O ano, 1937. O escritor inglês Graham Greene escreveu na revista “Night and Day”, uma reportagem sobre SHIRLEY TEMPLE (1928 - 2014. Califórnia / EUA) na qual afirmava que a garota prodígio, então com oito anos, era o centro das atenções na 20th Century-Fox de homens de idade avançada e de clérigos. As declarações resultaram em processo, mas ele se refugiou no México, país que não permitia a extradição, o que o impediu de ser preso. A revelação surgiu recentemente, quando descoberto o manuscrito onde o cineasta Alberto Cavalcanti, amigo de Greene, narra as suas memórias. Ele conta que graças a amigos atentos, Greene foi avisado que a produtora de “A Queridinha do Vovô / We Willie Winkie” (1937) - filme de John Ford citado na matéria - se preparava para processá-lo, com risco de prisão. O estúdio pedia também uma indenização.
Nas páginas da “Night and Day”, o autor de “O Poder e a Glória” escreveu: “Os seus admiradores - homens de idade avançada e clérigos - não reagiam à sua dúbia coqueteria, à visão (...) do seu desejável pequeno corpo, (...) devido apenas à cortina de segurança da história e dos diálogos divididos entre a sua inteligência e o seu desejo.” A Fox considerou que Greene insinuava que a pequena atriz atuava para “um público de velhos devassos”. A mais famosa atriz infantil de todos os tempos, SHIRLEY TEMPLE ganhou um Oscar especial aos seis anos de idade. Campeã de bilheteria de 1934 a 1938 com seu otimismo e sorriso amável, salvou a Fox da falência. Criança mais fotografada no mundo, protagonista de mais de 40 filmes, surgiram vários boatos sobre ela, um deles dizia que seria na verdade uma anã de 30 anos. A Fox negou-se a emprestá-la para o papel de Dorothy em “O Mágico de Oz / The Wizard of Oz” (1939), na M-G-M. Depois de adulta perdeu o sucesso, aposentando-se do cinema em 1949, aos 21 anos.