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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Nitrido ou a dramaturgia de Cavalo

Assisti Nitrido ou a Dramaturgia de Cavalo de Laís Cafari no Céu Três Pontes. Que espetáculo! Impactada até hoje! Tudo é tão inacreditável, tão genial, inesquecível! Queria que todos pudessem assistir.

Essas fotos maravilhosas são da Trinity

O elenco tem múltiplas performances, atuações, expressão corporal, canto. Gostei muito que os intérpretes de libras, Ricieri Palha e Will Belarmino, estão misturados ao grupo. Eles surgem quando terá texto. O grupo é formado por Abraão Kimberley, Dante Preto, Janderson Fundação, Jefferson Silvério e João Carlos. Abraão inclusive toca lindamente Trompete em alguns momenhtos.

A peça faz um paralelo da alimentação na periferia com cavalos. Nitrido é o ato de relinchar. O texto diz que os alimentos que chegam na periferia são os feios, amassados e que é preciso escolher muito para não comprar alimentos estragados. 

O cenário de Wanderley Wagner da Silva é todo móvel. Caixotes e carrinho de feira e muitos objetos.  A belíssima luz é de Nayka Alexandre. Vários profissionais trabalharam o corpo do grupo. 
Preparação corporal: Gisele Calazans.
Preparação vocal: Tâmara David.
Provocadora de elenco: Jhonnã Bao
Provocação corporal: Nina Giovelli, Verônica Corpo Santos
Coreografia “Das trocas”: Claudiana Honório
Coreografia “Capoeira”: Rafael Oliveira e Laís Cafari
A equipe é incrível e extensa. Cada detalhe foi milimetricamente pensado.
 
Nitrido ou a Dramaturgia de Cavalo é gratuito e está em circulação. As próximas apresentações são

22 de maio, sexta-feira, às 10h e às 15h
23 de maio, sábado, às 15h com Libras

CEU São Miguel
R. José Ferreira Crespo, 475 – Jardim Sao Vicente, São Paulo – SP, 08021-480

Junho

12 de junho, sexta-feira, às 21h
14 de junho, domingo, às 18h com Libras

Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo – 03115-020

18 de junho, quinta-feira, às 20h
20 de junho, sábado, às 20h com Libras
21 de junho, domingo, às 19h

Centro Cultural Penha
Largo do Rosário, 20 – Penha de França, São Paulo – SP, 03634-020

Fiquei encantada com o Céu Três Pontes.


Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Diabo com Tetas

Assisti Diabo com Tetas de Dario Fo no Teatro Commune. Me diverti demais e tive várias gratas surpresas! Dario Fo é ganhador de Nobel de Literatura em 1997, exatamente o ano desse texto. Seu texto é denso, ágil, inteligente, mordaz e repleto de surpresas. A direção geral é de Augusto Marin, o diretor é Armando Liguori Jr. e a codireção de Matheus Melchionna.
 
O roteiro é muito sagaz e divertido! Um juiz inabalável e incorruptível está dando muita dor de cabeça para a comunidade. Ele tem uma dedicada empregada porque ele nunca arruma tempo pra nada, trabalha demais. Estão ótimos todos do elenco. Augusto Marin faz o juiz e Natália Albuk a divertidíssima empregada, e que personagem difícil, dois em um praticamente.

Foto de Fabi Meireles

O diabo então resolve corromper esse juiz rígido. Prepara o diabinho para entrar no corpo do juiz. Ele vai entrar no juiz pelo orifício dos dejetos. E como é comédia, já imaginam que tudo dá errado. O diabinho entra por engano na empregada que ganha um enorme par de tetas e outros atributos sedutores. Ela, uma reservada empregada, fica pra lá de espevitada. A montagem ainda escolheu ela trocar o sotaque paulista pelo baiano quando o diabo toma conta dela. Divertidíssimo! Os diabos estão muito hilários, Juliano Dip e Fabrício Garelli. Amei os figurinos, principalmente os deles, feitos por Maria Ezou e Augusto Marin. Há também máscaras da Commedia Dell´Arte.

