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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Kiko Dinucci - Cortes Curtos (2017)



 "Muito mais rock do que samba, o disco tem na capa uma foto de Kiko sendo enquadrado pela polícia durante um show em apoio ao Movimento Passe Livre. "Foi constrangedor porque um monte de gente que foi ver meu show acabou assistindo o meu enquadro", conta. Produzido pelo próprio Kiko, que canta e toca guitarra, Cortes Curtos traz Marcelo Cabral no baixo, Sérgio Machado na bateria e foi gravado por Rodrigo "Funai" Costa no Red Bull Studios, em São Paulo, durante cinco dias no segundo semestre de 2015. "No mesmo esquema que gravo os discos do Metá Metá e Passo Torto: tudo muito rápido e objetivo.", continue lendo a entrevista no Noisey.
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terça-feira, 21 de julho de 2015

Passo Torto e Ná Ozzetti - Thiago França (2015)...




Passo Torto e Ná Ozzetti é cinema. É música e palavra em curto-circuito, desencadeando a imaginação do ouvinte: imagem e ação, imagem em movimento... é cinema, na sua sugestão de ambientes e espaços, planos e enquadramentos, de climas e texturas quase palpáveis... aquele cinema do cinema novo, da nouvelle vague e do cinema marginal... por vezes aquele ar de um radical desenho animado para adultos ou de uma antiga e agridoce comédia italiana... é também um cinema de guerrilha, feito com enorme economia de recursos e abundância de ideias... música pode ser tudo isto. Passo Torto e Ná Ozzetti é canção. Mas não exatamente a canção do samba-canção, a canção com refrão, a canção de amor e dor-de-cotovelo... canções que contam pequenas estórias, mas estórias sem grandes heróis nem moral da estória... estórias nem sempre lineares, estórias tortas cantadas em poesia, mas conduzidas também pela montagem inusitada dos arranjos, pelos cortes bruscos e secos, pelo contraste entre timbres saturados e cristalinos, pela alternância entre a estática do ruído e do quase-silêncio e a vertigem das intricadas texturas polifônicas... tudo isto pode ser canção. Mas, não... não é só isso... Passo Torto e Ná Ozzetti fazem cinema-canção... sim, cinema-canção. É um cinema-canção com locações em São Paulo. Mas não estamos propriamente na São Paulo dos personagens de Adoniran e de Vanzolini... não uma São Paulo explícita nos nomes de ruas e bairros... mas uma São Paulo arrancada do juízo de cada uma das cinco cabeças que se encontram nesse disco... é a São Paulo da urgência e da densidade, do sexo e da falta de sexo, da morte e do carnaval... mas é, antes de tudo, a São Paulo transfigurada em um estado mental. Passo Torto e Ná Ozzetti é vanguarda mas também é tradição. Passo Torto sempre soou como banda coesa e não como um mero aglomerado de trabalhos individuais, e a presença-parceria de Ná Ozzetti felizmente se dá com grande naturalidade... é raro uma artista se manter na vanguarda durante toda sua vida (afinal a vanguarda é o pelotão de frente de um exército, reservado aos mais jovens, ainda enérgicos e entusiasmados), e também são raros os encontros entre duas gerações de artistas que resultem em frutos tão maduros e homogêneos... pois aqui Ná Ozzetti alcança essas duas virtudes com muita leveza... e assim presenciamos algo digno de nota: a vanguarda nascendo de novo e se transformando em tradição que alimentará futuras vanguardas e outras tantas tradições. E por que “Thiago França”? como diriam aqueles ilustres baianos-paulistanos, Tom Zé e Vicente Barreto (vanguardistas à sua maneira e tão atentos à música dos mais jovens quanto a própria Ná): “Hein?” “Thiago França” é o Passo Torto e Ná Ozzetti mantendo a tradição de confundir para esclarecer...
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sábado, 1 de junho de 2013

Passo Torto - Passo Elétrico (2013)



