mews, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Maureen O'Hara e Sybil Thorndike

DÁDIVA de AMOR
(The Gift of Love, 1958)
Elenco: Lauren Bacall, Robert Stack e Lorne Greene


08
JOHN CROMWELL
(1887 – 1989. Toledo, Ohio / EUA)

Reconhecido por sua capacidade de extrair excelentes atuações, dirigiu inúmeros clássicos. Iniciou sua carreira na Broadway em 1912 como ator e, posteriormente, diretor e produtor. Em 1928, mudou-se para Hollywood, contratado pela Paramount Pictures. Versátil, trabalhou em diversos gêneros, dando brilho especial a dramas densos e noir. Seu “Escravos do Desejo” foi a plataforma de lançamento para a brilhante carreira de Bette Davis. Sua trajetória foi prejudicada nos anos 1950 quando incluído na lista negra de Hollywood por supostas simpatias comunistas. Voltou a dirigir com “A Deusa / The Goddess” (1958) e continuou no teatro antes de se aposentar do cinema em 1961.  

Cinco Melodramas:
ANN VICKERS
(Idem, 1933)
Elenco: Irene Dunne, Walter Huston, Conrad Nagel,
Bruce Cabot, Edna May Oliver e J. Carrol Naish

ESCRAVOS do DESEJO
(Of Human Bondage, 1934)

Elenco: Bette Davis, Leslie Howard, Frances Dee,
Kay Johnson, Reginald Denny e Alan Hale

ESPOSA SÓ no NOME
(In Name Only, 1939)
Elenco: Cary Grant, Carole Lombard, Kay Francis,
Charles Coburn e Peggy Ann Garner

Seu MILAGRE DE AMOR
(The Enchanted Cottage, 1945)
Elenco: Dorothy McGuire, Robert Young, Herbert Marshall,
Mildred Natwick e Spring Byington

MELODIA da NOITE
(Night Song, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Merle Oberon, Ethel Barrymore
e Hoagy Carmichael


09
JOHN M. STAHL
(1886 – 1950. Baki City District / Azerbaijan)

Chamado de mestre do MELODRAMA, ao longo de 43 filmes (um quarto deles perdidos), com uma fluidez e franqueza impressionantes, privilegiou uma certa simplicidade e modernidade, tanto na narrativa quanto no estilo. Sobre seu hábil método de direção, ele disse:
“a emoção toma o lugar da ação”. Começou como ator. Dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1914. Trabalhou na Universal, M-G-M e Columbia, antes de se estabelecer na 20th Century Fox, onde permaneceu até morrer. Um dos principais diretores de filmes melodramáticos, obteve vários sucessos, incluindo o espiritualizado “As Chaves do Reino / The Keyes of the Kingdom” (1944), que lançou o jovem Gregory Peck ao estrelato.

Cinco Melodramas:
A ESQUINA do PECADO
(Back Street, 1932)
Elenco: Irene Dunne, John Boles, Zasu Pitts
e Jane Darwell

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1934)
Elenco: Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson,
Ned Sparks, Louise Beavers e Alan Hale

SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935)
Elenco: Irene Dunne, Robert Taylor e Charles Butterworth

NOITE de PECADO
(When Tomorrow Comes, 1939)
Elenco: Irene Dunne, Charles Boyer e Barbara O'Neil

AMAR FOI a MINHA RUÍNA
(Leave her to Heaven, 1946)

Elenco: Gene Tierney, Cornel Wilde, Jeanne Crain,
Vincent Price, Gene Lockhart e Chill Wills


10
KING VIDOR
(1894 – 1982. Galveston, Texas / EUA)

A maior parte de sua obra é marcada pela luta do homem contra o destino e a natureza. Ele exerceu um maior controle sobre sua carreira a partir dos anos 30, trabalhando também como produtor e com seus projetos oscilando entre dramas intensos, comédias, faroestes, épicos e romances leves. Embora não seja tão reverenciado quanto muitos de seus contemporâneos, é difícil não se impressionar com sua filmografia talentosa. Conservador, sua arte questiona sistemas políticos. Se os homens no seu cinema alcançam o sonho norte-americano, são as mulheres que emergem como as figuras mais fascinantes, mesmo que raramente saiam vitoriosas contra as adversidades da vida.

Cinco Melodramas:
O CAMPEÃO
(The Champ, 1931)
Elenco: Wallace Beery, Jackie Cooper e Irene Rich

STELLA DALLAS, MÃE REDENTORA
(Stella Dallas, 1937)
Elenco: Barbara Stanwyck, John Boles, Anne Shirley,
Barbara O'Neil, Alan Hale, Marjorie Main
e Tim Holt

DUELO ao SOL
(Duel in the Sun, 1946)

Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Gregory Peck,
Lionel Barrymore, Herbert Marshall, Lillian Gish,
Walter Huston, Charles Bickford e Harry Carey

A FILHA de SATÃ
(Beyond the Forest, 1949)
Elenco: Bette Davis, Joseph Cotten, David Brian
e Ruth Roman

A FÚRIA do DESEJO
(Ruby Gentry, 1952)
Elenco: Jennifer Jones, Charlton Heston,. Karl Malden
e Josephine Hutchinson

GALERIA de FOTOS
 



setembro 15, 2019

**************** O BELO COWBOY JOEL McCREA




Gosto de comédias, 
mas à medida que envelheci 
preferi fazer westerns. 
É muito mais confortável. 
Eu me sinto em perfeita harmonia 
ao montar um cavalo, 
usando um chapéu e um par de botas.

