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Éramos nove

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Éramos nove, cinco homens e quatro mulheres. Entre o mais velho e o caçula, 18 anos de diferença. Anos que fizeram diferença só durante algum tempo. Logo, todos convivíamos na igualdade. A diferença da idade, sumiu. Carlos era o quinto, vindo logo depois de mim.  Levado, enquanto criança, e corajoso, agindo muitas vezes como um "galinho de briga". Inteligente, trabalhador, dedicado, generoso, rígido, teve grande sucesso profissional. Lembro que no Natal do seu primeiro emprego, chegou em casa como um verdadeiro Papai Noel. Ainda era solteiro, mas com muitos sobrinhos. Para a mãe, trouxe uma máquina de tricô Lanofix, verdadeira coqueluche da época. Para a criançada, diversos tipos de brinquedos. Brincalhão, irreverente, ótimo piadista, provocava muitas risadas na sua plateia familiar. De repente, um AVC, quase o derrubou. Estava se recuperando, e despertando esperanças. Mas veio outro AVC, logo seguido por uma tragédia aérea que lhe levou o filho do mei...

Golpe de dor

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Sabíamos que nada é para sempre, e que nossa irmandade completa, mais dia, menos dia, sofreria baixas. Nove irmãos unidos por laços fortes, instituídos, seguramente, pela feição dada à família por nossos pais Joaquim e Norma, e que ao longo de anos e anos conseguiram manter vivos a fraternidade e o sentimento de família. Sabíamos que nada, nem ninguém, vive para sempre. Mas achávamos que ainda teríamos muitos anos de convivência da irmandade completa. E nem cogitávamos da possibilidade de uma quebra instantânea. Só que, inesperada e instantaneamente, fomos atingidos por um golpe fatal.  Nosso irmão Joanor, o primogênito, nos deixou sem qualquer aviso. Assim, de um minuto para outro.  Ele, tão forte, tão saudável, tão cheio de vida, e que tinha tudo para viver bem, ainda por bastante tempo, veio a perder tudo isto repentinamente. E nos deixou perplexos, e imersos numa dor profunda. Ficaram as muitas lembranças da convivência. Suas brincadeira...

Dia de alegria

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“De Jo a Nor”. Dessa singela dedicatória, escrita num livro por meu pai ( Jo aquim) para minha mãe ( Nor ma), quando noivos, surgiu o nome do meu irmão mais velho : Joanor. Meu pai contava que, assim que nasceu seu primogênito, correu rapidamente para o cartório para fazer o registro. Com certeza não queria escutar opiniões contrárias à sua escolha. Não tenho como avaliar a estranheza que nome tão diferente possa causar aos que o ouvem pela primeira vez. Nasci e cresci escutando-o. Todos nós o assimilamos muito bem.  E esse nome único acabou por se duplicar: foi escolhido pelo titular, meu irmão, para batizar seu filho. E hoje, o dono desse nome quase único, completa 80 anos. Sim, 80 anos. Puxando a fila dos oito irmãos. Menino lindo, jovem garboso, avô charmoso. Parabéns, Joanor. Muita saúde, muitas alegrias, muito amor. Meus pais, Joaquim e Norma, com os dois primeiros filhos:  Joanor e Beto (José Gilberto), em 1935. Joan...

Santos Sabores

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Recheios comuns, como 4 queijos, frango com catupiry, queijo e presunto. Recheios sofisticados, como “brie” com damasco, “gruyère” com figo, queijo de cabra com castanhas. Todos, porém, santos sabores. Massa de “grano duro”, deliciosa. Sabores mais que santos. Divinos. Santos porque puros, honestos e que nos levam às alturas. E nascidos em Santos. Depois de mais de trinta anos na “arte” da odontologia, e de muitos fins de semana de criações culinárias em casa, a vontade e a coragem de cursar uma faculdade de gastronomia. Coragem porque, depois de um dia de trabalho, era preciso enfrentar as aulas e as atividades da “arte” culinária. Terminada a faculdade de gastronomia, a vontade e a coragem de iniciar uma nova fase. E, assim, nasceu, e está em pleno desenvolvimento, a “Santos Sabores”, alimentos artesanais. Agora, surge um ramo da “Santos Sabores”: um empório para venda das massas e outros produtos artesanais, com local para saborear as massas e outros pr...

Meu irmão Carlos

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Ele dizia que não iria querer festa de aniversário, nem qualquer tipo de comemoração. E me pediu que dissesse isso para sua filha, Fernanda, ou para a Regina, sua mulher, caso percebesse algum planejamento. Sem dúvida isso decorria de uma tristeza que o pegou de supetão, tirando seu ânimo e afastando seu comportamento brincalhão. Há aproximadamente três anos ele sofreu duas perdas enormes, daquelas que, se colocadas numa escala, ocupam um lugar bem no topo. Por conta disso, não queria comemorar. Seu apelo, contudo, não foi atendido. Como suas netas trigêmeas, filhas da Fernanda e do Peter, completariam 6 anos no dia 29 de janeiro, e seu aniversário de 70 anos ocorreria no dia 30, foi muito fácil preparar a festa “de surpresa”. Os filhos, noras e genro, e sua mulher, programaram uma comemoração completa. Convidaram os irmãos, sobrinhos, primos e amigos que o acompanharam na sua trajetória de vida, para comemorarem juntos seus 70 anos. E ele foi convidado para um almoço de an...

Dia dos pais

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Meu pai jovem. E na sua última foto. A lembrança mais antiga que eu tenho, é de um fato ocorrido quando eu tinha pouco mais de dois anos. Estava brincando no quintal da nossa casa, com uma amiga mais velha, quando ela se pendurou numa jardineira (floreira) que enfeitava uma das janelas da casa e a jardineira despencou. Na queda, a jardineira raspou minha perna direita e provocou uma fratura. Nessa época, éramos cinco irmãos e o caçula tinha alguns meses. Minha mãe providenciou para que meu pai fosse chamado no seu serviço, e logo depois ele estava chegando em casa. Colocou-me no seu carro e levou-me ao médico. E é justamente essa a minha lembrança mais antiga : eu sendo levada ao médico, por meu pai. Todo o resto da história, eu sei porque me foi contado quando eu era mais crescidinha. Um mês antes da minha fratura, meu irmão Beto (Gilberto) havia “quebrado” o braço. Lá fora meu pai, levá-lo ao médico. E muitas foram as outras ocasiões em que ele precisou socorrer algum filho, por m...