Assisti Dona Flor e seus Dois Maridos (2017) de Pedro Vasconcelos no TelecinePlay. Eu confesso que não ter muita vontade de ver essa adaptação. O icônico de 1976 eu tinha visto mais recentemente, está entre os filmes mais vistos no Brasil, diziam que as filas nos cinemas davam volta no quarteirão, então não me animei muito em ver uma montagem mais recente. O texto é baseado na obra de Jorge Amado.
Marcelo Faria tinha sido Wadinho na montagem teatral que viajou por várias cidades em vários anos, então achou natural que esse texto fosse ao cinema. Juliana Paes foi uma das atrizes que fez Flor na peça. O farmacêutico foi interpretado por Leandro Hassum. O filme lembra muito o anterior. A parte cômica é um pouco mais atual, com menos sutilezas.
É difícil lidar com a relação de Flor e Wadinho. Era uma relação abusiva, ele a extorquia financeiramente, vivia no jogo e com mulheres. Mas na intimidade a relação era muito intensa que foi bem retratada no filme, toda a força química dos dois personagens. Gostei da tentativa de Flor de fazer o atual marido melhorar a intimidade. Acho possível investir mais na relação que se tem.
O elenco todo é muito bom: Fábio Lago, Duda Ribeiro, Cassiano Carneiro, Ana Paula Bouzas, Fábio Lago, Rita Assemany, Dandara Mariana e Nivea Maria.
Assisti Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) de Bruno Barreto no Canal Brasil. Sempre quis ver esse filme, deve ser da categoria todo mundo viu menos eu. Finalmente conseguir gravar. Em geral sempre que passava era em horário que eu não conseguia ver. É baseada na obra de Jorge Amado que não li e um dos melhores personagens para o José Wilker. Fiquei emocionada em ler que esse logo é do saudoso Cyro Del Nero.
Ele é o típico bon vivant. Se casa com a bela Flor, Florípedes, viciado em jogo, namorador, deixava ela sempre sozinha em casa. Mas quando estava com ela era intenso. Ela, cozinheira de mão cheia, ganhava o seu sustento ensinando culinária. No carnaval ele morre. Ela acaba se casando com um próspero farmacêutico e passa a ter uma vida pacata e feliz. Mas a felicidade se completa quando o fogoso Wadinho volta. Ela reluta, mas acaba cedendo.
Imagino como devem ter sido divertidas as cenas com o José Wilker nu. Mauro Mendonça interpreta o metódico farmacêutico e eles contracenam juntos. Mauro Mendonça tem que fingir que não vê o José Wilker nu em sua casa, em cima do armário. Em entrevistas contaram a tranquilidade como José Wilker gravou a clássica cena final no Pelourinho em que ele nu está de braço dado com sua mulher e o farmacêutico. Sônia Braga mais linda que nunca. Há muitos bons atores no elenco: Rui Resende, Nelson Xavier, Nilda Spencer, Nelson Dantas, Lourdes Coimbra, Francisco Dantas, Arthur Costa Filho, Claudio Mamberti, Lícia Magna, Mara Rúbia e Betty Faria. A música é O que será que será de Chico Buarque e Francis Hime. Por anos Dona Flor e Seus Dois Maridos foi o record de bilheteria no Brasil. Só foi desbancado por Tropa de Elite 2.
Assisti em DVD a minissérie Tenda dos Milagres (1985). É baseada na obra de Jorge Amado e dirigida por Paulo Afonso Grisolli. Tinha tempo que minha mãe perguntava se ainda não tinham lançado essa minissérie em DVD, assim que ela viu o anúncio na TV Globo ela pediu que eu comprasse. Gostamos muito! O personagem Pedro Archanjo é inspirado no negro Manuel Querino. Essa minissérie é muito política, da época que as pessoas buscavam o seu lugar na sociedade e ter voz através do estudo. Na minissérie Pedro Archanjo resolve depois de viver livre escrever sobre as tradições e cultura da Bahia, incluindo a cultura africana.
