Assisti
Difret (2014) de
Zeresenay Mehari no
TelecinePlay. Não conhecia esse filme, só no final que vi que é produzido pela
Angelina Jolie e lembrei que ela andava produzindo e apoiando produções que contassem as violências de países do continente africano. Esse é da
Etiópia e é baseado em uma história real.
Hirut é uma menina de 14 anos que é sequestrada saindo da escola por vários homens armados. Ela é levada a um cativeiro, um deles a espanca e a estupra. Quem a espanca e a estupra irá casar com ela, o grupo o parabeniza por ser uma menina de boa família, bons genes. Em uma oportunidade que fica sozinha, Hirut pega a arma esquecida pelo "noivo", foge correndo. Eles vão atrás, ela pede que eles deixem ela ir senão atira, atira para o alto, mas eles continuam avançando, ela atira e mata o "noivo". Ia ser morta ali mesmo, a polícia a prende. É costume que a mulher nesse caso seja condenada a morte.

A polícia faz o que pode e o que não pode para dizer que a menina é maior de idade. Uma advogada de uma associação de apoio as mulheres pega o caso e tenta a todo custo provar que a menina tem 14 anos. Consegue um comprovante de batismo, mas a polícia não aceita e pede identidade. Um modo claro de violentar mais a menina, porque nenhuma criança da aldeia tem identidade. A advogada consegue apoio de um ex-patrão importante e consegue levar a menina sob custódia pagando a fiança. A menina tem muita dificuldade de adaptação. Não conhece eletrodomésticos, dorme no chão. Hirut, por pouco estudo, tem dificuldade de compreender o que acontece. Gostei do filme colocar ela rebelde, com dificuldade de aceitar ajuda. Segue para um orfanato até o julgamento. Gostei de mostrar a advogada compreendendo a dificuldade da menina de gostar dela e aceitar ajuda. A advogada também avisa sempre a imprensa para que as notícias protejam a menina e a mantenham viva até o julgamento. Os homens da aldeia se reúnem para conversar sobre o caso, querem a menina para manterem os seus costumes de a matarem. Os homens estão revoltados que a polícia interferiu no caso e ficou contrária aos costumes do povo. Nas aldeias da Etiópia é costume sequestrar e estuprar as meninas que escolhem para casar. E acham um absurdo as leis interferirem nos costumes da aldeia.

Apesar da lei dizer que o caso de Hirut configurava que ela matou por legítima defesa, os homens da Etiópia queriam condenar a menina à morte. A advogada revoltada, abre um processo contra o Ministério da Justiça que vem continuamente não cumprindo a lei e exige o cumprimento da lei. O caso dá muito problema, ela perde a custódia da menina, não pode mais advogar. Mas há uma reviravolta, o Ministro da Justiça é demitido, mentem que ele que abandonou o cargo, a menina é julgada inocente. É o primeiro caso na Etiópia onde uma mulher vence um caso como esse. No final contam que a advogada continuou lutando por causas como essa e Hirut passou a ajudar mulheres sequestradas e trabalhar nesse segmento. Hirut fica muito triste porque não pode mais ficar com a família porque corre risco de vida e teme por sua irmã mais nova que será sequestrada e estuprada como ela quando um pretendente a quiser. Muito triste.

As atrizes estão ótimas. Hirut é interpretada por Tizita Hargere. A advogada por Meron Getnet. Não é um filme de fácil realização por falar de muitos temas tabus naquelas culturas. Difret ganhou Melhor Filme de Ficção no Festival de Berlim e Melhor Filme Dramático no Sundance Festival.
Beijos,
Pedrita