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Gripe, leitura e esperança

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Estou meio distante do blog, tudo por conta de uma gripe. Gripe acompanhada de sinusite. Chegou meio devagar, dando sinal pela garganta. E, de repente, foi um mal-estar geral. Dificuldade para respirar, tosse e muita, muita secreção. Não teve jeito. Apesar de fugir de remédios fortes, tive que entrar no antibiótico. E em todo um arsenal de cuidados. Inalação, xarope, soro nasal. Dormir com a cabeça mais elevada, evitar ar condicionado. Nunca me dei bem com gripe. Será que alguém se dá? Mas sei que alguns se recuperam após três ou quatro dias de repouso, e eu sempre precisei de mais. Agora, então, entrada nos oitenta, parece que uma semana é insuficiente. Já são duas semanas de resguardo, tratamento, e ainda não me sinto totalmente bem. Ainda bem que a indisposição não atrapalhou minhas leituras e pude prosseguir com o desfrute dos livros que ganhei no final do ano. Comecei e terminei a leitura da “Minha História”, da Michelle Obama. Gostei bastante. ...

Dias de angústia

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Quero escrever, seria uma boa distração, mas está difícil. Difícil escrever, difícil dormir, difícil distrair. Quando se está numa situação de risco, sob a ameaça de consequências imprevisíveis, é difícil pensar em outra coisa. É difícil lembrar de temas leves, interessantes e que causem prazer. Fica-se sufocada, numa situação de impotência total. Percebe-se que se está a um passo do abismo, sem conseguir fazer praticamente nada para evitar o desastre total. Mas, no fundo, permanece a esperança. Não quero acreditar que a grande maioria não perceba o caminho acidentado que está trilhando, e que poderá nos levar para uma situação de imensa dificuldade.  Não quero acreditar que a maioria faça sua escolha movida pelo ódio, ou por outro sentimento que não é o adequado para motivar uma escolha. Não quero acreditar que a maioria deixe de comparar a história de vida de um, e do outro postulante ao seu voto. Não quero acreditar que uma figura que defende a tortura...

Amor à vida

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No último dia 13/07, li uma notícia na Folha de São Paulo com o seguinte título: Por bisnetos, Alencar pede que os médicos o ‘segurem’. No texto, consta que ele dissera, aos médicos, o seguinte: “Vocês vão ter que me segurar, porque vou ter dois bisnetos.” Os médicos perguntaram se seria para acompanhar o batismo, e ele respondeu: “Não, para a formatura”. Logo que li essa notícia, guardadas as proporções e respeitadas as diferenças, lembrei de um fato ocorrido comigo há pouco mais de três anos. Estava numa consulta médica, e fui aconselhada a fazer uma cirurgia, que já vinha adiando há seis meses. Não era de urgência, mas um dia teria que ser feita.  Então, falei para o médico que não poderia marcá-la, pois minha filha estava esperando nenê. Daí, ele me perguntou: podemos marcá-la para logo depois do nascimento?  E eu: não, vou esperar ela crescer um pouco.  Quanto? Alguns meses?  E eu: Não. Mais tempo. Acho que só quando ela for para a escola. Estava ansiosa aguardando a chegada da mi...

Maternidade

Dia 3 de novembro. Foi numa data como essa, que me tornei mãe pela primeira vez. E foi, então, que passou a se desenrolar, em mim, uma série de sentimentos todos ligados à cadeia tão forte que há entre mãe e filho. Sentimentos ora sucessivos, ora concomitantes. Sentimentos transitórios, sentimentos permanentes. Sentimentos que me abatem, sentimentos que me deixam em estado de graça. Encantamento (acho que o primeiro), preocupações, ternura, alegrias, tristezas, dúvidas, esperança, mágoas, orgulho, mas, sobretudo, amor incondicional . E uma certeza : a de que ser mãe é doação, é um projeto sem fim.

Ditados das avós

Interessantes eram os tempos antigos, quando os mais velhos sempre tinham um ditado, ou uma citação, diante das mais diversas situações. Logo no início da vida desse meu blog, em junho/08, postei um texto onde fiz referência a dois ditados muito utilizados por minha mãe. Diante de uma criança “insubordinada” (êta palavrinha antiga), lá vinham aqueles seu ditados: “É de pequenino que se torce o pepino” e “Haja alguém que nos governe” (quando os pais eram extremamente tolerantes). Quando uma criança insistia em querer fazer, ou ter, algo não permitido, lá vinha o ditado : “Pode tirar o cavalinho da chuva”. Isso encerrava o assunto. Minha avó Olga tinha um repertório ultra-extenso. Realmente, os ditados faziam parte do seu dia-a-dia. Cometeu alguma bobagem, ou deixou de fazer algo que deveria ter feito, disso resultando prejuízo? “Não adianta chorar sobre o leite derramado”. Está numa situação difícil, sem o vislumbre de qualquer saída? Isso é o mesmo que “estar no mato sem cachorro”. ...