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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A República dos Sonhos

Terminei de ler A República dos Sonhos (1984) de Nélida Piñon da Francisco Alves. Eu quis ler esse livro depois que a autora em uma entrevista disse que é o livro dela mais traduzido e lido no mundo. E senti uma culpa enorme de eu não ter lido. E também que é uma saga da família Madruga inspirada na família dela que também é de origem galega como o protagonista. Eu adoro livros grandes, sagas, histórias ricas de detalhes. Eu achei esse livro em um sebo por R$ 20,00, bem razoável para 761 páginas de letras pequenas. Agora há uma edição em capa dura da Record com custo bem salgado. O português Carlos Faria do Geocrusoe também leu e comentou aqui.

Obra Casal (2004) de Cristina Canale

Nélida Piñon conta a saga de Madruga, sem ordem cronológica como são as lembranças e os pensamentos, vem fora de hora, no meio da narrativa, pula para outras datas, muito interessante. Gostei demais de A República dos Sonhos. Começa com Eulália, a matriarca, na verdade a família é patriarcal. Madruga é o líder, duro e autoritário. Eulália era dona de casa. Ela está morrendo. O livro passa então em idas e vindas na história da família até sua morte.

Obra Poucos Trabalham - Muitos se Divertem (1987) de Lia Mittarakis

Os filhos são bem diferentes. Alguns morreram. Muitos segredos. Bento é ambicioso. Antônia também casa com um ambicioso. Tobias é revolucionário, bem como a neta Breta. Todos ricos em camadas, sentimentos. Outro fascinante é Venâncio. Ele veio no mesmo navio que Madruga e tornam-se melhores amigos, mas são muito diferentes. Os dois amam Eulália. Madruga é machista e tem casos extra conjugais que ofendem Venâncio que acha que Eulália devia ser respeitada e muito amada.Venâncio é sem ambições, mais tranquilo profissionalmente, muito reservado, pouco se sabe se sua história antes do Brasil. 
Obra Outra Primavera Maravilhosa (2013) de Cybèle Varella

Gostei muito porque em um determinado momento aparece um diário do Venâncio. Ele pede para Eulália cuidar e não ler, por muito tempo ela obedece até que passa a ler. Nós lemos alguns fragmentos, ora lidos pela Eulália, ora por Breta. É incrível porque passamos a ver a família por outra perspectiva por outro olhar. Isso acontece sempre porque alguém dessa família olha e pensa sobre um integrante e sempre por perspectivas diferentes. A República dos Sonhos é fascinante. E muito incrível por manter alguns segredos sem serem revelados. Obra de arte!

As artistas plásticas são do Rio de Janeiro como a autora.



Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

A Casa da Paixão

Terminei de ler A Casa da Paixão (1977) de Nélida Piñon. Estava em débito com essa escritora, nunca tinha lido nada dela. Imperdoável, já que ela ganhou inúmeros prêmios, como Prêmio Rosalía de Castro e Príncipe de Astúrias – Letras, na Espanha, e é membro da Academia Brasileira de Letras. Pena que escolhi um tema que não tenho afinidade, vou tentar achar outra obra sua para conhecer melhor. Comprei esse livro recentemente em um sebo por R$ 12,00, daquela coleção de banca vinho Mestres da Literatura Brasileira pela Editora Record, mas é possível achar em livrarias dessa capa ao lado. Só acho caro, R$ 32,00, já que não é um livro extenso e colocaram um texto falando da obra da autora para aumentar o tamanho e justificar o preço. Não gosto nem um pouco desses artifícios. Poderiam surprimir esse texto alheio e baratear o custo da obra, seria bem mais viável.


Obra O Farol de Anita Malfati


Nossa protagonista é uma bela jovem, desejada incestuosamente pelo pai que resolve escolher um homem para ser o primeiro. Já que ele só se permite desejá-la, ele quer que seja ele que decida quem vai desvendá-la. Ela é uma jovem intensa. Gostei demais da estrutura da narrativa, do texto rebuscado e pouco claro, só com sensações, cheiros e emoções. Mas não tive identidade com o tema, ainda mais que no final é tudo muito violento, mesmo tendo o significado da paixão. Me incomodou demais a excessiva violência do final.

Obra A Negra de Tarsila do Amaral.

Seguem alguns trechos de A Casa da Paixão de Nélida Piñon:


“Da terra, Marta escolhia qualquer recanto.”

“Amava o sol, sob sua luz imitava lagarto, passividade que os da própria casa jamais compreenderam, parecendo-lhes proibido que se amasse tanto o que ninguém jamais amara tão devotada.”

Música do post: Valsinha - Chico Buarque


Beijos,
Pedrita