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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Yoñlu - A Society In Which No Tear Is Shed Is Inconceivably Mediocre (2009)

 

 
"Você vai ouvindo o disco e fica difícil acreditar que um garoto de 16 anos, sozinho no quarto, possa ter feito tudo isto. De onde, com essa idade, ele tirou tanta informação e formação para compor, fazer arranjos e tocar assim tantos instrumentos? Como pôde, em tão pouco tempo, apreender a história do rock e de certa forma até da própria Música, para chegar a esta síntese? Que espelho atravessou para buscar uma valsa, encontrar o cangaceiro Lampião, brincar com os Beatles, samplear o discurso irado do jovem Caetano, ouvir a voz dos elefantes, dedilhar um violão folk, crispar uma guitarra pós-punk, tocar um piano clássico, cantar como Tom Waits, fazer um vocal tipo Mutantes, pensar em inglês e entre tantas influências do passado e do presente inventar seu próprio som? Onde aprendeu que a sofisticação pode estar na simplicidade e a simplicidade na sofisticação? Que o natural e o eletrônico, o silêncio e o ruído são complementares? Como conseguia cantar só para ele diante de uma multidão virtual e ao mesmo tempo mostrar-se a essa multidão com a segurança de quem está absolutamente só? De que lugar Yoñlu trouxe a vontade de ser vários, a surpresa de ser vários, a tristeza, a melancolia, a angústia de ser vários? Perguntas, perguntas, Yoñlu deixou uma enorme pergunta tatuada numa tela de cristal líquido e na memória de quem o conheceu, dentro ou fora dessa tela. Sua herança, neste disco, é impressionante. Por todos os motivos, um outro mundo que se desvenda para quem o ouve: música de grande qualidade e expressão, e a foto nítida de uma mente genial presa no corpo de um adolescente que, talvez por isso mesmo, reuniu o universo em seu quarto. ", Durango95.
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domingo, 9 de setembro de 2012

Yonlu - Three Inches of Music (2008)



Em 26 de julho de 2006, Vinicius Gageiro Marques entregou sua vida de forma trágica. Trancou-se no banheiro com duas churrasqueiras acesas e se asfixiou. Até aquele dia, o rapaz, de 16 anos, gravara, em seu quarto, cerca de 60 canções. Fluente em francês, inglês e galês, superdotado, avaliam seus professores, tímido ao extremo, o multinstrumentista teve lançado um disco póstumo, em abril, pelo Allegro, selo de Goiânia. Mas o que põe a música de Vinicius – de nome artístico Yoñlu – num patamar mundial é o anúncio, feito esta semana, do licenciamento de sua obra para o selo nova-iorquino Luaka Bop, de propriedade de David Byrne, com encarte desenhado pelo americano Paul Hornschemeier. O cantor e compositor escocês foi o responsável pelo resgate de Tom Zé e é um notório fã da música brasileira. A breve história de Yoñlu, mitificada no Sul, já é disputada até por cineastas locais. Yoñlu não costumava virar noites no computador. Quando ficava até mais tarde com os dedos no teclado não ultrapassava as duas ou três da manhã. Aprendiz de baterista desde os 3 anos, escrevia resenhas de discos de MPB em inglês para o site Amazon.com – suas preferidas eram as dedicadas a João Gilberto – e dava aulas de galês para uma turma virtual. Se Vinicius tinha 16 anos, Yoñlu era um pouco mais velho: apresentava-se como um músico de 26. A capacidade intelectual era descrita pelos adultos com os quais mantinha contato como fantástica e ao mesmo tempo motivo de sofrimento. Até a relação do garoto com a arte era de certa forma melancólica e retraída. Não tinha o costume de escutar música alta no quarto. Um de seus amigos inseparáveis eram os headphones.Não costumava estudar, apenas passava o olho nas páginas dos livros e entregava as provas em poucos minutos. Mesmo assim, sempre tirava as notas mais altas da turma. No tempo que economizava – por não ter que fazer o dever de casa – estudava música. Aprendeu inglês sozinho, sem fazer cursos. O tempo também era preenchido com a confecção de listas, como a que intitulou "History of Rock (1950-2004)".
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