Mostrando postagens com marcador Mae West. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mae West. Mostrar todas as postagens

setembro 26, 2015

********* CARY GRANT: um TOQUE de CLASSE





Foi uma experiência estranha entrar num escritório da Universal - isto em 1961 - e dar de cara com um homem que não me conhecia, mas que eu conhecia desde que me lembrava. Clifford Odets, um amigo comum - nessa altura ainda era vivo -, tinha pedido a CARY GRANT para me receber, por isso falamos um pouco de Clifford, e não me lembro de uma única palavra do que dissemos. O meu espírito estava inundado de imagens dos seus filmes que tinha visto e só conseguia pensar em como se parecia com a sua imagem cinematográfica - o mesmo charme, o mesmo humor, o ar de mistério não fabricado, mas nítido. É claro que não foi a sua celebridade que me impressionou, conheço estrelas que nunca me impressionariam, mas ele foi sempre um dos meus atores favoritos, e uma de um punhado de grandes personalidades do cinema.

Contudo, o que o distingue de todos os outros - algo de especialmente pertinente nesta época em que o sistema de estúdio desapareceu - é o fato de Cary ter sido a primeira estrela a se tornar independente. Desde que o seu contrato com a Paramount acabou em 1936, ele nunca mais assinou outro com exclusividade para qualquer companhia. Por isso, ao contrário de qualquer estrela (até o início dos anos 50), ele escolheu os argumentos e os realizadores com quem desejava trabalhar, nenhum executivo lhe escolheu os filmes, nunca foi forçado a fazer coisas de que não gostasse. Responsável por sua trajetória, construiu o arco da sua carreira, moldando a sua persona cinematográfica através do seu próprio direcionamento, coisa que homens como Bogart ou Cagney ou Tracy ou Cooper nunca puderam fazer.

Até a época de sua ligação com a Paramount, era pouco mais que uma primeira figura masculina apreciável, levemente desajeitada e bastante convencional numa fileira de filmes para esquecer. Se alguém se lembra de vê-lo contracenar com Mae West em “Santa Não Sou / She Done him Wrong” ou com Marlene Dietrich em “A Vênus Loira / Blonde Venus”, de Josef von Sternberg, é porque é tão surpreendentemente diferente do CARY GRANT futuro. Começamos a notar a diferença pela primeira vez em “Vivendo em Dúvida / Sylvia Scarlet”, de George Cukor, em 1935, e dois anos depois, desta vez quase atingindo a perfeição, em “Cupido é Moleque Teimoso”, de Leo McCarey, em 1938. Com “Boêmio Encantador / Holiday”, de Cukor, e “Levada da Breca”, de Hawks, tornou-se sinônimo de um determinado personagem - uma espécie de impertinência charmosa mesclada de um gosto impecável e de uma graça sutil e requintada.

O que o tornou tão desejável como intérprete, e tão inimitável (e teve muitos imitadores ao longo dos anos) foi uma mistura poderosa de talento com um aspecto de ídolo de matinês. Qual seria a estrela capaz de expressar cólera resfolegando como um cavalo (como fez em “Levada da Breca”) e, no entanto, manter a sua masculinidade? Quem mais seria capaz de dar cambalhotas para exprimir o seu amor pela vida (como em “Boêmio Encantador”) e fazer com que isso parecesse justo? Tinha uma maneira de dizer as frases mais banais que as fazia parecer uma coisa inteligentíssima.


