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quinta-feira, 2 de maio de 2024

Retorno a La Tierra

Assisti ao concerto Retorno a La Tierra do Coral Paulistano na Cúpula do Theatro Municipal de São Paulo. Belíssima apresentação! Originalíssimo repertório!

A regência primorosa foi da maestra Maíra Ferreira, talentosa e simpática. O excelente coral começou com o maravilhoso Cántico de Celébracion do cubano Leo Brouwer, entre meus compositores favoritos. O coral fez bis com essa obra e pudemos ouvi-la novamente. A obra que nomeou o concerto é de Elodie Bouny, com poema de Emma Paz Noya. Participaram em algumas obras os percussionistas Elias Joel, Henrique Schneider, Rian Frank e Thiago Sousa. E a pianista Rosana Civile.

Foto de Rafael Salvador

Mais duas obras do concerto me impactaram profundamente, Noche Oscura de Antonio Ribeiro, com poema de Juan de la Cruz Noite de Ronaldo Miranda, com poema de Cecília Meireles. Este estava muito emocionado na plateia. É uma obra do início de sua carreira, pouco executada. Ouvir esse coral maravilhoso é sempre muito inspirador!
Foto de Natalia Vieira Cesar

Programa completo

BEATRIZ CORONA
Penas (3’)

ANTONIO RIBEIRO
Noche Oscura (5’)

RONALDO MIRANDA
Noite (5’)

TATIANA CATANZARO
Sonnenstrahl von Barnimstrasse (6’)

ERIC WHITACRE
Cloudburst (9’)

ELODIE BOUNY

Retorno a la Tierra (10’)

LEO BROUWER
Cántico de Celebración (5’)

O concerto foi na Cúpula do Theatro Municipal de São Paulo, lá em cima. O espaço foi adaptado para apresentações, é bastante usado em ensaios.

Os vídeos são de outras apresentações.



Beijos,
Pedrita

sábado, 27 de janeiro de 2024

O Mauritano

Assisti O Mauritano (2021) de Kevin Macdonald no TelecinePlay. O filme conta a história de Mohameou Ould Slahi, mauritano, que foi preso e acusado por ser um terrorista. Ele ficou na prisão de Guantámano, em Cuba com vários outros suspeitos, sem direito a julgamento. O cineasta é escocês.

A advogada de Direitos Humanos Nancy Hollander vai defendê-lo. Ela é interpretada por Jodie Foster. Ele por Tahar Rahim.


A advogada não tinha acesso às acusações então pede ao detento que escreva sua história. O material é sempre censurado antes, mas ela consegue ler sobre ele. Esses relatos foram publicados no livro O Diário de Guantánamo que quero ler, inclusive com as inúmeras linhas em preto pela censura. 

Pelo relato e pelas poucas informações que consegue, a advogada percebe uma infinidade de violações aos direitos de detentos previstos na constituição dos Estados Unidos, como o direito a defesa, a julgamento. Descobriu confissões sob torturas. Inclusive ela consegue um julgamento e um habeas corpus que não é cumprido. Ela passa mais anos tentando que a lei americana seja cumprida. Descobre também as más intenções de deixar os presos fora do país e dos olhos das leis americanas. Após 11 de setembro, na tentativa desesperada de dar uma resposta aos americanos, de prender e condenar culpados, inúmeras pessoas foram presas e várias ainda continuam. Muitas sem qualquer prova.
Nancy Hollander continua lutando para que mais de 700 presos em Guantámano tenham direito a julgamento previsto na constituição dos Estados Unidos.

Beijos,
Pedrita

domingo, 2 de abril de 2023

Cachorro Velho de Teresa Cárdenas

Terminei de ler Cachorro Velho (2005) de Teresa Cárdenas da Pallas. Eu tinha anotado esse livro a ler e comprei na última Feira do Livro da USP por R$ 9,00. Fiquei até envergonhada de pagar tão pouco, espero que as postagens que fiz falando do livro diminuam minha culpa. Que edição bonita. A capa é de Bruna Benvegnù. O rosto é em relevo brilhante, dentro há um laranja lindissimo! Essa obra ganhou vários prêmios: Prêmio Casa de las Américas, 2005; Prêmio de la Crítica Literaria, 2006 e Prêmio La Rosa Blanca e é belíssima! Vai ser difícil esquecer!

O marcador de livros é do Sangue Dourado de Namina Forna da Record que não tenho e quero ler.

