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domingo, 24 de maio de 2026

Foi um Péssimo Dia de Natalia Borges Polesso

Terminei de ler Foi Um Péssimo Dia (2023) de Natalia Borges Polesso da Dublinense. Após muitas resenhas elogiosas, quis ler. Comprei na última Festa do Livro da USP. Gostei bastante!

O marcador de livros é magnético e de clipes.


 

Obra (1986) de Antonio Henrique Amaral 

O livro conta a história de uma menina entre a infância e a adolescência, na década de 80. A autora mostra esse universo onde não tinha cinto de segurança, as brincadeiras nas ruas, a bala Soft. Seu pai era mais sonhador e com isso eles viviam com poucos recursos. A vida melhora quando vão para uma casa afastada e onde ela pode plantar a árvore no quintal. O pai compra uma piscina de plástico onde ela e o irmão adoravam brincar.

Obra (1980) de Maria Lídia Magliani

Na adolescência, a personagem começa a descobrir seus sentimentos. E é quando os seus pais começam a se separar. Inicialmente sua mãe se muda e eles ficam com o pai. É uma bela obra.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Interestelar

Terminei de ler Interestelar (2016) de Jonathan Nolam na Prime. Eu comentei com um amigo os altos preços dos Kindles, então ele disse que assim que descontinuaram o dele, ele baixou o app da Kindle no celular. Resolvi fazer o mesmo. Como a Prime Video integra o meu pacote de TV a cabo sem custo adicional, eu tenho direito a alguns livros gratuitos. Esse é interessante porque o livro veio do filme. Jonathan Nolan escreveu o roteiro e depois o transformou em livro. Eu vi o filme na HBO, tem na Prime, mas não sei se está incluído no pacote.

Eu achei que podia não embarcar na história. Amo ficção científica, mas leio pouco o gênero. Com o tempo eu fique muito envolvida e acabei lembrando porque gostei tanto. Tem inúmeras surpresas, muitos segredos, é muito bom.

No livro o mundo está cada vez mais insalubre, o ar cada vez mais rarefeito. Um astronauta é convencido que há vida em outra galáxia e que ele precisa salvar o futuro dos filhos. A filha não se conforma com o abandono do pai. É de cortar o coração quando ele descobre que foi enganado, que só queriam a pesquisa da viagem e que nada poderia ser mudado. É muito inteligente. Gostei muito.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 12 de maio de 2026

Diante da Manta do Soldado de Lídia Jorge

Terminei de ler Diante da Manta do Soldado (1998) de Lídia Jorge da Autêntica Contemporânea. O Geocrusoé leu algumas obras dessa autora portuguesa e eu coloquei ela na minha lista. Em Portugal está como O Vale das Paixões. Essa capa belíssima é de Arctic Tem. O protagonista desenhava pássaros e os enviava pelo correio. Gostei demais!

O marcador de livros é magnético com um pedaço da obra de Tarsila do Amaral.
 

Obra de Graça Morais

O livro conta a história da família Dias que vivia no campo. Ema tinha primos, mas com o tempo descobre que não são primos e sim irmãos, mas nada é revelado, tudo é em segredo. Ninguém sabe que ela sabe. O tio que é pai visita-a sempre no quarto. Adolescente, ela tem uma filha. Ela vive esperando as cartas do tio com os desenhos dos pássaros. O tio não tem parada, sempre peregrinando pelo mundo. Poucas vezes volta pra casa. É um livro com pensamentos soltos, tramas desconexas, não temos certeza de nada. Os segredos da família não nos são revelados, descobrimos nas entrelinhas e mesmo assim temos muitas dúvidas.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Coro da Osesp - Ponte Brasil e Alemanha

Fui a abertura da Temporada 2026 do Coro da Osesp na Estação Motiva Cultural. O tema foi Ponte Brasil e Alemanha, com belíssimas obras, muitas sacras, desses dois países. Foi maravilhoso! 

A carismática regência foi de Thomas Blunt. Lindas as vozes do coro!