Não acredito em anti-heróis. 
‘Duke’ Wayne interpretou um cara malvado, 
mas nunca um anti-herói.
JOEL McCREA

Apelido: McFee
Altura: 1,90 cm
Cabelos: castanho claro
Olhos: azuis


Astro amável e modesto, recusou filmes importantes por achar que não era bom o suficiente para o papel, entre eles o clássico noir “O Destino Bate à sua Porta / The Postman Always Rings Twice” (1946) e o excelente drama anti-racista “O Mundo não Perdoa / Intruder in the Dust” (1949), de Clarence Brown, adaptado do romance de William Faulkner. Incrivelmente sensual, JOEL McCREA (1905 - 1990. Soth Pasadena / Califórnia, EUA) não se considerava sexy, preferindo enfatizar nas telas a imagem de um cidadão pacato e honrado. Na sua época, os homens não deveriam ser objetos sexuais. No entanto, a carga erótica em seus filmes iniciais e intermediários é evidente. Neles, o ator grandalhão se revela completamente natural e, às vezes, tímido. Transmite um tipo de apelo sexual que se baseia na confiança. 
 
Muito alto, ombros largos, cabelos rebeldes, olhos azuis gelados que se mexiam desconfiados. Um nariz grande, rosto cheio. De perfil, um deus da Califórnia bronzeado. Movia-se um pouco delicadamente, discreto, com elegância. Considerava-se um verdadeiro cowboy e desde jovem sonhava em comprar uma fazenda. As mulheres eram loucas por ele. As estrelas faziam questão de tê-lo como co-protagonista. Constance Bennett o colocou em quatro de seus filmes. Miriam Hopkins, igualmente apaixonada, fez cinco filmes ao seu lado. Barbara Stanwyck co-estrelou com ele seis vezes. Katharine Hepburn achava que JOEL McCREA teria um futuro de prestígio como ator. No entanto, preferiu ser cowboy nas telas e fazendeiro na vida real. Mas tem excelente filmografia e contracenou com grandes estrelas: de Claudette Colbert a Loretta Young.

Em uma entrevista reveladora do livro de John Kobal, “People Will Talk”, JOEL MCCREA deixa óbvio que parte do motivo pelo qual foi trabalhar no cinema era a chance de fazer sexo com mulheres bonitas. Segundo ele, relacionou-se sexualmente com praticamente todas as suas primeiras protagonistas, antes de se casar com a morena Frances Dee em 1933. Eles se conheceram durante as filmagens do melodrama “Amor de Mãe / The Silver Cord” (1933), de John Cromwell. O casamento durou 57 anos, até a morte dele. São pais do ator Jody McCrea e de mais dois filhos: David e Peter. Apaixonado pelo campo, JOEL McCREA cuidava dos próprios cavalos e se tornou um admirado fazendeiro. Investiu sabiamente em gado e imóveis, ficando milionário. Muito respeitado como cavaleiro, era considerado um dos melhores dos filmes de western, juntamente com Ben Johnson, que foi cowboy antes de ser ator.
 
mccrea e frances dee
Começou como dublê em cenas com cavalos no final da década de 1920. Fez pequenas participações em filmes mudos e teve seu primeiro papel de destaque em “Dinamite / Dynamite” (1929), de Cecil B. De Mille. Contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer e depois pela RKO Radio Pictures, atuou em vários filmes para o poderoso produtor independente Samuel Goldwyn. Inicialmente foi galã em comédias românticas e herói de filmes de aventuras, mas terminaria como uma das maiores estrelas dos westerns. Ele nasceu e foi criado nos arredores de Hollywood e, ainda garoto, ficou interessado nos filmes que estavam sendo produzidos por perto. Estudou atuação, teve alguma experiência de palco, trabalhou como figurante e se formou na Universidade do Sul da Califórnia em 1928.

Desde o início, JOEL McCREA desejava se especializar em westerns, mas vários anos se passaram antes que pudesse convencer os chefes de estúdio a incluí-lo num deles. Finalmente brilhou nos westerns “Uma Nação em Marcha / Wells Fargo” (1937) e “Aliança de Aço” (1939), provando ser bem-sucedido nesse gênero. A partir do final dos anos quarenta, só fazia western e era imensamente popular. Muitos deles ainda são bastante vistos hoje em dia. Alguns acreditam que, começando com “Suprema Decisão / The Virginian” (1946), o ator apareceu em western até o final de sua carreira, mas há uma exceção: “Rough Shoot” (1953), um thriller que se passa na Inglaterra. Um ano antes ele formou a Four Stars e produziu séries de televisão.
 
