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janeiro 27, 2026

********** MELODRAMA – o CINEMA de LÁGRIMAS

rock hudson e jane wyman em tudo o que o céu permite
 

Eu nunca vou te deixar ir.
Nunca, nunca, nunca.

ELLEN BERENT HARLAND (Gene Tierney)
em “Amar Foi a Minha Ruína”


Por muito tempo menosprezado como um gênero vulgar, destinado ao público feminino que frequentava os cinemas à tarde, enquanto os maridos trabalhavam, para fugir da realidade, sonhar (e chorar) um pouco, o MELODRAMA acabou se generalizando como símbolo de certo tipo de filme que procura efeitos de forte apelo emocional, envolvendo o público em uma teia de sentimentos excessivos e centrando-se numa vítima do destino. Histórias dramáticas, infelizes, marcadas por reviravoltas por vezes inverossímeis, sempre sob o compasso de trilhas sonoras feitas para tocar o coração, esses longas não eram levados a sério – salvo por suas fiéis espectadoras. Ambientados quase sempre em questões familiares e sociais no contexto de um lar privado, na luta de um personagem e suas escolhas. Por exemplo, um homem casado tentado a abandonar esposa dedicada e filhos por uma interesseira bela e sedutora. Figuras típicas incluem também a prostituta, a mãe solteira, o alcoólatra, a filha ingrata ou a solteirona, sempre com desafios externos.

Meu interesse pelo tema começou ao ver clássicos de Hollywood na tevê, aprofundando-me quando conheci, no Rio de Janeiro, o escritor argentino Manuel Puig, o autor de
“O Beijo da Mulher Aranha”. Ele era um aficionado do MELODRAMA e trabalhava elementos do gênero em sua literatura. Juntos, vimos e discutimos muitos filmes, entre eles “Carta de Uma Desconhecida / Letter from an Unknown Woman” (1948), de Max Ophuls. O termo foi usado pela primeira vez em 1782 e veio da palavra francesa mélodrame, que por sua vez foi derivada do grego μέλος (canção ou música) e do francês drame (drama). Nos estudos e na crítica cinematográfica, pode ser usado para se referir a diversos estilos de filmes, desde que se caracterizem pela sua ênfase em emoções e situações intensas. Muitos tratam do abandono, da figura materna, do amor impossível, da doença terminal, da chantagem ou da obsessão amorosa. Certos MELODRAMAS, conhecidos como “filmes para chorar”, são adaptações de romances românticos ou históricos.
Além das questões extremas, há moralismo, maniqueísmo e reviravoltas que comovem o público. Alguns cineastas se tornaram especialistas nesse tipo de drama, dando oportunidade a excelentes atuações de atrizes como Irene Dunne, Bette Davis, Barbara Stanwyck, Joan Crawford, Susan Hayward, Ida Lupino, Eleanor Parker, Lana Turner ou Jane Wyman, entre outras. Competentes, talentosos, injustamente esquecidos e ignorados pelos críticos, muitas de suas fitas são magistrais. Como esquecer, por exemplo, o fabuloso MELODRAMA “Amar Foi a Minha Ruína”, de John M. Stahl, que deu a estrela Gene Tierney o seu melhor papel? Além das vastas emoções esparramadas pelas tramas arrebatadas, feitas sob encomenda para emocionar, havia sutilmente contundentes comentários sobre a condição da mulher, o patriarcalismo, a distinção entre classes e o racismo, entre outras mazelas varridas para baixo dos tapetes das confortáveis residências da classe média privilegiada do pré e do pós-II Guerra Mundial.