O elenco é incrível. Pedro Archanjo é interpretado pelo Nelson Xavier. Mestre Lídio pelo Milton Gonçalves. Magé Bassã por Chica Xavier. Sabina de Iansã por Solange Couto. Incrível como essa minissérie está atual com a perseguição as mães de santo e o não respeito as religiões africanas. Essa minissérie precisa ser reprisada no Canal Viva.
Rosa de Oxalá por Dhu Moraes. Budião por Antônio Pompeo. O elenco excelente continua: Oswaldo Loureiro, Paulo Gracindo Jr., Francisco Milani, Toni Tornado, Claudio Marzo, Maria Izabel de Lizandra, Emiliano Queiroz, Miriam Pires, Nicette Bruno, Edyr de Castro, Louise Cardoso, João Acaiabe, Dill Costa, Jorge Coutinho, Othon Bastos, Luis Carlos Arutin, Cláudio Mamberti e Lima Duarte.
Na segunda fase aparecem: Mário Lago, Tânia Alves, Júlia Lemmertz, Joel Siva, Yara Côrtes, Daniel Dantas, Thaís de Campos, Tânioa Boscoli, Ivan Cândido e Rodrigo Santiago. As histórias contadas muitas foram transmitidas por gerações e parecem lendas. A minissérie é incrível, aprendi muito dos costumes afros e da Bahia.
Assisti ao documentário A Civilização do Cacau (2002) de Rogério Corrêa no Curta!. Esse documentário foi exibido inicialmente na TV Cultura. Agora surgiu esse Canal Independente, atendendo as exigências para as tvs a cabo de terem mais produção brasileira em sua grade. Gostei demais desse documentário. Assim que vi pelo controle remoto que ia passar, me programei para assistir.
A Civilização do Cacau conta como o cacau chegou no Brasil. Ele veio do México. Chegou pela região Norte até encontrar melhor solo na Bahia. Quando posteriormente foi criado o chocolate, ficou altamente rentável e enriqueceu a região. Camila Pitanga faz a narração. Vários produtores, índios, assentados e profissionais do cacau são entrevistados. A edição é ótima, enquanto contam a história, passan aos poucos, separadamente, como o cacau é colhido até ser ensacado para a venda. O processo de secagem é muito parecido com o do café. A produção do cacau passou por períodos de crise , na crise de 29 e mais dois momentos com a chegada do fungo vassoura-de-bruxa. Para superar a região procura não viver só da monocultura.
Eu conhecia um pouco a história do Cacau pelos livros de Jorge Amado, inclusive a Camila Pitanga declama no documentário alguns trechos de Tocaia Grande e Terras do Sem Fim que li e comentei aqui.
Assisti no cinema Capitães da Areia (2011) de Cecília Amado. É o segundo ano que vou no Projeta Brasil onde os filmes brasileiros estão por R$ 2,00 e entram em cartaz filmes do ano todo. Um casal ao meu lado já estava no segundo filme, acho que vou tentar no ano que vem ver mais de um porque nesse ano já tinham outros dois filmes que queria ver. Coincidentemente vi no Projeta Brasil outro filme baseado em uma obra de Jorge Amado, no ano passado vi Quincas Berro D´Água que gostei igualmente.. Eu amei Capitães da Areia. Confesso que não entendi porque esse filme não foi tão elogiado. Pensei que poderia ser porque a diretora é nova, mas fui ver o currículo dela, ela começou como assistente de direção em Tieta do Agreste e depois trabalhou em vários filmes. Depois pensei que talvez fosse porque ela fez esse filme em homenagem ao avô, ela é neta de Jorge Amado, que bela homenagem. O filme tem uma assinatura muito personalizada, é muito autoral. E esse olhar, as tomadas de câmera são belíssimos em Capitães da Areia. Eu quis ver esse filme depois que vi o trailer com minha mãe no começo do ano passado e fiquei impactada com tanta beleza.
