Terminei de ler
O Leitor (1995) de
Bernhard Schlink da
Record Editora. Eu quis muito ler esse livro depois que vi o maravilhoso
filme de 2009. O filme foi muito fiel ao livro que é igualmente maravilhoso. Eu comprei em um sebo com um ótimo preço e tinham vários lá ainda. Parece que não é um livro difícil de achar. Não é a primeira vez que um filme me estimula a leitura de um livro.
O livro é muito bem construído. Um garoto passa mal, uma mulher cuida dele e eles passam a viver um relacionamento secreto. Ele tem somente 15 anos. Ela é uma mulher mais velha. Mas um não sabe praticamente nada do outro. Nós sabemos mais do rapaz que é narrador, mas nada sabemos dela. Então vemos uma mulher doce, que gosta que leiam pra ela. Sim, uma mulher forte, com alguns rompantes, mas uma mulher limpa, asseada, que cuida da casa, trabalha de cobradora de bonde.

O tempo passa e ele a revê em um tribunal. Ela foi uma agente da SS na Segunda Guerra Mundial. O jovem agora estuda direito e eles iam ver os julgamentos. É muito interessante como o autor coloca. Apesar do rapaz fingir indiferença a mulher, ele não consegue ficar longe dos dias incansáveis de julgamentos. Os alunos viam duas sessões por semana, ele passa a ver todas. Então ele percebe o que antes não percebia quando via espaçado. Quando via de vez em quando, tinha interesse, mas quando começa a ver diariamente, ele percebe que todos, até os juízes, passam a ficar indiferentes, entediados mesmo. Muito interessante o autor mostrar como algo repetido a exaustão passa a causar indiferença. Que os envolvimentos passam a ficar entediados, mesmo com um caso tão grave. Mas ela acaba assumindo a autoria de uma carta que nunca escreveu, por não admitir que é analfabeta. Mas será que o motivo seria tão simples? Que ela não queria que o segredo de ser analfabeta fosse revelado? Apesar de um livro curto, todas as dúvidas estão lá, daqueles que trabalharam para os alemães e para nós. Se é que igualmente não ficamos indiferentes. O livro acaba incomodando os cidadãos alemães que não participaram diretamente na guerra, mas que podem ter sido indiferentes, se fingindo de indiferentes as atrocidades para não se comprometer, ou fingir que não sabe para fingir que não sofre. O filme é mais emotivo. Os dois protagonistas praticamente não demonstram emoções no livro.

O rapaz não consegue falar com ela sobre saber que ela é analfabeta, nem com o juiz. Ela então é condenada a mais tempo que as outras. Ele passa então a gravar fitas com as leituras de livros. É tudo muito bonito, um livro difícil, triste, e muito, mas muito bem escrito. Boa parte do livro nos deixa desconfortáveis sobre o nosso papel em situações graves. Sobre nossos posicionamentos ou mesmo sobre nossas omissões.
Beijos,
Pedrita