Nos anos 1960 e 1970, cinéfilos e pesquisadores de cinema, na esteira do movimento crítico iniciado pela revista francesa
“Cahiers du Cinéma”, começaram a olhar para esses filmes como retratos críticos da sociedade de seu tempo. A partir daí, alguns dos antigos diretores passaram a influenciar diversos cineastas modernos. Na década de 1970, o alemão Rainer Werner Fassbinder, encantado com Douglas Sirk, contribuiu para o gênero. Pedro Almodóvar e Todd Haynes também se inspiraram no melodramático. Pois é, assunto tratado, vamos aos meus diretores de MELODRAMA favoritos.
DEZ MESTRES do MELODRAMA

01
CLARENCE BROWN
(1890 – 1987. Clinton, Massachusetts / EUA)

Conhecido por MELODRAMAS refinados na Metro-Goldwyn-Mayer, onde se tornou um dos principais cineastas, dirigindo mais de 50 filmes, frequentemente dirigiu Greta Garbo (sete vezes) e Joan Crawford (seis vezes), acumulando 6 indicações ao Oscar de Melhor Diretor. Ganhou o prêmio BAFTA por “O Mundo não Perdoa / Intruder in the Dust” (1949), uma denúncia contra o racismo. Conhecido por seu estilo visual elegante e habilidade em extrair grandes atuações de suas estrelas, consolidou-se como um dos diretores mais prestigiados nas décadas de 1930 e 1940. Seu último filme, de 1952, “O Veleiro da Aventura / Plymouth Adventure”, tem no elenco Spencer Tracy e Gene Tierney.

Cinco Melodramas:
ANNA CHRISTIE
(Idem, 1930)
Elenco: Greta Garbo, Charles Bickford e Marie Dressler

Uma ALMA LIVRE
(A Free Soul, 1931)
Elenco: Norma Shearer, Leslie Howard, Lionel Barrymore,
Clark Gable e James Gleason

REDIMIDA
(Letty Lynton, 1932)

Elenco: Joan Crawford, Robert Montgomery, Nils Asther
e Lewis Stone

ACORRENTADA
(Chained, 1934)
Elenco: Joan Crawford, Clark Gable, Otto Kruger,
Una O'Connor, Akim Tamiroff e Ward Bond

ANNA KARENINA
(Idem, 1935)
Elenco: Greta Garbo, Fredric March, Freddie Bartholomew,
Maureen O'Sullivan, May Robson e Basil Rathbone


02
CURTIS BERNHARDT
(1899 – 1981. Worms, Grand Duchy of Hesse / Alemanha)

Sua carreira atravessou décadas e continentes, fugindo da perseguição nazista para se tornar um diretor de destaque na Warner Bros. e Metro-Goldwyn-Mayer. Iniciou a trajetória artística como ator de teatro, antes de se tornar diretor de cinema em 1926. Rodou doze filmes na Alemanha, mas foi forçado a escapar para a França em 1933, onde produziu e dirigiu filmes, após ser preso pela Gestapo devido à sua herança judaica. Chegou a Hollywood em 1940 e rapidamente assinou contratos com poderosos estúdios. Destacou-se conduzindo magníficas atrizes em filmes dramáticos e trazendo um toque do expressionismo alemão e do realismo europeu para as produções dos EUA.

Cinco Melodramas:
Uma VIDA ROUBADA
(A Stolen Life, 1946)
Elenco: Bette Davis, Glenn Ford, Dane Clark,
Walter Brennan, Charles Ruggles e Bruce Bennett

FOGUEIRA de PAIXÃO
(Possessed, 1947)
Elenco:  Joan Crawford, Van Heflin, Raymond Massey
e Geraldine Brooks

AINDA HÁ SOL em MINHA VIDA
(The Blue Veil, 1951)

Elenco: Jane Wyman, Charles Laughton, Joan Blondell,
Richard Carlson, Agnes Moorehead, Audrey Totter,
Everett Sloane e Natalie Wood

DEPOIS da TORMENTA
(Payment on Demand, 1951)
Elenco: Bette Davis, Barry Sullivan, Frances Dee
e Otto Kruger

MELODIA INTERROMPIDA
(Interrupted Melody, 1955)
Elenco: Glenn Ford, Eleanor Parker, Roger Moore
e Cecil Kellaway

03
DOUGLAS SIRK
(1897 – 1987. Hamburgo / Alemanha)

Era um historiador da arte antes de iniciar como diretor no teatro alemão dos anos 1920 e, mais tarde, essa formação teve impacto em seus trabalhos como cineasta. Devido à perseguição nazista a sua esposa judia, emigrou em 1937 para os Estados Unidos, trabalhando inicialmente em comédias e faroestes de baixo orçamento. Obteve sucesso na Universal nos anos 50. Depois do êxito de
“Imitação da Vida”, aposentou-se e voltou a morar na Europa. Um dos mestres do MELODRAMAS, deu dignidade ao gênero e influenciou outros diretores. Seus dramas são marcados por um visual luxuoso, mise-en-scène complexa e crítica à hipocrisia da classe média alta norte-americana.

