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Velhice e mimos

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Há muitos anos a velhice chegava cedo. Houve época em que, aqueles que completavam 40 anos eram “respeitosos senhores e senhoras”. Eram sisudos, usavam roupas sérias. Estavam na velhice. Com o aumento da expectativa de vida, a velhice foi sendo jogada para a frente. 50, 60, 70, 80 anos ... Não é possível determinar exatamente seu início. Varia de uma pessoa para outra, assim como é vista de maneira diversa por quem a avalia. Para uma criança, velho é quem tem mais de 30 anos. E para alguém que chegue aos 60 em plena saúde, a velhice está distante. De qualquer forma, quando a velhice vai se instalando, dá para notar seus sinais. E se somos próximos dos “velhinhos”, passamos a lhes dedicar novos cuidados. Sempre andei com meus pais, de lá para cá. Dava-lhes condução, acompanhava-os aos médicos e às compras, levava-os para passear. Meus irmãos e eu procurávamos poupá-los de muitos encargos. Organizávamos as reuniões de aniversários, as do dia dos pais e das mães, as fes...

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"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?" Ao ler esses versos tão reais, da grande Cecília Meirelles, lembrei de uma cena que vivi com minha mãe. Certo dia, entrando com ela num ambiente espelhado, ela olhou e não se reconheceu. Fez, para mim, um comentário de surpresa e estranhamento. E, com certeza deve ter pensado: " em que espelho ficou perdida a minha face?"