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Dias de apreensão

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Maio chegou e passou, praticamente em torno de um único objetivo: a pesquisa sobre um problema de saúde, e a busca da solução. Foram diversas idas a médicos, a realização de exames variados, o estresse, o cansaço físico e a apreensão. Até que ontem, após o exame conclusivo, parece ter ficado afastada a hipótese que causava maior preocupação. Nesse período de praticamente um mês, com alguns dias difíceis, e rotina diferente, contei com o amparo afetuoso do marido e dos filhos. Até meu filho, que mora tão distante, do outro lado do mundo, esteve presente nesses dias e, particularmente, no dia de ontem, quando os três fizeram questão de me acompanhar para a realização do exame.  E, no final, aliviados, pudemos dar graças pelo término dessa primeira fase. Nesse meu espaço, já escrevi sobre muitos passeios, muitas viagens e celebrações felizes. Já escrevi, também, sobre alguns eventos tristes. Nem poderia ser diferente.  Há dias luminosos, e há dias sombrios....

Sonhos para o novo ano

Quero continuar a envelhecer bem. Se possível, somente com os desgastes naturais do passar do tempo. Quero receber muito amor e carinho. Ser olhada com compreensão e afeto. Quero conviver com pessoas leves, alegres, de bem com a vida. Quero ter muitos motivos para me sentir feliz. Quero ter muitas ocasiões para dar risadas. Quero ter boas oportunidades de passeios e viagens. Quero ter sonos tranquilos, pernas boas para caminhadas, ouvidos bons para bons sons, visão boa para todo tipo de beleza. Quero ter mãos e dedos bons, para dedilhar as teclas do meu piano, e fazer os pontos do meu crochê. Quero ter boas conexões e entendimento, para continuar com meus escritos e leituras. Quero manter meu encantamento e entusiasmo pela vida. Quero viver muito bem em família. Quero sentir tudo de bom que a vida pode dar. E, em troca, quero dar o meu melhor.

É a vida.

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Há bastante tempo ela queria um cachorrinho, mas o fato de morar em apartamento, e de ainda ter pouca idade para se responsabilizar por cuidados, foi adiando a realização do sonho. Até que, em primeiro de fevereiro foi com sua mamãe a um órgão municipal de adoção de animais, para escolher seu cachorrinho. Na verdade, quem a escolheu foi o animalzinho, que se chegou procurando colo. Vivia ali há algum tempo, com idade calculada entre 7 e 8 anos, o que levou o veterinário a perguntar-lhe se não preferiria esperar um filhote. Ela não quis esperar. Ficou firme na escolha, e saiu feliz com o seu “Zig”.  Embora tivesse pensado em outros nomes, conservou aquele que o acompanhava.  Sua mamãe agendou veterinário, que atestou as boas condições físicas do cachorrinho. E daí, começou a nova rotina na casa. A menininha acordava cedo e já se arrumava para descer com seu cachorrinho. Na hora da escola, o Zig ia acompanhando sua caminhada. No final das aulas, lá est...

Viver e morrer

Em abril de 2013, assisti o musical Alô Dolly, em São Paulo, e fiquei encantada com a atuação da protagonista Marília Pêra.  Durante duas horas ela dançou, cantou, interpretou e seduziu o público. Na ocasião, ela estava com pouco mais de 70 anos e, inspirada nela, escrevi um pequeno texto sobre “Envelhecer bem” . Sim, ela estava em pleno vigor de vida. Ágil, com postura perfeita, fazendo aquilo que amava. Passados pouco mais de dois anos e meio, chega-nos a notícia da morte da atriz. Ela que estava tão bem, e a quem a palavra velhice parecia tão inadequada, encerrou sua trajetória entre nós. Abatida por doença grave. Será que quando a assisti, o processo da doença já estava em andamento? É possível. Mas lá estava ela no palco, vivendo e brilhando. A suposição é que, enquanto conseguiu, manteve seu trabalho. O mesmo trabalho que, feito com amor, fez com que envelhecesse bem. Porém, para todos existe um ponto final. Aquele que nasce, morre. Nada, contudo, afas...

