Assisti
O Paciente - O Caso Tancredo Neves (2018) de
Sergio Rezende no
TelecinePlay. Acho importante filmes históricos e esse fato foi envolto em muita especulação e teorias conspiratórias. O filme trata dos pavorosos últimos dias de
Tancredo Neves, a sucessão de erros médicos e a infinidade de pavões que queriam ser os salvadores do presidente para turbinar os seus egos e carreiras. É baseado no livro de
Luís Mir que teve muita dificuldade de conseguir os documentos que relatavam esses últimos dias. Os médicos ocultaram o que puderam aquele período.
Tancredo Neves está com dores abdominais, não quer ir ao hospital antes da posse. O médico Dr. Pinheiro da Rocha acha que é apendicite. Eu não sou médica, mas o pouco que lembro é que as dores de apendicite são absurdas. Tancredo Neves quer continuar driblando as dores com antibióticos e anti-inflamatórios. Pelo o que eu sei, as dores de apendicite são absurdas. Pra passar a dor a pessoa fica praticamente dopada. Tancredo Neves sente dores mas anda, treina discursos e aguenta vários dias assim. Mas enganos acontecem e se os enganos fossem corretamente corrigidos, talvez aqueles horrores não tivessem acontecido.

Eu concordo com a conduta desse médico de não aceitar que o presidente fosse de jato para São Paulo, para o Incor, que eu saiba em apendicite o tempo é fundamental e Tancredo tinha 75 anos. O autor do livro acha que foi por vaidade, talvez, mas não sei, pelo diagnóstico que o médico tinha feito achei lógico o presidente ficar em Brasília. O problema é que para ser bem escondido enviaram para um hospital militar recém-construído, ainda não totalmente equipado. As confusões médicas são muitas. O médico leva toda equipe e prepara a sala de cirurgia, mas os outros médicos levam o presidente para outra sala e começam a discutir se iriam descer o presidente ou ele ia ficar naquela sala, com isso mais atrasos e tensão, isso mostra-se uma rotina em todo o tempo que o presidente lutou para sobreviver.

A posse seria em dois dias e o autor do livro acha que a pressa do próprio Tancredo e dos médicos foram determinantes pra tantos erros nessa cirurgia. Não, não era apendicite, o médico faz um diagnóstico precipitado, tira um pedaço. Isso estava correto, o problema é que na pressa não fechou corretamente o local onde esse pedaço foi tirado e é essa hemorragia que vai matar o presidente 39 dias depois porque ninguém, absolutamente ninguém, percebe a hemorragia até um pouco antes dele morrer. Mas outros erros sucederam nessa cirurgia pela pressa. O médico que operou fica feliz, fecha rapidamente e deixa a hemorragia, sai da sala todo saltitante pra contar a família. Fica lá outro médico fechando o local. O responsável pelo tubo da garganta resolve tirar antes da hora, o que estava fechando o abdômen pergunta porque a precipitação, e o médico diz que é o pro presidente acordar logo e estar melhor logo para a posse. Nessa precipitação o pulmão do presidente enche de água, o que adia ainda mais a recuperação, e agrava ainda mais o caso.

O presidente não melhora, convocam uma equipe de médicos pavões pra se juntar aos outros pavões já estabelecidos. Como Tancredo Neves ainda vomita muito e não come há dias, acham que é uma obstrução intestinal e fazem nova cirurgia, não é, não reparam a hemorragia de novo. Claro, o paciente não melhora e começa a perder muito sangue. Dr. Pinotti, o pavão mor, quer uma cintilografia, não entendi porque não fizeram isso antes da segunda cirurgia. O equipamento de cintilografia desse novo hospital nunca foi usado, o técnico mora em outra cidade, resolvem trazer Tancredo Neves pra São Paulo. O presidente está exausto, recebe bolsas e bolsas de sangue, está absurdamente fragilizado. É difícil convencê-lo da viagem, mas conseguem, é aí que as questões começam finalmente a se resolver. O exame em São Paulo aponta a hemorragia e o presidente é submetido há nova cirurgia, mas já estava muito, mas muito debilitado, fragilizado, pega duas infecções e acaba morrendo. Deve ter sido um filme de difícil realização, eu tive muita dificuldade em assistir porque dá muita revolta. Othon Bastos está incrível como Tancredo Neves, que cenas difíceis. Os médicos são só grandes atores: Leonardo Medeiros, Otávio Müller, Paulo Betti, Emiliano Queiroz, Leonardo Franco, Elcir de Souza e Pedro Brício.

O autor do livro disse que o mais difícil foi levantar sobre a família do Tancredo, que a parte médica era quase um documentário, todos os passos estavam nos documentos médicos, mas que sobre a família não tinham dados. Evitaram no filme de evidenciar muito a família. Esthér Góes faz a Risoleta. Os filhos são interpretados por Mário Hermeto e Luciana Braga. Emílio Dantas faz o jornalista do governo, responsável pelos boletins oficiais a imprensa.
Beijos,
Pedrita