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quinta-feira, 16 de junho de 2022

A Feiticeira de Florença de Salman Rushdie

Terminei de ler A Feiticeira de Florença (2008) de Salman Rushdie da Companhia das Letras. Comprei esse livro em um sebo perto de casa. Essa capa de Victor Burton é maravilhosa. Eu adoro esse autor, mas esse livro eu não me identifiquei tanto.

O marcador de livros é da Estação Liberdade.


 

 Jalāl ud-Dīn Muhammad Akbar

O livro é ambientado no Império de Akbar, terceiro imperador mongol da Índia que viveu entre 1542 a 1605. São várias historias fantásticas ou não, com texto elaborado, complexo e repletos de informações nas 395 páginas. O autor inspirou-se nas Mil e Uma Noites. Há uma extensa bibliografia ao final da pesquisa para a realização dessa obra ficcional.

Beijos,
Pedrita

sábado, 16 de junho de 2018

Os Versos Satânicos de Salman Rushdie

Terminei de ler Os Versos Satânicos (1989) de Salman Rushdie da Companhia das Letras. Esse foi o primeiro livro que queria ler do autor depois dele ter sido jurado de morte. Queria entender o que faz um livro definir que alguém deva morrer pelo que escreveu nele. Mas esse livro estava esgotado. Depois apareceu uma edição de bolso, mas eu queria essa. Até que finalmente, muitos anos depois, apareceu em um sebo. E diferente de uns livros recentes que comprei no sebo, esse foi lido.

Obra de Dina Nath Walli

Fui procurar informações sobre a sentença de morte que Salman Rushdie recebeu para tentar entender melhor. Há uma matéria que explica bem aqui. Em 4 de fevereiro de 1989, o aiatolá Ruhollah Khomeini sentenciou Rushdie à morte porque o livro conteria blasfemas a Maomé. Versos Satânicos seriam livros religiosos não considerados, como na igreja católica existem os textos apócrifos. Os religiosos decidem que aqueles textos mesmo sendo escritos por outros religiosos não deveriam ser publicados.

Obra Linguagem da Pedra de Magbool Fida Husain

Os Versos Satânicos de Rushdie começam com dois homens caindo do avião. Logo no início me lembrei do maravilhoso estilo de Rushdie. Frases longas, controversas, cheias de significados, com muita fantasia e irrealidade. Depois a obra mescla a história desses dois homens antes do acidente, do acontecimento do avião e do retorno deles dos mortos.
Obra Celebração (1995) de Tyeb Mehta

Esses dois homens são atores. Eles estavam em um avião sequestrados por terroristas. Como o avião explode, todos são dados como mortos. Então o retorno deles é bem traumático. Cada um tem uma história e a continuidade após a "morte" é igualmente diferente.

Obra Ragbat (2007) de Geeta Vadhera

Incrível a história da menina e borboletas que a cercam fazendo um vestido em seu corpo. As pessoas resolvem segui-la. Rushdie é mestre em desconstruir crenças, promessas e fés. Gostei muito de Os Versos Satânicos, mas surpreendentemente está longe de ser o meu preferido. Achei os dois protagonistas seres muito desprezíveis, foi difícil acompanhar suas histórias traiçoeiras e egoístas.

Os pintores são indianos como o autor.

Beijos,
Pedrita

sábado, 8 de julho de 2017

Then She Found Me

Assisti Then She Found Me (2007) de Helen Hunt na ClaroTV. Eu olhava os filmes e me deparei com esse. Admiro muito a Helen Hunt e imaginei que um filme dirigido por ela deveria ser bom. E é muito bonito, com roteiro maduro inspirado no livro de Elinor Lipman.

Começa com o casamento de nossa protagonista. A própria Helen Hunt que a representa e ela casa com o personagem do Matthew Broderick. Um tempinho depois ele diz que não dá mais e vai embora. No dia seguinte sua mãe morre. Ela é professora primária. Destroçada ela tenta reconstituir a sua vida.

Nesse tumulto emocional todo ela conhece um homem e sua mãe biológica. Ele é interpretado pelo Colin Firth e a mãe por Bette Midler. É um filme muito bonito, com conflitos atuais de sentimentos. Realistas. Nem sempre o que se planeja dá certo, mas aceitar o que não se programou pode ser bom também. Gostei muito.

Quando ela vai ao médico eu achei que era o Salman Rushdie, mas fiquei na dúvida. E não é que é mesmo? Ela vai várias vezes e ele aparece mais algumas vezes.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Salman Rushdie Espaço Aberto Literatura

Assisti a entrevista do Salman Rushdie no Espaço Aberto Literatura da GloboNews. Quem entrevista é Edney Silvestre. Eu gosto muito desse escritor, foi excelente a entrevista. Salman Rushdie falou bastante dos seus livros infanto-juvenis Haroun e o que acaba de lançar, Luka. Eu gostei muito de Haroun, o autor volta a falar que Haroun foi a forma literária que ele encontrou para dizer ao filho que tinha sido impedido de contar histórias. Luka já fala sobre a existência, Rushdie disse que se questiona por ser um pai mais velho e que pode um dia faltar e não ver o seu filho crescer, uma angústia de um pai mais velho que ele acredita que dificilmente um pai de 25 anos sente. Rushdie falou que adora fantasiar em suas obras. Claro, falou de Versos Satânicos, o livro que o levou a ser jurado de morte.

Salman Rushdie contou que seu próximo livro será sobre esse período que foi jurado de morte e o exílio, uma auto-biografia desse período. Ele falou que inventam muito e acha que está na hora dele dizer como foi. Disse que não vai levar de 5 a 6 anos como leva para compor os seus livros, porque esse ele já sabe a história dos personagens. Aqui nesse blog eu tenho a resenha do livro Shalimar e o equilibrista. Se quiserem ver a entrevista da GloboNews está nesse link.   