Cinco Melodramas:
SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1954)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Otto Kruger e Barbara Rush

TUDO o QUE o CÉU PERMITE
(All that Heaven Allows, 1955)
Elenco: Jane Wyman, Rock Hudson, Agnes Moorehead,
Conrad Nagel e Virginia Grey

CHAMAS que NÃO se APAGAM
(There's Always Tomorrow, 1956)
Elenco: Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Joan Bennett
e Jane Darwell

PALAVRAS ao VENTO
(Written on the Wind, 1956)

Elenco: Rock Hudson, Lauren Bacall, Dorothy Malone,
Robert Stack e Robert Keith

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1959)
Elenco: Lana Turner, John Gavin, Sandra Dee,
Susan Kohner, Dan O'Herlihy, Juanita Moore
e Troy Donahue


04
EDMUND GOULDING
(1891 – 1959. Feltham, Middlesex, Inglaterra / Reino Unido)

Tornou-se diretor em 1925, trabalhando na M-G-M, Warner e Fox, onde deu a Tyrone Power seus melhores papéis. Sabia aproveitar ao máximo os astros e estrelas. Não somente dirigiu alguns dos melhores dramas dos anos 30-40, mas assumiu múltiplas funções na realização de cada um deles, escrevendo roteiros e produzindo. Porém não deixou a marca de um estilo pessoal, adaptando-se sempre a cada estúdio no qual trabalhava. Na vida particular, suas orgias notórias, bissexualidade, alcoolismo e dependência de drogas foram muito faladas nos bastidores de Hollywood. Entretanto, ele fazia uma distinção entre seu comportamento privado e o que deveria mostrar ao público.

Cinco Melodramas:
VITÓRIA AMARGA
(Dark Victory, 1939)

Elenco: Bette Davis, George Brent, Humphrey Bogart,
Geraldine Fitzgerald, Ronald Reagan e Henry Travers

O ÚLTIMO ENCONTRO
('Til We Meet Again, 1940)
Elenco: Merle Oberon, George Brent, Pat O'Brien,
Geraldine Fitzgerald e Binnie Barnes

A GRANDE MENTIRA
(The Great Lie, 1941)
Elenco: Bette Davis, George Brent, Mary Astor,
Lucile Watson e Hattie McDaniel

De AMOR TAMBÉM se MORRE
(The Constant Nymph, 1943)
Elenco:  Charles Boyer, Joan Fontaine, Brenda Marshall,
Alexis Smith, Charles Corburn, Dame May Whitty,
Peter Lorre, Eduardo Ciannelli e Marcel Dalio

ESCRAVO de uma PAIXÃO
(Of Human Bondage, 1946)
Elenco: Paul Henreid, Eleanor Parker, Alexis Smith,
Edmund Gwenn, Patrick Knowles e Una O'Connor


05
FRANK BORZAGE
(1894 – 1962. Salt Lake City, Utah / EUA)

Pioneiro do cinema mudo, venceu o primeiro Oscar de Melhor Diretor por “Sétimo Céu” (1927), destacando-se por dramas românticos. Iniciou atuando em trupes teatrais itinerantes na adolescência, passando para o cinema em 1912 como ator (atuou em mais de 100 curtas-metragens) e a dirigir em 1915. Na Fox Film Corporation, a partir de 1925, estabeleceu um estilo lírico que consolidou sua carreira. Adaptou-se bem ao cinema sonoro, mantendo o foco em romances profundos e MELODRAMAS. Seus filmes retratam muitas vezes a força do amor contra a adversidade, a pobreza e a guerra, vez ou outra com um toque espiritual. Continuou a dirigir até o final dos anos 50.