Tornou-se um mestre tão perfeito em comédia, sofisticada ou popular, que o seu talento foi muitas vezes subestimado. Contudo, a profundidade emocional e a amplitude do seu trabalho em filmes como “Paraíso Infernal / Only Angels Have Wings” de Hawks ou “Serenata Prareada / Penny Serenade” de George Stevens ou “Ainda Resta uma Esperança / None But the Lonely Heart” de Clifford Odets, apagariam qualquer dúvidas. Mesmo um melodrama simpático, mas menor, como foi o primeiro filme de Richard Brooks, “Terra em Fogo / Crisis”, é animado pelo sentimento de verdade e a qualidade profissional que Cary põe na sua interpretação: desempenha o papel de um cirurgião - observe-se as cenas de operação e julgaremos que nunca fez outra coisa na sua vida. Com um argumento adequado e mesmo um realizador indiferente, a personalidade do ator pode transformar um filme como “Aventureiro da Sorte / Mr. Lucky” em algo de memorável e tocante. Quando todos os elementos estão certos, a sua presença torna-se parte indispensável da obra-prima: “Paraíso Infernal” e “Jejum de Amor” de Hawks, “Intriga Internacional / North by Northwest” e “Interlúdio / Notorious” de Hitchcock.

grant e ingrid bergman 
em interlúdio
Primeira figura masculina ideal, bobo perfeito, dândi admirável e patife encantador: se excetuarmos os seus primeiros tempos na Paramount, nunca lhe foi concedida autorização para morrer no fim do filme, e com toda a razão - quem acreditaria? Cary era indestrutível. E no entanto, só recebeu um prêmio da Academia em 1970 pelo conjunto da sua carreira. Foi o ponto alto da noite e a única vez que apareceu na televisão. Grant fez um discurso de agradecimento elegante e espirituoso, mencionando grandes realizadores que o tinham dirigido. Era uma lista consistente, pois trabalhou com mais bons realizadores do que qualquer outra estrela de cinema: Hawks (5 vezes), Hitchcock (4), Stanley Donen (4), Cukor (3), McCarey (3), Stevens (3), Raoul Walsh, Frank Capra, Joseph L. Mankiewicz, Blake Edwards, Garson Kanin. Cada um revelou facetas diferentes da sua fascinante personalidade. Hitchcock disse-me, “Ninguém dirige Cary Grant, só é preciso pô-lo na frente da câmara”.

Ele não faz filmes desde 1966, quando fez “Devagar, Não Corra / Walk Don't Run”, no qual deixou Jim Hutton e Samantha Eggar conduzir a matéria amorosa, enquanto desempenhava o papel de casamenteiro, interpretação que tinha sido originalmente de Charles Coburn na primeira versão da história, “Original Pecado / The More the Merrier”. O filme não é desagradável, mas o público não está interessado em vê-lo fazer aquele papel. Há um momento do filme em que Cary dá a Miss Eggar uma taça de champanhe e um beijo na mão que deve ter feito toda a gente ansiar por mais - é de certeza o momento mais romântico de todo o filme. Mas o ator tinha decidido que estava demasiado velho para contracenar com mulheres mais novas e, de fato, julgo que o relativo fiasco de “Devagar, Não Corra” acelerou a sua partida inesperada do cinema. Se as pessoas o queriam apenas como figura romântica e ele se sentia velho para isso, a única coisa a fazer era abandonar o cinema.

cary e o oscar especial 1970
Como é que o poderemos convencer de que não tem razão? Há pouco tempo disse a CARY GRANT que gostaria de tê-lo num filme e ele respondeu-me brincando que se fosse um papel de um velho de cadeira de rodas talvez aceitasse. Não lhe interessa o fato de parecer ter apenas cinquenta anos e de a maior parte das mulheres que conheço começarem a devanear à simples menção do seu nome. Não há nada a fazer - está metido até ao pescoço no mundo dos negócios e diz que adora.

Talvez seja feliz, mas o cinema perdeu alguém insubstituível. Cedo demais. Pode argumentar ter feito tudo que havia de fazer no cinema, o que é verdade, mas desejaria que continuasse nas telas. Por mim, daria tudo para tê-lo num filme, e tenho a certeza que o público não ficaria triste por ter esse estilo especial e essa sofisticação única de novo. Deve ser para os espectadores, como foi para mim da primeira vez que com ele me encontrei, um velho e querido amigo. Temos saudades dele.