Eu li o livro há muitos anos, tinha adorado, mas achava que não ia lembrar da trama e não foi o que aconteceu. É muito bem construído o filme. Os meninos que interpretaram os Capitães da Areia são incríveis. Gostei da diretora escolher fazer o filme na época que foi escrito, 1937, aquele jeito dos meninos é típico daquela época, ficaria estranho trazer o filme para os dias de hoje. Todos os meninos estão incríveis: Jean Luis Amorim interpreta Pedro Bala majestosamente, que menino talentoso. Adorei também o que interpreta o professor Robério Lima. A Dora é interpretada por Ana Graciela. Todos os outros ótimos são interpretados por Paulo Abade, Israel Gouvêa e Jordam Mateus. Gosto muito da Ana Cecília Costa que está no elenco. A trilha sonora é de Carlinhos Browm. A fotografia de Guy Gonçalves é belíssima!
Assisti no cinema Quincas Berro D´Água (2010) de Sérgio Amado no Projeta Brasil, que o Cinemark promove em um dia, segunda-feira, com vários filmes brasileiros a R$ 2,00 na programação. Queria ver vários que tinham passado pelo cinema e não tinha conseguido ver, mas alguns que queria não estavam na programação. Escolhi esse que é baseado no livro do Jorge Amado. Eu achava que talvez não me identificasse muito, que poderia achar meio cansativo e me surpreendi. É incrível! Muito bem realizado, editado, ótimo elenco, fotografia, ótima adaptação do roteiro, sensacional! Quando terminou eu já fiquei com saudade e achei que acabou muito rápido de tanto que gostei!
Paulo José é Quincas que morre duas vezes. Ele saiu de casa, passou a viver com artistas, boêmios, bêbados e pobres. A filha envergonhada, inventa que o pai é um Comendador e vive fora do país. Quando ele morre, o marido que não quer perder a posição no trabalho e continua a farsa do grande Comendador. Adorei os atores que fizeram os amigos de Quincas, Flávio Bauraqui, Luis Miranda, Frank Menezes e Irandhir Santos. Marieta Severo está maravilhosa como a mulher que o Quincas foi apaixonado.
Mariana Ximenes também está ótima. Fizeram uma barriguinha divertida no Vladimir Brichta, bem sutil. Alguns ótimos atores ainda aparecem no elenco: Othon Bastos, Walderez de Barros, Germano Haiut e Milton Gonçalves. Construíram dois bonecos a semelhança do Paulo José para a realização de algumas cenas.
Terminei de ler Tocaia Grande (1988) de Jorge Amado. Comprei os livros dessa Coleção da Folha - Grandes Escritores Brasileiros. Gostei muito desse. No início estava um pouco parecido com Terras do Sem Fim, que li sem perceber há exatamente um ano atrás. Tocaia Grande depois mudou completamente e ficou fascinante. Começa claro com uma Tocaia, a Tocaia Grande. Após vencer e ganhar a posse daquela terra, começam a chegar moradores e povoar o espaço. É realmente uma cidade utópica, mas não tem moderna assim, já que as mulheres continuam sobre o domínio masculino onde eles têm quantas mulheres querem e elas precisam suportar. No livro a utopia é que elas aceitam sem sofrimento isso, muito machismo alguém achar isso. Mas de qualquer forma é uma cidade onde todos colaboram, se apoiam e vivem em uma certa harmonia.
Obra Cangaceiro (1982) de Aldemir Martins
Adorei os personagens, o Fadul, libanês que é chamado de turco como muitos no Brasil chamam qualquer um que tenha nariz adunco e cabelos negros. O negro Tição. Os coronéis. As prostitutas. A cidade começa a ser povoada depois com sergipanos que fogem de problemas de terras do seu estado de origem. Lá eles plantaram a meia, mas depois que colheram descobrem que não possuem nada e ficam sem nada. Eu adoro obras extensas, com muitos personagens, muitos desenrolares. O vocabulário vasto de Jorge Amado é sempre incrível.