Envelhecimento difícil

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Foto da web Desrespeito generalizado, agressividade, violência, indefinição de sexo, desconforto com o sexo de nascença, ausência de ética, “black blocs”, “pink blocs” ... Pessoas que não se entendem como homens, nem como mulheres. São os dois. Como a cantora austríaca Conchita Wurst que diz gostar “de ser mulher nos palcos e no trabalho e um homem na vida privada” * . E se apresenta sensual, com roupas femininas, cabelo longo, mas com bigode e barba bem cerrada. Alunos que enfrentam professores, e pais que apoiam filhos indisciplinados e violentos. Jovens, e nem tão jovens, que ignoram o respeito devido aos velhos.  Grosserias a todo momento. O mundo está conturbado. Sim, eu sei que o mundo está em constante mudança e seria impossível pretender que o mundo da minha infância, ou adolescência, fosse o mesmo desses dias. Mas eu sempre pensei que havia princípios eternos, e que esses se manteriam através dos tempos. Não é o que acontece. Princípios? E co...

Quero ser Bibi

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Sabia que gostaria do show, mas não imaginava que fosse sentir uma emoção tão grande. Depois de um primeiro número da orquestra, eis que ela entra no palco. Passos firmes, num vestido cheio de brilho. Alguém da plateia grita: está linda, Bibi. Depois de fazer duas poses diferentes, virando para um lado e para o outro para mostrar sua lindeza, ela agradece. E começa a soltar a voz. E eu, começo a sentir uma emoção tão grande, que é impossível não chorar. É verdade que me emociono com facilidade, e já senti forte emoção em outros shows e concertos. Mas ali estava sendo diferente. Era algo quase que incontrolável. Emoção sobretudo por ela, por sua presença no palco, por sua voz firme e bonita, por sua memória, por seu enorme talento. Por sua viagem musical pelo Brasil de épocas diferentes. Por suas interpretações em inglês, espanhol, francês ... Pelo inusitado do show. "Deixe em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desate...

História de cinema

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Uma história de cinema. Isso foi o que um rapaz de lingua inglesa me disse, ao terminar de bater uma fotografia que lhe pedi. No início desse mês de setembro, estávamos em Paris, na frente da Tour Eiffel, e eu tinha na minha mão duas fotografias tiradas em maio de 1991. Esperei que o rapaz terminasse de tirar suas fotos e, mostrando-lhe uma das que eu segurava, pedi que ele tentasse repeti-la. Ele ficou meio surpreso, e eu expliquei-lhe que aquela foto havia sido tirada há 21 anos, exatamente naquele local. Tentamos, então, conseguir o mesmo enquadramento, mas esquecemos de manter nossa posição e eu acabei trocando de lado com o Berto.  21 anos. Nós mudamos, e o entorno da torre, também. Nesse tempo todo foram feitas mudanças, e novo ajardinamento.  E o que era lindo, ficou ainda mais. A segunda foto tem uma cena na belíssima Place de la Concorde.  Mostrando a foto tirada em 1991, fiz o pedido de uma nova para um grupo de três moças....

Linda!

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(Alerta: conversa de vovó. Na ocasião, Isadora com 5 anos e 7 meses). Durante um café da manhã, mais ou menos há dois meses, a Isadora me perguntou: - Vovó, quem vai morrer primeiro, você ou a "bivó"? - Não sei, minha netinha. Ninguém sabe quando vai morrer. -Ah, mas eu acho que a "bivó" vai morrer primeiro, porque ela é mais velhinha que você. Você não acha? - Não sei, minha linda. Às vezes acontece das pessoas mais novas morrerem antes. É uma coisa que não dá para saber. Ela olhou bem, para mim, e disse: -Vovó, eu quero que você viva 100, 200 anos. Eu quero que você seja "humana" para sempre.