From Mata Hari e 007
e
From Mata Hari e 007
Beijos,
From Mata Hari e 007
Pedrita

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Shalimar, o equilibrista

Terminei de ler Shalimar, o equilibrista (2005) de Salman Rushdie, da Companhia das Letras. Eu adoro esse autor e queria muito ler esse livro. Há uns anos teve uma oferta no Submarino e não resisti. Ficou lá aguardando o dia de lê-lo. É simplesmente maravilhoso!


Todas as telas são de Dina Nath Walli, pintor indiano de Caxemira.
No início um embaixador é assassinado. Logo depois começamos em uma cidade, Caxemira, que fica entre a Índia e o Paquistão. Uma pacata cidade onde nasce Shalimar.

Vou falar detelhes do livro: Aos poucos vamos unindo as pontas e conhecendo também o início da história do Embaixador. Ele é de Estrasburgo, também uma região que teve interferência na guerra e mudou de domínio. Max queria fugir com seus pais, mas eles pediram para esperar. Depois dele conseguir sair do país, ele entra no mundo clandestino e igualmente como Shalimar, passa ,em nome de seu grupo, a resistência, a matar.

Shalimar, o equilibrista é um livro irônico, sobre conflitos do mundo todo. Também traz outra ironia. Apesar de Shalimar se tornar um terrorista, seu crime é passional. Ele matou o embaixador porque este lhe roubou a mulher. É um livro ambígüo. Como Salman Rushdie foi jurado de morte e viveu fugido, alguns de seus personagens passam o livro todo jurados de morte. O calculismo frio de Shalimar é intensificado porque ele se torna um terrorista só para passar o tempo, já que precisa esperar seus sogros falecerem para poder cumprir seu juramento de matar sua mulher e o embaixador. Ele jurara aos sogros que não os mataria, mas fizera outro juramento que os mataria. Para poder cumprir os dois juramentos, decidiu que cumpriria o primeiro enquanto os sogros fossem vivos e depois cumpria o segundo.


Também é muito triste a destruição de Caxemira e as regras impostas pelos muçulmanos. Caxemira era uma cidade pacata e alegre. Shalimar, o equilibrista vivia com uma trupe, sua mulher era a dançarina. Eles faziam apresentações. Com as novas regras, as mulheres eram obrigadas a usar a burca e a seguir os ditames muçulmanos. Algumas cidades como Caxemira resistiram e foram exterminadas.

Shalimar, o equilibrista mostra muito os conflitos que trouxeram muita intolerância a aqueles povos. Mas o mais estranho é o paralelo que Salman Rushdie faz como Ocidente que não é menos violento e opressor. Claro que fica difícil compreender na sua profundidade os conflitos nessa região de Caxemira, mas adorei por Shalimar, o equilibrista elucidar um pouco o momento em que a intolerância e as burcas, entre outras insanas regras, chegaram na região.
Shalimar, o equilibrista é um livro maravilhoso! Gosto muito do estilo narrativo de Salman Rushdie, seus parágrafos longos e ambígüos, a profundidade de seus racioncínios. Sou fascinada por esse autor.


Anotei alguns belíssimos trechos de Shalimar, o equilibrista, alguns são dos capítulos finais do livro, mas falam principalmente de momentos históricos na região de Caxemira:
“Haviam enterrado os maridos com quem passaram quarenta ou mesmo cinqüenta anos de vida desconsiderada. Curvadas, fracas, sem expressão, as velhas lamentavam os destinos misteriosos que haviam feito dar ali, afastadas, do outro lado do mundo, de seus pontos de origem. Falavam línguas estranhas que podiam ser georgiano, croata, uzbeque. Os maridos lhes falharam ao morrer. Eram pilares que desmoronaram, haviam pedido que confiassem neles e trazido as esposas para longe de tudo que lhes era conhecido, para essa terra-lótus sem sombra, cheia de gente obscenamente jovem, essa Califórnia cujo corpo era o templo e cuja ignorância era a felicidade, e depois tinham se mostrado indignos de confiança, soçobrando num campo de golfe ou caindo de cara numa tigela de sopa de macarrão, revelando assim a suas viúvas nesse último estágio de suas vidas, o quanto eram pouco confiáveis a vida geral e os maridos em particular.”

“Os fanáticos matam nosso cavalheiros e o Exército envergonha nossas damas.” Fuzilamentos, enforcamentos, esfaqueamentos, decapitações e bombas. “Este é o islã deles. Querem que a gente esqueça, mas nós lembramos.” Enquanto isso, o Exército usava o ataque sexual para desmoralizar a população. Em Kunan Poshpora, vinte e três mulheres tinham sido estupradas por soldados sob a mira de armas. A violação sistemática de meninas por unidades inteiras do Exército indiano estava se transformando em lugar-comum, as meninas levadas a acampamentos do Exército nuas, amarradas a árvores, os seios cortados com facas.

“De joelhos, Bombur Yambarzal foi condenado à morte em sua própria casa e disseram a sua mulher que, se os aldeões não parassem com esse comportamento pouco religioso e adotassem os modos sagrados, dentro de uma semana os militantes voltariam para executar a sentença. Naquele momento, Bombur Yambarzal, com um revólver na testa e uma faca na garganta, perdeu para sempre a visão, literalmente cego de terror. Depois disso, as mulheres não tiveram escolha senão usar burcas.”

Beijos,


Pedrita