Repertório

JEAN BERGER Salmos brasileiros
DENISE GARCIA Dos Salmos
FELIX MENDELSSOHN-BARTHOLDY Seis motetos
RONALDO MIRANDA Belo belo [Texto de Manuel Bandeira]
CLARA SCHUMANN Drei Gemischte chöre [Três coros mistos]
MAX REGER Der Einsiedler [O eremita]
HEITOR VILLA-LOBOS Duas lendas ameríndias em nheengatu
ERNANI AGUIAR Psalmus 150
Os solistas eram Fernando Tomimura ao piano e o barítono Erick Souza.
 
Como são bonitas as obras de Mendelssohn e Clara Schumann. Belo Belo de Ronaldo Miranda com texto de Manuel Bandeira foi ovacionada, tanto que cantaram no bis, como essa música é potente. Muito bonita a ligação da incrível obra de Villa-Lobos com a de Ernani Aguiar. Foi uma noite memorável e inesquecível! Fiquei muito emocionada!

O vídeo de Belo Belo é com o Coro Contemporâneo de Campinas.

Outro de um concerto do Coro da Osesp do ano passado.

E o último a obra de Clara Schumann com o GHOSTLIGHT Chorus

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Solidão do Amanhã de Henrique Schneider

Terminei de ler A Solidão do Amanhã (2022) de Henrique Schneider da Dublinense. Tem um tempo que comprei esse livro, gostei muito! 

Obra Mate Amargo (1976) de Glauco Rodrigues

Em 1972, um amigo do filho precisa ir até perto da fronteira do Uruguai, em Aceguá. O pai do amigo é um funcionário público caxias, nunca falta, mas entende que precisa ajudar o garoto de 21 anos. Ele cresceu com o filho, são inseparáveis, conhece os pais, não pode abandonar o garoto nesse momento difícil. Começa então um road book. O tio orienta que na viagem eles falem de amenidades, quanto menos souberem, melhor. Organiza tudo para ser o mais protegido possível. Os narradores se alternam, ficamos sabendo um pouco do passado dos personagens, mas a trama segue mesmo no presente. Adoro obras com recortes claros, sem passado e futuro, praticamente só com o presente.
Obra (1969) de Carlos Paéz Vilaró

Em Aceguá, um homem leva o garoto de madrugada na carona da bicicleta. O rapaz pergunta quando chegará ao Uruguai e o homem fala que eles já estão no Uruguai, que também vive tempos difíceis como no Brasil. Fiquei curiosa em ir conhecer o Uruguai indo a pé por Aceguá. Eu não conheço o Uruguai, mas é um país que está na minha lista de desejo faz tempo. Tenho amigas que foram e amaram e alguns livros me inspiraram conhecer o país.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A Casa da Alegria de Edith Wharton

Terminei de ler A Casa da Alegria (1905) de Edith Wharton da José Olympio. Eu tinha visto o filme e adorado, então fui atrás do livro. Tinha tempo que estava aqui a ler. O filme não está mais disponível na Claro TV, vou ver se acho em algum lugar para rever. Edith Wharton foi a primeira mulher a ganhar o Pulitzer.

O marcador de livro é um pedaço da obra  A Mulher Segurando Leque de Gustav Klint.

Obra Tulipa Rosa (1926) de Georgia O´Keeffe

Só ao final eu lembrei um pouco da trama, vi o filme em 2017 e é uma história muito triste e ousada. Uma jovem da elite fica órfã e sem dinheiro. Ela vai viver de favor na casa de uma tia que faz questão de deixar claro que vive lá de graça. A jovem resolve seguir o conselho da mãe. Belíssima, ela precisa logo casar para garantir o seu futuro. Ela faz então isso racionalmente, começa a escolher quem pode tirá-la daquela situação. Mas como é racional, ela acaba se desinteressando no meio do caminho e vai perdendo os partidos. Deve ser horrível ter que casar com alguém só pra garantir uma segurança. Se ela ainda se interessasse pelos pretendentes, mas não é o que acontece. Então ela se distrai no caminho.
Obra Uma Mulher Elegante com um Guarda-Sol de Mary Curtis Richardson

Para piorar, ela tem uma ótima ideia e confia o seu dinheiro para investidores na bolsa de valores, que não só não aplicam, como vão fingindo que ela recebe os lucros, mas na verdade estão emprestando dinheiro a ela e depois começam a cobrar favores que ela não aceita. Ela resolve conseguir o valor que a emprestaram para saldar sua dívida. Enfim, é um livro angustiante, que mostra muito da situação precária feminina não só naquela época. 