Obra Oxúm de Carybé
Trecho de Tocaia Grande (1988) de Jorge Amado:
“As comemorações dos setenta anos da fundação de Irisópolis e dos cinqüenta de sua elevação a cidade, cabeça de comarca e sede de município, alcançaram certa repercussão na imprensa do sul do país.”
“Ao descrever a paragem onde se perdera e repousara, soube que o nome daquele sítio era Tocaia Grande, assim denominado por ter sido cenário de tenebrosa emboscada seguida de matança a sangue-frio alguns anos antes nas desapiedadas brigas dos coronéis pela posse das derradeiras matas – naquelas bandas do rio das Cobras já não existia palmo de terra que não tivesse dono.
No calor da narrativa, tipos de má-fé, línguas de trapo, citavam nomes a propósito da famigerada tocaia mas Fadul sabia dar o devido valor a aleivosias e intrigas: entravam por um ouvido , saíam por outro. Certas versões, o melhor é ignorá-las.”
“O Barão era deveras autoridade em raças, herdara a competência do pai, perito na escolha e compra de cavalos e escravos. Mas Marie-Claude aprendera com as freiras do Sacré-Coeur que os negros também têm alma, adquirem-na com o batismo. Alma colonial, de segunda classe, mas suficiente pra distingui-los dos animais: a bondade de Deus é infinita, explicava Sóror Dominique dissertando sobre o heroísmo dos missionários no coração da África selvagem.”
Nota - Eu vi no Youtube que teve uma novela inspirada no livro que foi exibida na Rede Manchete, inclusive eu vi e gostava muito, mas a inspiração foi leve demais, quase um pensamento, porque se bem me lembro havia uma igreja, sendo que no livro Tocaia Grande não há nenhuma definição religiosa, cada um segue as suas rezas conforme a sua cultura.
Terminei de ler Terras do Sem Fim (1943) de Jorge Amado. Comprei esse livro em um sebo por R$ 6,00, na verdade esse o atendente me deu de presente já que eu levava vários outros. Minha irmã que falou que eu tinha feito uma ótima escolha e me ajudou a me decidir para ler essa obra agora. E acertou em cheio, devorei a obra, a minha curiosidade por toda a trama era incrível que eu não queria fazer outra coisa a não ser ler o livro. Eu não vi a novela de 1981.
Obra Dois Meninos Jogando Bilboquê de Belmiro de Almeida
Terras do Sem Fim narra de forma fictícia a posse e exploração do cacau na região de Ilhéus e Itabuna, antes mesmo da cidade ser nomeada Itabuna.
Nossos protagonistas são dois coronéis rivais. Tem bastante a estrutura de folhetim, amores, sofrimentos, doenças, a dificuldade de sobrevivência em uma terra liderada a bala. Me afeiçoei aos personagens, estilo clássico de Jorge Amado que nos faz questionar sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o amor e a traição. Todos os personagens são complexos e apaixonantes.
Obra Moça com Livro (1850) de Almeida Júnior
As mulheres sofriam muito naquela sociedade rude e sem os refinamentos que aprenderam em escolas para crianças abastadas. Me afeiçoei muito a Ester que estudou em um colégio refinado e vai parar na casa de um parente em Ilhéus, onde aceita se casar com um dos coronéis sem gostar dele. Ela sofre muito com o medo das cobras da mata, com o jeito rude do marido. É uma comovente história.
Obra Tropical de Anita Malfati
Trechos de Terras do Sem Fim de Jorge Amado:
"O apito do navio era como um lamento e cortou o crepúsculo que cobria a cidade."
“Um dia, muitos anos antes, quando a floresta cobria muito mais terra, quando se estendia em todas as direções, quando os homens ainda não pensavam em derrubar as árvores para plantar a árvore do cacau que todavia não chegara da Amazônia.”
“Também Maneca Dantas não sabe por que diabo essa gente engana marido, com tanto perigo, ainda se dá ao luxo de escrever cartinhas de amor. Coisa de idiota...”
Com a republicação das obras de Jorge Amado é fácil achar esse livro em sebos e livrarias.