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setembro 10, 2017

******** FRANCES - a “BAD GIRL” de HOLLYWOOD



 
Altura: 1,68 m
Olhos: verdes

 A TRISTE HISTÓRIA de FRANCES FARMER

Loira, inteligente, inconformada. Ela é uma lenda, com uma história de rebeldia, tragédia, confinamento. Desde garota suas leituras de dramaturgia eram de autores sofisticados e com elas o sonho de se tornar uma renomada atriz de teatro. Ganhou um concurso para participar de uma peça e na sequência, em 1935, a Paramount Pictures lhe ofereceu um contrato de sete anos. Ela aceitou. Era o mais próximo daquilo que queria: fazer teatro e ser uma boa atriz. Lançada como “a nova Garbo”, a belíssima FRANCES FARMER (Seattle, Washington, EUA. 1913 - 1970) tinha tudo para se tornar uma estrela, mas não foi bem aproveitada pelo estúdio, atuando em filmes inexpressivos. Além disso, negava-se a interpretar, fora das telas, o papel da diva linda, sensual e quase tola, esnobando o Star System hollywoodiano. Hollywood explorou a sua beleza em fitas supérfluas e desprovidas de valor. Tentaram glamourizá-la. Torná-la numa estrela de estilo, elegância e vestidos bonitos. Mas tudo o que ela queria era representar com qualidade. Emprestada ao produtor independente Samuel Goldwyn, atuou em seu melhor filme, “Meu Filho é Meu Rival / Come and Get It” (1936), dos grandes cineastas Howard Hawks e William Wyler. Sem brilho maior faria outros filmes, sendo um dos últimos, “Ódio no Coração / Son of Fury” (1942), de John Cromwell, com Tyrone Power e Gene Tierney. 
 
Negando o mundo de glórias, dinheiro e fama oferecidos pelo cinema, a atriz resolveu investir nos seus velhos sonhos e trabalhar nos palcos da Broadway. Destacou-se numa peça ao lado de John Garfield e Elia Kazan, resultando em um confronto brutal com a mãe e o estúdio. Hollywood não admitia uma retirada de cena tão inesperada. Sua mãe projetava nela sua ambição de grandeza e sucesso, e terminou por condená-la a tratamentos em hospícios, suplícios e maltratos. Além de uma lobotomia, não oficialmente confirmada, com o objetivo de aplacar seu suposto comportamento antissocial, agressivo e os problemas com álcool.

Seu temperamento forte, a bebida e o infortúnio no amor a levaram ao comportamento escandaloso. Aos 28 anos, repreendida por dirigir embriagada e sem licença, insultou os patrulheiros, agravando sua situação por desacato à autoridade e sentenciada a 180 dias de prisão. Em liberdade condicional, poucas semanas depois foi novamente autuada por ter deixado de se apresentar à justiça. Histérica e furiosa, descontando em qualquer um, deslocou o maxilar da cabeleireira do salão de beleza onde se encontrava e fugiu de carro com os seios à mostra. Perseguida pelos policiais, lutou selvagemente com eles, sendo levada para a delegacia nua, onde chocou as autoridades ao escrever “piranha” no espaço destinado a sua ocupação profissional.

Na corte, atirou um tinteiro na cabeça do juiz. Condenada a seis meses de prisão, agrediu um policial e foi levada a uma cela metida em camisa-de-força. A atriz andava com o coração destroçado com o seu recente divórcio do ator Leif Erickson e o fim do caso com o dramaturgo Clifford Odets. Em cana, recusou-se a fazer qualquer trabalho voluntário. Cada vez mais agressiva e revoltada com sua condição, passou meses em sanatórios, acabando por ser considerada insana e confinada num hospício. Voltaria a fazer um modesto filme em 1958. Ela viveu seu martírio pessoal com as internações, em um tempo em que a psiquiatria engatinhava e os tratamentos eram cruéis. Enquanto confinada, constantemente dopada, ia perdendo a fibra e a força moral. Foi o preço por sua rebeldia e por renegar o glamour exigido pelos estúdios. Vista pelos colegas como uma ingrata e uma louca desbocada, FRANCES FARMER viveu atormentada pela solidão e por sua própria mãe, que não a entendia.

Ela foi casada três vezes, a primeira delas com Leif Erickson, de 1936 a 1942. Não teve filhos. Em 1970, aos 56 anos, morreu vitimada pelo câncer. Após a sua morte, foi assunto de filmes, livros, canções, poemas e artigos. Kurt Cobain, da banda Nirvana, confessou admirar a atriz que quebrou as regras de Hollywood. No álbum “In Utero”, uma das faixas se chama “Frances Farmer will Have her Revenge on Seattle.

