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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Fancy Dance

Assisti Fancy Dance (2023) de Erica Tremblay na AppleTV+. Eu procurava filmes de um diretor e não entendo porque o sistema me indicou esse filme, não tinha nada a ver. A diretora divide o roteiro com Miciane Alise, as duas são descendentes de indígenas.

Na foto da busca vi a maravilhosa Lily Gladstone, eu tinha amado o trabalho dela em Assassinos da Rua das Flores, então corri pra ver. Ela está maravilhosa! A irmã desapareceu, ela vive em uma reserva indígena com muita dificuldade. No filme vemos o jeito torto dela em sobreviver, é ela que sustenta a irmã e a sobrinha. Obstinada, ela incomoda a cidade com os cartazes da irmã desaparecida. A falta de empatia local é assustadora. A polícia não tem a mínima intenção de investigar o paradeiro da irmã. Mas perseguir imigrantes, indígenas, com violência, isso sempre há tempo.
Pra piorar os avós brancos da adolescente resolvem pegar a guarda da menina de uma forma violenta. Acusando e vitimizando ainda mais essas mulheres e essa família vulnerável que vive esse drama. A tia pede mais uns dias, mas eles são pavorosos, então as duas fogem pra procurar a irmã-mãe. A jovem é Isabel Deroy-Olson e está ótima. Os avós nunca foram presentes, não entendem e não tem a mínima vontade de entender os rituais indígenas. O filme mostra as diferenças formas de pensar conforme suas tradições, outro olhar e tem camadas e mais camadas de reflexões. Abre muitas frentes de questões e é dilacerante!
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 23 de março de 2026

Luta de Classes

Assisti Luta de Classes (2025) de Spike Lee na AppleTV+. Eu andava ignorando esse filme até que vi que é desse ótimo diretor, talvez devesse continuar ignorando. É livremente inspirado no filme Céu e Inferno de Akira Kurosawa que acho que não vi.

Agora a empresa é uma gravadora. Denzel Washington é um arrogante empresário que ficou rico descobrindo talentos da música, principalmente negros. Com a expansão do seu negócio e a mudança no segmento está precisando se reorganizar.

Até que seu filho é sequestrado e ele tem que levantar milhões para conseguir libertá-lo. Ele mora em uma belíssima cobertura em São Francisco, seu apartamento fica lotado de policiais ajudando nas negociações. Os policiais infernizam o tio Paul, braço direito do empresário, ex-presidiário, o tem todo insinuam que sequestros costumam acontecer por pessoas próximas, ele é interrogado como criminoso.

O filho é localizado e descobrem que erraram e sequestraram o filho do braço direito do empresário, o tio Paul de Jeffrey Wright. Agora o empresário não quer mais levantar o dinheiro do resgate. E aí os policiais não se importam mais já que o filho não é mais de um rico empresário. Ninguém se solidariza com a agonia desse pai, ninguém se desculpa por ter desconfiado dele. O filho do empresário volta e ele não é diferente do pai. O sequestrado era o melhor amigo dele, conviveram juntos, são inseparáveis, mas o filho está preocupado com a negativa do pai em pagar o resgate porque está perdendo seguidores nas redes sociais, está pegando mal pra ele. Em momento algum ele implora pela vida do amigo e sim pelo restabelecimento dos seguidores e de seu faturamento. Até a metade do filme tudo é incrível, essas conversas, os silêncios, a hipocrisia.
Na outra metade o filme desanda completamente. O empresário aceita levantar o dinheiro só pra ganhar tempo. E os dois pais, empresário e braço direito, passam a perseguir o sequestrador. 

O final também é esquisito. O empresário resolve abrir mão da grande gravadora e começar como foi no início, focando na música e buscando novos talentos. Ter uma pequena gravadora. Agora é fácil, ele já é milionário, deve ter levado uma fortuna com a venda da sua parte na gravadora, dá pra brincar de empresário idealista. Uma jovem vai cantar uma bela música e ele fala que ela vai ter que lidar com a fama, com muito dinheiro, depois perder tudo, como se todo músico que se investe vai ficar milionário quando é uma minoria que tem essa sorte. A grande maioria vai fazer uma carreira mediana ou vai desistir no meio do caminho.
Beijos,
Pedrita

sábado, 17 de janeiro de 2026

Pluribus - 1ª Temporada

Assisti a 1ª Temporada de Pluribus (2025) de Vince Gilligan na AppleTV+. Essa série vem ganhando muitos elogios e é incrível. Rhea Seehorn arrasa tanto que ganhou Globo de Ouro de Melhor Atriz de Série de Drama. Eu gosto muito do AppleTV+, principalmente das séries. É um acervo pequeno, mas volte e meia estão entre os melhores que vi. Esse canal está incluso no meu BoxTV da ClaroTV que me fez economizar R$ 100,00 e ainda me deu vários streamings badalados juntos, alguns com comerciais que não tem me incomodado.

