A mensagem de Mateus Fazeno Rock não poderia ser mais clara: “Lá Na Zárea Todos Querem Viver Bem”. Contraponto ao material entregue no soturno Jesus Ñ Voltará (2023), o terceiro álbum de estúdio do cantor e compositor cearense nasce como uma celebração à vida nas periferias, trata sobre bem-estar, otimismo, memória e o direito ao descanso, mas em nenhum momento perde a crueza e o contato com a realidade. “Parece que eu tô correndo / Pra lugar nenhum / Não ter esperanças / Cansa”, reflete o artista em Melô do Sossego. Síntese criativa do restante da obra, a canção evidencia não apenas o forte aspecto provocativo e sobriedade de Mateus durante toda a execução do álbum, como destaca os sintetizadores e a contribuição sonora do experiente Fernando Catatau, coprodutor do trabalho junto do próprio artista e Rafael Ramos. Uma vez imerso nesse espaço musicalmente ampliado, munido sempre de letras documentais, Mateus leva o “rock de favela” que vem sendo explorado desde Rolê Nas Ruínas (2020) para outros territórios criativos. Em Mercado das Miudezas, por exemplo, o artista contrapõe a dureza da vida periférica com a potência do coletivo (“Na melhor nóis divide o que tem / Na pior nóis divide também”), já em Daquilo que Nois Merece, é o amor que surge como refúgio em tempos difíceis (“O ano inteiro trabalhando tanto / Tesão e descanso”)... Continue Lendo no Música Instantânea
domingo, 28 de setembro de 2025
Mateus Fazeno Rock - Lá Na Zárea Todos Querem Viver Bem (2025)...
A mensagem de Mateus Fazeno Rock não poderia ser mais clara: “Lá Na Zárea Todos Querem Viver Bem”. Contraponto ao material entregue no soturno Jesus Ñ Voltará (2023), o terceiro álbum de estúdio do cantor e compositor cearense nasce como uma celebração à vida nas periferias, trata sobre bem-estar, otimismo, memória e o direito ao descanso, mas em nenhum momento perde a crueza e o contato com a realidade. “Parece que eu tô correndo / Pra lugar nenhum / Não ter esperanças / Cansa”, reflete o artista em Melô do Sossego. Síntese criativa do restante da obra, a canção evidencia não apenas o forte aspecto provocativo e sobriedade de Mateus durante toda a execução do álbum, como destaca os sintetizadores e a contribuição sonora do experiente Fernando Catatau, coprodutor do trabalho junto do próprio artista e Rafael Ramos. Uma vez imerso nesse espaço musicalmente ampliado, munido sempre de letras documentais, Mateus leva o “rock de favela” que vem sendo explorado desde Rolê Nas Ruínas (2020) para outros territórios criativos. Em Mercado das Miudezas, por exemplo, o artista contrapõe a dureza da vida periférica com a potência do coletivo (“Na melhor nóis divide o que tem / Na pior nóis divide também”), já em Daquilo que Nois Merece, é o amor que surge como refúgio em tempos difíceis (“O ano inteiro trabalhando tanto / Tesão e descanso”)... Continue Lendo no Música Instantânea
sexta-feira, 5 de maio de 2023
Mateus Fazeno Rock - Jesus Ñ Voltará (2023)...
Uma das grandes revelações do cenário artístico cearense, Mateus Fazeno Rock lança “Jesus Ñ Voltará“, seu segundo álbum de estúdio, nesta sexta-feira (28). Cria das periferias de Fortaleza, Mateus solidifica o seu rock de favela ao apresentar novas músicas com uma sensibilidade visceral, que desafiam poeticamente os sistemas. Na sonoridade e nos versos, testemunhamos a sua história transpassada pela sua gente. “O álbum inteiro é interligado em canções sobre os ciclos de começo e de fim da vida. Só que dentro de uma perspectiva da vida na favela e como são os desafios que a gente conta para estar vivo, continuar vivo, querer continuar vivo e gostar de estar vivo“, conta Mateus... Continue Lendo no site da Marcia Travessoni
segunda-feira, 25 de abril de 2022
Mateus Fazeno Rock - Rolê Na Ruínas (2020)...
“Andando ali no outro lado da rua, ela me evita pois tem medo que eu leve sua bolsa. Enquanto isso eu vou lhe evitar, levitar, levitar / Inevitável que na minha idade a minha cidade não fique apavorada quando eu ando por aí”. “A fome faminta de morte batendo na porta tirando o sossego / A bala perdida que é teleguiada mirando no corpo do nego”. Esses versos ácidos e por vezes reais demais são alguns exemplos da prosa de Mateus Henrique Ferreira do Nascimento, o jovem preto de 26 anos responsável por “puxar o bonde” – como ele mesmo prefere dizer – do projeto Mateus Fazeno Rock. Residente em Sapiranga, bairro pobre de Fortaleza com grande incidência de favelas constantemente assoladas pela especulação imobiliária, Mateus passou a frequentar uma biblioteca local quando criança porque a mãe solteira começou a estudar para tentar passar no vestibular. O costume criado ao acompanhá-la despertou no menino um grande interesse pela leitura. Ao descobrir o rock por meio de um vizinho que ouvia muito Nirvana e Silverchair e organizava festivais de bandas no quintal de casa, estava ali plantada a semente de um artista. Depois de aprender alguns acordes no violão por meio de ações da ONG Revarte (Resgate dos valores através da Arte) e de organizar um sarau no bairro, Mateus teve contato com o teatro, apresentou poemas e suas primeiras ideias musicais para outros artistas e curiosos. Com isso, o rapaz percebeu que poderia falar para pessoas que sofrem os mesmos problemas – racismo, segregação social e violência policial – e usar sua escrita para compartilhar histórias e manter a sanidade, pois “o nego não tem grana pra pagar um analista e nunca ouviu falar em terapia holística, nem reiki, só break”... Continue Lendo no Scream Yell