Obra A Cena (1991) de Belkis Ayón

Cachorro Velho é um homem escravizado ancião, mas o nome não é porque ele envelheceu, desde bebê deram esse nome e seus outros nomes foram esquecidos. O livro é curto, denso e profundo. Ele pensa um pouco sobre sua vida atual e seu passado. Ele agora é porteiro já que tem menos agilidade pra outras funções como no passado. Suas lembranças nos corroem a alma. Que dor! O final é igualmente doloroso, mas o livro todo é poético, tragicamente poético! Mais um livro daqueles que quero que todos leiam.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Guerra do Tempo de Alejo Carpentier

Terminei de ler Guerra do Tempo (1958) de Alejo Carpentier da Bertrand Editora. Comprei esse livro em uma banca dentro de uma estação de metrô. Se me lembro bem eram 5 livros por R$ 10,00. Eu tinha gostado muito de Século das Luzes desse autor e separei esse. São ótimos contos, um que dá nome a esse livro. Eu raramente leio contos, tenho crise de abstinência com eles, quero sempre mais texto sobre o que estou lendo. O livro traz ilustrações de José Pérez Olivares.

Obra La Patera de los Malditos de José Pérez Olivares

Os contos são ligados pelo tempo, todos falam da urgência do tempo. Em um deles um rapaz vai embora temporariamente e despede-se de sua noiva. Um que gostei demais o narrador é um cão, que vive com um escravo. 



Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Quaternaglia

Assisti ao Quaternaglia na série Música de Câmara do Teatro Opus. Eu adoro esse quarteto e que repertório. O quarteto é formado por Chrystian Dozza, Fabio Ramazzina, Thiago Abdalla e Sidney MolinaEles tocaram a belíssima West Side Story de Leonard Bernstein, com arranjo de Thiago Tavares, que inclusive estava na plateia. Achei incrível a adaptação.

Leo Brouwer está entre os meus compositores favoritos. Ele fez uma obra especialmente para o quarteto que foi interpretada nessa apresentação, Así era la dancita aquella! Mas eles tocaram outros compositores que adoro, Egberto Gismonti, com a delicada Anjo. Inclusive um integrante do Quaternaglia, o Christian Dozza, fez uma música que adoro em homenagem ao Gismonti, Sobre um Tema de Gismonti que estava no programa. Do Paulo Bellinati, que estava na plateia, interpretaram um maxixe, A Furiosa. Adorei também a obra do Torroba, Estampas, título de um dos CDs desse grupo.
Foto de Gal Oppido

Programa:

LEONARD BERNSTEIN (1918-1990)
Symphonic Dances from West Side Story (1961) arranjo: Thiago Tavares

1.Prologue (Allegro moderato)
2.Somewhere (Adagio)
3.Mambo (Meno presto)
4.Cha-cha (Andantino con grazia)
5. Meeting Scene (Meno mosso)
6.Cool Fugue (Allegretto)
7.Final (Adagio)



FEDERICO MORENO TORROBA (1891-1982)
Estampas (1976)

1.Bailando un fandango charro
2.Remanso
3.Fiesta en el pueblo



LEO BROUWER (1939)
Así era la dancita aquella! (Divertimento) (2018)*



EGBERTO GISMONTI (1947)
Um Anjo (1999) arranjo: Paulo Porto Alegre



CHRYSTIAN DOZZA (1983)
Sobre um tema de Gismonti (2012)*



PAULO BELLINATI (1950)

A Furiosa (Maxixe) (1997)*
O Teatro Opus é lindo. Adorei a vista do terraço.
Beijos,

Pedrita

quinta-feira, 9 de maio de 2019

O Tradutor

Assisti no cinema O Tradutor (2018) de Rodrigo e Sebastián Barriuso. Eu tinha visto matérias sobre esse filme e o FabioTV também comentou que tinha visto. Foi difícil achar um sessão que desse pra ver em geral filmes não comerciais ficam pulverizados em salas alternativas, em horários quase inconfessáveis.

Os diretores são irmãos cubanos e contam a história do pai deles. Apesar que há interferências ficcionais. O pai deles era professor de literatura russa e é designado a ser tradutor em um hospital para crianças de Chernobyl. Ele reluta, mas em Cuba não pode-se escolher o que deseja fazer. Mas ele acaba se envolvendo demais e ajudando muito aquelas crianças. O filme é doloroso, mas imagino que a situação das crianças deveria ser muito pior do que a mostrada.