É bom ir descobrindo aos poucos, eu não li nada antes e fui entendendo assistindo. Carol está em um bar com a companheira. Quando saem, Helen começa a passar mal. Carol vai procurar ajuda no bar e todos estão tendo a mesma crise esquisita. Ela pega Helen e leva para o hospital, e todos lá estão igualmente em crise ou esquisitos. A dor dela é dilacerante. Carol sofre demais com a morte da Helen e seus desdobramentos. Elas tem uma bela e confortável casa em uma espécie de vila que foi construída especificamente para a série.
Carol e nós demoramos pra entender o que acontece. Pelo telefone ela vai recebendo instruções. Descobrimos que só 12 pessoas não estão com o alienígena no corpo. Os alienígenas falam em conjunto pelas pessoas. Parecem sempre felizes, good vibes, até que Carol vai percebendo que não é bem assim. Carol se revolta muito com tudo, quer entender, não se conforma. Eu sou muito parecida com ela e a série mexeu muito comigo.

Carol resolve se reunir com os que permaneceram humanos. Um está no Paraguai incomunicável. Diabaté é o que está mais confortável com a situação e é compreensível. Ele pode viajar para onde quer, ter as mulheres que quiser, carros, jatos, hotéis de luxo, cassinos, restaurantes caros. Pra ele está ótimo como está. Os outros estão mais em negação e ilusão. Alguns parentes continuam com eles, mas não são mais seus parentes, são os alienígenas neles, até mesmo as crianças que não são mais crianças, mas eles preferem viver com seus parentes, mesmo não sendo mais eles do que reagindo ao que aconteceu.
Carol está muito revoltada, é de cortar o coração quando a isolam. Ela fica bem vários dias, até que não aguenta mais a solidão e pede que voltem. Gostei muito como a série fala da solidão. Eu me irrito muito como a Carol e me irrito como as pessoas elogiam e simplificam a solidão sem nunca terem vivido ela de fato. Me emocionei muito com o envolvimento dela com Zozia da maravilhosa Karolina Wydra.

O paraguaio resolve lutar com Carol, no momento em que Carol desistiu de lutar. Ele viaja do Paraguai de carro, a pé, com outros veículos. Carlos-Manuel Vesga está ótimo, como dá raiva dele. Essa temporada termina com Carol voltando a se revoltar e se unindo a ele. A segunda já está confirmada.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025

Em 2025 li mais que a média, um dos motivos é que vários eram pequenos. Li 20 livros no ano e esses são 10 os que mais amei. Foi difícil fazer a triagem porque foram livros incríveis. A ordem está pela leitura, começa com o último, em modo decrescente.

O Céu Entre Mundos de Sandra Menezes

A mais recôndita memória dos homens de Mohamed Mbougar Sarr da Fósforo

Arrastados de Daniela Arbex da Intrínseca.

Objetos Cortantes de Gillian Flynn da Intrínseca

Moçambique com Z de Zarolho de Manuel Mutimucuio da Dublinense

Abraço Apertado de Émile Ajar da Todavia

Eileen de Ottessa Moshfegh da Todavia

Sanga Menor de Cintia Lacroix da Dublinense

 Após o Anoitecer de Haruki Murakami da Alfaguara

O Enigma do Quarto 622 de Jöel Dicker da Intrínseca

Foi um ano que fui mais ao cinema, ainda vou pouco, principalmente pelo alto preço dos ingressos, acabo preferindo ir ao teatro, mas não só fui como estão entre os melhores filmes que vi no ano.

O Último Azul

Ainda Estou Aqui

A Melhor Mãe do Mundo

Em música, os melhores foram

Uma Viagem Utópica com o SIGMA Project na Estação Motiva Cultural

Ronaldo Miranda - Piano Concerto pela Naxos

JJ Jun Li Bui no Festival Chopin na Estação Motiva Cultural

Concerto Realidades Imaginárias da OCAM - Orquestra de Câmara da USP no Auditório Camargo Guarnieri na USP
Solista Edelton Gloeden

Kate Liu no encerramento do Festival Chopin na Estação Motiva Cultural

João Pedro Sigoli, pianista e o Duo Cerri-Botelho no Centro de Música Brasileira

Foi um ano de novelas incríveis




E eu ainda revi uma novela da minha vida, Além do Tempo 1 e 2 na 
Globoplay Novelas
Em teatro as melhores foram duas do Encontro Paulista de Teatro de Grupo

Cícera do Contadores de Mentiras

A Menina Passarinho da CTI - Teatro Baile

E ainda

Traição do Núcleo de Teatro de Imersão

Foi o ano que vi muitas séries. Por uma confusão da ClaroTV e inúmeras trocas de decoders, a última mudou o plano para Claro Box, passei a economizar R$ 100,00 e ainda vieram muitos streamings com comerciais Netflix. AppleTV, HBOMax. E depois a Disney abriu o sinal que termina agora dia 31.