O mais horrível que aconteceu a FRANCES FARMER foi nunca ter sido compreendida e respeitada como ser humano com vontade própria. O preço exigido por Hollywood foi demasiado alto, resultando numa melancólica trajetória que rendeu o desconcertante “Frances / Idem” (1983), com Jessica Lange em atuação memorável, e um dos três filmes sobre sua vida. Uma reverência a atriz que morreu longe de seus ideais de juventude, o palco que amava, fazendo apenas algumas aparições esporádicas na televisão. Entretanto, sua história permanece além dos filmes e da decadência.

tyrone power e frances farmer 
em “ódio no coração”

  DEZ FILMES de FRANCES

01
O ÚLTIMO ROMÂNTICO
(Rhythm on the Range, 1936)

direção de Norman Taurog
  elenco: Bing Crosby

02
MEU FILHO é MEU RIVAL
(Come and Get It, 1936)

direção de Howard Hawks e William Wyler
  elenco: Edward Arnold, Joel McCrea e Walter Brennan

03
REPORTAGEM de SANGUE
(Exclusive, 1937)


direção de Alexander Hall
  elenco: Fred MacMurray e Lloyd Nolan

04
ÍDOLO de NOVA IORQUE
(The Toast of New York, 1937)

direção de Rowland V. Lee
  elenco: Edward Arnold, Cary Grant e Jack Oakie

05
SANGUE de COSSACO
(Ride a Crooked Mile,1938)

direção de Alfred E. Green
  elenco: Akim Tamiroff

06
Ao SUL de PAGO-PAGO
(South of Pago Pago,1940)

direção de Alfred E. Green
  elenco: Victor McLaglen e Jon Hall

07
OURO LÍQUIDO
(Flowing Gold, 1940)

direção de Alfred E. Green
  elenco: John Garfield e Pat O’Brien

08
ESPIÕES do EIXO
(World Premiere, 1941)

direção de Ted Tetzlaff
  elenco: John Barrymore e Ricardo Cortez

09
HERANÇA de ÓDIO
(Among the Living, 1941)

direção de Stuart Heisler
  elenco: Albert Dekker e Susan Hayward

10
ÓDIO no CORAÇÃO
(Son of Fury: The Story of Benjamin Blake, 1942)

direção de John Cromwell
  elenco: Tyrone Power, Gene Tierney, George Sanders
e Roddy McDowall

GALERIA de FOTOS

 
 
 
 
 
  
 
 
 

agosto 17, 2011

*********** SUA MAJESTADE, GRETA GARBO





Entrevista de Mordaunt Hall
publicada no “The New York Times”
 em 24 de março de 1929

De volta da Suécia desde o dia anterior, a feiticeira das telas GRETA GARBO está no Hotel Marguery, na Park Avenue. Só a presença dela já parece impressionar o camareiro, uma vez que a maior parte da comunicação é feita através de sussurros ou sinais. Já os representantes da Metro-Goldwyn-Mayer, mesmo que estivessem se dirigindo a algum visitante poderoso, não se mostrariam mais respeitosos, pois a senhorita GARBO, como Charlie Chaplin ou sir James M. Barrie, transforma-se em uma “delicada violeta” quanto se trata de uma entrevista. Quando o telefone toca, o silêncio é quebrado e o camareiro ergue um dedo como sinal para o ascensorista de que a senhorita GARBO receberá um representante do “The New York Times”. Logo a figura sinuosa da fascinante atriz surge como um raio de sol. Em um tom de voz baixo que combina como o seu comportamento, ela me cumprimenta, e meus olhos desviam-se do seu rosto para um buquê de flores sobre a mesa e deste para o chão.

“O senhor não quer se sentar?”, pergunta ela.

Os meus olhos, mais uma vez, correndo o risco de uma reação imprevista dela, observam-a, percebendo, em seguida, que usa um chapéu preto, de onde escapam duas mechas de cabelo de cada lado. Depois de algumas perguntas, fica claro que ela tem um magnetismo impressionante tanto na tela quanto fora dela. Como Pola Negri, que ela tanto admira. GRETA GARBO é natural e diverte-se, ao invés de constranger-se, com seus parcos conhecimentos da língua inglesa. Ela usa um suéter rosa e uma saia curta de veludo preto, enquanto anéis de fumaça do cigarro, que ela segura entre os longos dedos, sobem até o teto. Quando esteve aqui pela última vez, há três anos e meio, a senhorita GARBO não falava quase nada em inglês, mas agora consegue se expressar bastante bem, e, apesar dos lapsos ocasionais, que são muito cativantes, declara que gostaria muito de atuar em um filme falado. Que papel ela gostaria de desempenhar nas telas? Traga, joga a cabeça para trás, baixa os olhos e digna-se a responder:

