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Rotina

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Um dia atrás do outro. Um dia igual ao outro. Sem sonhos, sem planos. Acordar, organizar os serviços da casa, comprar orgânicos pela internet, mantimentos por aplicativos, remédios pelo telefone. Higienizar os produtos que chegam. Cozinhar. Distrair com algum trabalho manual. Assistir algum filme ou série. Alternar momentos de serenidade, com momentos de angústia. E lá se vai o tempo. Em três dias serão 5 meses completos. Quando isso mudará?

Pisando no chão

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Foram dias maravilhosos. Depois de mais de 120 dias de confinamento absoluto em casa, senti, com muita força, que estava precisando de pisar no chão de verdade. Terra, grama, piso de concreto, piso rústico... O que eu queria, com certeza, era ficar algum tempo num plano térreo, sair do meu 18º andar, poder abrir a porta, sair e caminhar ao ar livre. E tive essa oportunidade graças à gentileza e carinho de uma amiga, que me cedeu sua casa-paraíso. Pude trocar meu confinamento na minha cidade praiana, pelo confinamento no campo, no meio de muito verde, céu azul, sol muito quente, flores,  canto de passarinhos, tranquilidade. A cada dia me sentia melhor, a ponto de quase esquecer a rotina desgastante e tensa, desses tempos tão difíceis.  Voltei com nova energia. Mas voltei, também, com a impressão de que, de tempos em tempos, precisarei dar uma escapada do meu posto nas alturas, com vistas lindas da praia, para um chão firm...

Adequação

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Nesse último final de semana tivemos tempo feio, nublado e com chuva. Afinal, já estamos no inverno e temos tido uma sequência de dias bonitos, quentes e ensolarados. E, de repente, parece que o inverno resolveu se insinuar. E não é que eu gostei dessa mudança de tempo? As nuvens, a chuvinha, os tons cinza da praia, transmitiam tristeza.  E o ar da paisagem se adequou totalmente ao que estamos vivendo. Com tempo feio, chuva e friozinho, nada melhor do que ficar em casa. Já são 111 dias. Foto tirada às 8:35 h do sábado, dia 27/06/2020.

Mais um mês

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Quase um mês sem escrever por aqui. Um mês como os outros dois que o antecederam. Em confinamento, procurando enfrentar da melhor forma possível essa temporada difícil. E que se mostra com as dificuldades potencializadas, por conta do desgoverno nacional a que estamos submetidos. Sem dúvida, essa situação absurda da má política, deixa mais assustador o cenário trazido pelo vírus. Com isso tudo, embora procurando usufruir de tudo de bom que me rodeia, às vezes dou uma vacilada e fico meio abatida.  Respiro fundo, olho pela janela, penso nas coisas boas e aguardo o mal estar passar. Foi um mês produtivo na cozinha, na costura, e no lazer, pelo cinema. Muita música mas, não sei por que, pouca leitura. Estou na leitura do livro Carmen, do Ruy Castro. Seu problema é a letra muito pequena, que dificulta a leitura à noite.  Assisti duas séries inteiras, Anne com E (Netflix), e Homecoming (Amazon). Vi alguns filmes muito bons, entre os quais Sementes Podres (pena ...

Mudança de hábitos

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O isolamento social, além de nos deixar sós, jogou-nos numa espiral de serviços. Cozinhar, lavar louças, lavar roupas, passar aspirador de pó, receber as compras, higienizá-las, guardá-las, enfim manter a casa em ordem, para que nos sintamos bem entre suas paredes. Um casal de octogenários, que teve que se transformar num "exército" de funcionários do lar. Na primeira semana, o fôlego estava maior e, quando percebi, além de toda a roupa pessoal e da roupa de cama e banho, eu tinha os panos de prato e três toalhas de mesa para lavar. Para as refeições, andávamos da sala para a cozinha, atrás de pratos e talheres para arrumar a mesa, descansos para pratos quentes, caixas de chá, galheteiro, açucareiro, porta-guardanapo e tudo que se costuma usar nas várias refeições do dia. Terminadas as refeições, voltávamos com tudo e guardávamos nos lugares. O jeito foi pensar em medidas que facilitassem nosso serviço nesse período tão difícil. Não queríamos terminar o di...

Cotidiano

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"Todo dia ela faz tudo sempre igual"... Maravilhoso Chico. Tenho ouvido bastante o Chico Buarque, e muitos outros nesse prolongado isolamento. A música acalma, a música eleva o pensamento. E a verdade é que tenho feito quase tudo igual. Dentro da limitação imposta pelo confinamento, só é possível a variação dentro dos mesmos temas. Há dias em que me dedico à costura criativa, procurando fazer algum trabalho novo. Em outros, repito algo que já fiz antes, mudando algum detalhe e os tecidos. Há dias em que "invento" alguma receita de cozinha, para aproveitar algum ingrediente que precisa ser usado, ou alguma sobra boa de uma refeição anterior. Há dias em que experimento uma receita nova, e outros em que vou em busca de uma receita do passado. Há dias em que escrevo bastante, e outros em que leio. Há dias em que toco piano, e dias em que ouço o piano tocado por outros. Há dias em que vejo um episódio de alguma série, e outros em que assisto a ...