Um dos mais ativos mocinhos do cinema, JOEL MCCREA criou uma imagem de homem bom, digno e invariavelmente ao lado da lei. Um dos seus trabalhos favoritos era o western “O Testamento de Deus” (1950). Em 1959 ele resolveu se aposentar e se retirou para o seu rancho. Parecia ter dado adeus ao cinema, mas retornaria em 1962, no cult “Pistoleiros do Entardecer”, ao lado de outro semi-aposentado, Randolph Scott. Ele deveria interpretar o personagem (Gil Westrum) sem escrúpulos e Scott o xerife correto (Steve Judd). No entanto, trocaram de papéis. É um filme magistral, um western elegíaco sobre a velhice, o bem e o mal. Com cabelos brancos e olhos azuis de aço, o senso de honra do personagem de JOEL McCREA é formidável. Nos anos seguintes, fez aparições cinematográficas, mas se contentava em viver como fazendeiro. Politicamente era um republicano conservador. Ele morreu no dia do seu 57º aniversário de casamento. Aos 84 anos.

dolores del rio e mccrea em “ave do paraíso”

18 FIlMES de JOEL McCREA
(por ordem de preferência)

01
CORRESPONDE ESTRANGEIRO
(Foreign Correspondent, 1940)

direção de Alfred Hitchcock
elenco: Laraine Day, Herbert Marshall, George Sanders
e Edmund Gwenn

02
CONTRASTES HUMANOS
(Sullivan's Travels, 1941)

direção de Preston Sturges
elenco: Veronica Lake

03
ORIGINAL PECADO
(The More the Merrier, 1943)

direção de George Stevens
elenco: Jean Arthur e Charles Coburn

04
MULHER de VERDADE
(The Palm Beach Story, 1942)

direção de Preston Sturges
elenco: Claudette Colbert Mary Astor e Rudy Vallee

05
BECO SEM SAÍDA
(Dead End, 1937)

direção de William Wyler
elenco: Sylvia Sidney, Humphrey Bogart, Claire Trevor
 e Marjorie Main

06
ALIANÇA de AÇO
 (Union Pacific, 1939)

direção de Cecil B. DeMille
            elenco: Barbara Stanwyck, Akim Tamiroff, Robert Preston,
Brian Donlevy e Anthony Quinn

07
MUNDOS ÍNTIMOS
(Private Worlds, 1935)

direção de Gregory La Cava
elenco: Claudette Colbert, Charles Boyer e Joan Bennett

08
INFÂMIA
(These Three, 1936)

direção de William Wyler
elenco: Miriam Hopkins, Merle Oberon e Walter Brennan

09
AVE do PARAÍSO
(Bird of Paradise, 1932)

direção de King Vidor
elenco: Dolores del Rio e John Halliday

10
BUFFALO BILL
(Idem, 1944)

direção de William A. Wellman
elenco: Maureen O'Hara, Linda Darnell, Thomas Mitchell,
Edgar Buchanan e Anthony Quinn

11
Um ROMANCE no MISSISSIPI
(Banjo on My Knee, 1936)

direção de John Cromwell
           elenco: Barbara Stanwyck, Walter Brennan e Helen Westley

12
ZAROFF, o CAÇADOR de VIDAS
(The Most Dangerous Game, 1932)

direção de Irving Pichel e Ernest B. Schoedsack
elenco: Fay Wray, Robert Armstrong e Leslie Banks

13
DUAS ALMAS se ENCONTRAM
(Barbary Coast, 1935)

direção de Howard Hawks e William Wyler
elenco: Miriam Hopkins, Edward G. Robinson, Walter Brennan
e Brian Donlevy

14
MEU FILHO é meu RIVAL
(Come and Get It, 1936)

direção de Howard Hawks e William Wyler
elenco: Edward Arnold, Frances Farmer, Walter Brennan
 e Andrea Leeds

15
PISTOLEIROS do ENTARDECER
(Ride the High Country, 1962)

direção de Sam Peckinpah
elenco: Randolph Scott, Mariette Hartley e Edgar Buchanan         

16
O TESTAMENTO de DEUS
(Stars in My Crown, 1950)

direção de Jacques Tourneur
elenco: Ellen Drew e Dean Stockwell, Alan Hale,
Lewis Stone e Ed Begley

17
QUERO SER FELIZ
(Primrose Path, 1940)

direção de Gregory La Cava
elenco: Ginger Rogers

18
GOLPE de MISERICÓRDIA
(Colorado Territory, 1949)

direção de Raoul Walsh
elenco: Virginia Mayo e Dorothy Malone

GALERIA de FOTOS