Texto de PETER BOGDANOVICH
1972


GRANT-RANDOLPH SCOTT: “o CASAL FELIZ”

Elegância, charme e talento são as palavras certas para definir CARY GRANT (1904 -1986), que se afastou do cinema em 1966, logo após ingressou na indústria de cosméticos Fabergé, como relações-públicas, e depois saltou para executivo. Ele era para a Hollywood dos anos dourados o que Brad Pitt é para a indústria do cinema nos dias de hoje. Um dos atores preferidos de Alfred Hitchcock, com quem fez clássicos como “Ladrão de Casaca / To Catch a Thief (1955) e “Intriga Internacional” (1959), serviu de modelo para Ian Fleming criar o agente secreto 007. Desde sempre o astro foi alvo de comentários sobre sua suposta homossexualidade. Ele nunca assumiu publicamente nem mesmo uma bissexualidade, casando-se com cinco mulheres em intervalos diferentes. Em 1980, aos 76 anos, processou o comediante Chevy Chase, que teria assim se referido a ele na tevê: “What a gal!” (“Que garota!”).

Nos anos 1930, o ator, solteiro e um dos mais cobiçados da época, vivia numa mansão em Santa Monica, em Los Angeles, com Randolph Scott, estrela de faroestes e filmes de aventuras. Moraram juntos por 12 anos nessa praia particular da Califórnia. A residência ficou conhecida como a “mansão dos solteirões”. Em 1932, a Paramount fez 30 fotos deles para divulgar a alegria da vida de solteiro que levavam. As imagens ambíguas da dupla, tratados pela imprensa como “o casal feliz”, os mostram na piscina, levantando pesos, fazendo cooper, jogando dama ou jantando à luz de velas. Num flagrante bem íntimo, Scott aparece sentado à mesa olhando um documento, enquanto CARY GRANT o observa, a mão apoiada no ombro do amigo.



“Aqui estamos, vivendo da forma que achamos melhor como solteiros, numa ótima casa e a um preço relativamente barato”, disse Grant a uma revista da época. Dessa série, a foto que mais intriga é aquela que mostra a silhueta dos dois amigos no clima romântico de um fim de tarde, diante do mar. Gay, o cineasta George Cukor, que o dirigiu em “Núpcias de Escândalo”, comentou a postura do colega: “Ele nunca falaria sobre isso. No máximo, diria que os dois fizeram belas fotos juntos. Scott talvez admitisse - mas para um amigo.” Diante do frisson provocado por essa suspeita, a Paramount tirou proveito do suposto romance. E os filmes de CARY GRANT arrebentaram na bilheteria.

Verdade ou mentira, tudo se passava entre quatro paredes. Os dois astros estavam sempre juntos, inclusive nas noitadas. Por tal razão, a irônica e afiada Carole Lombard disparou: “Gostaria de saber qual destes dois garotos paga as contas.”. Vários livros nos contam que eram realmente homossexuais e extremamente apaixonados. Dizem que se conheceram durante um almoço na Paramount. Na época, Randolph Scott era amante de Howard Hughes, já CARY GRANT, vivia um romance com um estilista chamado Wright Neale. Para tentar encobrir as diversas aventuras homossexuais do seu astro Grant, a Paramount arranjava mulheres para sua companhia, mas nunca deu certo. A atração dos dois foi imediata e recíproca, Scott mudou-se imediatamente para o apartamento de Cary.



Não era comum dois jovens, belos e famosos atores viverem juntos naquela época. Pela exposição – eles apareciam juntos nas estreias sem companhia feminina – os mexericos se espalharam. Inicialmente encontraram refúgio num apartamento próximo a um reduto de homossexuais, Griffith Park. Depois se mudaram para a “mansão dos solteirões”.


