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Estar, para ser

Cada vez mais, tenho dificuldade para entender a necessidade de exposição em redes sociais. Principalmente a exposição de sentimentos. Pais, que vivem ao lado dos filhos, precisam vir a público para dizer aos filhos quanto os amam. Eles não estão se dirigindo ao público, mas sim aos filhos. É lógico que o público também fica sabendo. O mesmo, em relação aos filhos. Parece que o amor que têm aos pais só é verdadeiro se for divulgado. E não estão dizendo ao mundo que amam seus pais, mas dizendo aos pais, via rede social, que sentem amor por eles. Parece que os sentimentos só são verdadeiros se alardeados. Eu estou ao lado de alguém por quem sinto amor, mas esse amor só será real se for exposto. Vou ser gentil com alguém, vou fazer um agrado a um próximo. Preciso de registro. Preciso publicar. Caso contrário, meu ato será incompleto. Ah, também preciso informar ao mundo que acordei, que vou dormir, que estou com insônia. Privacidade? Daqui a pouco desaparecerá por com...

Amor de pai

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                                                                         Meus sobrinhos, Carolina e Renato, felizes papais da Catarina. Hoje escutei um depoimento lindo. Um dos meus sobrinhos, papai há pouco tempo, me disse que nunca se sentiu tão feliz como se sente agora. E que seu coração parece transbordar de tanto amor por sua filhinha. Não sabe se esse amor é tão imenso por ter passado pelo susto de perdê-la, pois prematura ficou quase um mês na UTI pediátrica, ou se o amor por um filho é sempre assim. E hoje, quarta-feira, dia em que tem as tardes livres, estava num contentamento enorme porque ficaria tomando conta da sua linda Catarina. Esse será seu programa maravilhoso para todas as quartas-feiras à tarde. Achei isso bonito demais. Anos atrás, os pais eram absolutamente con...

Maternidade

Dia 3 de novembro. Foi numa data como essa, que me tornei mãe pela primeira vez. E foi, então, que passou a se desenrolar, em mim, uma série de sentimentos todos ligados à cadeia tão forte que há entre mãe e filho. Sentimentos ora sucessivos, ora concomitantes. Sentimentos transitórios, sentimentos permanentes. Sentimentos que me abatem, sentimentos que me deixam em estado de graça. Encantamento (acho que o primeiro), preocupações, ternura, alegrias, tristezas, dúvidas, esperança, mágoas, orgulho, mas, sobretudo, amor incondicional . E uma certeza : a de que ser mãe é doação, é um projeto sem fim.

Recados das crianças

"> Pelas brincadeiras, as crianças expressam facilmente seus sentimentos, temores e aceitações. Nos últimos dias minha netinha, que está com dois anos e três meses, passou vários recados dessa forma. 1. Ela adora tomar banho na minha banheira de hidromassagem e sempre tem a companhia de um patinho de borracha, para brincar. Logo no início do banho, ela me entregou o patinho, para que eu colocasse numa beirada da banheira.Eu lhe perguntei se não iria brincar com ele e ela respondeu:“Não, porque ele está bravo”. E eu: por que ele está bravo? Ela: porque a mamãe dele foi trabalhar. Daí, expliquei mais uma vez, que a mamãe dele precisa trabalhar para comprar comidinha e roupas para ele. 2. Quando eu a levo para a escola, ela na cadeirinha, no banco de trás, sempre vou conversando, ou cantando alguma música do seu repertório, para que o trajeto não pareça tão longo. Outro dia ela me pediu para que eu contasse a história do chapeuzinho vermelho, que ela adora. A história sempre é con...

Mostrar sentimentos

Aqueles que têm um pouquinho mais de idade devem notar uma diferença enorme entre o relacionamento de pais e filhos de hoje, e de um tempo atrás. Há muitas diferenças, mas uma que me chama muito a atenção é a demonstração de sentimentos e a manifestação de aprovações em relação aos filhos. Os pais e mães mais antigos eram extremamente contidos, e tinham uma dificuldade enorme em demonstrar afeição. Não eram só os pais que eram “travados”. Muitos avós, também. Tios, também. Enfim, todos eram “travados”. Ninguém dizia para seu filho : “como você é lindo”, ou “eu te amo muito”. As crianças deveriam sentir que eram amadas por seus pais, ou avós, mas não escutavam isso. Já em relação à beleza, penso que era mais difícil achar-se bela, ou belo, sem que ninguém afirmasse isso. Se a criança era um ótimo estudante, não recebia elogios. Com isso se evitava que o filho ficasse “convencido”. O mesmo, em relação à beleza. Não se podia chamar o filho de lindo, senão ele acabaria ultra-convencido e a...