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Leite Derramado II

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Terminei a leitura do “Leite Derramado” do Chico Buarque (Francisco Buarque de Hollanda). Em poucos dias li a história contada na primeira pessoa por Eulálio d’Assumpção, história essa que se inicia em tempos anteriores ao Império (há referências aos seus ancestrais portugueses) e vem até os dias atuais, com seu tataraneto carioca. O livro é absolutamente cativante, por seu texto fluente, leve e ao mesmo tempo profundo. É sensível e tem humor. Trata-se de um monólogo de um centenário, “antigo aristocrata”, que terminal em um leito de hospital fala sobre sua vida e de sua família, ora para a enfermeira que o está atendendo, ora para sua filha. E ao contar sua história, no meio de seus devaneios e delírios, ele fala sobre a decadência de sua família, sobre seu amor idealizado (ou doentio) pela mulher, Matilde, com quem casou e que logo o abandonou, sobre os problemas de seus descendentes, sobre o esnobismo de sua mãe, sobre problemas raciais, sobre a solidão, sobre a impaciência dos jov...