Mesmo depois de casados com mulheres mantiveram diversos encontros. Ao saber do falecimento de Cary Grant, em 1986, o velho Randolph Scott (85 anos de idade) compareceu ao velório antes da cremação, dirigiu-se ao caixão, pegou nas mãos do amado, beijou-as, colocou-as sobre sua cabeça, e chorou copiosamente.


APAIXONADO por SOPHIA LOREN

Em 1957, durante a rodagem, em Espanha, de “Orgulho e Paixão / The Pride and the Passion”, de Stanley Kramer, CARY GRANT se apaixonou loucamente pela estrela italiana Sophia Loren, e tentou convencê-la a casar-se com ele. Ela conta esse episódio na sua autobiografia, “Ieri, Oggi, Domani / Ontem, Hoje, Amanhã”. Tinha 23 anos, ele 53 e estava casado com a terceira das suas cinco mulheres (casamentos que não abafaram os rumores da bissexualidade do ator). Passado em Espanha durante as guerras napoleônicas, o épico conta a história de um oficial inglês, interpretado por CARY GRANT, que ajuda um grupo de espanhóis a combater o invasor francês. Sophia Loren é Juana, a filha do chefe espanhol por quem o herói se apaixona. A atriz revela que Grant enviava ramos de flores todos os dias e insistia em que rezassem pedindo orientação para saber se deveriam deixar as pessoas com quem estavam envolvidos.


Ele estava então casado, há já oito anos, com a atriz Betsy Drake, de quem só viria a divorciar-se em 1962. Foi o seu casamento mais duradouro, e o ator sempre se mostrou grato a Betsy por ter conseguido fazê-lo recuperar a sua “paz interior”. Ela o convenceu dos benefícios de um tratamento por LSD, então legal, que parece ter resultado, segundo o próprio, onde o ioga, o hipnotismo e outras terapias falharam.

Sophia Loren, embora tivesse apenas 23 anos, era já uma atriz experiente e que dera nas vistas em filmes populares. Quando conheceu CARY GRANT, mantinha desde a adolescência uma relação com o produtor de cinema Carlo Ponti, com quem estava prestes a se casar. E casaram-se no dia 17 de Setembro de 1957, por procuração, depois de o produtor se ter divorciado da sua primeira mulher no México.

Para Sophia Loren, a idade de CARY GRANT não era problema, uma vez que “andava à procura de uma figura paternal”. O próprio Ponti era 22 anos mais velho do que ela. Mas “tinha de fazer uma escolha” e inclinou-se para o seu marido. “O Carlo era italiano, pertencia ao meu mundo, era a coisa certa a fazer”, explica na autobiografia. “Na época não tive remorsos, amava o meu marido e, embora tivesse afeto por Cary, não conseguiria casar com um gigante de outro país e deixar Carlo”.


DEZ COMÉDIAS de CARY GRANT
(por ordem de preferência)

01
NÚPCIAS do ESCÂNDALO
(The Philadelphia Story, 1940)
direção de George Cukor
  elenco: Katharine Hepburn

 02
LEVADA da BRECA
(Bringing Up Baby, 1938)
direção de Howard Hawks
elenco: Katharine Hepburn

03
CUPIDO é MOLEQUE TEIMOSO
 (The Awful Truth, 1937)
direção de Leo McCarey
elenco: Irene Dunne

04
JEJUM de AMOR
(His Girl Friday, 1940)
direção de Howard Hawks
elenco: Rosalind Russell

05
O INVENTOR da MOCIDADE
(Monkey Business, 1952)
direção de Howard Hawks
elenco: Ginger Rogers e Marilyn Monroe

06
E a VIDA CONTINUA
(The Talk of the Tawn, 1942)
direção de George Stevens
elenco: Jean Arthur

07
CARÍCIAS de LUXO
(That Touch of Mink, 1962)
direção de Delbert Mann
elenco: Doris Day

08
VIVENDO em DÚVIDA
(Sylvia Scarlett, 1935)
direção de George Cukor
elenco: Katharine Hepburn

09
INDISCRETA
(Indiscreet, 1958)
direção de Stanley Donen
elenco: Ingrid Bergman

10
MINHA ESPOSA FAVORITA
(My Favorite Wife, 1940)
direção de Garson Kanin
elenco: Irene Dunne

GALERIA de FOTOS


fevereiro 15, 2012

***************************** REIS do RISO

max linder

 
 
