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Não me entrego, não!

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Não me entrego, não! Quem está dizendo isso, com toda ênfase, é o ator Othon Bastos, num monólogo maravilhoso apresentado no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Trata-se de um monólogo diferente, porque o ator consulta, às vezes, sua memória "externa" interpretada por Marta Paret. Durante pouco mais de uma hora e trinta minutos, o ator, do alto dos seus 92 anos, transita pelo palco, senta-se em algumas ocasiões, e usa sua voz forte e retumbante para contar sua trajetória no palco, no cinema, e na televisão. Às vezes o ator consulta sua memória "externa", para que traduza para os tempos atuais alguns acontecimentos do passado, ou para que o ajude na escolha de determinadas palavras. Falando sem parar, e sem se hidratar durante todo o espetáculo, Othon Bastos mostra que realmente não se entrega, e consegue emocionar lindamente sua plateia. Foi um programa maravilhoso, uma lição de vida. E para completar esse domingo tão cheio de emoção, conseguimos reunir um grupo gr...

Éramos nove

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Éramos nove, cinco homens e quatro mulheres. Entre o mais velho e o caçula, 18 anos de diferença. Anos que fizeram diferença só durante algum tempo. Logo, todos convivíamos na igualdade. A diferença da idade, sumiu. Carlos era o quinto, vindo logo depois de mim.  Levado, enquanto criança, e corajoso, agindo muitas vezes como um "galinho de briga". Inteligente, trabalhador, dedicado, generoso, rígido, teve grande sucesso profissional. Lembro que no Natal do seu primeiro emprego, chegou em casa como um verdadeiro Papai Noel. Ainda era solteiro, mas com muitos sobrinhos. Para a mãe, trouxe uma máquina de tricô Lanofix, verdadeira coqueluche da época. Para a criançada, diversos tipos de brinquedos. Brincalhão, irreverente, ótimo piadista, provocava muitas risadas na sua plateia familiar. De repente, um AVC, quase o derrubou. Estava se recuperando, e despertando esperanças. Mas veio outro AVC, logo seguido por uma tragédia aérea que lhe levou o filho do mei...

Aurora da minha vida

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Agendei uma consulta médica em São Paulo e, ao receber informação sobre o endereço, mergulhei no passado. O consultório está localizado na rua onde vivi dos 8 aos 13 anos. “Oh! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida …” Numa “perua" - station wagon - seguimos de Santos para São Paulo, em 14 de fevereiro de 1946, pela Rodovia Caminho do Mar, a Estrada Velha de Santos.  Na ocasião, éramos 9: meus pais e seus então 7 filhos. O mais velho quase completando 13 anos e a caçula com pouco mais de 2 anos. Dessa viagem, que deve ter sido uma aventura, lembro pouco.  Gravei o dia da mudança, alguns detalhes do carro que nos levou e alguns aspectos do caminho. Na minha lembrança também ficou o nome Estrada do Vergueiro, que talvez servisse para nomear a Estrada do Mar, ou só sua parte final. Deixamos Santos para trás, com nossos amigos e parentes. Nossa escola e nossos colegas. Seguimos para uma nova vida na cidade de São Paulo, “São Paulo da ...

Encontro de família

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Dos 11 meses, aos 82 anos.  Alguns com cabelos brancos, outros em plena juventude e um grupinho de pequenos correndo pra cá e pra lá. Todos descendentes de Norma e Joaquim, meus pais, que se casaram em 16 de março de 1932, dando origem à nossa grande família. Escolhemos esse dia importante, 16 de março, para o início dos encontros anuais da Família Sérvulo da Cunha. Quando dia útil, a reunião se dará no sábado posterior. E assim foi, nesse ano. Marcamos nosso primeiro encontro em Campos do Jordão, no dia 21 de março, sábado. Mas o pessoal foi chegando desde o dia 20, e todos saímos no dia 22.  Um Encontro centralizado no dia 21, mas que durou um fim de semana. O lugar é lindo, todos estavam muito bem, e pudemos sentir aquele clima gostoso dos nossos encontros do passado. Lembramos dos nossos filhos pequenos, correndo de lá pra cá. Hoje, os que correm são seus seus filhos, nossos netos. Demos, às atuais crianças da família, a oportunidade de convivên...

Na roda da vida

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Felizes. Assim estamos todos. Nosso "menino" chegou para alguns dias entre nós, e fomos buscá-lo no aeroporto. E nessa hora, toda aquela distância, que existe entre nosso país e aquele em que ele vive, parece que nunca existiu. Estamos todos juntos. Pisando no mesmo solo, e com o mesmo fuso horário. Isso acontece pouco, e precisa ser bem vivido. As distâncias são enormes, mas a roda gira e o amor é o mesmo de sempre.

Mais um ano!

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Bolo improvisado. Ela me perguntou se era a convidada de honra. “ Hoje é aníver da vovó Helô, um exemplo de força, de foco, de inteligência e de coragem para as renovações percebidas como necessárias para rumos melhores. Uma vida marcada por grandes conquistas pessoais e profissionais, que trazem grande orgulho a mim e a todos que a conhecem e sabem de sua garra, entrega e brilhantismo em tudo o que faz. Parabéns, mãe! Muitas felicidades, e que a vida traga sempre novas alegrias para você, assim como as proporcionadas pela netinha, logo mais com os bisnetinhos e assim vai!!!! Que bom comemorar com você, e viva para sempre assim linda e cheia de saúde para a netinha trazer sempre flores e doces para a vovozinha!!! Beijão, te amamos, Pri e Isa.”   Subir mais um degrau (ou descer?) da vida, e ser surpreendida logo cedo com essa mensagem pública tão amorosa, deixou meu dia mais feliz. Depois, foi só comemorar com pessoas queridas.  ...

Tudo de bom!

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Depois de dois anos, o Gus veio passar suas férias em família. Foi muito esperado, e  a ansiedade da Isadora era sem tamanho. Ela levou um presente para o aeroporto, mas quis comprar um outro lá, declarando seu amor por ele. Assim que chegou em casa, ainda cansado da viagem, Gus abriu sua mala de "Papai Noel". Isadora e um dos seus presentinhos. Pri e seu "presentão". Estou parecendo tão pequeninha. Todos fazendo palavras com o jogo de letrinhas, um dos presentes da Isadora. Adorei o macacão da mamãe. Entre a Isadora e o tio Gus, muita cumplicidade. Passearam juntos, e ele fez uma série linda de fotos. E ela quis fazer as suas. Tio Gus bateu foto da Isadora, e  Isadora bateu do tio Gus. Tomateiro no jardim do Prédio?  Na volta do passeio, tio Gus preparou um refrescante "drink" de chá. Careteira. Foi um mês corrido, pequeno para os encontros e as curtiçõe...