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Retrato de um Certo Oriente

Assisti Retrato de um Certo Oriente (2024) de Marcelo Gomes no Canal Brasil. Como queria ver esse filme! Eu tinha amado o livro de Milton Hatoum que comentei aqui. Esse diretor está entre os meus favoritos e ele é genial. O filme é retrato, o livro é relato! E que obra de arte! Não é um filme fácil de localizar. Dá pra alugar, mas não está disponível em nenhum streaming. Quem sabe reprisa no maravilhoso Canal Brasil!

Dois irmãos vivem no Líbano. Ele resolve vir para o Brasil, vende a casa da mãe sem consultar a irmã, ela fica muito brava, mas acaba aceitando. Ele não quer ir para a guerra. Ele compra uma passagem só pra ela e pra economizar entra clandestinamente no navio. A escolha do elenco é primorosa. Belíssima Wafa´a Celine Walani que está impressionante, que atriz. A leveza e naturalidade como ela vai absorvendo novas culturas e tomando suas decisões. Seu irmão já é rancoroso e tempestivo, Zakaaria Kaakour.
No navio ela se encanta com um muçulmano, o irmão fica possesso. Os pais deles foram mortos por muçulmanos e ele generaliza. Ela tenta convencê-lo que nem todos iguais, mas o rancor dele é assustador. O muçulmano é interpretado por Charbel Karmel.

Ele a ensina um pouco de português e ela decide seguir com o irmão para Manaus. Os três seguem em um barco. Ela sempre aberta a vida, faz amizades com os passageiros, descendentes de indígenas e vai trocando informações da cultura de cada um. Ela fica muito amiga da personagem de Rosa Peixoto. Tuna Dwek faz uma participação.

Eles vão passar um tempo na floresta, lindíssima a cena ao fundo indígenas em um ritual religioso, a jovem católica rezando e o muçulmano em seu tatame virado ao sol rezando. O filme é milimétrico, poético, com uma fotografia acachapante. Verdadeira obra de arte!

Beijos,

Pedrita

domingo, 1 de março de 2026

A Cabeça do Santo de Socorro Acioli

Terminei de ler A Cabeça do Santo (2014) de Socorro Acioli da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro. Uma amiga resolveu enfrentar a fila de duas horas da Companhia das Letras na Festa do Livro da USP, então incluí dois que queria na lista dela. Esse livro figura entre os melhores livros de tudo quanto é leitor. Desde o leitor que ama livros de fácil assimilação, quanto intelectuais e críticos renomados. E estou absurdamente impactada! O livro marcou minha pele, meus pensamentos! Que obra. Acioli começou a escrever esse livro em um curso com Gabriel García Màrquez e é a ele que ela dedica o livro. E sim, é realismo fantástico que amo! A leitura é breve, mas é tão genial que fiquei economizando, degustando cada breve capítulo. Foram dias inesquecíveis! Daqueles livros que queremos que todos leiam. E já vou atrás do outro livro dela.

O marcador de livro um amigo que me deu.

É uma belíssima edição com duas capas. Eu amo essa capa amarela de Elisa von Randow, depois há uma capa brilhante com foto do sertão de Márcio Vasconcelos.