MAX LINDER
(1883 - 1925. Cavernes, SDaint-Loubès / França)

O comediante que mais influenciou Chaplin era francês e teve fim trágico: ele e a mulher foram encontrados mortos num hotel de Paris, em 1925. Ele começou aos 17 anos, trocando a escola pelos palcos de Bordeaux. Quatro anos depois, mudou-se para Paris, onde ganhou pequenos papéis em peças melodramáticas. Em 1905, iniciou carreira na Pathé Filmes. Nos três anos seguintes, dividiu-se entre teatro e cinema, decolando para a fama. A ponto de, em 1910, já ser considerado o comediante mais conhecido das telas em todo o mundo. Passou, além de atuar e escrever, a dirigir filmes. Sua popularidade chega ao auge em 1914, mas, convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial, foi atingindo por gases venenosos e teve seu primeiro colapso nervoso, que lhe deixou seqüelas pelo resto da vida. Voltou a atuar no cinema francês, mas logo aceitou proposta de um estúdio norte-americano e se mudou para Hollywood, onde seus problemas de saúde reapareceram. Morando novamente em Paris, casou-se em 1923. Mas não encontrou paz, mergulhando numa crise profunda. A última de sua vida.

MACK SENNETT
(1880 - 1960. Danville / Canadá)

O primeiro rei da comédia no cinema. Tudo começou quando, aos 17 anos, se mudou do Canadá para os Estados Unidos. Artista de vaudeville, nas muitas viagens que fazia, conheceu o homem que iria dar o primeiro impulso na sua carreira: D. W. Griffith. Sob a direção do mestre, atuou em pequenos papéis. Quando um diretor de comédias adoeceu pouco antes do início de uma filmagem, ele foi chamado às pressas para substituí-lo. Era 1912 e Sennett começou a despontar para a glória – criando logo depois seu próprio estúdio, o Sennett’s Keystone, que se transformou na maior fábrica de gargalhadas de Hollywood. De humor fácil, de grande apelo popular, cheia de gags irresistíveis, o comediante trilhou uma trajetória ascendente. Alguns nomes que seriam, algum tempo depois, monstros sagrados da tela, começaram com ele: Chaplin, Gloria Swanson, Fatty Arbuckle, Mabel Normand, Harold Lloyd, Frank Capra etc.

HAROLD LLOYD
(1893 - 1971. Burchard, Nebraska / EUA)

Começou numa companhia de teatro mambembe, parando com ela em Los Angeles. Com o fim da excursão, encontrou Hal Roach, que também sonhava com a fama – e ficaram amigos. O amigo recebeu uma herança familiar de 3.000 dólares e decidiu produzir filmes. Fizeram várias comédias de 1913 a 1915, mas as coisas começaram a dar certo quando criou o personagem Lonesome Luke, que fez muito sucesso. Mas, logo depois, achou a figura ideal: um homem bem-sucedido na vida, quase elegante, vestindo boas roupas, que usava um redondo par de óculos. Resultado: transformou-se em um dos maiores atores cômicos do cinema mudo. Nem um acidente foi capaz de interromper essa trajetória: durante a filmagem de “Haunted Spooks” (1920), uma bomba explodiu em sua mão, que ficou semiparalisada. Morreu de câncer aos 77 anos, em 1971.

