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Papéis, lembranças e emoções

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Contas de luz, telefone, água, gás, boletos diversos, vencidos e pagos, carnês de imposto predial, guias de imposto de renda e de previdência social, papéis, papéis e mais papéis.  É uma loucura guardá-los e, após tempos variáveis, descartá-los.  Procuro fazer esse tipo de descarte, de ano em ano. É um trabalho maçante e extremamente cansativo. E toca a olhar, um por um, a rasgar e a descartar.  Nesse ano, para facilitar, resolvi usar uma guilhotina elétrica para, pelo menos, não ter o trabalho extenuante de rasgá-los à mão.  Alguns papéis ficam guardados por um ano, mas há outros que devem ficar por cinco, e até dez.  O fato é que todo ano é necessária uma faxina de papéis, para evitar o acúmulo e uma dificuldade maior, na hora da arrumação.  Só que, além desse tipo de papel ou documento descartável, há outros que se mantêm pela vida.  São anotações do tempo da juventude, boletins escolares com assinatura dos pais, cartas de amigas, de familiares...

Aurora da minha vida

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Agendei uma consulta médica em São Paulo e, ao receber informação sobre o endereço, mergulhei no passado. O consultório está localizado na rua onde vivi dos 8 aos 13 anos. “Oh! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida …” Numa “perua" - station wagon - seguimos de Santos para São Paulo, em 14 de fevereiro de 1946, pela Rodovia Caminho do Mar, a Estrada Velha de Santos.  Na ocasião, éramos 9: meus pais e seus então 7 filhos. O mais velho quase completando 13 anos e a caçula com pouco mais de 2 anos. Dessa viagem, que deve ter sido uma aventura, lembro pouco.  Gravei o dia da mudança, alguns detalhes do carro que nos levou e alguns aspectos do caminho. Na minha lembrança também ficou o nome Estrada do Vergueiro, que talvez servisse para nomear a Estrada do Mar, ou só sua parte final. Deixamos Santos para trás, com nossos amigos e parentes. Nossa escola e nossos colegas. Seguimos para uma nova vida na cidade de São Paulo, “São Paulo da ...