Fotos de Lu Ortiz

E claro que por ser uma comédia tem personagem que não acaba mais, são 11 atores no palco, alguns fazem mais de um personagem.

Carlos Capelette está no elenco e com um personagem hilário, um cardeal. Divertidíssimo quando ele vai comer uns bolinhos pra acompanhar com o vinho. Paulo Dantas atua e integra o grupo musical junto com Pedro Mendes e Fabio Godinho. Uma surpresa foi descobrir que além dos textos, Dario Fo compunha músicas para seus espetáculos, tem no Spotify algumas, não desse espetáculo. Pra essa montagem o Commune contratou Sérvulo Augusto pra fazer as adaptações e as músicas. Os números musicais são muito, mas muito bons. 
No elenco as ótimas Isabela Prado e Mariana Blanski, elas fazem as funcionárias da casa do juiz, as diabinhas e outros personagens.

Além da parte musical, Fabio Godinho interpreta alguns personagens como o soldado.


Armando Liguori Jr. faz o padre, a pobre funcionária o procura angustiada pela mudanças que sofreu nos últimos tempos.

Diabo com Tetas fica até 28 de junho. É preciso comprar os ingressos com antecedência porque tem lotado.
Beijos,
Pedrita

domingo, 8 de março de 2026

Nós, os justos

Assisti a peça Nós, os justos de Kiko Rieser no Teatro Itália. Que espetáculo! Que texto! 

E que elenco afiado Camila dos Anjos, Luciano Gatti, Marco Antônio Pâmio e Thamiris Mandú. É uma empresa, começa com a demissão de um funcionário, por corte de pessoal. Ele não aceita. 8 anos trabalhando na empresa, dedicado, ninguém mais é demitido, ele quer saber o real motivo. Começa então uma sucessão de conversas sobre a visão de cada um sobre os fatos e quem estará de fato falando a verdade? As conversas são sempre desencontradas. A mulher que caiu na rádio corredor da empresa nunca quis que o desconforto que ela teve com o funcionário ficasse público. Como nada era muito explícito e só uma impressão, ela só queria falar com uma colega de trabalho que espalha tudo. E esse tudo vai ficando desproporcional e sem possibilidades de retorno.
Eu fiquei exausta com tanto texto, imagine o elenco. A tensão vem ao catártico final. Inúmeras questões que nada tem a ver com o fato inicial vão sendo expostas, espalhadas. Quem espalhou? E tudo vai ficando insustentável! Que espetáculo genial!. Sim, os justos, os justiceiros.

Foto de Ronaldo Gutierrez
Excelente luz de Rodrigo Palmieri, cenário brilhante de Bruno Anselmo

Amei os figurinos de Marichilene Artisevskis e o que a impecável direção vai fazendo com eles.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Projeto Wislawa

Assisti a peça Projeto Wislawa de Cesar Ribeiro no Teatro Paulo Eiró. Queria muito ver esse espetáculo e fiquei muito impactada com a montagem.


Eu queria ver porque adoro o trabalho de Clara Carvalho e Vera Zimmermann, elas estão majestosas, que atrizes. Wislawa Szymborska (1923–2012) foi uma escritora polonesa, ganhadora de Nobel de Literatura em 1996. Os textos da peça falam de morte, há uma personagem que é assassinada no espetáculo, mas os textos falam da morte da arte, da poesia e da repressão que a autora viveu no período da Segunda Guerra Mundial. A forma como contaram essa história é absolutamente genial. A personagem de Clara Carvalho diz que não matou. Ela só usou a faca no corpo que estava ali. É tudo simbólico, complexo!

A cenografia de J.C. Serroni é brilhante. Amei as rosas que descem do teto. Tudo é milimétrico. Gostei da equipe técnica estar no palco, dos objetos. Os figurinos de Tellumi Hellen que parecem mudar tão pouco e mudam tanto. E o visagismo de Louise Hélene é ótimo.



Impactante a iluminação de Rodrigo Palmieri. O diretor ainda assina a dramaturgia e a trilha sonora excelente. Consegui descobrir algumas músicas, procurando outras.
Trecho do poema A Vida na Hora de Wislawa Szymborska

Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.