“Joana D’Arc. Mas é provável que não me saísse muito bem. Eu gostaria de fazer algo diferente, algo que ainda não tenha feito. Queria sair do lugar comum. Não vejo nada de especial em tolas histórias de amor. Gostaria de fazer algo que ninguém mais esteja fazendo. Se eu conseguisse o Von Stroheim! Ele não é ótimo?.

A senhorita GARBO confessa que o filme em que atuou de que mais gostou foi a adaptação para a tela de “Green Hat”, de Michael Arlen, que se chamou “Mulher de Brio/The Woman of Affairs”. O seu primeiro filme, um dos poucos que fez na Suécia, foi a versão filmada de “A Saga de Gosta Berling / Gosta Bertings Saga”, exibido nos Estados Unidos em 1928. Na época, ela tinha 17 anos e, de acordo com sua própria descrição, era “uns cinco ou dez quilos mais gorda”. Friso que o povo foi recebê-la quando ela voltou à Suécia recentemente. Ela parece que não se impressionou muito com a recepção, mas admite que havia uma multidão esperando-a. Agora que está nos EUA, não sabe dizer se tem saudades. Em Estocolmo, adora passear pelas ruas, olhando as vitrines das pequenas lojas, e depois ir jantar sem voltar para trocar de roupa. Seus olhos acinzentados se iluminam quando ela conta isso. Quando pergunto se muitas pessoas a reconhecem em Nova Iorque, ela responde, como de costume:

“Não sei”.

O que ela fez na sua primeira noite aqui? Ela jantou sozinha.

“Completamente só?”.

“Foi e adorei olhar para os – como vocês chamam - ‘arranca-céus’ – Não, como é mesmo? Ah sim, arranha-céus. Não vamos falar sobre mim, vamos falar sobre Nova Iorque e os arranha-céus; eles parecem tão bonitos vistos desta janela. É verdade que fui convidada para jantar na casa onde o capitão Lundberg está hospedado. Ele, como o senhor sabe, é o homem que voou até Nobile e voltou. Mas, como já disse, eu jantei sozinha e não parei de olhar para os maravilhosos arranha-céus – eu falei certo?”.


Essa suposta solitária admite conhecer muito pouca gente em Hollywood. Às vezes ela joga tênis, e só tem um carro, mas dirige o carro dos amigos. Foi necessário falar de novo na Suécia, quando pergunto à senhorita GARBO se ela já tinha atuado no teatro. Responde que não, mas que um amigo pediu que ela encenasse “Resurrection” quando morava em Estocolmo. Ela, claro que irrefletidamente, concordou. Chegou ao ponto de decorar suas falas e estudar o papel. Estava confiante, mas na noite anterior ao ensaio geral, começou a ficar muito nervosa e não conseguiu dormir. Pediu ao amigo que fosse até a sua casa e disse que não poderia fazer a peça. Não dormira. Ninguém conseguiu convencê-la. Simplesmente não conseguia aparecer diante dos refletores. Qualquer um poderia jurar que onde quer que a senhorita GARBO vá, não se diverte. Isso parece possível. Ela demora umas seis semanas para fazer um filme, já atuou em oito produções hollywoodianas e estuda o roteiro com dedicação antes de aparecer diante das câmeras.

“E quando vai voltar para Hollywood?”.

“Não sei. Amanhã, talvez”.

A conversa então passa para os filmes, e ela diz:

“Se eles querem que eu fale, eu vou falar. Adoraria atuar em um bom filme falado, mas os que vi são horríveis. Não tem graça olhar para uma sombra e ouvir uma voz que vem de algum lugar fora do cinema”.

Pergunto-lhe se conhece Charlie Chaplin e ela responde que o conhece “muito pouco”. Tem raros amigos. Relata que não há mais um círculo social sueco em Hollywood, pois Victor Sjostrom já não está mais lá e Lars Hanson voltou para a sua terra natal, para onde também retornaram outros menos famosos.

A senhorita GARBO sente uma profunda admiração por Pola Negri. Ela garante que adora a maneira como a senhorita Negri preserva o ar do Velho Mundo.