Festejando o aniversário

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17 de novembro. Comecei o dia, feliz, e com um pensamento de agradecimento aos meus pais, e a Deus, pela vida. Foi um dia de muita energia positiva, de muitas surpresas boas, de muito carinho. Logo cedo, antes de tomar o café da manhã, já havia recebido vários cumprimentos pelo facebook. E foi assim o dia inteiro, marcando meu dia de uma forma diferente. Muitos e muitos cumprimentos, em mensagens carinhosas. Depois, flores chegando, e enfeitando meu dia. E, a partir das 16 horas, os mimos, abraços e beijos de muitos. À tarde, um chá em torno da mesa.  À noite, brindes com vinho, e eu recebi o grande presente da visita do meu tio Paulo, acompanhado pela tia Mercedes.  Irmão caçula da minha querida mãe, o tio Paulo veio, com seus 90 anos, me trazer seu abraço tão valioso. Eu, que por não ter feito convites, achava que receberia um número bem pequeno de pessoas, recebi amigos e parentes, das quatro da tarde até onze da noite. Sempre gostei de festejar aniversá...

Muito obrigada.

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Palavras. Onde estão as palavras? Por enquanto, só consigo encontrar as de agradecimento. A Deus por ter me permitido uma convivência tão longa, e tão próxima, com aquela que me deu a vida. A todos aqueles que, de perto, ou de longe, demonstraram seu afeto, me trouxeram carinho e conforto. E à minha netinha Isadora, que com sua presença amorosa e diária, não me deixa esquecer o lado alegre da vida. Obrigada. Muito obrigada.

Depois da pausa azul

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Cheguei certa de que encontraria resolvidas algumas pendências sobre pequena reforma em casa, mas nada. Cheguei com o propósito de retomar caminhadas diárias, mas tive que interrompê-las novamente. Cheguei com a idéia de conseguir ajuda para grandes arrumações em armários, não deu. Cheguei ... e entrei na realidade. Cobrando o pessoal, para encerrar os serviços de reforma. Torcendo para que a chuva dê uma trégua. Começando a arrumação sozinha. Ai, ai ... Acho que estou meio desanimadinha. Na verdade, gostaria que surgisse uma fada azul, para resolver tudo com sua varinha. Plin, plin ...

Apagando velinha

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Hoje é dia de alegria e, para festejar a vida e o meu aniversário, fotinhos dos meus primeiros anos de vida. De bebê sorridente, mas também sério, para menininha séria, feliz, e com ar sonhador. De 9 ou 10 meses, até 9 anos. Que fase importante. Crescimento, brincadeiras, aprendizagem, formação. E daí até os dias de hoje, quantas histórias. Buscas, encontros, desencontros, alegrias, tristezas, dúvidas, certezas, sonhos, desilusões, realizações, esperança. Amor. Vida. (Fica faltando uma fotinho que eu adoro, mas que não consegui localizar).

Velhice e mimos

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Há muitos anos a velhice chegava cedo. Houve época em que, aqueles que completavam 40 anos eram “respeitosos senhores e senhoras”. Eram sisudos, usavam roupas sérias. Estavam na velhice. Com o aumento da expectativa de vida, a velhice foi sendo jogada para a frente. 50, 60, 70, 80 anos ... Não é possível determinar exatamente seu início. Varia de uma pessoa para outra, assim como é vista de maneira diversa por quem a avalia. Para uma criança, velho é quem tem mais de 30 anos. E para alguém que chegue aos 60 em plena saúde, a velhice está distante. De qualquer forma, quando a velhice vai se instalando, dá para notar seus sinais. E se somos próximos dos “velhinhos”, passamos a lhes dedicar novos cuidados. Sempre andei com meus pais, de lá para cá. Dava-lhes condução, acompanhava-os aos médicos e às compras, levava-os para passear. Meus irmãos e eu procurávamos poupá-los de muitos encargos. Organizávamos as reuniões de aniversários, as do dia dos pais e das mães, as fes...

Derramando o leite?

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Adoro piano. Adoro tocar piano. Mas se gosto tanto, por que toco tão pouco? Será algo semelhante aos relacionamentos pessoais? Algo como gostar de alguém mas não manifestar amor, e nem procurar aproveitar sua companhia? Será que se algum dia for acometida por uma dessas “..troses”, ou “..trites”, que muitas vezes aparecem com a idade, terei dificuldades para tocar piano? E daí, será que vou chorar? Ou lamentar aquilo que não fiz? Valha-me Santa Cecília! (Com um fundo musical, já falei um pouco sobre isso aqui . É de lá esse filminho).