 Ele é casado com uma renomada artista plástica e tem um filho pequeno. O trabalho além de exaustivo é à noite e ele tem muita dificuldade de inverter o horário de sono. A enfermeira arruma uma medicação para ele dormir. Então mal fica em casa. De dia dorme, e à noite trabalha. Eles tinham uma vida confortável, mas com a queda do muro de Berlim e as mudanças na Rússia começa a faltar tudo em Cuba. Não há mais combustível, comida, o filho começa a emagrecer muito, a esposa fica grávida. Ele tem que andar quilômetros de bicicleta até o novo trabalho. Rodrigo Santoro é e está maravilhoso, que atuação difícil. Tem muita criança no elenco. A enfermeira que o ajuda é interpretada por Maricél Álvarez. A esposa por Yondra Suárez. Em uma matéria, Santoro disse que teve pouco tempo para decorar foneticamente o idioma russo. Mas muitas crianças falavam espanhol e eram dubladas depois, mas como ele tinha que contracenar com crianças e não é sempre fácil, ele se preparava muito para as cenas para conseguir interagir melhor, caso tivesse algum imprevisto. Só uma criança falava russo realmente. O filme começou no Canadá, onde os diretores agora vivem, e depois seguiu para Havana.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Los Carpinteros - Objeto Vital

Fui a exposição Los Carpinteros - Objeto Vital no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. A curadoria é de Rodolfo de Athayde. Eu sabia dessa exposição, mas só fui ver mesmo porque fui ao teatro no CCBB São Paulo. Ainda bem porque é incrível!

Em 1992 foi criado o coletivo Os Carpinteiros pelos cubanos Alexandre ArrecheaMarco Castillo e Dagoberto Rodriguez. São mais de 70 obras entre desenhos, aquarelas, esculturas, instalações, vídeo e obras site specific, fui pesquisar e esse termo significa que a obra foi feita para o espaço específico, feita no local. Há obras em tela, madeira, com lego, objetos variados.

Várias humorísticas. Só é possível perceber as ironias indo no espaço. Eu recentemente descobri o trabalho em madeira dos cubanos. É muito interessante ver intervenções em estilos clássicos e tradicionais cubanos envolto nas ironias, nas sutilezas. A mostra Los Carpinteros - Objeto Vital fica em cartaz até 12 de outubro e é grátis! Depois segue para Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Todos se Van

Assisti Todos se Van (2015) de Sergio Cabrera no TelecinePlay. Que filme triste! O diretor é colombiano. É baseado no livro autobiográfico de Wendy Guerra, uma cubana que viveu maus bocados com briga de guarda dos pais em Cuba. Ela vivia bem com seu padrasto e sua mãe. Mas seu pai queria a guarda para tentar voltar com a mãe e usa o partido e as pessoas do partido para denegrirem a imagem da mãe.

Como pode alguém mentir em favor de outra quando é a vida de uma criança que está sendo definida? O governo autoritário e machista pergunta a uma criança, em uma audiência, lotada de estranhos, e com os dois pais presentes com quem a menina quer ficar. Não há tato, nada explicam pra menina. Horror dos horrores, mas tudo fica pior. O pai ganha a guarda, é bêbado, na casa não tem cama para a menina, ela divide uma cama de solteiro com o pai. Ela passa fome, ele proíbe dela ir na casa da vizinha e ainda a espanca. Ela fica dias com o mesmo vestido, sujo, passa frio. A escola a maltrata.

O governo aproveita para piorar tudo. Colocam a menina em um abrigo para adoção, mesmo a mãe sofrendo e querendo cuidar da menina. É um sofrimento para ela conseguir recuperar a guarda. Quando o padrasto é deportado é que ela consegue. O pai havia insinuado que o padrasto molestava a criança. A mãe tenta a documentação para ir ter com o marido na Suécia, mas o governo não autoriza que a menina saia do país. País que impede o direito de ir e vir das pessoas. A menina adorava o padrasto e as duas são obrigadas a ficar em um país que tanto as maltratou. É a menina que escreve a sua biografia que ganhou inúmeros prêmios. Incrível o desempenho da atriz, difíceis as cenas de espancamento. Ela é interpretada por Rachel Mojena. O pai por Abel Rodriguez. A mãe por Yoima Valdéz. O padrasto por Scott Cleverdon
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015

Destaques da minha vida cultural de 2015.

Foi um ano de peças inesquecíveis. Um Bonde Chamado Desejo é a eleita com as interpretações incríveis de Maria Luísa Mendonça e Eduardo Moscovis. Foi um ano de muitas peças maravilhosas, o teatro foi um grande destaque nesse ano.

Galileu Galileu foi muito marcante, com a maravilhosa Denise Fraga. Mas outras duas históricas quero destacar, O Camareiro com o majestoso Tarcísio Meira e com o incrível Kiko Mascarenhas. E a belíssima montagem de Através do Espelho com o excelente desempenho de Gabriela Duarte, Nelson Baskerville Marcos Suchara. Em musical, o maravilhoso O Homem da La Mancha.

