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Meu bolo favorito

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 Sempre estou atrás de um bom filme, para ser assistido em sala de cinema. Nem sempre é fácil encontrar. Em Santos, a troca de filmes costuma ser rápida, a não ser quando se trata de um filme de muito sucesso, como foi o "Ainda estou aqui". Usualmente, os lançamentos comuns entram e saem rapidamente.  Ainda assim, ficando atenta à programação, consigo encontrar filmes para assistir do jeito que mais gosto: numa sala de cinema. E, nesse ano, consegui gozar desse prazer algumas vezes. Um dos filmes que me encantou foi "Meu bolo favorito", produção iraniana que aborda a solidão na velhice, e a resistência íntima às regras políticas rígidas. A personagem principal é uma viúva de 70 anos, que vive sozinha em Teerã. Sua filha e netos vivem no exterior, e seu cotidiano é marcado pela solidão, pelas rotinas simples. Parece que seu isolamento é quebrado somente em chás com amigas também idosas, e foi justamente após um chá que ela resolve mudar sua vida. Coloca-se na busca d...

Existência

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Estou só. (Guimarães Rosa) "Eu estou só. O gato está só.  As árvores estão sós. Mas não o só da solidão: o só da solistência". O sol está forte, a manhã está linda.  Caminhando pela praia, na beira do mar, vou cruzando com pessoas de todos os tipos. Altas, baixas, gordas, magras. Muitas, aos pares. Algumas, em grupos. Mas há as que estão sós. Talvez porque prefiram assim. Talvez porque não tenham com quem compartilhar a manhã luminosa. Entre as que estão em grupos, muitos jovens. Entre as que estão sós, muitos idosos. Mas estão lá. Caminhando, vivendo a manhã tão clara e quente. Estarão sós por escolha? Serão mais sós que os demais? Todos somos sós. Todos somos sós?

Viver só

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Pode acontecer com qualquer pessoa que more sozinha. Mas o risco maior é entre os idosos. Normalmente, o idoso não tem nenhum compromisso diário que permita, aos outros, perceber sua ausência, quando ele falta. Às vezes, fica vários dias sem sair de casa, e sem receber visitas. Nem sempre recebe telefonemas, ou entra em contato com amigos ou parentes. E, de repente, ele tem um mal súbito, que o impede de pedir socorro.  Cai, e fica ali, no chão, sofrendo, e aguardando que alguém se lembre dele e telefone, ou apareça na sua casa, e estranhe o fato dele não atender o telefone, ou a porta. E foi o que aconteceu com uma conhecida. Octogenária, vivendo sozinha, foi encontrada no chão, por dois sobrinhos que haviam estranhado o fato dela não atender o telefone. Ela havia sofrido um AVC, e ali estava esperando socorro, parece que há oito horas. Penso que isso deve ser mais comum do que imaginamos. É triste, muito triste, mas de solução difícil. N...