Silo 1 e 2 na AppleTV

Ripley na Netflix
 
Paradise na Disney+

Depto Q na Netflix


Gostei demais do Libertárias no Canal Curta!

Nossa, como vi filmes, difícil escolher os melhores



Perfect Days na Netflix

Manas no TelecinePlay

Aftersun na Netflix

Mothering Sunday na Netflix

Close na Netflix

Camponeses na HBOMax

La Cocina na HBOMax

Napoleão na AppleTV

The HouseMaid na PrimeVideo
Em exposições destaco

Na Galeria Leme

De Mim para Nós de Jaume Plensa

Fulgor Atlântico de Tiago Sant´ana

Virgília de Jorge Enciso

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Silo - 2ª Temporada

Assisti a Segunda Temporada de Silo de Graham Yost na AppleTV+. A primeira parou em um momento muito impactante, Juliette, da incrível Rebecca Fegurson, saiu do Silo, está com roupa de astronauta e segue para a montanha. Quando desce da montanha, os integrantes do Silo não a veem mais. Ela encontra ossos pelo caminho e vê inúmeros Silos. O mais próximo tem porta está aberta, ela passa pela primeira, tem muita dificuldade de abrir a próxima e entra.

Tudo está escuro, só há luz em um lugar inacessível, com a passagem destruída. Muito interessante ela planejando a ponte. Juliette sempre foi muito habilidosa. 

A série passa a alternar os episódios no Silo fantasma e no Silo anterior que está em rebelião. O prefeito começa a gerar discórdia para que eles se destruam. Dois personagens da mecânica se destacam de Remmier Milner e Shane McRae. Nem todos os episódios me agradam, essa série é um pouco irregular. As cenas de luta me cansam. Mas é uma ótima série apesar disso.

Há dois momentos muito tristes. Da morte da juíza da maravilhosa Tanya Moddie e do médico de Ian Glen. Tim Robbins continua mais mal que nunca. Muito interessante a curva do personagem do Commom. As mulheres são as grandes determinantes dessa temporada, elas que vão mudando o pré-estabelecido. A esposa do personagem do Common e do xerife modificam muito o que estava designado, a coragem delas me surpreendeu. Elas são Alexandria Riley e Caitlin Zoz.

Steve Zahan é o sombra no Silo 2. Juliete tem muita dificuldade de se comunicar com ele que tem alguns problemas emocionais ou mentais. Mas ela entende que precisa voltar ao Silo e isso logo percebemos que deve acontecer porque ela acha que eles vão se rebelar e querer sair como nesse Silo que estava e vão morrer. E que ela tem que impedir. A série tem alguns furos, como ela nunca ter ouvido o choro do bebê. Os alimentos infinitos do cofre. Mas passam meio despercebidos a quem não está muito atento. De novo acaba em um momento crucial e não está disponível ainda a terceira temporada. Nem tem ainda no IMDB. Só sinalizam que terá uma terceira e uma quarta temporada, ansiosa.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Lobos

Assisti Lobos (2024) de Jon Watts na AppleTV+. Não curto muito esse gênero, ação e comédia, mas por ser com George Clooney e Brad Pitt resolvi ver. É mais ou menos, mais pra menos. Dá pra ver.

Os personagens são muito, mas muito chatos. Uma mulher se vê em uma enrascada em um quarto de hotel de luxo. Um jovem, Austin Abrams, cai em cima de uma mesa de vidro e morre. Ela lembra de um contato de um homem, George Clooney, que resolve essas questões. O hotel vê pela câmera e também chama um resolve isso, Brad Pitt. Os dois são um espelho do outro, mas se odeiam já que os dois trabalham sozinhos e da mesma forma. Começa uma briga chatíssima de egos. Fiquei pensando se os atores também se digladiavam no ego.
O garoto não estava morto e eles continuam precisando resolver o problema. Passam a noite fugindo com o garoto, é bem chato. Mais um filme que a cidade dorme, não tem ninguém nas ruas, exceto uns carros. Surreal! O final melhora. Achei legal que quando termina as câmeras de segurança do hotel mostram o que realmente aconteceu entre a mulher e o jovem.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Silo - 1ª Temporada

Assisti a Primeira Temporada (2023) de Silo de Graham Yost na AppleTV+. Essa série vem sendo muito elogiada, já tem disponível a segunda temporada que logo vou começar. Está confirmada até a 4ª temporada É inspirada na trilogia de Hugh Howel que fiquei curiosa. Eu amei esse pôster. Os cenários são incríveis!