“Ninguém é tão estimulante quanto Pola Negri”, revela. “É tão engraçada. É sempre divertido encontrá-la”

Finalizando repentinamente a entrevista, ela murmura “encantada em conhecê-lo”, e volta a cabeça para os seus queridos arranha-céus.


junho 15, 2011

******** LOUELLA e HEDDA, as MEXERIQUEIRAS

hedda hopper


 
Na imprensa da era clássica hollywoodiana, LOUELLA PARSONS (1893 - 1972. Freeport, Illinois / EUA) e HEDDA HOPPER (1890 - 1966. Hollidaysburg, Pensilvânia / EUA) deixavam os fãs a par de cada passo de suas estrelas favoritas, através de colunas publicadas em jornais de costa a costa dos Estados Unidos e reproduzidas mundo afora. Inimigas declaradas, chegaram algumas vezes quase às vias de fato. Disputavam quem exibia o chapéu mais espalhafatoso, as notícias mais sensacionalistas e o título de “Rainha de Hollywood”. Uma das formas de passar a perna na concorrente era acatar uma espécie de apadrinhamento com determinadas celebridades. Hedda, por exemplo, tinha certa intimidade com Liz Taylor, que sempre a procurava para confidenciar sobre sua atribulada vida pessoal, de inúmeros casamentos e separações. Já Louella identificava-se com Marilyn Monroe. Para esses protegidos os textos não eram escritos como fofocas cruéis, mas “conselhos simpáticos” de veteranas senhoras. 

Ambas irritavam a meca do cinema, mas todos compreendiam que ser citado por elas podia ser muito útil como divulgação. O poder dessas duas mulheres era legendário e ainda que venenosas, respeitavam alguns aspectos da privacidade dos atores e atrizes, a fim de não macular totalmente suas imagens. Afinal de contas, elas faziam parte do sistema. Temidas e reverenciadas, HEDDA HOPPER e LOUELLA PARSONS contavam com uma incrível rede de informantes infiltrados nos estúdios e nos lugares mais freqüentados, descobrindo diariamente novidades sórdidas para o gozo de seus leitores vazios, num estilo mexeriqueiro copiado no mundo todo.

Atriz da fase muda do cinema e de algumas produções sonoras, HEDDA HOPPER atuou em mais de 120 filmes, quase sempre como esnobes damas da alta sociedade. Inclusive fez uma ponta em “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1950), de Billy Wilder.  Tudo começou com o fim do seu casamento com o ator DeWolf Hopper. Beirando os 50 anos, sobrevivendo de pequenos papéis, em 1937 aceitou a oferta para redatar uma coluna periodística sobre a sociedade cinematográfica. Esta coluna, chamada “Hedda Hopper’s Hollywood”, debutou no “Los Angeles Times” em 14 de fevereiro de 1938. No ano seguinte, fazia comentários e entrevistava estrelas no seu próprio programa radiofônico, “The Hedda Hopper Show”. Ao comprar uma mansão em Beverly Hills ela foi chamada de “The house that fear built” (A casa que o medo edificou). 

Ela inúmeras vezes recordou a preferência de Charles Chaplin por garotinhas; denunciou o romance adúltero de Katharine Hepburn e Spencer Tracy; e o caso secreto de Joseph Cotten com a jovem Deanna Durbin. Brigou ferozmente com John Ford, a quem chamava de “irlandês filho da puta”. Sofreu – e perdeu! – um processo de calúnia e difamação por parte do ator inglês Michael Wilding, segundo marido de Liz Taylor. A amizade dele com o também ator Stewart Granger foi inúmeras vezes mencionada na coluna de HEDDA HOPPER como um caso amoroso. Cary Grant também foi citado por ela como gay, no famoso affair com Randolph Scott, mas o galã era tão querido que tais declarações não arranharam sua imagem. Se na imprensa ela tinha uma postura que poderia ser considerada homofóbica, particularmente era simpatizante, mantendo amizade com gays e lésbicas sem jamais tocar no assunto publicamente. Ela teve o seu próprio programa de televisão nos anos 60, e seguiu escrevento até morrer, produzindo colunas diárias para o “Chicago Tribune”, assim como incontáveis artigos para revistas como a “Photoplay”. Faleceu aos 75 anos de idade, de pneumonia.

louella e marilyn
Dizem que LOUELLA PARSONS era bem mais ferina do que a adversária. Tinha tanto poder que um comentário seu bastava para arruinar a carreira de um ator ou de um projeto cinematográfico em andamento. Durante 40 anos sua coluna foi imediatamente reproduzida em mais de 500 jornais de todo o planeta. No entanto, não era vista como uma insignificante coluna de fofocas, e sim um painel de verdades absolutas. Apoiada pelo império jornalístico de William Randolph Hearst, suas palavras aterrorizavam estrelas, diretores e produtores. Todos temiam seu “tratamento silencioso” e suas críticas ácidas. Com uma nota interrompia filmes, obrigava amantes a se casarem ou promovia divórcios.

