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Mudança de hábitos

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O isolamento social, além de nos deixar sós, jogou-nos numa espiral de serviços. Cozinhar, lavar louças, lavar roupas, passar aspirador de pó, receber as compras, higienizá-las, guardá-las, enfim manter a casa em ordem, para que nos sintamos bem entre suas paredes. Um casal de octogenários, que teve que se transformar num "exército" de funcionários do lar. Na primeira semana, o fôlego estava maior e, quando percebi, além de toda a roupa pessoal e da roupa de cama e banho, eu tinha os panos de prato e três toalhas de mesa para lavar. Para as refeições, andávamos da sala para a cozinha, atrás de pratos e talheres para arrumar a mesa, descansos para pratos quentes, caixas de chá, galheteiro, açucareiro, porta-guardanapo e tudo que se costuma usar nas várias refeições do dia. Terminadas as refeições, voltávamos com tudo e guardávamos nos lugares. O jeito foi pensar em medidas que facilitassem nosso serviço nesse período tão difícil. Não queríamos terminar o di...

47 dias

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Sim, estou dentro de casa há 47 dias.  Até sinto que o tempo está passando rápido. Nem bem a semana começa, e percebo que estamos chegando na sexta-feira. Talvez pelas muitas atividades que passaram a fazer parte do meu dia-a-dia. Estou bem. Consegui me afastar quase que totalmente do noticiário, pesadíssimo não só pelos dados de saúde, como pelos acontecimentos políticos causados por uma cambada de irresponsáveis. Com a distância das notícias, a tensão diminui. Até lembrei do ditado antigo: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Mas hoje acordei meio balançada, meio melancólica, como disse para o Berto.  Olhei pela janela e vi o mar lindo, paisagem que me acalma, me faz feliz. Só que, dessa vez senti vontade de poder sair, de passear um pouco, de caminhar na beirada do mar. E, esquecendo o propósito de viver o dia da melhor forma, sem preocupação com o futuro, pensei na possibilidade de ter que esperar muito tempo, um tempo que não tenho como ava...

Coronavírus

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A sensação de pertencer a um grupo de risco é completamente desconfortável. E é como estou me sentindo há poucos dias. Reconhecida a pandemia do coronavírus, o perigo passou a estar presente, em tese, em todos os lugares. Saiu da China, chegou a vários países da Europa, Oceania e Américas. Está ao nosso lado. Está nos rodeando. Até há pouco, eu me sentia relativamente tranquila. Mas, com as leituras, as explicações científicas e os acontecimentos, a tranquilidade foi diminuindo. E o motivo é estar exatamente no grupo de maior risco, o dos maiores de 80 anos. Contudo, não estou em pânico. E, sim, preocupada. O que assusta é a rápida contaminação e progressão da doença, De um dia para o outro, a mudança do quadro é alarmante. E eu, que achava que poderia continuar a sair, cuidadosamente, fiquei convencida que é necessário ficar quieta em casa. Os entendidos aconselham o isolamento. Só dessa forma estaremos nos cuidando e colaborando para que a progressão da doenç...