Projeto Wislawa fica em cartaz até 1º de março. Os ingressos custam somente R$ 20,00.
 

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Herolino, o Faxineiro

Assisti a peça Herolino, o Faxineiro do Circo Herolino na 1ª Mostra Gargalhão de Comicidade e Máscaras no Teatro Commune. Queria muito ver esse espetáculo, tinha amado as fotos. E amei mais ainda a peça, que graça. Adoro espetáculos sem fala. Acho fascinante prender e agradar o público sem um único texto. Erickson Almeida arrasa, que controle corporal. E que difíceis as cenas.

Herolino chega no circo para limpar o espaço. Ele tem o maior orgulho de seu trabalho, mas como é atrapalhado, se enrosca em vassouras, baldes, objetos. E para se desvencilhar são inúmeras acrobacias, impressionante. E incrível a equipe que ajuda a realizar o espetáculo:
Cenário: Maria Zuquim
Figurinos:  Cleuber Gonçalves
Trilha sonora: Erickson Almeida
Iluminação e operação de luz: Giuliana Cerchiari
Técnico de som: Venâncio Ramos
Contrarregra: Fernando Castillo
Coordenação de produção: Cristiani Zonzini
Erickson contou que o espetáculo é uma homenagem a todos os profissionais do teatro, principalmente os invisíveis.


Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Quiprocó de Cocó

Assisti a peça Quiprocó de Cocó da Duo Dégua na 1ª Mostra Gargalhão de Comicidade e Máscaras no Teatro Commune.

Eu tinha ficado encantada com as fotos então quis muito ver. E que graça de espetáculo! Eu adoro histórias que lembrem de rádio e ainda lembraram de programas de rádio, que graça.

Foto de Amanda Areias

Nós entramos no teatro e eu não levei um susto que tinha uma pessoa embaixo dessa coberta? Muito divertido.

Uma graça a casa da protagonista. Os detalhes, e tudo é milimétrico, nada é ao acaso. E telefone com fio que muita gente não deve mais saber o que é. Bom, rádio também não.

E tem música. Os dois cantam muito. Atuam e cantam Tereza Gontijo e Anderson Spada. Anderson faz vários personagens. O simpático vizinho, o cozinheiro da rádio, o entregador das compras. E a galinha? E não é que ela vem com lencinho ao final? Muito fofo. Vou colocar os nomes de todos porque tudo é impecável.
Direção cênica: Ronaldo Aguiar
Trilha Sonora Original: Fernando Escrich e Alexandre Maldonado
Cenografia: Estevão Machado
Cenotécnico: Evas Carretero
Figurino: Cleuber Gonçalves
Iluminação: Giuliana Cerchiari 

São os últimos dias da Mostra Gargalhão que vai até domingo, um espetáculo diferente de um grupo diverso por dia. Sábado tem dois espetáculos. Sempre no Teatro Commune.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Sangue do meu sangue

Assisti a peça Sangue do meu Sangue de Gabrielle Gabbe na 1ª Mostra Gargalhão de Comicidade e Máscaras no Teatro Commune. Foi uma grata surpresa! Ótimo texto, ótimo tempo de comédia, excelente interpretação. Que talento! Fiquei encantada!

Gabrielle faz com maestria vários personagens. Com um texto ágil, conseguimos facilmente saber qual é o personagem do momento. A ótima direção é de Barbara Bha. A peça conta a história da protagonista desde bebê e seu pai ausente, cada vez mais ausente. O texto é muito bem dosado entre humor e drama. 

Hilário como o espetáculo começa. O teatro estava lotado e o pai da protagonista estava na plateia impaciente, ele vai embora antes mesmo de começar. Sim, o pai é a Gabrielle também. Tudo muito bem articulado e pensado.

A 1ª Mostra Gargalhão de Comicidade e Máscaras segue até 25 de janeiro. São espetáculos diários, sempre no Teatro Commune.






 

Beijos,
Pedrita