Cinco Melodramas:
O SÉTIMO CÉU
(7th Heaven, 1927)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

O ANJO das RUAS
(Street Angel, 1928)
Elenco: Janet Gaynor e Charles Farrell

ADEUS às ARMAS
(A Farewell to Arms, 1932)
Elenco: Gary Cooper, Helen Hayes e Adolphe Menjou

O PARAÍSO de um HOMEM
(Man´s Castle, 1933)

Elenco: Spencer Tracy, Loretta Young, Marjorie Rambeau,
Walter Connolly e Glenda Farrell

LABIRINTOS do DESTINO
(Big City, 1937)
Elenco: Spencer Tracy, Luise Rainer e Charley Grapewin


06
HENRY KING
(1886 – 1982. Christiansburg, Virgínia / EUA)

Um dos fundadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, dirigiu mais de 100 filmes. Começou no teatro e no vaudeville antes de entrar para o cinema em 1912 como ator e, logo depois, diretor de curtas. Tornou-se um dos principais diretores da 20th Century-Fox nas décadas de 1920, 30 e 40. Venceu o primeiro Globo de Ouro de Melhor Diretor por “A Canção de Bernadette / The Song of Bernadette” (1943) e recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Direção. Continuou ativo até o início dos anos 60. É lembrado como um dos pilares da indústria cinematográfica hollywoodiana, com uma filmografia exemplar que atravessa cinco décadas com filmes procurados ainda hoje.

Cinco Melodramas:
IRMÃ BRANCA
(The White Sister, 1923)

Elenco: Lillian Gish e Ronald Colman

O SÉTIMO CÉU
(Seventh Heaven, 1937)
Elenco: Simone Simon, James Stewart, Jean Hersholt,
Gregory Ratoff e Gale Sondergaard

SUPLÍCIO de uma SAUDADE
(Love Is a Many-Splendored Thing, 1955)
Elenco: William Holden e Jennifer Jones

O ÍDOLO de CRISTAL
(Beloved Infidel, 1959)
Elenco: Gregory Peck, Deborah Kerr e Eddie Albert

SUAVE é a NOITE
(Tender Is the Night, 1962)
Elenco: Jennifer Jones, Jason Robards, Joan Fontaine,
Tom Ewedll, Jill St. John e Paul Lukas


07
JEAN NEGULESCO
(1900 – 1993. Craiova / Romênia)

Conhecido por sua versatilidade, ganhou destaque inicial com filmes noir sombrios e, posteriormente, consolidou a carreira como um dos mestres do CinemaScope na 20th Century Fox, dirigindo sucessos românticos e MELODRAMAS. Emigrou para os EUA em 1927, trabalhando inicialmente como desenhista de esboços, roteirista e diretor de segunda unidade. Consagrou-se com “Belinda” (1948), ganhando uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor e Jane Wyman levou o Oscar de Melhor Atriz. Na década de 50, tornou-se mestre na nova técnica de tela larga e dirigiu vários sucessos. Reconhecido pelo apelo visual, elegante uso de cores e habilidade em destacar atrizes protagonistas.

Cinco Melodramas:
ACORDES do CORAÇÃO
(Humoresque, 1946)

Elenco: Joan Crawford, John Garfield, Oscar Levant
e J. Carrol Naish

O VALE do DESTINO
(Deep Valley, 1947)
Elenco: Ida Lupino, Dane Clark, Wayne Morris
e Fay Bainter

BELINDA
(Johnny Belinda, 1948)
Elenco: Jane Wyman, Lew Ayres, Charles Bickford,
Agnes Moorehead, Stephen McNally e Jan Sterling

RUA PROIBIDA
(Britannia Mews, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Maureen O'Hara e Sybil Thorndike

DÁDIVA de AMOR
(The Gift of Love, 1958)
Elenco: Lauren Bacall, Robert Stack e Lorne Greene


08
JOHN CROMWELL
(1887 – 1989. Toledo, Ohio / EUA)

Reconhecido por sua capacidade de extrair excelentes atuações, dirigiu inúmeros clássicos. Iniciou sua carreira na Broadway em 1912 como ator e, posteriormente, diretor e produtor. Em 1928, mudou-se para Hollywood, contratado pela Paramount Pictures. Versátil, trabalhou em diversos gêneros, dando brilho especial a dramas densos e noir. Seu “Escravos do Desejo” foi a plataforma de lançamento para a brilhante carreira de Bette Davis. Sua trajetória foi prejudicada nos anos 1950 quando incluído na lista negra de Hollywood por supostas simpatias comunistas. Voltou a dirigir com “A Deusa / The Goddess” (1958) e continuou no teatro antes de se aposentar do cinema em 1961.  

