Postagens

Mostrando postagens com o rótulo preocupação

Criança preocupada?

Imagem
Alerta: conversa de vovó. Para registro. As crianças sempre nos surpreendem. Fazem e dizem coisas que achamos que estão fora do seu alcance. Outra noite, recostadas na minha cama, eu e a Isadora conversávamos. De repente, ela me disse: - Sabe, vovó, às vezes eu fico tão preocupada com você. - Por que, minha netinha? - Ah, porque você fica muito sozinha. Passa os dias sem companhia, e quase não sai de casa. - Não tem problema, minha linda. A vovó já está acostumada. E a vovó sempre arranja muita coisa para fazer e se distrair. Na verdade, nunca imaginei que ela pudesse ter esse tipo de preocupação. Ou outra preocupação qualquer.   Criança preocupada? Não imaginava essa possibilidade. É que, passando todas suas férias comigo, ela observou que grande parte dos dias da semana eu fico só. E é isso mesmo. Pois, embora acostumada, muitas vezes até eu acho que estou ficando muito tempo só.  

Santo remédio

Imagem
Às vezes sinto falta de um trabalho envolvente, daqueles que ocupam a mente de tal forma, que não deixam espaço para qualquer tipo de preocupação. Durante minha vida profissional, tive a oportunidade de perceber que eventuais preocupações ficavam em suspenso, desde o início do dia até o fim da jornada. Só, então, conseguiam se fazer notar. Às vezes até tentavam se insinuar, mas logo eram afastadas pela necessidade de destinar todo o pensamento para a realização do trabalho. Daí o velho ditado de que “trabalho é um santo remédio”. Mas agora percebo que, sem esse tipo de trabalho totalmente envolvente, fica mais difícil ter uma trégua de ocasionais preocupações, mágoas ou sofrimentos. O campo está livre, o mal-estar chega e se instala. Como parece que existem outros “santos remédios”, e que o trabalho, atualmente, nem está com todo o prestígio de que resultou o ditado acima, o caminho é buscar outra solução. Será que "rir é o melhor remédio"?

Maternidade

Dia 3 de novembro. Foi numa data como essa, que me tornei mãe pela primeira vez. E foi, então, que passou a se desenrolar, em mim, uma série de sentimentos todos ligados à cadeia tão forte que há entre mãe e filho. Sentimentos ora sucessivos, ora concomitantes. Sentimentos transitórios, sentimentos permanentes. Sentimentos que me abatem, sentimentos que me deixam em estado de graça. Encantamento (acho que o primeiro), preocupações, ternura, alegrias, tristezas, dúvidas, esperança, mágoas, orgulho, mas, sobretudo, amor incondicional . E uma certeza : a de que ser mãe é doação, é um projeto sem fim.

Doenças infantis

Há anos atrás, as doenças infantis eram bem definidas e apresentavam sintomas que permitiam um diagnóstico fácil. Algumas eram mais comuns, e muitas vezes as mães até incentivavam o contágio para que as crianças logo ficassem livres delas. Em certos casos, tendo uma vez a doença, ela não se repetiria. E, quanto mais cedo tivessem, melhor era, pois os riscos na adolescência, ou na idade adulta, seriam maiores. Assim, nossos filhos tinham caxumba, coqueluche (ou tosse comprida), catapora e, às vezes, rubéola (era menos comum). Sabia-se exatamente quais eram os sintomas, qual era o tempo de incubação, e qual o tempo de duração da doença. Muito freqüentes, também, eram as amidalites, que causavam febre alta. Com o tempo, quase todas essas doenças foram sumindo, graças ao desenvolvimento das vacinas. E daí, houve a explosão das viroses sem nome (pelo menos para os leigos). Vírus de múltipas espécies, que passam a causar problemas para nossas crianças principalmente quando elas começam a fre...

Desfile escolar

Quando ia chegando a Semana da Pátria, era aquela dúvida: será que vai chover? Essa era, e é, uma época de nevoeiros e de alguma chuva. Daí, a preocupação. Pode parecer que eu estivesse apreensiva com eventual perda de viagem ou então que, embora realizada, a viagem ficasse prejudicada pela chuva. Não, não era isso. No tempo, a que me refiro, não existia o hábito de viagens nos feriados, e muito menos da emenda de feriados. Havia aulas de 2ª feira ao sábado e, mesmo no caso de dois feriados seguidos, não se viajava. A preocupação com a chuva na Semana da Pátria tinha seu motivo no desfile escolar, que aqui em Santos, era realizado no dia 6 de setembro. Os colegiais colocavam seus uniformes de gala, alguns eram escolhidos para carregarem as bandeiras, e a formação acontecia na avenida da praia. As escolas iam desfilando garbosamente, uma atrás da outra. As que possuíam fanfarra faziam muito sucesso, e acho que ninguém pensava em faltar ao desfile, que fazia parte do calendário escolar. ...

Missão de mãe

No último dia 12.08, minha filha publicou um texto lindo no seu blog, dizendo logo no início: “ durante a infância e a adolescência eu tinha pavor de perder a minha mãe. Achava que a falta de um dos pais deveria trazer um vazio tão grande, que não imaginava como as pessoas que passavam por isso suportavam” (blognosduas.blogspot.com). Algumas vezes, durante sua adolescência, ela comentou comigo essa sua preocupação, dizendo que, se eu faltasse, ela morreria junto. Sempre procurei tranqüilizá-la, dizendo que por aquele motivo ela não iria morrer, coisa nenhuma, e que quando chegasse a hora da minha partida ela já estaria envolvida com sua família, já teria seus filhos e estaria cuidando deles. Por dentro, contudo, eu também sentia esse pavor. Tinha uma preocupação enorme de partir cedo, sem que tivesse acabado de criar meus filhos, e sem que eles tivessem uma estrutura emocional e uma segurança econômica que lhes permitissem enfrentar a falta da mãe. E essa preocupação sempre aumentava, ...