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Leitura

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Leitura é um prazer que se renova. Podemos ficar algum tempo sem ler, envolvidos pelas redes sociais, filmes ou séries, mas, de repente, atraídos por um livro redescobrimos a grande satisfação que a leitura pode nos dar. E isso, quase sempre, funciona como um gatilho, levando-nos à busca, e leitura de um livro atrás do outro. É o que tem acontecido comigo. Envolvida em outras atividades, fico um tempinho sem ler, embora sempre pensando em encontrar um bom título para a leitura. Daí, resolvo reservar um tempo das noites para os livros, fico entusiasmada, e emendo uma obra na outra. Nos últimos meses li alguns bons livros, entre os quais Bambino a Roma, do Chico Buarque, e O Novo Agora, do Marcelo Rubens Paiva.  Bambino a Roma, é apresentado como ficção, mas na verdade conta a história da família do seu autor, Chico Buarque, durante o tempo em que viveu em Roma, Itália.  Sérgio Buarque de Holanda, pai de Chico, foi convidado para dar aulas durante certo tempo na Universidade de ...

Como não amar?

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Passei horas desse sábado ouvindo o Chico. E quanto mais ouço o Chico, mais gosto dele, mais o admiro. Chico Buarque, cuja obra é de uma riqueza difícil de ser medida, engrandece nossa cultura há mais de cinquenta anos, e garante, à minha vida, momentos de imenso prazer. Suas canções me provocam, já nas primeiras notas, enlevo, encantamento, bem-estar. Sua poesia, é de um lirismo único. Amou daquela vez como se fosse a última … Pai, afasta de mim esse cálice … O meu amor tem um jeito manso que é só seu … A Rita levou meu sorriso No sorriso dela …. Quando olhastes bem nos olhos meus E o teu olhar era de adeus … Lembro bem do II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, quando Chico, com beleza e timidez, apresentou sua canção “A Banda”, vencendo a disputa, junto com “Disparada”.   A partir de então, colecionou sucessos, com canções de amor, canções do cotidiano, canções de cunho social. Canções com temas a partir do ponto de...

Leite Derramado II

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Terminei a leitura do “Leite Derramado” do Chico Buarque (Francisco Buarque de Hollanda). Em poucos dias li a história contada na primeira pessoa por Eulálio d’Assumpção, história essa que se inicia em tempos anteriores ao Império (há referências aos seus ancestrais portugueses) e vem até os dias atuais, com seu tataraneto carioca. O livro é absolutamente cativante, por seu texto fluente, leve e ao mesmo tempo profundo. É sensível e tem humor. Trata-se de um monólogo de um centenário, “antigo aristocrata”, que terminal em um leito de hospital fala sobre sua vida e de sua família, ora para a enfermeira que o está atendendo, ora para sua filha. E ao contar sua história, no meio de seus devaneios e delírios, ele fala sobre a decadência de sua família, sobre seu amor idealizado (ou doentio) pela mulher, Matilde, com quem casou e que logo o abandonou, sobre os problemas de seus descendentes, sobre o esnobismo de sua mãe, sobre problemas raciais, sobre a solidão, sobre a impaciência dos jov...