Cinco Melodramas:
ANN VICKERS
(Idem, 1933)
Elenco: Irene Dunne, Walter Huston, Conrad Nagel,
Bruce Cabot, Edna May Oliver e J. Carrol Naish

ESCRAVOS do DESEJO
(Of Human Bondage, 1934)

Elenco: Bette Davis, Leslie Howard, Frances Dee,
Kay Johnson, Reginald Denny e Alan Hale

ESPOSA SÓ no NOME
(In Name Only, 1939)
Elenco: Cary Grant, Carole Lombard, Kay Francis,
Charles Coburn e Peggy Ann Garner

Seu MILAGRE DE AMOR
(The Enchanted Cottage, 1945)
Elenco: Dorothy McGuire, Robert Young, Herbert Marshall,
Mildred Natwick e Spring Byington

MELODIA da NOITE
(Night Song, 1949)
Elenco: Dana Andrews, Merle Oberon, Ethel Barrymore
e Hoagy Carmichael


09
JOHN M. STAHL
(1886 – 1950. Baki City District / Azerbaijan)

Chamado de mestre do MELODRAMA, ao longo de 43 filmes (um quarto deles perdidos), com uma fluidez e franqueza impressionantes, privilegiou uma certa simplicidade e modernidade, tanto na narrativa quanto no estilo. Sobre seu hábil método de direção, ele disse:
“a emoção toma o lugar da ação”. Começou como ator. Dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1914. Trabalhou na Universal, M-G-M e Columbia, antes de se estabelecer na 20th Century Fox, onde permaneceu até morrer. Um dos principais diretores de filmes melodramáticos, obteve vários sucessos, incluindo o espiritualizado “As Chaves do Reino / The Keyes of the Kingdom” (1944), que lançou o jovem Gregory Peck ao estrelato.

Cinco Melodramas:
A ESQUINA do PECADO
(Back Street, 1932)
Elenco: Irene Dunne, John Boles, Zasu Pitts
e Jane Darwell

IMITAÇÃO da VIDA
(Imitation of Life, 1934)
Elenco: Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson,
Ned Sparks, Louise Beavers e Alan Hale

SUBLIME OBSESSÃO
(Magnificent Obsession, 1935)
Elenco: Irene Dunne, Robert Taylor e Charles Butterworth

NOITE de PECADO
(When Tomorrow Comes, 1939)
Elenco: Irene Dunne, Charles Boyer e Barbara O'Neil

AMAR FOI a MINHA RUÍNA
(Leave her to Heaven, 1946)

Elenco: Gene Tierney, Cornel Wilde, Jeanne Crain,
Vincent Price, Gene Lockhart e Chill Wills


10
KING VIDOR
(1894 – 1982. Galveston, Texas / EUA)

A maior parte de sua obra é marcada pela luta do homem contra o destino e a natureza. Ele exerceu um maior controle sobre sua carreira a partir dos anos 30, trabalhando também como produtor e com seus projetos oscilando entre dramas intensos, comédias, faroestes, épicos e romances leves. Embora não seja tão reverenciado quanto muitos de seus contemporâneos, é difícil não se impressionar com sua filmografia talentosa. Conservador, sua arte questiona sistemas políticos. Se os homens no seu cinema alcançam o sonho norte-americano, são as mulheres que emergem como as figuras mais fascinantes, mesmo que raramente saiam vitoriosas contra as adversidades da vida.

