Assisti
Uma Noite em Sampa (2016) de
Ugo Giorgetti no
Canal Brasil. Eu olhava há um tempo os filmes do canal no
Now. Achava que esse era outro. Só quando passava o controle remoto que vi um pedaço do nome do
Giorgetti, diretor que amo, que voltei e vi que não era. Eu vi uma ou outra matéria na época, cheguei a querer ver no cinema, não consegui, mas não tinha guardado o nome.
É absolutamente genial! Como normalmente são as obras do Giogetti. Me lembrou muito Sábado, meu filme preferido do diretor, pelo nonsense. Um grupo grande sai do Teatro Ruth Escobar e vão para um ônibus. Uma responsável pelo programa turístico não consegue achar o motorista. Ela é interpretada por Flávia Garrafa. É muito surreal porque todos ficam lá esperando, tentando saber o que aconteceu.
A guia pediu que eles deixassem os celulares no ônibus. Parece que não sabem fazer nada sem os celulares. Eles estão apavorados com o que a cidade pode fazer com eles, com os assaltos, mas aos poucos eles parecem mais perigosos que a cidade. Como qualquer grupo heterogêneo, há pessoas de todos os temperamentos. Amo esses roteiros do diretor que coloca uma mini sociedade em uma situação de conflito e suas consequências.
Eles começam a se dividir em grupos e cada um fala mal do outro. É assustador a inatividade do grupo que só sabe se digladiar, mas não sabe resolver o conflito. Uma só fica contando assalto e sequestro trágico e é interpretada por Siomara Schröder.

Uma hora ouvi um cantor de ópera a capella e pensei, nossa, contrataram mesmo um cantor e aparece o Eduardo Janho-Abumrad passeando de pijama com um cachorro e cantando. Engraçado que ninguém vai pedir ajuda para aquele homem. Não perguntam também aos rapazes sentados nas escadas. Não saem andando. Achavam que seriam assaltados. Desde quando um grande grupo daquele seria assaltado? Só se o assaltante fosse muito burro. E a pobre da organizadora do grupo que de madrugada acha que vai ter alguém na empresa que trabalha, mas que não liga para a polícia. Há um orelhão na rua. E ninguém mais usa o orelhão tentando uma saída. Há várias outras participações especialíssimas. O médico que ninguém viu no grupo interpretado por Atilio Bari que consegue um táxi. Otávio Augusto também faz uma participação divertidíssima. Ele é o ator da peça, ninguém vai pedir ajuda pra ele e ele pede para irem embora logo porque é tudo gente que pagou meia entrada.

Há outros fatores surreais muito bons. E o elenco é ótimo:Chris Couto, Roney Facchini, Lutti Angelelli, Francisco Bretas, Maria Stella Tobar, Thaia Perez, Fernanda Viacava, Andréa Tedesco, Suzana Alves, Sérgio Mastropasqua, Angelo Brandini, André Correa, Thiago Amaral, Agnes Zuliani, Carol Portes e Flávio Tolezani.
E claro, esse personagem, há outros muito bem interpretados. Genial! Eu fiquei pensando como o diretor ia terminar o filme, pensava em várias possibilidades, eu imagino que o diretor também, mas amei a solução ou não-solução que ele encontrou. Novamente, genial!
Beijos,
Pedrita