Um comentário negativo escrito por ela destruía o futuro de debutantes de talento. LOUELLA PARSONS iniciou sua carreira em 1914, como cronista do “Chicago Record Herald”, mas jamais teria tanto poder caso não estivesse no luxuoso iate de William Randolph Hearst, o “Oneida”, em 18 de novembro de 1924. Entre os convidados estavam Chaplin e as atrizes Marion Davies e Aileen Pringle. No meio da farra homérica, assassinaram a tiros o diretor Thomas Ince (supostamente o magnata Hearst o confundiu com Chaplin, amante de sua amada Marion). Abafando o crime, Hearst colocou imediatamente a colunista na sua equipe jornalística, num contrato vitalício. Reinando na mídia, ela foi responsável pela queda definitiva de Frances Farmer, a beleza apontada como “a nova Greta Garbo”. Quando detiveram a atriz conduzindo embriagada e sem licença, LOUELLA PARSONS tornou público o incidente e pediu a sua cabeça. Perseguiu implacavelmente nomes como Clara Bow, Alma Rubens, Judy Garland e Spencer Tracy (dizia que o ator não trabalhava sóbrio).

Decidida a destruir a carreira de Mamie van Doren, que acabava de assinar contrato para atuar em “Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun” (1951), LOUELLA PARSONS telefonou para o chefão da Paramount ameaçando não dar uma linha de publicidade para os filmes do estúdio caso a atriz permacesse sob contrato. Logo a substituíram por Shelley Winters. “Eles alegaram que eu era muito parecida com Marilyn Monroe. Mas eu sabia que Louella era a responsável por minha demissão. Ela foi o monstro que fechou todas as portas profissionais tão necessárias para o meu trabalho, simplesmente porque acreditava que eu tinha um passado como meretriz. Tive pena dela. Era apenas uma louca que acreditava na sua diabólica imaginação”, desabafou a atriz anos depois. 

A influência da colunista era tão poderosa que ela conseguiu proibir a projeção de “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) em 17 estados norte-americanos, porque o considerava um insulto a seu patrão Hearst. Nas palavras de Joan Crawford, “cada vez que Lolly dizia que uma belíssima atriz de cinema havia sido surpreendida em um lugar de fama duvidosa, a acusação abalava a reputação de todas as atrizes, sem exceção. Todas sofriam as conseqüências”. Maldosa, invejosa e moralista, LOUELLA PARSONS escondia uma vida sexual promíscua e seu próprio alcoolismo. Escreveu dois livros de memórias, “The Gay Illitarate” (1944) e “Tell it to Louella” (1961), ambos recheados de mentiras. Apareceu também em alguns filmes, sempre como ela mesma, como “Hollywood Hotel” (1937) e “Without Reservations” (1946). No final de sua vida, internada numa clínica geriátrica, gritava e insultava os atores que apareciam em filmes exibidos no local. Morreu em 1972, aos 80 anos. “Fui ao seu enterro somente para comprovar que finalmente estava morta”, garantiu Joan Crawford.

hedda
“No fundo”, explicou o escritor Truman Capote, “a fórmula profissional de LOUELLA PARSONS e HEDDA HOPPER era tão simples como demoníaca: elas descobriram que a intimidade, o mais secreto do secreto, o vergonhoso, faz com que o cotidiano das vidas ordinárias adquira relevância”. Diante desse panorama, elas criaram através de seus artigos uma espécie de crime consentido, a partir do anonimato da acusação. Muitas vezes sem escrever o nome do acusado, elas davam somente indícios, pistas, rascunhos; de tal forma que o leitor prontamente identificasse a estrela apunhalada por suas palavras ferinas. 

Elas viviam sob o domínio da extorção, da ameaça e do medo. Tinham uma obscura satisfação em revelar o lado desprezível e feio do que aparentemente era formoso. A estratégia do refinamento da maledicência manobrada por essas duas mulheres fez escola e até hoje pode ser vista em muitas publicações. São as(os) novas(os) Louellas e Heddas. Em 1985, suas existências ordinárias foram representadas por Elizabeth Taylor e Jane Alexander no telefilme “Malícia no País das Maravilhas / Malice in Wonderland”.