Cinco Melodramas:
O CAMPEÃO
(The Champ, 1931)
Elenco: Wallace Beery, Jackie Cooper e Irene Rich

STELLA DALLAS, MÃE REDENTORA
(Stella Dallas, 1937)
Elenco: Barbara Stanwyck, John Boles, Anne Shirley,
Barbara O'Neil, Alan Hale, Marjorie Main
e Tim Holt

DUELO ao SOL
(Duel in the Sun, 1946)

Elenco: Jennifer Jones, Joseph Cotten, Gregory Peck,
Lionel Barrymore, Herbert Marshall, Lillian Gish,
Walter Huston, Charles Bickford e Harry Carey

A FILHA de SATÃ
(Beyond the Forest, 1949)
Elenco: Bette Davis, Joseph Cotten, David Brian
e Ruth Roman

A FÚRIA do DESEJO
(Ruby Gentry, 1952)
Elenco: Jennifer Jones, Charlton Heston,. Karl Malden
e Josephine Hutchinson

GALERIA de FOTOS
 



agosto 28, 2019

************** GARY COOPER, a FACE do HERÓI


  
 
Apelidos: Coop, Cowboy Cooper, A Mula de Montana e Studs
Altura: 1,92 m
Cor dos Olhos: azuis
Cor do cabelo: castanho                                           


Ele é um dos mais caros símbolos da história do cinema. Alto, másculo, de poucas palavras e muita ação, de integridade moral irrepreensível. O legendário GARY COOPER (1901 - 1961. Helena, Montana / EUA) foi quase sempre o mocinho em seus 35 anos de carreira. À vontade em comédis sofisticadas, aventuras, faroestes e em drama de Ernest Hemingway, passava os sentimentos dos personagens, mas era sempre ele mesmo na pele de outros. Sua ascensão foi muito rápida. Com cinco anos de intenso trabalho, alcançou o estrelato. Ganhou três Oscar, o primeiro por “Sargento York” (1941), a seguir “Matar ou Morrer” (1952), e em 1960, um Oscar especial, pelo conjunto da obra. Apesar do seu norte-americanismo, era filho de ingleses e estudou alguns anos em Londres. 
 
Cresceu numa fazenda e formou-se em agronomia. Aos 23 anos mudou para Los Angeles, tentando a sorte como caricaturista de jornais e revistas. Acabou como figurante de filmes e foi descoberto pelo diretor Henry King para o mudo “Beijo Ardente / The Winning of Barbara Worth” (1926), ao lado de Ronald Colman e Vilma Banky. Dois anos depois, era protagonista absoluto. Em 1928, as revistas de cinema chamavam GARY COOPER de “o grande sujeito”. No cinema falado, estourou como ator de primeira grandeza ao contracenar com a diva Marlene Dietrich em “Marrocos / Morocco” (1930). Em 1933, ganhava seis mil dólares por semana. Entre 1936 e 1957 esteve dez vezes na lista dos atores de maior sucesso de bilheteria. Foi o primeiro em 1953 e o segundo em 1944 e 1952. Manteve o status de grande estrela e o carisma até morrer.
 
No fim dos anos 30, era o ator mais bem pago do mundo. Seu desempenho em “Adeus às Armas / A Farewell to Arms” (1932), impressionou tanto Ernest Hemingway que insistiu para que fizesse “Por Quem os Sinos Dobram”, onze anos depois. Os dois foram amigos por 20 anos. GARY COOPER fez mais de 100 filmes. Recusou protagonizar “No Tempo das Diligências / Stagecoach” (1939), E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939), “Correspondente Estrangeiro / Foreign Correspondent” (1940) e “Rio Vermelho / Red River” (1948). “Recusei alguns roteiros porque estavam cheios de ideias comunistas”, disse. Era um atuante republicano conservador.

Sua vida particular foi marcada inicialmente por um romance tempestuoso com uma das maiores estrelas da época do cinema mudo, Clara Bow. A moça era sexualmente insaciável. Muitas vezes, depois de uma noitada de amor, pegava seu conversível, assim que ele saia, para procurar outros amantes. Resultava em terríveis cenas de ciúme. O casamento foi anunciado diversas vezes na imprensa, mas nunca se realizou. Cansado de ser traído, rompeu o romance e se envolveu com a temperamental mexicana Lupe Velez, apelidada “A Gata Selvagem de Hollywood”. O caso durou dois anos, marcado por diversos escândalos. Certa vez, no badalado café Madame Helen, enciumada, a explosiva atriz mordeu furiosamente a orelha do namorado e gritou várias vezes: “I love you, Gary”. Seu estúdio, Paramount Pictures, não via o romance com bons olhos, tampouco a dominadora mãe do astro. Pressionado, ele findou a relação. 
 
