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O ano em que não cortei o cabelo

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O ano começou como todos os anteriores. Queima de fogos na praia, beijos e abraços, votos de realizações, boas expectativas e, até, alguns sonhos. Veio janeiro, com seu calor abafado e úmido, veio fevereiro, com carnaval e início do ano escolar. Chegou março, quando o ano iria dar seu arranque e caminhar no sentido das realizações. De repente, as notícias vindas do exterior, a respeito das mortes causadas por vírus que atingira a China no final de 2019, passaram a repercutir seriamente entre nós. Essas notícias já circulavam desde o início do ano, mas eram vistas como algo distante. Em fevereiro ficaram mais próximas, quando do repatriamento de brasileiros que viviam na cidade chinesa de Wuhan, primeiro local a sofrer os efeitos fatais do coronavírus.   Os brasileiros residentes na China chegaram, e ficaram de quarentena em base aérea.  No mais, parecia que tudo continuava dentro do usual.  O problema era do outro lado do mundo. Era em outro hemisfério. Estávamos em fever...

Criando com HeloArte

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Percebi que, ultimamente, tenho falado e escrito muito sobre desalento, desesperança, cansaço. Tudo isso existe, mas também está presente o empenho em cumprir as tarefas de casa, cozinhar e costurar. A costura criativa, que entrou na minha vida em outubro de 2019, há somente oito meses, parece que me acompanha há muito mais. Antes disso, eu não costurava. De repente, passei a fazer diversos trabalhos, como se tivesse feito isso durante toda a vida. No início, ainda quando em aulas, eu estava me dedicando mais à produção de bolsas e carteiras. Fiz várias, e estava com vários projetos. Com a pandemia e o distanciamento social, sair de casa ficou fora de moda. E, como tal, usar bolsas. Passei, então, a buscar projetos de utilidades, que pandemia nenhuma pudesse atrapalhar. E tudo, usando material que tivesse em casa, ou que pudesse adquirir pela internet. É uma atividade apaixonante, que ocupa a mente e relaxa. Pensamentos sobre vírus, mortes, confusão social, riscos,...

Desesperança

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Tão cansada. Tão desesperançada. É assim que estou me sentindo após mais de 90 dias de isolamento/afastamento social. A vontade de escrever quase que desaparece. Sim, porque o que vem à mente é desanimador, e não vale a pena alimentar esse tipo de pensamento. Fujo do noticiário. Mas é difícil evitar totalmente aquilo que me perturba. As insanidades que acontecem são tamanhas, que extrapolam o noticiário comum e acabam me atingindo, querendo, ou não. E, mais. Um dos segredos da boa velhice é ter projetos. Planejar algo para os próximos dias, para os próximos meses. E, assim, manter a saúde mental. Como ter projetos nesse tempo sombrio, nesse período sem perspectiva, quer pela ameaça do vírus, quer pelo caos em que nossa sociedade está mergulhada. Impossível qualquer plano. Mas é preciso encontrar uma saída, que garanta mais tranquilidade e permita algum sonho. Quem sabe o melhor seria fugir pro mato? Pelo menos poderia ter o projeto de plantar bata...

47 dias

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Sim, estou dentro de casa há 47 dias.  Até sinto que o tempo está passando rápido. Nem bem a semana começa, e percebo que estamos chegando na sexta-feira. Talvez pelas muitas atividades que passaram a fazer parte do meu dia-a-dia. Estou bem. Consegui me afastar quase que totalmente do noticiário, pesadíssimo não só pelos dados de saúde, como pelos acontecimentos políticos causados por uma cambada de irresponsáveis. Com a distância das notícias, a tensão diminui. Até lembrei do ditado antigo: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Mas hoje acordei meio balançada, meio melancólica, como disse para o Berto.  Olhei pela janela e vi o mar lindo, paisagem que me acalma, me faz feliz. Só que, dessa vez senti vontade de poder sair, de passear um pouco, de caminhar na beirada do mar. E, esquecendo o propósito de viver o dia da melhor forma, sem preocupação com o futuro, pensei na possibilidade de ter que esperar muito tempo, um tempo que não tenho como ava...