Disciplina

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Quando penso, ou falo, em disciplina, não estou pensando em obediência cega, nem em comportamento automático. Penso, sim, em comportamento organizado, dirigido a um objetivo que para ser alcançado exige atenção, dedicação, ordem e submissão a regras. E essa submissão deve ser espontânea, pois sem obediência a determinadas regras será difícil alcançar o resultado desejado. Só com disciplina se obtém sucesso nos eventos mais diversos, como por exemplo num concurso público, num vestibular em universidade pública, num regime de emagrecimento e até na organização do dia-a-dia de uma casa.  Existem regras que devem ser seguidas. E quem quer ter êxito, precisa se disciplinar. Precisa ter auto-disciplina. Contudo, como em quase todos os tipos de comportamento, esse também vem se transformando ao longo do tempo, e nem sei se ainda se pensa, ou se fala, em como é necessária a disciplina para a vida pessoal, profissional e até familiar. Lembro das escolas antigas, que mantinham seus alunos em es...

O Escafandro e a Borboleta

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O Escafandro e a Borboleta, história real “escrita” por quem a viveu, é um livro que nos deixa perplexos: com seu teor, e com sua realização.  Jean-Dominique Bauby era um jornalista jovem e bem sucedido (editor da Elle, em Paris) que, acometido por um grave acidente vascular-cerebral, ficou quase que inteiramente paralisado. O único movimento que conservou foi o do seu olho esquerdo. Sua mente, contudo, permaneceu intacta. Ele pensava, raciocinava, sentia, e tinha lembranças. E usando do poder da sua mente, e do movimento do seu olho, ele incrivelmente conseguiu escrever esse maravilhoso livro. Num trabalho de paciência e perseverança, que contou com a inestimável assistência de Claude Mendibil, Jean-Dominique redigiu mentalmente os diversos capítulos do seu livro, ditando-os para seus interlocutores por meio de piscadas do olho esquerdo. Para que isso fosse possível foi organizada uma listagem das letras do alfabeto, colocadas em ordem decrescente da utilização na sua língua p...

Fila inevitável

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Por esses dias, uma amiga perdeu seu irmão e teve que enfrentar a morte de surpresa, pois embora ele não fosse jovem era relativamente saudável. Ao comentar sua partida, ela me disse que procurava ficar conformada, por ser esse nosso destino. E que todos nós estamos numa fila que não para. Ele tornou-se o primeiro da fila, e partiu. Fiquei pensando nessas palavras e achei a colocação interessante. Morte, normalmente, é algo em que não costumamos pensar. Ou, pelo menos, algo em que não gostamos de pensar. Sabemos que se há vida, também há morte. Mas isso, num plano bem abstrato. Normalmente não nos imaginamos caminhando para ela. Contudo, ao pensar em fila, consegui visualizar essa caminhada de uma forma mais concreta. Ainda que não possamos saber qual a nossa posição na fila, sabemos que estamos nela, e que ela está sempre andando. Difícil? Sem dúvida. Difícil e inevitável. Então, é preciso que se tenha consciência disso. E é essa consciência que nos ajuda a viver melho...

1ª e 4ª gerações

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Hoje fui almoçar com minha mãe, e passar algumas horas com ela. Levei comigo a Isadora , que entra na casa como um raio de luz. Faz com que a sonolência da “bisa” melhore, provoca risadas e até pequenos comentários. Almoçamos as três, eu no meio. De um lado a serenidade, o silêncio, o olhar distante. De outro a vivacidade, a tagarelice, o olhar atento. Entre as duas, 92 anos e seis meses. Acabei primeiro, disse a netinha, com o prato raspado. E a bisa, alheia e com lentidão, procurando dar conta do seu. Onde ficaram sua agilidade, seu vigor, sua alegria? Por mais que estivessem presentes a alegria e a esperança, na pessoa da netinha, confesso que terminei o almoço triste (para não dizer arrasada). Não é fácil assistir a luz, que sempre nos iluminou, ir perdendo, dia a dia, sua força. C’est la vie! Mas, no decorrer do dia, momentos mais leves e animadores. Muita brincadeira da Isadora com o Júnior (cachorrinho da bisa), e o melhor: por três, ou quatro vezes, a bisa conseguiu expressar c...