Com características próprias, Silo é bastante parecida com Paradise, então volte e meia vou comparar as duas séries. Eu gostei das duas, mas amei Paradise. Silo às vezes não gostava. O mundo ficou inabitável. Em Paradise milionários e seus serviçais vão pra baixo da terra, em uma cidade idílica e luxuosa. Em Silo, os habitantes vão viver em um Silo infinito de escadas. Quem vivia na mecânica, na base, às vezes nunca conhecia quem vivia na parte superior. Há andares de plantações, residências, tudo é de metal. Os cômodos como casas são confortáveis embora escuros, com sala e cozinha, quarto e banheiro. Diferente de Paradise, já são mais de 100 anos vivendo dessa forma. 

Os dois primeiros episódios falam de personagens que querem sair. Há todo um ritual macabro, vestimentas e aparentemente todos morrem assim que saem, é praticamente um suicídio assistido, um pavor. O xerife sai no segundo episódio e designa a engenheira que trabalha na mecânica para ficar no lugar dele. Ela raramente subiu as escadas e é uma incrível mecânica. Ela, Juliette, é a incrível Rebecca Fegurson. David Oyelowo só participou desses dois episódios.

O terceiro episódio é muito, mas muito chato. Juliette diz só aceitar ser xerife depois que autorizem ela parar um gerador para conserto. Todo o sistema vive do ar de geradores, seja pra ar, luz, energia. O episódio inteiro é a equipe consertando naquele formato de chato americano. Até o último segundo nada dá certo, Juliette quase morre afogada e queimada na água quente, pra tudo dar certo no último segundo. É uma chatice sem fim, demorei muito tempo pra ver esse episódio e quase desisti.
A prefeita de Geraldine James que convida Juliette pra ser xerife porque aceita o pedido do xerife anterior. Ela se encanta com a força da mecânica e com o entendimento do todo do Silo. Logo que Juliette assume, várias mortes acontecem, inclusive da prefeita. e do amor de Juliette de Ferdinand Kingsley. Ela resolve então aceitar ser xerife pra investigar.
Forma-se então o núcleo dessa temporada. O vilão é Common. Me incomodou o modelo mocinha e vilão de produções americanas. E a apatia da sociedade. Morrem seus líderes, ok, eles não sabem que foram assassinados, mas amavam a prefeita. O xerife e a esposa morrem lá fora, mas os integrantes do Silo costumam aparecer só como figuração, sem nomes, histórias. A sociedade não questiona, não se indignam é apática. Fica tudo concentrado na mocinha fugindo do vilão. 

As abordagens são ótimas, os assuntos levantados muito bons, mas essa apatia da população me incomodou bastante. Tim Robbins aceita a prefeitura, diz o tempo todo que não queria, que assim que escolherem outro ele sai de bom grado. Como entra um baita suspense de quem matou, não sabemos em quem confiar. Como Paradise, os líderes do Silo resolveram matar quem descobre segredos. Passam a tentar matar a xerife. 
Iain Glen faz o médico e pai da xerife. Eles estavam 10 anos sem se ver porque ele mora lá em cima e cuida do hospital. O Silo tem uma obsessão com relíquias, ninguém pode ter relíquias. Óbvio que na mecânica há muitas relíquias malocadas. 

Juliette mesmo é fã delas e sua mãe adotiva, Martha, também pela ótima Harriet Walters. São ótimos os personagens dos atores mais velhos. Martha nunca mais saiu de seu apartamento. Ela tem rádio, é ótima em equipamentos como Juliette e tem uma consciência de todo o Silo impressionante, mesmo nunca tendo saído de casa. Confesso que achei fraco o que tinha no drive que a Juliette consegue e passa a ser perseguida por isso. Era uma imagem do lado de fora lindo, árvore, pássaros, mas era só dizer que era de antes de tudo ser destruído, não tinha porque tanto stress atrás do troço. 
Mesmo que fraco o segredo, é interessante a abordagem do controle do pensamento das pessoas. Tudo é feito para não se questionar, para enaltecer o lugar. No momento da série, ninguém mais viveu lá fora e não sabe como era, então tentam o total apagamento do que foi para controlar as pessoas e as mentes. Pena que só Juliette se rebele.

Beijos,
Pedrita