A mãe de Samuel vai morrer e pede pra ele acender três velas para três santos e vá até Candeia procurar o pai. Começa uma trama mágica, cheia de mistérios, tradições, lendas e muita, mas muita fantasia.
Obra Deus não vende a terra que ele criou de Descartes Gadelha

Candeia está quase uma cidade fantasma. Samuel conhece a sua avó que manda ele ir de abrigar na cabeça do santo. Uma enorme cabeça de santo tombada no chão, com o corpo em cima. Dentro da cabeça Samuel começa a ouvir as rezas das mulheres da cidade. É um livro todo mágico, nada previsível, com várias vidas e histórias entrelaçadas. O melhor mesmo é ir desvendando lendo. 
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Projeto Wislawa

Assisti a peça Projeto Wislawa de Cesar Ribeiro no Teatro Paulo Eiró. Queria muito ver esse espetáculo e fiquei muito impactada com a montagem.


Eu queria ver porque adoro o trabalho de Clara Carvalho e Vera Zimmermann, elas estão majestosas, que atrizes. Wislawa Szymborska (1923–2012) foi uma escritora polonesa, ganhadora de Nobel de Literatura em 1996. Os textos da peça falam de morte, há uma personagem que é assassinada no espetáculo, mas os textos falam da morte da arte, da poesia e da repressão que a autora viveu no período da Segunda Guerra Mundial. A forma como contaram essa história é absolutamente genial. A personagem de Clara Carvalho diz que não matou. Ela só usou a faca no corpo que estava ali. É tudo simbólico, complexo!

A cenografia de J.C. Serroni é brilhante. Amei as rosas que descem do teto. Tudo é milimétrico. Gostei da equipe técnica estar no palco, dos objetos. Os figurinos de Tellumi Hellen que parecem mudar tão pouco e mudam tanto. E o visagismo de Louise Hélene é ótimo.



Impactante a iluminação de Rodrigo Palmieri. O diretor ainda assina a dramaturgia e a trilha sonora excelente. Consegui descobrir algumas músicas, procurando outras.
Trecho do poema A Vida na Hora de Wislawa Szymborska

Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.

Projeto Wislawa fica em cartaz até 1º de março. Os ingressos custam somente R$ 20,00.
 

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Espelho: 20 Anos Depois

Assisti o primeiro episódio do Espelho: 20 Anos Depois de Lázaro Ramos no Canal Brasil. Eu adoro esse programa e fiquei surpresa que já tem 20 anos. Adoro que nos canais fechados há temporadas de programas, com começo meio e fim. Diferente da tv aberta que arrastam programas sempre iguais. Com temporadas, dá sempre pra refletir e modificar e é sempre o que acontece com o espelho.

Adorei que o primeiro foi com duas jornalistas. Sou fã da Zileide Silva, jornalista que me inspiro e tanto admiro. E Kenya Sade que é muito talentosa também. Zileide falou que no começo eram poucos negros no jornalismo, que ela se inspirava em Gloria Maria. O programa mostrou trechos da entrevista com Gloria Maria. Kenya lembrou que apesar de poucas negras no jornalismo já são mais que no passado. Zileide lembrou da importância de se checar notícias, ainda mais nos dias de hoje. Para procurarmos veículos que apuram as informações muitas vezes, até ser publicada. Para Zileide, Lázaro perguntou o que fazia 20 anos atrás. Zileide disse que estava em Brasília cobrindo política e economia e que na época nem imaginávamos que passaríamos pela pandemia. Kenya comentou que almeja a mesma diversificação do Lázaro, que quer voltar a cantar, que quer dirigir filmes, quer ampliar suas áreas. Lindo como os três se admiram!

Eu vi um entrevista do Lázaro Ramos para o Cinejornal onde ele dizia que seus figurinos agora terão frases icônicas faladas nesses 20 anos de programa pintadas em suas roupas.

Aqui eu comentei o primeiro episódio de 2010 com Wagner Moura.
 

O programa tem um quadro de literatura que adoro com Fernanda Felisberto. Ela começou no Espelho um ano depois de sua existência. Ela conheceu Lázaro em um evento. Ela falou que na época tinham menos publicações de autores negros e que agora não só existem muitos, como temos uma negra na Academia Brasileira de Letras. E falou de vários autores que ganharam evidência também no cenário internacional.
Beijos,
Pedrita