BUSTER KEATON
(1895 - 1966. Piqua, Kansas / EUA)

Filho de artistas mambembes, aos seis meses já participava de espetáculos. Aos 21 era um nome de ponta do vaudeville e não teve dificuldades para aparecer como coadjuvante em curtas ao lado de Fatty Arbuckle. Em 1919, o produtor Joseph M. Schenck (casado com a atriz Norma Talmadge, irmã da mulher de Keaton, Natalie) o convidou para estrelar alguns filmes. Desse investimento resultaram sucessos, e durante muitos anos se tornou um ídolo do cinema mudo, principalmente a partir de sua obra-prima “A General / The General” (1926). Ao mudar-se para a poderosa Metro-Goldwyn-Mayer perdeu a liberdade de improvisar, submetendo-se às imposições de um grande estúdio. O resultado foi melancólico: abandonado pela mulher e afogando-se no álcool, logo veio a decadência e passou o resto da vida fazendo pontas. A partir de 1962, o artista, morto em 1966, teve sua obra revista e mereceu uma retrospectiva da Cinemateca Francesa.  “O Homem Que Não Ri”, como era conhecido, é reverenciado hoje como gênio.

CHARLES CHAPLIN
(1889 - 1977. Londres / Reino Unido)

Nascido em Londres e criado num orfanato, em 1906 entrou para a companhia de Fred Karno e quatro anos depois assinou contrato com a Keystone, nos Estados Unidos. Filmes curtos de dois rolos fizeram sua fama internacional como Carlitos. Dirigiu e atuou em diversas obras-primas, mas durante muito tempo temeu o cinema sonoro. Seus envolvimentos com mulheres geraram vários escândalos. Perseguido pelo macarthirmo, exilou-se na Suíça. Retornou aos EUA em 1972 para receber um Oscar honorário, mas apenas com um visto de um mês. Suas realizações como comediante, diretor, roteirista, produtor e compositor foram notáveis. É um dos maiores nomes da história do cinema.

Os IRMÃOS MARX
Chico (1887 - 1961. Nova Iorque / EUA)
Harpo (1888 - 1964. Nova Iorque / EUA),
Groucho (1890 - 1977. Nova Iorque / EUA) 
e Zeppo (1901 - 1979. Nova Iorque / EUA)

O grupo de comediantes mais escandalosamente excêntricos de Hollywood, fizeram da anarquia uma arte. Groucho era um mestre no jogo de palavras, Harpo era um mímico que tocava harpa, Chico um pianista que falava com sotaque italiano e Zeppo era o certinho. Nova-iorquinos e irmãos, começaram no teatro de variedades e depois na Broadway. Contratados pela Paramount, fizeram seus melhores e mais loucos filmes nesse estúdio. Depois foram para a Metro, onde atuaram no seu maior sucesso de bilheteria, “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935). Mas na MGM não tinham liberdade criativa e aos poucos foram decaindo. A última colaboração deles foi “Loucos de Amor / Love Happy” (1949), com Marilyn Monroe. Apenas Groucho continuou no cinema, terminando sua carreira em 1968 com “Skidoo / Idem”, de Otto Preminger.

W. C. FIELDS
(1880 - 1946. Darby, Pensilvânia / EUA)

Seu estilo de comédia não perdoava nada. Malabarista e artista de vaudeville, com um nariz grande e vermelho, alcançou a fama em musicais na Broadway. Seu modo de falar era imitado e seu alcoolismo legendário. Seu auge aconteceu com Mr. Micawber em “David Copperfield / Idem” (1935), de George Cukor.

MAE WEST
(1893 - 1980. Nova Iorque / EUA)

Uma arquetípica deusa do sexo com estilo lânguido, corpo sensual e sagacidade ao falar. Começou como artista de vaudeville, tornando-se uma escandalosamente bem-sucedida dramaturga e comediante, estreando no cinema em 1932. Ela escrevia seus roteiros, salvando a Paramount da falência e se tornando a mulher mais bem paga de Hollywood. Os problemas com a censura, que incluíram um curto período na prisão por obscenidade, terminaram por afastá-la das telas, atuando no teatro sempre com casa lotada.