Foto de João Caldas

Em concertos, coincidentemente os dois que mais marcaram foram com a Orquestra Sinfônica de Heliópolis sob a regência de Isaac Karabtchevsky. Um com o Quaternaglia interpretando uma obra do Leo Brouwer entre meus compositores preferidos e outro com quatro pianos e quatro grandes pianistas Gilberto Tinetti, Eudóxia de BarrosLilian Barretto e Paulo Góri.

Foto de Gal Oppido

Foram muitos concertos marcantes. Destaco Consciência de Ser Eunice Katunda com duas incríveis musicistas, a soprano Adélia Issa e a pianista Rosana CivileDo Centro de Música Brasileira, o Quinteto de Metais de São Paulo e o duo Duo Lucatelle-Bartoloni, Daniela Lucatelle ao piano e Fábio Bartoloni ao violão.

Em séries vi verdadeiras obras de arte. O maravilhoso Magnífica 70, com um roteiro majestoso, excelente elenco Simone Spoladore, Marcos Winter e Maria Luísa Mendonça, ótima reconstituição de época.

E O Hipnotizador com uma fotografia esplêndida e novamente um elenco maravilhoso Leonardo Sbaraglia, Chico Diaz, Bianca Comparato, Juliana Didone e Cézar Troncoso. Também é o ano que comecei a ver Game of Thrones e ficar encantada. Estou na quinta temporada, no blog mencionei até a quarta.


Na literatura destaco o majestoso Os Miseráveis de Victor Hugo. Foram três meses de puro deleite.


E o incrível Culpados da americana Kate Chopin.

2015 foi um ano de poucos filmes no cinema. Amei Que Horas Ela Volta? de Anna Muylaert com a Regina Casé arrasando.

Birdman de Alejandro Gonzáles Iñárritu, entre meus diretores preferidos, com o maravilhoso Michael Keaton.

Foram grandes exposições, mostra inesquecíveis, vou destacar Kandinsky - Tudo Começa Num Ponto no Centro Cultural Banco do Brasil.

Foi um ano de novelas inesquecíveis. Amei Boogie Oggie e suas modernidades, seu texto moderno, ambientação de época.

Além do Tempo foi outra novela marcante. Está ainda em curso, terminando a segunda fase, a primeira, de época, eu comentei aqui. Irene Ravache está divando.

Foram muitos CDs incríveis. Destaco o Estampas com o Quaternaglia.

E Música Brasileira com a Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba sob regência de Lutero Rodrigues.

Dois foram os documentários absurdamente impactantes, os dois do Wim Wenders. O Sal da Terra - Uma Viagem com Sebastião Salgado. Espero que ganhe o Oscar de Melhor Documentário.

E Pina sobre Pina Bausch.

Programas de televisão foram vários incríveis. Amo o Vídeo Show e ficou infinitamente melhor com Monica Iozzi e Otaviano Costa apresentando. Gosto dos bastidores dos programas.

E Ofício em Cena apresentado pela Bianca Ramoneda com entrevistas de autores, atores, diretores, figurinistas. Vejo regularmente, adorei as entrevistas de Thelma Guedes, Pedro Bial, Fernanda Torres, Denise Fraga, Guel Arraes, Deborah Secco, Thiago Fragoso, Bruno Gagliasso.

A tv a cabo é a companheira cultural mais constante. Sempre que tenho um tempinho paro para ver algo. São filmes demais, vai ser muito, mas muito difícil escolher alguns. Destaco o maravilhoso O Grande Hotel Budapeste do Wes Anderson, baseado em um conto do Stephan Zweig, com o incrível Ralph Finnes.

Foram muitos filmes mágicos, fantásticos, inesquecíveis. Destaco A Espuma dos Dias e Attila Marcel. O surreal e violento Borgman.

Filmes dramáticos e intensos foram muitos. Sobre os irmãos em Marcas da Guerra, embora não seja um filme de guerra. A Religiosa baseado no livro de Denis Diderot.

Irmã Dulce e sua incrível coragem e sua resistência em continuar católica depois de tudo o que a igreja fez com ela.

Violette sobre escritoras francesas.

O dramático Azul é a Cor Mais Quente sobre o amor, o fim de um relacionamento e a solidão.

Em DVD, Agora, sobre fanatismo religioso e destruição da cultura com a maravilhosa Rachel Weisz.

Que venha 2016!
Beijos,
Pedrita