mae west e gary cooper nos anos 30
O ator se casou em 1933 com a rica e sofisticada Veronica (apelidada Rocky) Balfe, sobrinha do cenógrafo Cedric Gibbons. Tinha 33 anos, ela 20.  Tiveram uma filha, Maria. Casado, envolveu-se com Ingrid Bergman e, mais adiante, com Patricia Neal, durante as filmagens de “Vontade Indômita / The Fountainhead”, em 1949. Eles se apaixonaram perdidamente. Foi a última história de amor na sua vida. Rocky, católica, jamais concordou com o divórcio. A sociedade hollywoodiana era abertamente contra os amantes. Ele abandonou a esposa, mas Patricia pulou fora quando teve certeza de que não haveria casamento, voltando para os palcos da Broadway. Numa Hollywood recheada de escândalos, o casamento ainda era uma instituição absolutamente intocável.

Em 1934, GARY COOPER firmou contrato de cinco anos com a Paramount. Ele interpretou personagens reais de todos os tipos: Wild Bill Hickok, Marco Polo, Sargento Alvin C. York, Lou Gehrig, Dr. Corydon M. Wassell e General Billy Mitchell. Com isso, aumentou a popularidade. Em 1936, Frank Capra fez questão de trabalhar com ele. Fiu um encontro histórico, com “O Galante Mr. Deeds” o ator ganhou a primeira indicação ao Oscar e virou símbolo nacional da honestidade, do idealismo e da integridade. 
 
gary, joan fontaine, mary astor
e donald crisp em 1942,
na cerimônia do oscar
No final de 1939, quando expirou seu contrato, preferiu não renová-lo e trabalhar por conta própria. Em 1944 fundou sua própria produtora, a International Pictures, que teria vida curta. Produziu apenas nove filmes, dois estrelados por GARY COOPER, “Casanova Júnior / Casanova Brown” (1944) e “Tudo por Uma Mulher / Along Came Jones” (1945). Em 1946, vendeu a International para a Universal, surgindo a Universal-International. No ano seguinte assinou contrato com a Warner Bros. para seis filmes.

Mulherengo, além de Clara Bow, Ingrid Bergman e Patricia Neal, teve como amantes Evelyn Brent, Marlene Dietrich, Carole Lombard e Grace Kelly. Dizem que apreciava rapazes afeminados. O célebre fotógrafo /cenógrafo Sir Cecil Beaton afirmou ter tido um caso com ele. Nos anos 50, GARY COOPER era um homem solitário e envelhecido. Teve histórias amorosas passageiras, mas se sentia cansado, embora não parasse de filmar. Ele não esteve presente para receber seu Oscar em 1953, sendo representado por John Wayne. Passou 18 meses fora de Hollywood. Durante esse tempo filmou no Havaí, México e França, fazendo “A Volta ao Paraíso / Return to Paradise” (1953), “Sangue da Terra / Blowing Wild” (1953), “Jardim do Pecado / Garden of Evil” (1954) e “Vera Cruz” (1954). Mais uma vez fundou uma produtora, a Baroda Productions, em 1958, realizando “A Árvore dos Enforcados / The Hanging Tree” (1959), “Heróis de Barro / They Came to Cordura” (1959) e “O Navio Condenado / The Wreck ofthe Mary Deare” (1959).
 
patricia neal e gary
Terminada as filmagens de “Heróis de Barro”, foi hospitalizado e operado, mas um câncer havia se alastrado por todo o corpo. O último filme, “A Tortura da Suspeita / The Naked Edge”, rodado na Inglaterra em 1960, com a sublime Deborah Kerr, foi lançado postumamente. Sabendo que o ator estava morrendo, a Academia lhe conferiu um Oscar especial em 1960, recebido por seu amigo James Stewart, que discursou com voz trêmula e lágrimas nos olhos. Dois dias depois, seu agente tornou pública a notícia da doença fatal. O público, tomado de surpresa, mandou milhares de cartas. No meio da correspondência, mensagens do presidente John Kennedy, da rainha Elizabeth II, do papa João XXIII, de Pablo Picasso, Ernest Hemingway e do ex-presidente Dwight D. Eisenhower. Sua morte foi comentada em todo o mundo. A imprensa gastou muita tinta em elogios a sua impecável trajetória cinematográfica. É um astro para não esquecer.