O GORDO e o MAGRO
Stan Laurel (1890 - 1965. Ulverston / Reino Unido)
  e Oliver Hardy (1892 - 1957. Harlem, Geórgia / EUA)

Famosa dupla de comediantes em atividade desde o cinema mudo até meados da Era de Ouro de Hollywood, era composta por um magro, o inglês Stan Laurel, e um gordo, o norte-americano Oliver Hardy, que brilhavam no estilo pastelão. Atuaram também no teatro nos EUA e na Europa. Nos anos 40, decepcionados com os filmes em que não tinham controle criativo, concentraram-se em apresentações teatrais. Fizeram seu último longa em 1951, depois se aposentaram. No total, apareceram juntos em 106 filmes.

BOB HOPE
(1903 - 2003. Londres / Reino Unido)

Venceu um concurso de imitadores de Chaplin com apenas dez anos. No vaudeville, aprendeu a cantar, dançar e interpretar. Brilhou na Broadway e se transferiu para Hollywood em 1938. Uma das dez maiores bilheterias dos anos 40 e 50, conseguiu seu primeiro sucesso com o covarde de “O Gato e o Canário / The Cat and the Canary” (1939). Sua carreira declinou nos anos 50. Considerado instituição nacional, divertiu tropas norte-americanas em várias guerras. Por mais de 30 anos apresentou o Oscar.

ABBOTT e COSTELLO
Bud Abbott (1897 - 1974. Nova Jersey / EUA) 
e Lou Costello (1906 - 1059, Nova Jersey / EUA)

Dupla que fez sucesso com um humor simples, do tipo conhecido por pastelão, durante os anos 40. Eram verdadeiros ídolos das matinês. Começaram no teatro de revista na Broadway e no final da década de 40 a carreira de ambos entrou em declínio. Tentaram resgatar o prestígio perdido, mas não deu certo. Enfrentando graves problemas financeiros, Costello morreu vítima de um fulminante ataque cardíaco e Abbott passou os últimos dez anos de vida em uma casa de repouso.

Os TRÊS PATETAS
Shemp (1895 - 1975. Nova Iorque / EUA)
Moe (1897 - 1955. Nova Iorque / EUA),
Larry (1902 - 1975. Filadélfia, Pensilvânia / EUA)
  e Curly (1903 - 1952. Nova Iorque / EUA)

Grupo cômico em atividade de 1922 a 1970, mais conhecido por seus numerosos curta-metragens. Sua comicidade era marcada pela extrema comédia pastelão e farsa física. Moe, Larry e Curly (depois substituído por Shemp) protagonizaram 190 curta-metragens para a Columbia entre 1934 e 1958, sempre com sucesso. Nos anos 60, passaram a se apresentar ao vivo na tevê, em participações especiais disputadas.

DANNY KAYE
(1913 - 1987. Nova Iorque / EUA)

Tornou-se comediante antes dos 14 anos, trabalhando em hotéis. Durante os anos 30, apresentava-se em cabarés e apareceu em curtas. Tornou-se astro da Broadway em 1941 no musical “Lady in the Dark”, de Kurt Weill, e contratado por Samuel Goldwyn estreou no cinema como um recruta hipocondríaco em 1944. Sua carreira no cinema decaiu nos anos 50, embora “Hans Christian Andersen / Idem” (1952), com canções de sucesso, arrecadasse enorme bilheteria. Kaye passou para a tevê nos anos 60 e suas aparições no cinema se tornaram raras. Faleceu em uma cirurgia cardíaca.

LUCILLE BALL
(1911 - 1989. Jamestown, Nova Iorque / EUA)

Artista desde os 15 anos, entrou para o cinema como uma das coristas da Metro. Seu talento apareceu graças a pequenas aparições em comédias e musicais. Nos anos 40 conseguiu um espaço como comediante. Em parceria com o músico cubano Desi Arnaz, seu marido a partir de 1941, criou e produziu “I Love Lucy”, inspirada em “My Favorite Husband”, um programa de rádio protagonizado pela dupla. A série fez enorme sucesso e marcou época na história da tevê. Ela estrelou outras duas séries e filmes ocasionais.