Os músicos e compositores Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Romulo Fróes lançam o segundo disco do projeto Passo Torto, intitulado Passo Elétrico. Se no primeiro álbum, privilegiou-se os instrumentos  acústicos, agora, como o próprio título parece anunciar, o novo disco parte de uma busca por novas sonoridades. A nova formação inclui guitarras, conduzidas por Kiko Dinucci e por Rodrigo Campos, que mantém o cavaquinho, mas dessa vez processado por pedais de efeitos. Pedais, que também foram incorporados ao baixo acústico de Marcelo Cabral. Novamente há a ausência de instrumentos de percussão, substituídos pela arquitetura rítmica dos instrumentos de corda. Outra característica do trabalho do Passo Torto se manteve e se desenvolveu ainda mais com este novo disco, a construção harmônica, que se dá pelas diferentes vozes melódicas de cada instrumento, produzindo uma teia polifônica que dificulta a identificação dos acordes de cada canção. Essa polifonia, produz uma tensão rítmica que faz com que a canção por muitas vezes flutue, sobre uma pulsação não muito clara, camuflada por distorções, texturas e ruídos, incorporados aos arranjos. Como no disco anterior, as letras das canções do Passo Torto continuam a flertar com São Paulo e seus personagens, mas com Passo Elétrico, essa relação se mostra de maneira crítica e inconformada, questionando a transformação desordenada da cidade e seus desdobramentos na vida do cidadão paulistano. 
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sábado, 12 de maio de 2012

Rodrigo Campos - Bahia Fantástica (2012)



Desde o pri­meiro CD — São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe — Rodrigo Campos já se mos­trava um ótimo cro­nista, de afi­nada voz entre uma turma pro­lí­fica da MPB. Até então, o can­tor era um homem de samba, banhado pela urba­ni­dade da peri­fe­ria de São Paulo. Em Bahia Fantástica, seu novo tra­ba­lho, no entanto, o can­tor trans­fere sua poe­sia dos cam­pos de terra batida para a terra de todos os santos. “Cinco Doces” abre as por­tas numa apo­te­ose. A voz doce de Rodrigo entra num cho­que espe­ta­cu­lar com um sax em alto e bom som. As crô­ni­cas con­ti­nuam sendo um ponto alto nas com­po­si­ções de Rodrigo. “Princesa do Mar” com­bina Iemanjá e maré com a “maluca” Andreza. Em “Ribeirão”, Criolo – um dos mui­tos par­cei­ros de Rodrigo neste segundo tra­ba­lho — canta um romance de escra­vos. Ainda sur­gem Beto, Alexandre, Ana. Histórias de vida, de morte e de fé (“Sete Velas”). No meio do cami­nho, batu­ca­das e a linda voz da esposa de Rodrigo, a can­tora Luisa Maita, fazem de “Morte na Bahia” uma intro­du­ção à segunda metade do CD. Muitas can­ções são fei­tas de pou­cos ver­sos que, a cada repe­ti­ção, cres­cem com arran­jos ins­tru­men­tais dife­ren­tes e sur­pre­en­den­tes. Ao longo de “Aninha”, feita de qua­tro ver­sos, se alter­nam flauta e gui­tarra, ora tími­das, ora caóticas. (continue lendo na Revista o Grito!)

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Passo Torto - Passo Torto (2011)

http://soundcloud.com/passotorto

Download: passo torto.zip

Ultimamente tenho escutado gêneros musicais que tinha largado há uma cota. Sempre curti samba e algumas dessas novas levas de artistas nacionais, como Kiko Dinucci e Romulo Fróes. Porém, de um tempo pra cá, larguei muita coisa para focar em gêneros específicos. Passei a ouvir 2pac e tudo que eu curtia de volta e talvez tenha sido o momento certo para escutar o novo projeto desses dois com o Marcelo Cabral e Rodrigo Campos, o Passo Torto. Infelizmente, não serei capaz de dissecar o disco todo, de cabo a rabo e vocês só poderão acompanhar uma mini-resenha, superficial, porém de coração. Começarei dizendo que o disco é ótimo, realmente ótimo. O problema de muita gente que fazia um som nessa praia era a de querer ser conceitual, ser o novo Chico feat Itamar Assumpção, o que é mais que pretensioso. O Passo Torto não quer isso. Começa com muita sinceridade em “A Música da Mulher Morta”, que conta, de maneira bonita e com o violão arrebentando dependendo da parte da letra, alguém passou na frente da casa na qual houve uma morte. Em da Vila Guilherme ao Imirim, inicia algo que está presente nesse disco do começo ao fim e talvez o que mais tenha me cativado: ele é sobre coisas corriqueiras, o metrô, o bairro, a ida e vinda. Na faixa “Faria Lima Pra Cá”, a música é sobre a rotina de um morador paulistano, tomando a linha amarela ou pegando um ônibus bem cheio na avenida que tem mais engravatados folgados de São Paulo. (continue lendo)
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