Os carregadores do caixão no enterro eram os amigos mais íntimos de GARY COOPER: James Stewart, Henry Hathaway, Jack Benny, William Goetz, Jerry Wald e Charles Feldman. Rocky e Maria caminharam atrás, ao lado da mãe de Cooper, de 87 anos de idade. Entre os presentes, Norma Shearer, Walter Pidgeon, Mary Pickford, Marlene Dietrich, Randolph Scott, Joel McCrea, Frank Sinatra, Burt Lancaster, John Wayne, Rosalind Russell, Myrna Loy, Fay Wray, Joan Crawford, Fred Astaire, Judy Garland, Bob Hope e Karl Malden. O silêncio sepucral, nenhum fã invadiu os limites traçados pela segurança para pedir autógrafos a quem quer que seja. Era a despedida de um mito.

gary em “almas ao mar” (1937)

15 FILMES de GARY COOPER
(por ordem de preferência)

01
ADORÁVEL VAGABUNDO
(Meet John Doe, 1941)

direção de Frank Capra
elenco: Barbara Stanwyck, Edward Arnold, Walter Brennan,
Spring Byington e Rod La Rocque

02
BOLA de FOGO
(Ball of Fire, 1942)

direção de Howard Hawks
elenco: Barbara Stanwyck, Oskar Homolka e Dana Andrews

03
SARGENTO YORK
(Sergeant York, 1941)

direção de Howard Hawks
elenco: Walter Brennan, Joan Leslie e Ward Bond

Oscar de Melhor Ator
Melhor Ator do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova Iorque
Melhor Ator do National Board of Review

04
A OITAVA ESPOSA do BARBA AZUL
(Bluebeard's Eighth Wife, 1938)

direção de Ernst Lubitsch
elenco: Claudette Colbert, Edward Everett Horton e David Niven

05
O GALANTE MR. DEEDS
(Mr. Deeds Goes to Town, 1936)

direção de Frank Capra
elenco: Jean Arthur e George Bancroft

06
O HOMEM do OESTE
(Man of the West, 1958)

direção de Anthony Mann
elenco: Julie London, Lee J. Cobb e Arthur O'Connell

07
POR QUEM os SINOS DOBRAM
(For Whom the Bell Tolls, 1943)

direção de Sam Wood
elenco: Ingrid Bergman, Akim Tamiroff e Katina Paxinou

08
MATAR ou MORRER
(High Noon, 1952)

direção de Fred Zinnemann
elenco: Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado
e Grace Kelly

Oscar de Melhor Ator
Globo de Ouro de Melhor Ator-Drama

09
SUBLIME TENTAÇÃO
(Friendly Persuasion, 1956)

direção de William Wyler
elenco: Dorothy McGuire, Anthony Perkins e Marjorie Main

10
ÍDOLO, AMANTE e HERÓI
(The Pride of the Yankees, 1942)

direção de Sam Wood
elenco: Teresa Wright, Walter Brennan e Dan Duryea

11
BEAU GESTE
(Idem, 1939)

direção de William A. Wellman
elenco: Ray Milland, Robert Preston, Brian Donlevy,
Susan Hayward, J. Carrol Naish, Albert Dekker
e Broderick Crawford

12
SÓCIOS no AMOR
(Design for Living, 1933)

direção de Ernst Lubitsch
elenco: Fredric March, Miriam Hopkins, Edward Everett Horton
e Jane Darwell

13
JORNADAS HEROICAS
(The Plainsman, 1936)

direção de Cecil B. DeMille
elenco: Jean Arthur, James Ellison e Charles Bickford

14
A GALANTE AVENTUREIRO
(The Westerner, 1940)

direção de William Wyler
elenco: Walter Brennan, Doris Davenport, Chill Wills
e Dana Andrews

15
VERA CRUZ
(Idem, 1954)

direção de Robert Aldrich
elenco: Burt Lancaster, Denise Darcel, Cesar Romero,
Sara Montiel, George Macready, Jack Elam,
Ernest Borgnine e Charles Bronson

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