JERRY LEWIS
(1926. Nova Jersey / EUA)

Começou nos palcos com seus pais aos cinco anos. Aos dezoito já era comediante profissional. Sua carreira decolou quando conheceu Dean Martin. O número deles era baseado na contradição: Martin era o cantor mulherengo seguro de si e Lewis o idiota descoordenado e desatento. Entraram para o cinema em 1949, contratados pela Paramount. Ao romper com Martin em 1956, ele passou a escrever, produzir e dirigir seus filmes. Continuou fazendo sucesso durante muito tempo, inclusive na Broadway.

OSCARITO
(1906 - 1970. Málaga / Espanha)

Nascido na Espanha, consagrou-se como o maior comediante brasileiro de todos os tempos. Iniciou sua carreira no circo, passou pelo teatro e em 30 anos fez 45 filmes. A primeira aparição nas telas aconteceu em 1933, em “A Voz do Carnaval”, antepassado das chanchadas que teriam nele seu grande astro. Grande Otelo era o seu parceiro habitual nas trapalhadas hilárias nas telas.

PETER SELLERS
(1925 - 1980. Portsmouth / Reino Unido)

Cômico anárquico, ficou famoso com o programa de rádio “Good Show”, mostrando talento como imitador. Depois de uma infinidade de comédias na Inglaterra, tornou-se uma celebridade internacional com “A Pantera Cor-de-Rosa / The Pink Panther” (1963) e “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” (1964). Neurótico e infeliz, morreu depois de um dos seus maiores sucessos, “Muito Além do Jardim / Being There” (1979), pelo qual concorreu ao Oscar.

AMÁCIO MAZZAROPI
(1912 - 1981. São Paulo / SP)

Oriundo do circo, esse paulistano comandava um programa radiofônico no final dos anos 40. Contratado pela Vera Cruz fez um tremendo sucesso, lapidando seu personagem típico, um caipira ingênuo às voltas com os problemas da grande cidade, mas sempre conseguindo superá-los. Não se limitando a ser apenas ator nos 32 filmes de sua carreira, fundou sua própria produtora, escreveu roteiros e dirigiu filmes.

JACQUES TATI
(1907 - 1982. Le Pecq / França)

Ele dirigiu apenas seis longas-metragens durante uma carreira de 60 anos, mas criou um herói cômico tão famoso como o vagabundo de Chaplin. Se os problemas relativos ao levantamento de recursos reduziram sua produção, o mesmo pode ser dito de seus preparativos obsessivos, que prolongaram seus projetos por anos. Começou nos cabarés, atuou em diversos curtas e terminou lançado como uma figura importante na tradição dos comediantes do cinema mudo. Embora tenham poucos diálogos, a insensatez cômica de seus filmes é destacada pelas trilhas sonoras absurdas.

CANTINFLAS
(1911 - 1993. Santa Maria la Redonda / México)

Engraxate, pugilista, motorista de táxi, toureiro e palhaço de circo, o mexicano Mário Moreno ao tornar-se comediante foi considerado o melhor do mundo por Chaplin. Seu bigode era único: dois chumaços ralos de pêlos caindo nos cantos da boca. As calças com os fundilhos lá embaixo, o lenço atado ao pescoço e uma fala esquisita fizeram dele um tipo super divertido. Estreou no cinema em 1936 e fez mais de cinquenta filmes, dois deles em Hollywood: “A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in Eighty Days” (1956) – Oscar de Melhor Filme – e “Pepe / Idem” (1960).

FONTE
“1.000 Que Fizeram 100 Anos de Cinema” 
da The Times/IstoÉ
 
 revista “Cinemin”